Capítulo 297 — O que você acha?
por NexoNovelCapítulo 297 — O que você acha?
Quinto andar da Casa de Chá Shuiyuehe, sala privativa Tingfeng.
Era a melhor sala privativa da Casa de Chá Shuiyuehe. Ficava num canto do prédio, de frente para a esquina, com duas faces dando para a rua. A decoração tinha um ar clássico, mas era luxuosa ao extremo. E aquela sala nunca tinha sido aberta aos clientes: era de uso exclusivo de Lei Cheng.
Ao longo dos anos, Lei Cheng recebera muita gente e tratara de muitos assuntos ali, na sala Tingfeng. Quase sempre com amigos íntimos, ou melhor, com pessoas dignas de confiança.
Lei Cheng não se encontrava na Casa de Chá Shuiyuehe com quem não conhecesse bem ou em quem não confiasse.
Mas naquele dia!
Ele abriu uma exceção!
Diante de uma longa mesa de chá esculpida numa peça única, com uma paisagem de ponte e água corrente, Lei Cheng e Ding Ruilong estavam sentados frente a frente. Bebiam chá gongfu. O aroma do chá se espalhava pela sala, misturado à fumaça do incenso. Os dois sorriam enquanto provavam o chá e jogavam “conversa fora”.
— …Ouvi dizer que, nesses últimos anos, o chefe Lei tem levado em Donghai uma vida que dá até para chamar de reclusa… O chefe Lei se conforma mesmo com isso? — Ding Ruilong apoiava a mão na xícara, todo sorrisos, mas havia algo por trás das palavras.
Ding Ruilong já tinha tirado o paletó e o deixado de lado. Vestia uma camisa branca, usava óculos de armação dourada e tinha o cabelo penteado com perfeição. À primeira vista, transmitia até uma elegância refinada, de homem culto.
Lei Cheng também estava bem formal naquele dia: terno, sapatos sociais, cabelo penteado para trás. Era gordo, mas a roupa ainda lhe dava uma certa imponência!
— Me conformar? O Jovem Mestre Ding acha que eu conseguiria me conformar? — Lei Cheng abriu um sorriso largo. O semblante era descontraído, mas a mão que segurava a xícara apertou sem querer, a ponto de os nós dos dedos embranquecerem um pouco. — Só que, se eu não me conformar, faço o quê? Imagino que o Jovem Mestre Ding também não saiba muita coisa dos assuntos da nossa família Lei. Muita coisa não depende… do que eu quero ou deixo de querer.
Lei Cheng estava se fazendo de misterioso.
E estava mesmo se fazendo de misterioso!
Era só conversa fiada para Ding Ruilong.
— Então o que o chefe Lei quer, afinal? — Ding Ruilong ergueu a xícara com um sorriso e lançou um olhar significativo a Lei Cheng. — Pode falar. Eu posso ajudar! — Dito isso, tomou um gole de chá.
Os olhos continuaram cravados em Lei Cheng.
— Me ajudar? Hahahahaha. — Lei Cheng caiu na gargalhada e fez um gesto com a mão para Ding Ruilong. — Jovem Mestre Ding, não é que eu não confie em você. É que os assuntos da minha família não se explicam em poucas palavras…
Ao mesmo tempo.
Quarto andar da Casa de Chá Shuiyuehe.
Wu Chen subiu depressa pela escada do lado sul. No quarto andar, virou sem hesitar para o corredor, seguiu até o fundo e abriu a porta da sala privativa Yunqingbo, à esquerda.
Era uma sala de tamanho médio. Quando Wu Chen entrou, já havia várias pessoas lá dentro.
Todos de terno preto. Eram os guarda-costas de confiança de Lei Cheng.
Sobre a mesa comprida havia vários notebooks. Nas telas, a sala Tingfeng, no andar de cima, aparecia de vários ângulos. Todas as câmeras estavam voltadas para Ding Ruilong; só uma delas também enquadrava Lei Cheng.
— Senhor Wu. — Ao vê-lo entrar, os guarda-costas o cumprimentaram com um aceno de cabeça.
— Obrigado pelo trabalho, pessoal — disse Wu Chen, aproximando-se da mesa e olhando para a tela de um dos notebooks.
Um dos guarda-costas tirou os fones de ouvido e os entregou a ele.
Outro puxou uma cadeira.
Wu Chen pôs os fones, sentou-se diante da tela e fez um gesto com a mão:
— Podem começar.
Um guarda-costas pegou o rádio, apertou o botão e disse:
— Pode levar.
Quinto andar, sala privativa da Shuiyuehe.
— Chefe Lei, por que ter tanto medo? — Ding Ruilong encarava Lei Cheng. — Eu sei que seu irmão mais velho, Lei You, te machucou muito naquela época. E o velho da sua família também sempre preferiu ele…
— Jovem Mestre Ding, isso não é medo! — Lei Cheng o interrompeu, encarando-o de volta. — Quem está vivo tem que conhecer o próprio lugar! Todo o poder da nossa família Lei está nas mãos do meu irmão mais velho. Eu aceitei o meu destino!
— Ha! — riu Ding Ruilong. — Se o chefe Lei tivesse mesmo aceitado o destino, não teria vindo me encontrar hoje. Pelo visto… ainda falta confiança entre nós!
Enquanto os dois conversavam…
Toc, toc!
Primeiro vieram as batidas.
Logo depois, a porta da sala se abriu.
Uma garçonete de qipao, bonita o bastante para levar nota 8, entrou, foi até a mesa, pousou a bandeja e arrumou sobre a mesa, um a um, os pratinhos de doces.
Só tinha vindo servir os acompanhamentos do chá: porções pequenas, delicadas e com aparência cara.
Lei Cheng e Ding Ruilong interromperam a conversa por um momento.
— Beba o chá. — Lei Cheng ergueu a xícara num gesto.
Os dois beberam.
Ding Ruilong, naturalmente, não pensou duas vezes sobre os doces. Viera de longe, Lei Cheng o recebia como anfitrião; houvesse acompanhamento para o chá ou não, nada naquilo lhe despertaria suspeita.
O que ele não sabia era que só Lei Cheng entendia.
A garçonete trazer os doces era um sinal: Wu Chen tinha chegado, e eles podiam “começar”!
Depois que a garçonete saiu…
Na sala ficaram, naturalmente, só Lei Cheng e Ding Ruilong. Os guarda-costas dos dois estavam todos do lado de fora.
— Jovem Mestre Ding. — Lei Cheng o chamou, tomou mais um gole de chá e só então pousou a xícara. — Vamos falar abertamente… — Examinou Ding Ruilong com o olhar, com ar de quem ainda pesava as palavras, e só depois de uma pausa continuou: — A minha Dabao… quer dizer, a Manying. A campanha em que ela é garota-propaganda foi acertada entre mim e a senhorita Li há pouco tempo.
— Eu tenho uma amizade com a senhorita Li. Se não houver necessidade, não vou decepcioná-la. — Enquanto falava, Lei Cheng tinha a expressão “amargurada” de quem carrega um peso enorme.
Estava falando sério!
Ding Ruilong entendeu muito bem aquela “seriedade”. Sabia que Lei Cheng queria dar o troco no irmão mais velho! Lei Cheng queria negociar condições!
— Na sua opinião, chefe Lei, quanto vale só essa história da campanha? Vale eu… fazer o quê por você? — Ding Ruilong ajeitou os óculos e devolveu a pergunta.
Na verdade, a questão da campanha podia ser grande ou pequena. Tudo dependia de como se pensasse nela e de como se apresentasse.
Vista como coisa pequena: mesmo sem Tao Manying, Li Ruobing podia perfeitamente adiar o lançamento dos novos produtos da Huancai Fashion e procurar outra pessoa. Se resolvesse gastar uma fortuna e contratasse uma estrela internacional no exterior, nem ele, Ding Ruilong, ousaria agir precipitadamente.
Vista como coisa grande: envolvia o plano de abertura de capital da Huancai Fashion. Com a data de acerto da aposta cada vez mais próxima, Li Ruobing talvez não pudesse se dar ao luxo de adiar.
Ou seja, se perdesse de repente Tao Manying como garota-propaganda, ou se o lançamento desse errado… era bem possível que Li Ruobing perdesse a aposta, sem nenhuma margem para virar o jogo. Decidido de uma vez por todas!
Mas Ding Ruilong não achava que Lei Cheng entendesse a coisa tão a fundo. E isso lhe dava espaço para “baixar o preço” na negociação! Para jogar com a cabeça de Lei Cheng!
Lei Cheng ficou um instante em silêncio, pensando, e então olhou para Ding Ruilong:
— Antes de falar quanto vale essa campanha, Jovem Mestre Ding, acho que você precisa entender uma coisa. Você! O neto da família Ding! A senhorita Li, neta mais velha da família Li. Comparando o valor de vocês dois, pra mim… nenhum vale mais que o outro!
— E hoje eu me dou bem com a senhorita Li. — Lei Cheng abriu um sorriso largo. — Se eu fosse mesmo, por sua causa, ofender uma amiga, perder um contato desse nível e ainda correr o risco de levar o troco daquele moleque do Li Ruotai… Jovem Mestre Ding, me diz: que motivo eu teria que ter pra fazer uma coisa dessas?
Fez uma pausa e, sem esperar resposta, continuou:
— Esses anos todos em Donghai, eu fiquei na minha, nunca arrumei encrenca, fiz uns amigos e vivi dez anos em paz… A posição dos irmãos Li Ruobing e Li Ruotai em Donghai, o Jovem Mestre Ding deve conhecer melhor do que eu. E você quer que eu compre briga com eles?!
— Jovem Mestre Ding, não é que eu, Lei Cheng, não queira te dar esse respeito. Eu tenho as minhas dificuldades… e espero que você entenda! Pra casa eu não posso voltar. Se eu também não puder mais ficar em Donghai, como é que eu vou viver?
Aquelas palavras de Lei Cheng eram francas e diretas ao extremo, mas também estavam cheias de “técnica”!
A campanha era coisa pequena; comprar briga era coisa grande!
Ding Ruilong olhou para ele, voltou a erguer a xícara com um sorriso e tomou um gole sem pressa.
Os dois se encararam.
Tac!
Ding Ruilong largou a xícara na mesa e disse:
— Eu te ajudo a mandar o Lei You pra cadeia, ou faço ele sofrer um acidente. O fim dele, você decide. Do jeito que você quiser que ele morra, eu te ajudo! O que você acha?
Disse assim, sem rodeios!
E foi tudo filmado!
Áudio e vídeo!
