Capítulo 316 — Você pega dinheiro de qualquer um? Quer morrer?
por NexoNovelCapítulo 316 — Você pega dinheiro de qualquer um? Quer morrer?
Escrita a mensagem, Wu Chen digitou o número do destinatário, mas não mandou. Programou o envio para um horário determinado, função que a maioria dos smartphones atuais tem.
Depois disso, Wu Chen foi mesmo descansar.
Pôs o despertador, deitou-se no sofá e dormiu.
Andava muito ocupado nos últimos tempos. Na noite anterior, ainda tinha passado a noite com Wu Yurong. Embora só tivesse levantado depois das nove, não tinha dormido o suficiente.
Já que tinha tempo, descansar um pouco e recuperar as energias não fazia mal.
Duas horas e meia depois, já perto das quatro da tarde.
O despertador tocou.
Wu Chen abriu os olhos, sentou-se, arrumou as coisas, levantou-se e saiu da sala de descanso.
No corredor, quase não se via mais ninguém.
Os guarda-costas de Li Ruobing, os de Gu Ruibo e os de Ding Ruilong tinham sumido. Ao longo de todo o corredor, só havia umas poucas pessoas… todas homens de Li Ruotai.
Ma Yuan também estava lá, sentado num banco.
Ao ver Wu Chen sair, levantou-se e foi depressa até ele:
— Senhor Wu.
Wu Chen lhe entregou o celular com a mensagem programada e disse:
— Sabe o que fazer, né?
— Sei — respondeu Ma Yuan baixinho, assentindo.
Já na noite anterior, tinha recebido as ordens de Li Ruotai. Não conhecia a situação inteira, mas sabia muito bem o que lhe cabia fazer.
— O patrão e os outros foram pro nono andar — acrescentou Ma Yuan.
Wu Chen assentiu e seguiu para os elevadores.
Na verdade, mesmo que Ma Yuan não dissesse, Wu Chen já sabia que todos tinham ido para o nono andar. Na ligação do dia anterior, tinha combinado com Li Ruotai que, lá pelas três da tarde, ele provocaria Ding Ruilong e proporia irem jogar cartas no nono andar.
Wu Chen só ficara sabendo naquela manhã que alguém da família Tang chegaria no mesmo dia.
Mas a presença de Tang Jingbin não afetava aquela etapa do plano.
Wu Chen desceu de elevador até o nono andar do clube, atravessou o salão, entrou em outro corredor e logo chegou à porta de uma sala privativa guardada por vários guarda-costas.
— Senhor Wu. — Um dos homens de Li Ruotai o cumprimentou e já foi abrindo a porta.
Na sala privativa.
Estavam todos lá, menos Gu Ruibo, que já tinha arrumado uma desculpa para sair e não fora jogar. Ele precisava se encontrar com Wu Yurong e Lei Cheng.
Li Ruobing também estava, mas não jogava. Sentada atrás de Li Ruotai, assistia.
Jogavam Li Ruotai, Ding Ruilong, Sun Yongzhang e Tang Jingbin.
Pelo que havia na mesa, as apostas eram baixas.
Jogo de cartas, quando corre bem, aproxima as pessoas; quando corre mal, transforma amigos em inimigos. E ninguém ali estava interessado no quanto ia ganhar. Li Ruotai mostraria vontade de vencer Ding Ruilong, mas Sun Yongzhang com certeza o seguraria e não deixaria as apostas subirem demais.
Pequenas vitórias, pequenas derrotas… O principal continuava sendo a conversa!
Wu Chen entrou, avaliou a situação e foi ficar atrás de Li Ruotai. Como tinha dormido de verdade, a roupa estava meio amassada. Li Ruobing reparou, ergueu a mão para alisá-la e puxou de leve a gola dele, ajeitando-a.
Um gesto muito natural.
Ding Ruilong reparou. A mão dele tremeu, e por pouco não rasgou as cartas, mas ele controlou bem as emoções.
— Cunhado, quer jogar? — Li Ruotai largou as cartas e se virou para perguntar.
Wu Chen sorriu e balançou a cabeça.
Não ia jogar!
Com apostas baixas, não tinha graça. Com apostas altas… Sun Yongzhang, que estava colaborando com o teatro, ia ter de impedi-lo.
Então Wu Chen só ia assistir e, de vez em quando, dar umas dicas a Li Ruotai. Bastava.
Meia hora depois.
Com várias dicas de Wu Chen, Li Ruotai já tinha arrancado pouco mais de cinco milhões de Ding Ruilong. A cara de Ding Ruilong ficava cada vez pior, não por ter perdido, mas porque Li Ruotai não parava de alfinetá-lo.
— Ding Ruilong, você sabe jogar ou não? Com uma mão podre dessas ainda tem coragem? Por que não me passa logo todo o dinheiro? Assim ninguém perde tempo… — disse Li Ruotai.
Ao mesmo tempo.
No corredor, do lado de fora.
Plim!
O som de uma mensagem chegando.
Vinha do bolso de um guarda-costas alto e magro, de uns trinta anos. Chamava-se Jiang Hongguang e era um dos guarda-costas de confiança de Ding Ruilong.
Jiang Hongguang ouviu o som, sentiu o celular vibrar, tirou o aparelho do bolso e olhou. Era uma mensagem de um número desconhecido.
Abriu.
“A casa com vista pro mar em Sanhai é confortável? Você pega dinheiro de qualquer um? Quer morrer?”
Ao ler, Jiang Hongguang primeiro travou. Logo depois, as pupilas se contraíram, e o rosto mudou de cor várias vezes.
A mensagem era curtíssima e não dizia com clareza do que se tratava, mas ele entendeu na hora: estava sendo ameaçado. E era uma ameaça de morte!
Jiang Hongguang era de Sucheng. Tinha servido no Exército e, pouco depois de dar baixa, entrara para a família Ding como guarda-costas. Mais tarde, passara a trabalhar para Ding Ruilong.
Já estava com Ding Ruilong havia cinco anos. Não se comparava aos homens de confiança mais famosos e antigos que cercavam o patrão, mas era bastante valorizado.
Ding Ruilong era cruel e implacável. Como se diz, tal patrão, tais subordinados. Ao longo daqueles anos, Jiang Hongguang naturalmente tinha feito muito serviço sujo para Ding Ruilong. As mãos dele estavam longe de ser limpas.
Nos cinco anos com Ding Ruilong, além de um salário de algumas centenas de milhares por ano, ele tinha também umas rendas que não podiam ver a luz do dia!
Ele tinha “pegado” dinheiro de Ding Ruilong!
Mas não roubando diretamente nem traindo o patrão. Era que, quando se cumpria uma tarefa, sempre havia algum dinheiro por fora.
Toda viagem envolvia uma porção de despesas. Levantar informações para o patrão também exigia molhar a mão de gente. Não faltavam lugares onde gastar, e, como em volta de Ding Ruilong havia muito serviço sujo, despesa de coisa ilegal naturalmente não vinha com nota fiscal.
Quando Jiang Hongguang pegava dinheiro de Ding Ruilong, era basicamente… inflar um pouco os reembolsos. Havia outros jeitos também, mas aquele era o principal.
Saía para uma tarefa, gastava setenta ou oitenta mil em despesas variadas e, na volta, declarava cem mil. O patrão lhe dava um milhão para comprar alguma coisa ilegal; ele gastava oitocentos mil no item e mais algumas dezenas de milhares em outras despesas. O que sobrava… se ninguém tocasse no assunto, também não precisava devolver.
Ding Ruilong gastava dinheiro sem nem contar. Era rico demais, rico de berço. Prestava atenção, claro, nas quantias grandes, mas não ligava para as pequenas.
Trabalhando para Ding Ruilong, o dinheiro por fora era farto. Às vezes havia comissões por fora, até gratificações pagas por terceiros.
Jiang Hongguang sabia inclusive que, alguns anos antes, Jiang Chuan, o principal homem de confiança do patrão, tinha recebido uma propina de um milhão de um empresário. O sujeito queria se agarrar a Ding Ruilong e pretendia lhe oferecer uma mulher, mas não conseguia chegar até ele, então procurou Jiang Chuan.
Entre os guarda-costas, aquilo nem era segredo. Corria à boca pequena, mas ninguém ia levar o assunto ao patrão.
Afinal, muito desse dinheiro por fora era dividido entre várias pessoas.
Na verdade, para esse tipo de coisa… água limpa demais não cria peixe!
Muitas vezes Ding Ruilong simplesmente fazia vista grossa. Sabia o que acontecia. Eram homens que arriscavam a vida por ele, e ele não tinha paciência para implicar com miudezas assim.
Uma vez era coisa pequena. Duas vezes, ainda era coisa pequena. Mas, se alguém fizesse aquilo sem parar e cada vez com mais ousadia, aí a história era outra.
Jiang Hongguang era relativamente ousado. Era muito leal a Ding Ruilong, mas também achava que certo dinheiro ele podia pegar. Se os outros podiam, por que ele não?
Em agosto do ano anterior, Jiang Hongguang tinha transferido seis milhões para os pais e pedido que comprassem, no nome deles, uma casa com vista para o mar na cidade de Sanhai. No começo daquele ano, numa folga, ele próprio tinha ido passar uns dias lá.
Dos seis milhões, uma pequena parte vinha do que sobrara de salários e bônus ao longo dos anos. A maior parte, porém, vinha do dinheiro “por fora” que ele juntara de pouquinho em pouquinho!
Aquilo podia matá-lo!
Tirar algumas dezenas de milhares de cada vez era problema pequeno. Mas juntar, aos poucos, três ou quatro milhões… se Ding Ruilong descobrisse, ia mandá-lo se encontrar com os antepassados!
Jiang Hongguang sabia muito bem qual era o gênio de Ding Ruilong. Sabia também que nenhum dos outros guarda-costas do patrão era totalmente limpo.
Só que eles não estavam sendo ameaçados.
Ele, agora, estava!
Quem seria?
Por dentro, Jiang Hongguang entrou em pânico, mas fingiu calma e guardou o celular. Ajeitou os óculos escuros, virou-se para o colega ao lado e disse em voz baixa:
— Vou no banheiro.
E saiu apressado do corredor.
Logo encontrou o banheiro público do nono andar, empurrou a porta e entrou. Bateu, uma por uma, nas portas das cabines e, só depois de confirmar que não havia ninguém, tirou de novo o celular.
Não ligou para o número.
Primeiro, respondeu à mensagem.
“Quem é você?”
