Capítulo 315 — Ficou de mau humor
por NexoNovelCapítulo 315 — Ficou de mau humor
— Esse assunto… — Tang Jingbin olhou para Wu Chen, arrastando as palavras.
O “caso do Atai”, naturalmente, era o caso de Tang Xinbao. Tang Jingbin estava com a cabeça tomada pela dúvida de quem, afinal, era Wu Chen. Já sentia que havia algo grande em andamento e não esperava que Wu Chen, de repente, viesse tratar daquilo com ele.
Tang Jingbin já agia com cautela em relação a Wu Chen.
Por isso, naquele momento, nem sabia como negociar. Não podia concordar com tudo o que Wu Chen dissesse, mesmo ele tendo salvado Tang Xinbao.
— Irmão Tang, isso não tem pressa. — Sun Yongzhang interveio de repente, tomando a palavra e sem dar a menor consideração a Wu Chen.
Wu Chen queria conversar.
Sun Yongzhang dizia justamente que não havia pressa!
Depois de lançar um olhar sem expressão a Wu Chen, voltou a sorrir para Tang Jingbin:
— Irmão Tang, você não está com pressa de voltar pra Modu hoje, está?
— Voltar… pressa de voltar não tenho, não — respondeu Tang Jingbin, olhando para Sun Yongzhang.
Parecia estar pesando as palavras, mas, na verdade… nem sabia o que dizer!
Wu Chen e Sun Yongzhang estavam atuando bem na frente dele. Aquilo o deixava desconfortabilíssimo, sem saber como reagir.
Sabia que, se dissesse algo errado, podia acabar desmascarando o teatro dos dois.
E, já que tinha percebido, naturalmente não havia por que ofender Sun Yongzhang.
Mas, se colaborasse com Sun Yongzhang e Wu Chen… seria como entrar no teatro com eles e enganar Ding Ruilong! Era complicado demais. Ele não sabia absolutamente nada dos bastidores e, sem entender como, tinha caído numa situação em que precisava atuar junto com Wu Chen e Sun Yongzhang!
— Tio Sun! — Ao perceber o clima meio estranho, Ding Ruilong falou por conta própria. Olhou para Li Ruotai e voltou-se para Sun Yongzhang: — O que é isso…? O que houve com o Atai?
— Não é da sua conta. Não se mete! — Li Ruotai rebateu na hora, de cara fechada.
— Atai! — Sun Yongzhang o fuzilou com o olhar.
Li Ruotai se calou.
— Ruilong, é o seguinte… Não é nada demais. O Atai e o Tang Xinbao tiveram um pequeno mal-entendido. Coisa pequena! — explicou Sun Yongzhang, todo sorridente.
— Tang Xinbao? — repetiu Ding Ruilong, olhando para Tang Jingbin.
Claro que sabia quem era Tang Xinbao.
— Anteontem meu sobrinho quase morreu em Donghai — disse Tang Jingbin. Sempre que o assunto vinha à tona, ele falava em “quase morreu”, recusando-se a deixar o caso ser diminuído. Era técnica de negociação e também a posição dele!
— Quase morreu… — A expressão de Ding Ruilong mudou um pouco.
Ele, naturalmente, entendia muito bem o peso de Tang Xinbao.
— Mas o que aconteceu, afinal…? — perguntou. Uma coisa daquele tamanho e ele nem tinha ouvido falar, principalmente porque fazia muito pouco tempo. Tinha acontecido na noite de anteontem; não daria para a notícia já ter se espalhado.
— Foi assim… — Sun Yongzhang começou a explicar, com detalhes.
Alguns minutos depois.
Sun Yongzhang já tinha contado praticamente tudo. Naturalmente, mencionou que Wu Chen tinha salvado Tang Xinbao, e isso fez a cara de Ding Ruilong azedar.
Ele percebeu que, como salvador de Tang Xinbao, Wu Chen poderia mediar o caso.
Wu Chen podia ajudar Li Ruotai a sair da encrenca!
Aquilo…
Ding Ruilong achou que devia mostrar serviço, passar na frente de Wu Chen e ajudar a resolver o assunto. Não para ajudar Li Ruotai, mas para se exibir diante de Sun Yongzhang, diante das famílias Li e Sun!
— Segundo Mestre Tang, na verdade eu nem devia me meter, mas acho que… — começou Ding Ruilong, sorrindo para Tang Jingbin.
E lá foi ele!
Wu Chen não tinha a menor vontade de ouvir.
Embora a situação estivesse bem interessante: Li Ruotai doido para matar Ding Ruilong, e Ding Ruilong querendo ajudá-lo…
Wu Chen ergueu o pulso e olhou o relógio. Já era quase uma e meia da tarde.
— Vou procurar um lugar pra deitar um pouco — disse ele a Li Ruobing, inclinando a cabeça, num volume nem alto nem baixo.
— Cansado? — perguntou Li Ruobing, com um brilho no olhar.
Ela não achava que Wu Chen estivesse cansado e também não sabia por que ele queria sair de repente.
— Não faz sentido eu ficar aqui enrolando — disse Wu Chen. E se levantou, ajeitou o paletó e se virou para sair.
Li Ruobing também se levantou, querendo ir com ele.
— Bingbing, aonde você vai? Tem visita — disse Sun Yongzhang, erguendo os olhos e franzindo a testa. A “visita”, claro, não era Ding Ruilong, e sim Tang Jingbin.
Se Li Ruobing ficasse, seria só para ajudar o irmão a resolver a encrenca.
— Mana — chamou Li Ruotai, levantando-se também. Não queria que ela fosse.
— Fiquem conversando vocês — disse Wu Chen, parando e se virando para Li Ruobing.
Mesmo assim, Li Ruobing foi até ele, segurou-o e perguntou baixinho:
— O que você vai fazer?
— Colaborar um pouquinho — respondeu Wu Chen, também baixinho.
Li Ruobing entendeu na hora: aquele desgraçado ia aprontar alguma! Mas não conseguia adivinhar o que ele ia fazer ao sair.
Os outros não ouviram o que os dois disseram.
Só viram os dois trocarem algumas palavras. Wu Chen se virou e saiu, e Li Ruobing voltou ao lugar e se sentou, com uma cara não muito boa.
E, aos olhos de todos os outros, a cena toda parecia indicar uma coisa.
Wu Chen tinha ficado de mau humor!
Antes, ele quisera conversar com Tang Jingbin, mas Sun Yongzhang tomara a palavra e nem o deixara falar. A atitude de Sun Yongzhang o deixara contrariado, ele não aguentara mais ficar ali e fora procurar um lugar para descansar!
Quando Wu Chen saiu, Ding Ruilong não conseguiu segurar um sorriso.
Começava até a achar que Wu Chen nem era ameaça.
Já Tang Jingbin, ali presente, sentia arrepios atrás de arrepios.
Percebia o quanto aquele teatro era completo, o quanto o jogo era grande. Ding Ruilong tinha sido enganado por inteiro! Talvez nem chegasse a saber como tinha morrido!
Wu Chen saiu sozinho da suíte.
O corredor estava cheio de guarda-costas, mais de vinte no total. Quando Wu Chen apareceu, todos os homens de Ding Ruilong fixaram os olhos nele, com o olhar bem mais afiado.
Todos sabiam quem era Wu Chen. Já tinham visto fotos dele.
— Senhor Wu! — cumprimentaram os guarda-costas de Li Ruotai.
Wu Chen deu uma olhada e reparou nos guarda-costas que Ding Ruilong trouxera naquele dia. No dia anterior, ao chegar a Donghai, mais de dez pessoas o receberam; os que estavam ali eram só parte deles.
— Quero um lugar pra descansar um pouco — disse Wu Chen.
— Por aqui, senhor Wu. — Ma Yuan, o careca de confiança de Li Ruotai, fez um gesto e foi pessoalmente guiá-lo.
Nem desceram.
Ma Yuan só levou Wu Chen até a outra ponta do corredor, diante do quarto 1119.
— Onde deixaram a coisa? — perguntou Wu Chen de repente, pouco antes de chegarem à porta da sala de descanso, em voz baixíssima. Os guarda-costas na outra ponta, junto à porta da suíte, não tinham como ouvir.
— Debaixo do sofá — respondeu Ma Yuan, baixinho.
Chegaram à porta.
Ma Yuan pegou um cartão-mestre, destravou a porta, empurrou-a e fez um gesto de convite:
— Por favor, senhor Wu. Se precisar de alguma coisa, é só me chamar.
— Beleza. Pode ir — disse Wu Chen, e entrou.
Entrou e fechou a porta.
Era uma sala de descanso bem decorada e espaçosa, com sofá e cama.
Wu Chen foi até o sofá, sentou-se, abaixou a mão e tateou por baixo. Logo puxou de lá uma caixa.
Era justamente a caixa que Wu Chen tinha encontrado primeiro no “esconderijo” quando fora atrás de Lao Dao!
Desde então, Li Ruotai a guardava. E, na ligação do dia anterior, Wu Chen já tinha avisado que ia precisar dela!
Wu Chen pôs a caixa sobre a mesa de centro e a abriu.
Identidade falsa, carteira de motorista, passaporte, cinquenta mil em dinheiro, alguns cartões bancários, um celular, pistola e munição… Estava tudo ali, nada tinha sido mexido.
Wu Chen tirou o celular da caixa e o ligou.
O aparelho só tinha sido usado uma vez. Fazia um tempo que estava parado, mas, como fora desligado logo depois daquele uso, ainda tinha bateria.
Ligado o aparelho.
Wu Chen pensou um instante, sorriu, abriu a tela de mensagens e escreveu rapidamente um texto.
