Novels chinesas em português
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    Capítulo 324 — De qualquer jeito, isso pode custar a vida dele!

    O incêndio no Clube Huangguan tinha começado no décimo andar. Jiang Hongguang acabara de ouvir os guarda-costas de Sun Yongzhang comentarem e já sabia de tudo isso.

    E a mensagem dizia que o fogo tinha começado no 1029. E ainda lhe desejava boa sorte!

    Naquela tarde, Jiang Hongguang tinha ido duas vezes ao 1029. Nas duas, esperara um tempo e só saíra ao ver que ninguém vinha encontrá-lo. Não era ninguém brincando com a cara dele, porra! Era… para fazê-lo levar a culpa!

    Era incêndio criminoso!

    O 1029 não tinha hóspede!

    E ele, Jiang Hongguang, muito provavelmente era a única pessoa que tinha entrado no 1029 antes do incêndio! E entrado duas vezes, de um jeito anormalíssimo, sem motivo nenhum! Até o cartão era roubado!

    No Clube Huangguan, só as áreas de jogo não tinham câmera. Em todos os outros espaços comuns, restaurante, corredores, havia câmeras por toda parte!

    As câmeras do corredor com certeza tinham filmado ele entrando e saindo do 1029!

    Quanto mais pensava, mais fundo ia e mais frio sentia. Um arrepio subia do fundo do peito! Sentia que estava acabado! Acabado de vez, do tipo que ninguém salva! Não tinha como se explicar, porque não podia dizer por que tinha ido ao 1029. A ameaça, ele não podia contar!

    Senão, Ding Ruilong também o mataria!

    Ele não passava de um “peixe pequeno”. Para acabar com ele, montar uma operação desse tamanho, armar para cima dele e queimar o clube inteiro? Isso devia dar um prejuízo de centenas de milhões! Podia até ter mortos e feridos no clube!

    Precisava disso tudo?

    Ei, espera!

    No meio do raciocínio, Jiang Hongguang se deu conta de uma coisa e travou de novo.

    Tinha acabado de perceber: aquilo não era contra ele. Era contra Ding Ruilong!

    Porque ele, Jiang Hongguang, era homem de Ding Ruilong!

    Ding Ruilong era o patrão dele, e ele tinha ido ao Clube Huangguan junto com o patrão. O que quer que ele fizesse, era de se supor que fosse a mando de Ding Ruilong!

    Então alguém queria incriminar Ding Ruilong?

    Jogar a família Ding contra a família Li?

    Quem?

    Quem teria coragem de armar uma coisa desse tamanho?

    Quanto mais pensava, mais medo Jiang Hongguang sentia.

    Entendia que, diante de uma “grande disputa” daquelas, gente insignificante como ele seria esmagada até virar pó sem esforço nenhum!

    Jiang Hongguang também percebeu que ele próprio era a chave para livrar o patrão, Ding Ruilong, da suspeita! Só que o preço de livrá-lo era se entregar! Se não contasse por que foi ao 1029, a culpa ficava com ele, e ele morria! Mas, se contasse o motivo e mostrasse as mensagens aos outros, morria do mesmo jeito! Ding Ruilong o mataria de qualquer forma!

    Inventar outro motivo? Fora a verdade, Jiang Hongguang não conseguia pensar em nenhuma explicação convincente. Não tinha o que inventar. Roubar um cartão e entrar escondido num quarto era coisa que ninguém faria sem um motivo muito forte.

    Era um beco sem saída!

    De qualquer jeito, aquilo podia custar a vida dele!

    Glup!

    Jiang Hongguang engoliu em seco e voltou a olhar a mensagem. Quem o ameaçava ainda tinha a cara de pau de lhe desejar boa sorte. Estava na cara que queria acabar com ele de vez!

    O que fazer?

    Parecia restar um único caminho!

    Fugir!

    Fugir rápido e se esconder. Era o mais seguro! Bastava não ser encontrado!

    Embora… Jiang Hongguang também soubesse que, se fugisse, o patrão não conseguiria se explicar. A família Ding com certeza teria de dar uma satisfação à família Li, e isso, muito provavelmente, era o objetivo final de quem o ameaçava!

    Mas ele não ia dar a própria vida para provar a inocência de Ding Ruilong, ia?

    Jiang Hongguang se lembrou do jeito como Ding Ruilong sempre agira.

    Lembrou-se da crueldade e da frieza com que Ding Ruilong matara Tang Wu pouco mais de uma hora antes!

    Lembrou-se também do que se dizia sobre o pavio curto de Li Ruotai. Tinham queimado o clube dele. Dava para imaginar a fúria em que estaria. E, se ele não conseguisse se explicar de forma convincente…

    A cabeça estava um caos.

    O terror absoluto chegava a deixá-lo tonto.

    O que mais podia fazer?

    Pálido, Jiang Hongguang guardou o celular e se virou para os outros guarda-costas no corredor.

    O assunto do incêndio já estava na roda, e o grupo continuava conversando sobre aquilo.

    Sem nada para fazer, era o jeito de passar o tempo.

    Jiang Hongguang ouviu com atenção mais um pouco e confirmou de novo que o fogo tinha começado no décimo andar.

    De repente, deu dois passos na direção de um guarda-costas conhecido, como se fosse dizer alguma coisa. Mas, em vez disso, levou a mão à barriga e fez um gesto:

    — Tô com dor de barriga. Vou no banheiro.

    E se virou e foi embora.

    — O que deu no jovem Jiang hoje?

    — Vai saber. Foi no banheiro um monte de vezes. Deve ter comido alguma coisa estragada.

    Dois guarda-costas repararam nele por um instante, comentaram qualquer coisa e não olharam mais.

    Jiang Hongguang desceu apressado, mas nem passou perto do banheiro. Saiu direto do hospital. Do lado de fora da entrada ficava o estacionamento. Ele entrou no carro, tirou a chave do bolso e deu a partida.

    E parou de repente.

    Hesitou de novo!

    Sabia que, se fugisse, nunca mais conseguiria limpar o próprio nome. Enquanto não fosse pego, tudo bem. Mas, se fosse pego, morreria com certeza, sem a menor chance de amenizar nada!

    Ainda dava para descer do carro, voltar lá para cima e confessar tudo direto ao patrão, Ding Ruilong!

    Aí, viver ou morrer dependeria apenas da decisão de Ding Ruilong!

    Apostar?

    Apostar porra nenhuma!

    Se fosse outro patrão, ainda dava para apostar; quem sabe ele escapasse. Mas o patrão era Ding Ruilong! Que diferença isso fazia de morte certa?

    Na escuridão da noite, os faróis do Audi preto se acenderam.

    Jiang Hongguang saiu com o carro. Estava decidido de vez: fugir! Primeiro sair com aquele carro; em menos de uma hora estaria fora de Donghai. Numa cidade vizinha, roubava um carro, pegava um táxi, tanto fazia, e depois trocava de carro de novo…

    O Audi deixou o estacionamento do hospital e entrou na avenida.

    De repente, Jiang Hongguang sentiu até um pouco de alívio. Ainda bem que, ao longo dos anos, tinha feito muito serviço sujo para Ding Ruilong. Por isso, sabia muito bem como arrumar documento falso e como escapar de rastreamento sem chamar atenção.

    Do lado de fora da entrada do estacionamento do hospital, um SUV preto estava parado junto à rua.

    — Irmão Ma, o cara saiu — disse ao celular um homem de boné, dentro do SUV, olhando pela janela o Audi se afastar.

    — Pega ele. Com cuidado — veio a voz de Ma Yuan.

    — Pode deixar!

    O homem de boné desligou, pegou um rádio e apertou o botão:

    — Pessoal, podem agir. A placa é…

    Ao mesmo tempo.

    Grande Hotel Heyi, primeiro andar, Departamento de Manutenção, corredor diante da sala de monitoramento.

    Havia gente por toda parte. Seguindo as ordens de Li Ruotai, o guarda-costas Ma Yuan já estava ali com seus homens fazia algum tempo, ajudando a controlar a situação e a limpar uns “rastros”!

    O dono do Grande Hotel Heyi já tinha dado o recado ao pessoal dali, por isso o hotel colaborava totalmente.

    Terminada a ligação junto à janela do corredor, Ma Yuan guardou o celular e voltou depressa para a sala de monitoramento. Mal entrou, perguntou:

    — Apagou?

    — Irmão Ma… — Diante do computador da central estava sentado outro guarda-costas de terno preto. Olhou para Ma Yuan e voltou à tela. — Limpei todas as gravações do último mês. Vou fazer mais uma sobrescrita, pra garantir que não dê pra recuperar…

    — Ótimo! — Ma Yuan assentiu.

    Estavam apagando os rastros da hospedagem de Ding Ruilong naquele hotel. Ele não tinha se registrado com a própria identidade, mas as câmeras com certeza o tinham filmado, então era preciso apagar tudo.

    Era o “procedimento padrão” para abafar certas coisas de gente importante!

    Não podia sobrar nenhuma prova que pudesse ser investigada ou usada!

    O que Ma Yuan não sabia era que, ao limpar as gravações, eles também tinham apagado as imagens do corredor que mostravam alguém se infiltrando na suíte executiva 616 ao meio-dia do dia anterior!

    …

    Zunrong · Donghai Huafu, villa nº 36!

    Quando Li Ruobing e Wu Chen chegaram em casa, eram umas dez e quarenta da noite. Tang Xinbao, Guo Qiqi e Zhuang Xiaodie já tinham ido para os quartos descansar.

    Agora já eram onze e meia.

    No quarto do segundo andar.

    Wu Chen e Li Ruobing já tinham tomado banho e conversavam. Só então Wu Chen terminou de explicar por que escolhera aquele dia para queimar o clube!

    — Então… — De camisola, deitada de lado, com a cabeça apoiada na mão, Li Ruobing olhava para Wu Chen. — Você não tem medo de dar tudo errado? E se o tal Jiang Hongguang não fugir e contar tudo pro Ding Ruilong… você tem que admitir que essa possibilidade existe, né? Aí como é que a família Ding vai ser obrigada a pagar o prejuízo do clube?

    — Não tem problema. O mais provável é que o Jiang Hongguang fuja. E, se ele não fugir e confessar, mesmo que todo mundo descubra que alguém estava ameaçando o Jiang Hongguang, que tem outro mandante por trás e que foi armação, também não tem problema nenhum! — disse Wu Chen, sorrindo para ela.

    — Por quê? — perguntou Li Ruobing.

    — Porque… o mandante por trás é o Jiang Chuan. E ele também é gente da família Ding! — Wu Chen sorriu.

    — Hã? — Li Ruobing ficou surpresa. Pensou um pouco e perguntou, hesitante: — Por que a investigação ia… chegar no Jiang Chuan?

    Nota