Novels chinesas em português
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    Capítulo 305 — Então você deve ter dado duro mesmo

    — Ai! — O grito do lado de fora da sala privativa foi altíssimo e perfeitamente nítido.

    Os três que conversavam lá dentro mudaram de expressão e se viraram para a porta. Lei Cheng chegou a se levantar. Tao Manying tinha acabado de sair e ainda não voltara. Quanto ao grito repentino… na verdade, não dava para saber se era dela. Só dava para perceber que vinha de uma mulher jovem.

    Então outras vozes chegaram lá de fora.

    — Ai! Tao Manying! É a Tao Manying!

    — É ela mesmo! Me dá um autógrafo? Dá, por favor?

    Eram vozes de várias garotas.

    Lei Cheng, que já ia sair para ver o que estava acontecendo, parou. Dava para entender a situação. Era óbvio que Tao Manying tinha sido reconhecida por fãs, que ficaram empolgadas demais ao vê-la e acabaram gritando daquele jeito.

    Numa situação dessas, Lei Cheng não podia sair.

    No meio artístico, não era segredo que Tao Manying tinha um patrocinador poderoso por trás. Mas, para o grande público e para os fãs dela, Tao Manying nunca tivera um único escândalo amoroso. E era melhor que continuasse assim!

    Lei Cheng olhou para Wu Chen.

    Depois de trocar um olhar com ele, Wu Chen se virou para Wu Yurong.

    Os três se entenderam rapidamente com os olhos.

    — Deixa que eu vou — disse Wu Yurong, levantando-se.

    Vale mencionar um detalhe: o Restaurante Liuji era um restaurante privado de altíssimo padrão e levava muito a sério a privacidade dos clientes. Não permitia que guarda-costas ficassem de plantão diante das salas privativas, porque assim poderiam ver outros clientes entrando e saindo das outras salas.

    E quem comia no Liuji era gente rica ou poderosa. Ninguém queria ser visto, e todos respeitavam as regras da casa.

    Por isso, nenhum dos guarda-costas ou assistentes de Wu Yurong, Lei Cheng e Tao Manying tinha subido. Todos esperavam no andar de baixo.

    No corredor, do lado de fora da sala.

    Tao Manying tinha acabado de sair do banheiro quando deu de cara com três garotas de uns vinte anos, que pareciam clientes de outra sala. Para ir ao banheiro, Tao Manying tinha posto de novo os óculos escuros e a máscara, mas mesmo assim foi reconhecida!

    Coisa que só fã de carteirinha consegue!

    As garotas estavam eufóricas, pulando sem parar.

    Resignada, Tao Manying tirou a máscara, mas sem deixar a resignação transparecer no rosto. Cumprimentou-as toda simpática:

    — Oi, meninas.

    — É a Tao Manying mesmo!

    — Professora, me dá um autógrafo?

    — Uma caneta! Alguém tem caneta?

    Wu Yurong saiu da sala e parou junto à porta. Viu as garotas em volta de Tao Manying, tagarelando de tanta empolgação.

    Tao Manying usava um lápis de sobrancelha que uma delas tinha lhe dado para autografar a roupa das três.

    Wu Yurong não se aproximou. Tinha saído só para ver se haveria algum problema. Como não havia, também não precisava fazer nada. Logo depois, Tao Manying tirou os óculos escuros e posou para uma foto com as três. Só então aquilo terminou.

    Pouco depois, Tao Manying e Wu Yurong voltaram juntas para a sala.

    — Dabao, tudo bem? — perguntou Lei Cheng.

    — Tudo bem, padrinho — respondeu Tao Manying, sentando-se ao lado dele e balançando a cabeça com um sorriso.

    — Eram só umas fãs novinhas — comentou Wu Yurong, toda sorrisos, sentando-se ao lado de Wu Chen.

    Depois de umas frases à toa, retomaram o assunto de antes.

    O jantar foi até depois das sete da noite. Além de comer, ainda trataram de negócios, e mesmo assim a refeição não se estendeu tanto. O motivo principal era que Wu Yurong tinha revelado logo de cara a relação dela com Wu Chen, o que deixou a conversa seguinte muito mais fácil. Muita coisa ficou simples de dizer.

    A maior vantagem de Lei Cheng saber da relação entre Wu Chen e Wu Yurong era que ele entenderia que cooperar com Wu Yurong era, na prática, cooperar com Wu Chen!

    Se Wu Yurong ganhasse dinheiro, para Lei Cheng seria como se Wu Chen estivesse ganhando.

    Assim, tanto na profundidade da cooperação quanto na divisão dos lucros, Lei Cheng, que sabia muito bem lidar com gente, com certeza faria Wu Chen sair satisfeito.

    Wu Chen nem chegou a discutir com Lei Cheng, à mesa, como os lucros seriam divididos.

    Não precisava!

    Lei Cheng não era o mesmo tipo de pessoa que Gu Ruibo, e Wu Chen tinha feito muito por ele. Por isso, Wu Chen achava que não precisava tratar pessoalmente desse tipo de coisa com Lei Cheng. Pelo plano, bastava deixar Wu Yurong e Lei Cheng acertarem a divisão e todo o resto!

    Às sete e meia da noite, o jantar terminou.

    Hora de voltar e dormir!

    Wu Chen entrou no carro de Wu Yurong. No caminho para a villa dela no distrito de Xicheng, explicou algumas coisas e fez algumas recomendações.

    Principalmente quais assuntos seriam tratados em parceria com Lei Cheng, quais com Gu Ruibo, e que discurso ela devia usar!

    Quando Gu Ruibo chegasse, Wu Yurong, Gu Ruibo e Lei Cheng se encontrariam. Wu Chen a lembrou do que devia e do que não devia dizer.

    E, com a inteligência de Wu Yurong, bastava uma deixa!

    Wu Chen nem precisava entrar em detalhes. Bastava mencionar uma ou duas coisas, e ela já sabia o que fazer e entendia as intenções dele.

    Wu Yurong sabia que o plano de Wu Chen estava ficando cada vez maior e envolvendo cada vez mais gente. E, quanto aos ganhos envolvidos…

    Wu Chen não ia ficar com os lucros!

    Quem ia lucrar era ela, Wu Yurong! A parceria que já tinha acertado com Gu Ruibo, por si só, renderia uma quantia astronômica. Agora, com a entrada de Lei Cheng, viria mais uma bolada enorme!

    No geral, se tudo desse certo, o valor que ela acabaria ganhando talvez… superasse até todo o patrimônio que a família Wu tinha naquele momento! Talvez muito mais!

    Wu Yurong já nem sabia como poderia “retribuir” a Wu Chen!

    Aquilo já não era questão de dinheiro.

    Por volta das oito da noite.

    Distrito de Xicheng, Donghai, Residencial Feicuiwan, villa nº 3.

    Era outra villa de Wu Yurong em Donghai. Tinham ido para lá, e não para a villa de Lüyuan Shuipan, em Nancheng, onde estiveram da última vez, principalmente para evitar topar de novo com Song Xuan, a filha de Wu Yurong. Vai saber se ela não ia aparecer em casa de repente outra vez.

    Song Xuan não ia àquela villa de Feicuiwan. Era um lugar bem “seguro”!

    Naquela noite, desabou um temporal sobre Donghai.

    ——

    22 de julho de 2020, sete da manhã. Wu Chen não acordou.

    O relógio biológico tinha falhado temporariamente. Embora tivesse chegado à villa de Feicuiwan pouco depois das oito da noite anterior, só tinha ido dormir de verdade muito, muito tarde! Quando finalmente pegou no sono, estava exausto, depois de um grande desgaste.

    Pouco depois das oito da manhã, Wu Chen foi acordado pelo toque do celular.

    Era Gu Ruibo. Avisou que viria a Donghai naquele mesmo dia, que já estava a caminho e que primeiro ia se encontrar com Li Ruotai.

    Wu Chen largou o celular e voltou a dormir.

    Lá pelas nove, foi acordado de novo pelo telefone. Dessa vez era Li Ruobing.

    Li Ruobing contou que Ding Ruilong tinha ligado de novo, dizendo que estava prestes a embarcar e que a previsão era chegar a Donghai ao meio-dia! Ding Ruilong continuava enganando Li Ruobing! Além do joguinho de cabeça, era um porre.

    — …Tá bom, já entendi. Se ele vem, que venha — disse Wu Chen ao telefone. — Faz assim: ao meio-dia, vai lá no Atai. Eu também vou pra lá.

    — Tão tranquilo assim? — perguntou Li Ruobing. Não sabia o que Wu Chen tinha em mente nem que plano ele tinha, e também se preocupava com a possibilidade de a coisa sair do controle.

    — E quando foi que eu não fiquei tranquilo? — devolveu Wu Chen, sorrindo.

    — Tá bom… você é o cara! — respondeu Li Ruobing, no tom de quem não estava com paciência para perguntar mais. Fez uma pausa e perguntou, como quem não quer nada: — Onde você passou a noite ontem?

    Na verdade, ela queria saber com quem Wu Chen tinha dormido.

    Wu Yurong, naturalmente, também tinha sido acordada pelo toque do celular. Naquele momento, estava aninhada nos braços de Wu Chen, ouvindo a conversa. Quando escutou a pergunta de Li Ruobing, abriu um sorriso doce, com uma expressão sutil.

    — Na casa da irmã Rong — respondeu Wu Chen. Não havia nada a esconder.

    — Ah, na casa dela… então você deve ter dado duro mesmo, hein, meu querido senhor Wu! — disse Li Ruobing, carregando no tom.

    — Até que foi tranquilo. Tenho saúde de sobra — riu Wu Chen.

    — Hmph. — Li Ruobing soltou um muxoxo e não disse mais nada sobre isso. — Tá, por enquanto é isso. O resto a gente conversa quando se encontrar ao meio-dia.

    — Combinado! — disse Wu Chen.

    Desligou. Estava na hora de levantar.

    Wu Chen e Wu Yurong se levantaram e foram primeiro ao banheiro se lavar e se arrumar. Mais de dez minutos depois, os dois ainda não tinham saído de lá.

    Trim-trim…

    O celular tocou. Era o de Wu Chen, de novo.

    Com uma toalha na mão, enxugando o rosto, Wu Chen saiu do banheiro, foi depressa até o armário e pegou o aparelho.

    Era um número desconhecido, que não estava salvo, mas Wu Chen sabia de quem era: de Tang Xinbao! O celular de Tang Xinbao tinha quebrado na noite anterior, mas o chip estava bom. Pelo jeito, ele já tinha comprado outro aparelho.

    — Alô — atendeu Wu Chen.

    — Irmão, sou eu. Peguei seu número com a senhorita Zhuang — disse Tang Xinbao, de uma vez só. — É o seguinte, irmão: meu Segundo Tio veio pra Donghai. Ele quer te conhecer…

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