Capítulo 321 — Pegou fogo!
por NexoNovelCapítulo 321 — Pegou fogo!
Os mais de dez guarda-costas e assistentes ficaram todos atônitos.
Tinha sido repentino demais!
Não a morte de Tang Wu. No instante em que a história se confirmou, todos já sabiam que Tang Wu estava acabado. O que veio do nada foi a pistola explodir. Aquilo tinha sido abrupto demais! Ninguém podia prever!
— Patrão!
— Patrão, o senhor está bem?
Vários guarda-costas avançaram. Dois homens de confiança de Ding Ruilong chegaram junto dele e tentaram erguê-lo.
Mas Ding Ruilong já tinha desabado junto ao sofá, recostado nele, apertando a mão direita com a esquerda. A direita estava encharcada de sangue. Todos os dedos ainda estavam lá, mas a carne era uma massa dilacerada.
Uma pistola explodindo não tinha a força de um fuzil, mas ainda podia ferir gravemente quem a segurava e deixava sequelas com facilidade. Com azar, se um estilhaço atingisse um olho, a coisa ficava muito pior…
— Patrão! Sua mão… rápido, preparem o carro, vamos pro hospital! — gritou o guarda-costas de confiança para os outros, enquanto erguia Ding Ruilong.
Dois guarda-costas saíram correndo na hora para descer e ligar o carro.
— Caralho! — xingou Ding Ruilong de novo, aguentando a dor.
Dizem que os dedos estão ligados ao coração. E doía de verdade!
Ding Ruilong nunca tinha sentido uma dor daquelas na vida. Afinal, com a posição que tinha, ninguém ousava machucá-lo.
A sala estava um tanto caótica.
Um dos guarda-costas de confiança chegou a tirar o próprio paletó. Enrolou com ele a mão de Ding Ruilong, deu um nó e apertou o pulso para estancar o sangue por enquanto.
Além disso, com a mão coberta, ninguém a veria quando saíssem.
— Vocês ficam e dão um jeito no local. Vocês, lá fora… façam barreira, não deixem ninguém entrar. O resto vem comigo… rápido…
Uns amparavam Ding Ruilong até a porta.
Outros davam ordens e organizavam tudo.
Eram todos profissionais. Sabiam o que fazer.
Um ferimento daqueles não se resolvia com um curativo improvisado. Precisava de hospital, de pontos e de curativo de verdade! Quanto antes, melhor!
Amparado por dois guarda-costas, Ding Ruilong deixou a suíte rumo aos elevadores. Àquela altura, alguns hóspedes já tinham aberto a porta dos quartos e espiavam o corredor da soleira.
Tinham ouvido os tiros.
O isolamento acústico daquele hotel quatro estrelas era muito bom. As janelas que davam para a rua tinham vidro triplo, suficiente para barrar a maior parte do barulho da avenida. Mas Ding Ruilong tinha atirado sem silenciador.
Mesmo num espaço fechado como a sala da suíte, o som dos disparos acabava escapando!
Só que… sem experiência, ninguém conseguia dizer de imediato que barulho era aquele. Parecia que alguma coisa tinha explodido!
Afinal, a imensa maioria das pessoas nunca tinha ouvido um tiro de verdade, e o som das armas em filmes e séries é diferente do real.
Quase metade das portas do corredor foi se abrindo, uma após a outra. Os hóspedes punham a cabeça para fora. Alguns ainda estavam de pijama, homens e mulheres.
— Que barulho foi esse?
— O que aconteceu com aquele homem?
Entre os comentários, alguns hóspedes chegaram a sair e tentaram se aproximar da porta da 616, mas foram barrados pelos guarda-costas.
Altos, corpulentos, de terno preto, os guarda-costas intimidavam. Os hóspedes não queriam encrenca e voltaram para dentro.
Na sala da 616, alguns guarda-costas continuavam cuidando do corpo.
A coisa tinha ficado meio complicada.
Bêbado, Ding Ruilong tinha arrancado a verdade de Tang Wu e atirado na hora, sem nem usar silenciador. Isso não só faria o hotel vir averiguar como, provavelmente, levaria alguém a chamar a polícia.
Mas… o problema também não era difícil de resolver.
Os guarda-costas sabiam que, por pior que fosse a relação entre Li Ruotai e o patrão deles, a família Li fazia questão de tê-lo como genro. Então a família Li ia abafar tudo! Por mais que Li Ruotai esperneasse, teria de obedecer à família!
…
Ao mesmo tempo.
Clube Huangguan de Donghai, suíte do último andar.
Já eram quase nove e meia da noite.
Na suíte, Wu Chen, Li Ruobing, Sun Yongzhang, Tang Jingbin, Li Ruotai e os demais ainda tomavam chá para curar o porre e jogavam conversa fora.
Falavam de tudo e de nada. Todos tinham bebido bastante e estavam mais soltos.
Ainda assim, o clima continuava meio esquisito.
Sun Yongzhang tinha voltado a chamar Wu Chen de “jovem Wu” a cada frase. Comparado a quando Ding Ruilong estava presente, era outra pessoa. De vez em quando, ainda trocava olhares com Wu Chen. Qualquer um percebia que havia alguma coisa entre os dois!
E, logo que todos voltaram para a suíte, Wu Chen tinha dito a Li Ruobing que Ding Ruilong iria parar no hospital naquela noite. Todos tinham ouvido.
Mas Wu Chen não entrara em detalhes com Li Ruobing, e ela também não insistira.
Os outros nem perguntaram.
Tang Jingbin não sabia de nada. Certas coisas, Li Ruotai e Sun Yongzhang não podiam perguntar a Wu Chen na frente dele. E o próprio Tang Jingbin… não tinha como tocar no assunto. Não era da conta dele!
Além disso!
Pensando bem, Wu Chen tinha dito que “Ding Ruilong vai parar no hospital hoje à noite”, mas não dissera por quê. Coma alcoólico de tanto beber, com direito a lavagem estomacal e soro? Algum problema na comida e uma diarreia? Ou qualquer outra coisa?
Tudo era possível!
Ninguém ousou imaginar algo grave. E, se fosse coisa pequena, nem valia a pena pensar muito. Com o passar do tempo, Sun Yongzhang acabou esquecendo o assunto.
— …Hahahaha! Irmão Sun, quando tiver tempo de ir a Modu, me avisa, hein. Faço questão de te receber muito bem. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O que aconteceu com o meu Xiaobao não afeta a amizade entre as nossas famílias… — Tang Jingbin gargalhava, desfiando as cortesias de praxe.
— Combinado, combinado. Se eu for a Modu, com certeza te procuro, irmão Tang. Ah, e outra coisa… amanhã, amanhã você traz o seu sobrinho também. As duas famílias se encontram e conversam juntas. Fica tranquilo, irmão Tang: já que o erro foi do Atai, com certeza vamos dar à família Tang uma satisfação que deixe vocês contentes! — respondeu Sun Yongzhang, sorrindo também.
Do outro lado da mesa de centro, Li Ruobing já estava sonolenta, efeito da bebida. Recostada em Wu Chen, não parava de cochilar.
Na outra ponta da sala, Li Ruotai estava na varanda, com a janela entreaberta, fumando.
Com o braço nos ombros de Li Ruobing e recostado no sofá, Wu Chen observava Sun Yongzhang e Tang Jingbin conversarem, mas de vez em quando dava uma olhada no relógio.
Logo.
Sem que se percebesse.
Mais de dez minutos se passaram.
Por volta das nove e quarenta e cinco.
— Uuuuuuu! — Uma sirene disparou de repente, ecoando por todo o Clube Huangguan!
Alta, estridente!
Era o alarme de incêndio, acionado pelos detectores! Um pouco de fumaça não bastava; só uma grande quantidade fazia o prédio inteiro disparar!
Todos na sala mudaram de expressão.
Li Ruobing se endireitou de uma vez. Com o som, despertou por completo.
Trocaram olhares e, quase ao mesmo tempo, se viraram para Li Ruotai. Ele era o dono do lugar. Se alguém sabia o que estava acontecendo, era ele.
Alarme falso?
Fogo na cozinha?
Ou outra coisa?
Mas Li Ruotai também estava com cara de quem não entendia nada, como se não fizesse ideia.
— O que houve?
— Vai ver!
— Rápido!
Do lado de fora vieram os gritos dos guarda-costas e o barulho de passos correndo. Logo alguém berrou:
— Fogo! Tá pegando fogo lá embaixo!
Creeec!
A porta da suíte foi escancarada. Da porta, um guarda-costas gritou para dentro:
— Pegou fogo lá embaixo! Tá queimando!
Todos ficaram atônitos por um instante, surpresos, mas ninguém perdeu tempo com palavras. Levantaram-se e foram direto para a porta.
— Rápido! Todo mundo pra fora, vamos descer! Pela escada! Venham comigo! — gritou Li Ruotai.
Em incêndio não se usa elevador: a fiação pode queimar, o elevador para e a pessoa fica presa. Isso é básico!
Escoltados pelos guarda-costas, todos desceram depressa. Em alguns andares a porta da escada ficava trancada, mas os guarda-costas de Li Ruotai tinham as chaves.
Evacuação geral!
Em todos os andares, funcionários do clube corriam de um lado para o outro, conduzindo os clientes escada abaixo.
Como o fogo tinha sido descoberto cedo e ainda não se espalhara, a evacuação correu bem, sem tumulto.
Enquanto descia com os outros, Li Ruotai não largava o telefone. Estava alteradíssimo, xingando.
— Apaga esse fogo, caralho! Vocês vão na frente, mas toma cuidado, porra! Se não der pra segurar, corre!
— Puta que pariu! Chamaram os bombeiros? Onde começou?
— Qual quarto? O 1029?
— Tem hóspede preso lá dentro? Então tira as pessoas primeiro! Não… não tem ninguém?! Não tem ninguém e começou a pegar fogo, caralho?! Porra, eu pago vocês pra quê? Que vistoria é essa que vocês fazem?
Li Ruotai tinha perdido completamente a compostura. Aquele clube era a obra da vida dele, e um incêndio podia pôr tudo abaixo. Era natural que estivesse daquele jeito.
E todos que desciam com ele entenderam a situação.
O fogo era no décimo andar.
E tinha começado num quarto sem hóspedes!
O quarto 1029!
