Capítulo 339 — Velho desgraçado!
por NexoNovelCapítulo 339 — Velho desgraçado!
— É só pagar — respondeu Wu Chen, olhando para ela de canto, com um sorriso.
— É só pagar? — Li Ruobing franziu um pouco a testa. Em princípio, aquilo não se resolvia só com dinheiro. Alguém teria de ser punido. Dito de forma simples: era preciso proteger o pessoal de Zhao Guaizi e não abalar a base de Li Ruotai em Donghai.
E agora bastava pagar?
E Tang Jingbin ainda saía feliz daquele jeito?
Quanto teriam de pagar, afinal?!
Com certeza uma quantia astronômica, para Tang Jingbin abrir mão de cobrar os outros, não?
— Quanto? Mais de um bilhão? — perguntou Li Ruobing.
Mal terminou, os olhos dela brilharam, como se tivesse tido uma ideia. Baixou a voz e continuou:
— Você não tá pensando em fazer a família Ding indenizar o Atai, e o Atai usar esse dinheiro pra pagar a família Tang, tá? Aí o Atai praticamente não perde nada, quem paga é a família Ding… Acertei?
O sorriso de Wu Chen se encheu de surpresa. A ideia dela tinha lá a sua graça!
Que imaginação fértil!
E a lógica não tinha furo nenhum! Afinal, eles mesmos tinham queimado o clube, e isso já estava planejado. Ou seja, Li Ruotai já contava em arcar com o prejuízo do clube. Incriminando Ding Ruilong e tirando dinheiro da família Ding, esse valor seria lucro extra. Depois, era só usar esse dinheiro para encerrar o caso de Tang Xinbao…
E não é que um esquema desses tinha mesmo a cara de Wu Chen?
— Errou! — disse Wu Chen.
— Errei? — repetiu Li Ruobing.
Se não era isso, então, pelo estado de Tang Jingbin… Wu Chen tinha falhado dessa vez?
— Cunhado, fala logo. Quanto? — Li Ruotai entrou na conversa. O tempo todo estivera ali do lado, “escutando escondido” o que os dois diziam.
— O razoável já serve. — Wu Chen olhou para ele e sorriu. — Menos de cem milhões, só pra compensar, já basta…
— Só isso? — Li Ruotai se surpreendeu.
— E queria dar quanto? — riu Wu Chen.
— Não vão cobrar ninguém? — perguntou Li Ruotai.
— Não. — Wu Chen assentiu.
Li Ruotai quase não acreditou. Olhou para Wu Chen com uma cara estranhíssima, confuso e, ao mesmo tempo, meio empolgado.
— Então… acabou? Não tem mais problema?
— Acabou — disse Wu Chen, sorrindo.
— Cunhado, você é foda! — Li Ruotai soltou o elogio sem rodeios. Mais uma vez, estava completamente rendido a Wu Chen!
— O que vocês conversaram, afinal? — perguntou Li Ruobing de repente, ao lado, num tom arrastado. Já estava preparada para Wu Chen não contar.
— É complicado. — Wu Chen lançou-lhe um olhar e sorriu.
E não contou mesmo!
Nesse momento, ouviram-se passos na escada. Era Sun Yongzhang descendo. Li Ruotai olhou para ele e foi logo ao seu encontro. Queria, naturalmente, perguntar a ele.
Ao mesmo tempo.
Do lado de fora da villa, num carro parado junto à calçada.
Tang Jingbin, Tang Xinbao e Guo Qiqi estavam no banco de trás. Tang Jingbin passava instruções aos dois.
— …Xiaobao, esse negócio de você ter se machucado, deixa pra lá, não cobra mais nada. A família Li vai pagar uma compensação, eu já combinei com eles. O valor… segue o que o Wu Chen disser. O que ele mandar pagar, você aceita. Não pede mais, mas também não recusa…
— Eu sei, Segundo Tio. Na verdade, eu também não queria cobrar muito. Afinal, foi o irmão Wu que me salvou.
— Hum! E outra coisa: já que vocês não vão voltar hoje, fiquem por aqui por enquanto. Cultivem uma boa relação com o Wu Chen e a Li Ruobing. O Wu Chen não é um sujeito qualquer. Ter uma boa relação com ele vai trazer muita vantagem pra nossa família Tang, e pra família Guo também…
Tang Jingbin falou de um jeito diretíssimo. O que aquilo queria dizer chegava a ser meio “assustador”!
Mais de dez minutos depois.
Tang Xinbao e Guo Qiqi desceram do carro, acompanharam com os olhos os dois SUVs de Tang Jingbin se afastando e voltaram para a villa.
Na sala, todos conversavam à toa, mas os irmãos Li Ruobing e Li Ruotai estavam com uma cara meio esquisita.
É que Sun Yongzhang, ao descer, também não contara os detalhes do que tinham conversado lá em cima. Nem ele nem Wu Chen falavam da conversa secreta no escritório.
Tang Xinbao e Guo Qiqi tinham acabado de entrar.
— Voltaram? O irmão Tang foi embora? — perguntou Sun Yongzhang, virando a cabeça.
— Foi, Tio Sun — respondeu Tang Xinbao.
— Então eu também vou. — Sun Yongzhang se levantou. — Não tem mais nada pra mim aqui. Vou direto pro aeroporto…
Sun Yongzhang ia voltar para relatar pessoalmente a Li Maoren os detalhes da conversa secreta no escritório. Pelo telefone, antes, não explicara tudo direito. Era complexo demais para resumir em poucas frases numa ligação.
Na verdade, Sun Yongzhang nem devia ir embora.
Porque, no caso do incêndio do clube, Ding Ruilong era o principal suspeito.
Só que agora Sun Yongzhang já sabia que tudo era um plano de Wu Chen; Li Maoren tinha lhe contado por telefone. Por isso estava tranquilo. A fúria de Li Ruotai era toda encenação; ele, naturalmente, não ia perder a cabeça de verdade e matar Ding Ruilong!
— Então, se também não tem mais nada pra mim… eu vou… Vou levar o Terceiro Tio no aeroporto — disse Li Ruotai, logo depois do tio.
Estava tudo acertado. Não havia por que Li Ruotai continuar ali.
Pouco depois.
Li Ruotai e Sun Yongzhang foram embora juntos.
Na villa ficaram Wu Chen, Li Ruobing, Zhuang Xiaodie, Tang Xinbao e Guo Qiqi. Os cinco ainda conversaram mais um pouco na sala. Então Li Ruobing olhou o relógio e se virou para Wu Chen.
— Vamos, meu querido senhor Wu.
— Aonde? — perguntou Wu Chen, sorrindo.
— A empresa tem um evento hoje à noite. Você vai comigo — disse Li Ruobing.
— Tá bom. — Wu Chen assentiu.
Li Ruobing subiu primeiro para trocar de roupa.
Mais de dez minutos depois, os dois saíram juntos.
Mais de uma hora depois, já eram quase cinco da tarde.
Distrito de Zhongcheng, Donghai.
O Shopping Center Haman era um complexo comercial no coração da principal área comercial de Zhongcheng e um dos maiores centros de compras de Donghai.
No terceiro andar do shopping, era gente indo e vindo.
De vestido longo, salto alto e joias de diamante, Li Ruobing saía de braço dado com Wu Chen, de terno, de uma loja de grife…
Eram mesmo um casal lindo, os dois, e com cara de muito dinheiro. Li Ruobing, principalmente, roubava olhares: por onde passava, as pessoas viravam a cabeça.
Atrás deles vinham dois guarda-costas carregados de sacolas de todos os tamanhos.
Já fazia um bom tempo que passeavam por ali e tinham comprado muita coisa. Tudo comprado por Li Ruobing, e tudo para Wu Chen. Nada para ela!
O tal evento, na verdade, era um jantar de negócios, marcado para as sete e meia da noite.
Li Ruobing tinha tirado Wu Chen de casa mais cedo justamente para comprar, comprar e comprar! Queria montar para ele o traje completo do jantar!
Wu Chen percebia que aquilo era influência de Wu Yurong. O relógio de dois milhões que Wu Yurong comprara para Wu Chen estava, naquele momento, no pulso dele.
Os dois seguiam com os guarda-costas, prestes a subir para o quarto andar.
Trim, trim…
O celular de Li Ruobing tocou de repente.
Ela o tirou da bolsa e olhou a tela. Até então, estava de ótimo humor, sorrindo, passeando com Wu Chen. Mas a cara despencou na mesma hora, e a expressão gelou!
Gelou de vez!
Trim, trim…
O celular continuava tocando, e Li Ruobing nem atendia nem recusava.
Só encarava a tela.
Wu Chen deu uma olhada no aparelho dela.
No identificador de chamadas aparecia: Velho desgraçado!
O nome salvo carregava, evidentemente, um certo ódio. Wu Chen sabia quem era: o avô de Li Ruobing, pai de Li Maoren, o velho patriarca da família Li, Li Huaigeng!
O velho patriarca da família Li tinha ligado para Li Ruobing do nada!
Pelo que Wu Chen sabia, desde que Li Ruobing xingara o avô na cara dele, quatro anos antes, os dois nunca mais tinham tido contato direto nenhum!
O velho patriarca era teimosíssimo! Em condições normais, a não ser que Li Ruobing se casasse com Ding Ruilong, ele nunca mais falaria com a neta!
E agora estava ligando?
Wu Chen imaginava o motivo! Parecia uma ligação para Li Ruobing, mas ele achava que havia oitenta por cento de chance de o alvo verdadeiro ser ele!
Trim, trim…
O celular continuava tocando.
Já passava de dez segundos.
Li Ruobing enfim atendeu. Tocou na tela, levou depressa o aparelho ao ouvido e disse, gelada:
— Fala logo! Tô ocupada!
