Novels chinesas em português
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    Capítulo 294 — O que você fez com ele?

    Wu Chen já tinha visto aquele notebook de Ding Ruilong muitas vezes ao longo dos mil anos de ciclos, e examinado o conteúdo outras tantas. Sabia muito bem o que havia ali.

    Mas saber era uma coisa. Quanto aos dados comerciais de Ding Ruilong, por mais entediado que estivesse, Wu Chen nunca teria ânimo para decorar tudo. Nem chegara a ler tudo.

    Conhecia só o panorama geral.

    Além disso, de 7 de julho até aquele dia, era inevitável que o notebook de Ding Ruilong tivesse ganhado novos dados comerciais e novos registros de operações.

    Tudo isso tinha enorme valor para Wu Chen!

    Sem falar no material comprometedor e nas provas de crimes que não podiam vir à luz.

    Wu Chen tirou o notebook da caixa.

    Ligou.

    Digitou direto a senha de inicialização.

    Entrou na “área de trabalho”.

    Depois, foi direto remexer na gaveta de baixo do armário. Como esperava, encontrou ali um carregador de celular. Era o carregador de Ding Ruilong… Estava na gaveta do quarto porque, ao arrumarem a bagagem, os homens dele o tinham guardado ali, seguindo os hábitos do patrão.

    O conector do carregador era universal.

    Wu Chen tirou a fonte.

    Ligou uma ponta do cabo USB no computador e a outra no próprio celular.

    O celular de Wu Chen tinha 128 GB, dos quais uns 60 GB estavam livres. Nem precisaria de tudo isso. Só queria alguns dados comerciais, além do material comprometedor e das provas de crimes.

    Começou a passar os dados para o celular… Algumas pastas e arquivos compactados exigiam senha, e Wu Chen sabia todas!

    Uns dez e poucos minutos depois.

    Wu Chen já tinha examinado e transferido tudo o que queria. Com algumas operações, usou técnicas de hacker para apagar, direto nas camadas mais profundas do sistema, todos os registros do que tinha feito.

    Desligou o computador.

    Guardou de volta o cabo do carregador…

    Depois de pôr tudo em ordem, Wu Chen hesitou um instante antes de fechar a caixa metálica. Olhou para a pistola de Ding Ruilong ali dentro, pegou-a e a examinou.

    Cinco minutos depois.

    Wu Chen saiu do quarto 616. Antes de sair, de pé no carpete junto à porta, não se esqueceu de tirar os propés e as luvas, e empurrou a maçaneta com a manga.

    Não ia deixar rastros!

    Wu Chen era profissional!

    Nos mil anos de ciclos, talvez a coisa que mais tivesse feito na vida fosse se infiltrar em lugares. Dava para dizer que era profissional ao extremo!

    Resolvido.

    Desceu, saiu do hotel, atravessou o beco e logo estava de volta ao carro.

    Primeiro, uma passada em casa!

    Meia hora depois, Wu Chen chegou de Lamborghini à villa nº 36 do Donghai Huafu.

    Àquela hora, Li Ruobing naturalmente já tinha ido trabalhar. Quando Wu Chen entrou, Zhuang Xiaodie, Guo Qiqi e Tang Xinbao estavam os três na sala.

    E estavam jogando cartas! Daquele jogo em que quem perde leva tirinha de papel colada na cara. Nem dava para saber de quem tinha sido a ideia.

    — Continuem aí, eu tenho uma coisa pra resolver.

    Wu Chen cumprimentou os três, fez sinal para que continuassem e subiu apressado.

    Segundo andar.

    Escritório.

    Wu Chen ligou o computador, passou para ele todos os dados do celular e só então começou a examinar e organizar tudo com calma…

    Levou meia hora inteira até terminar, separando o material em vários arquivos compactados.

    Precisava organizar porque, para ele, aquilo em si não tinha significado nenhum. Tudo o que estava ali já existia na sua memória; ele já sabia de tudo. Ter os arquivos ou não, tanto fazia.

    Aqueles dados só ganhavam significado, ou melhor, valor, nas mãos de outras pessoas!

    Pessoas diferentes receberiam conteúdos diferentes. Por isso era preciso organizar.

    Quando viu, já eram duas e meia da tarde.

    Terminado tudo, Wu Chen abriu o e-mail, digitou à mão um endereço e enviou um dos arquivos compactados.

    Depois pegou o celular e discou um número.

    Tu… tu…

    Uns seis ou sete segundos depois, a ligação foi atendida.

    — Xiao Wu, aconteceu alguma emergência? — Era Li Maoren. Ele sabia que Wu Chen não ligava por iniciativa própria à toa, por isso foi logo perguntando se era urgente.

    — Tio, acabei de mandar um arquivo pro seu e-mail pessoal. Dá uma olhada… — disse Wu Chen.

    — Arquivo? Que arquivo? Espera um pouco… — Depois de falar, Li Maoren pareceu afastar o celular. Ainda dava para ouvi-lo falando com outras pessoas.

    — Xiao Sun, avisa que a reunião vai atrasar um pouco…

    Depois, passos.

    Logo, o barulho de uma cadeira sendo arrastada.

    — Espera, deixa eu olhar… — disse Li Maoren de novo ao telefone.

    Então Wu Chen ouviu o som de teclas.

    Três minutos depois.

    — …Onde você arrumou isso? Xiao Wu! Essas fotos, e os vídeos… — A voz de Li Maoren estava carregada de espanto.

    Quando começou a olhar os arquivos que Wu Chen tinha mandado, ele não entendeu muito bem. Havia versões digitais de contratos de participação acionária em nome de terceiros e algumas fotos, inclusive de pessoas gravemente feridas, cobertas de sangue. Só quando viu um vídeo borrado percebeu a quem aquele material dizia respeito.

    O vídeo, muito tremido e desfocado, mostrava um homem e uma mulher que tinham apanhado feio. Cobertos de sangue, eles batiam a cabeça no chão, pediam perdão e juravam alguma coisa.

    Depois… ao fundo, a voz de um homem advertia os dois.

    Era a voz de Ding Ruilong!

    Li Maoren só tinha visto um pedacinho do começo. Os arquivos eram enormes, com uma quantidade imensa de material, e ele mal tinha começado. O que vinha depois, aquilo que realmente merecia o nome de material comprometedor, ou de prova, ele ainda nem tinha visto.

    Mas nem precisava ver o resto para entender que tipo de arquivo era aquele.

    — É do notebook do Ding Ruilong — disse Wu Chen ao telefone.

    — Do… computador dele? Você… como conseguiu isso? Você foi pra Nanguang? — Li Maoren primeiro ficou sem reação, depois se assustou. Logo percebeu que aquilo não fazia sentido. — Você não estava em Donghai ontem à noite? Você…

    — O Ding Ruilong veio pra Donghai. O avião pousou às onze e meia da manhã… — disse Wu Chen.

    — Ele está em Donghai?! — A voz de Li Maoren subiu de tom. Não tinha recebido notícia nenhuma. Normalmente, se Ding Ruilong chegasse a Donghai, o filho dele, Li Ruotai, com certeza ficaria sabendo e o avisaria.

    — Está. Veio escondido. Ligou pra Ruobing dizendo que chegaria amanhã, mas chegou hoje — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Onze e meia da manhã… — murmurou Li Maoren. O tom dele mudou de novo, porque tinha acabado de conferir a hora. Eram só duas e meia da tarde!

    Ou seja, Ding Ruilong estava em Donghai havia apenas três horas!

    E Wu Chen já tinha conseguido os dados do computador dele?

    Rápido assim?

    Ding Ruilong com certeza tinha trazido muitos guarda-costas. Num tempo tão curto, não daria nem para sequestrá-lo. Que diabos Wu Chen tinha feito?!

    — Xiao Wu, o que você fez com ele?! A gente não combinou que ele não podia morrer em Donghai? — perguntou Li Maoren. Naquele momento, a cabeça dele estava cheia de pensamentos ruins!

    Se fosse qualquer outra pessoa, Li Maoren nem pensaria nisso. Gente comum não tinha como encostar num jovem como Ding Ruilong. Mas Wu Chen não era gente comum!

    — Tio, o que você está imaginando não aconteceu. — Wu Chen riu. — Eu nem encontrei com ele. A essa hora ele deve estar almoçando…

    — Então… como você conseguiu? — insistiu Li Maoren.

    — É complicado — respondeu Wu Chen, deixando claro que não pretendia explicar.

    Li Maoren estava inquieto de verdade. Aquilo era assustador pra caralho!

    Com a posição que tinha, Li Maoren naturalmente não temia um jovem como Ding Ruilong. Mas o plano já estava em marcha, e as articulações com todos os lados já estavam em andamento.

    Se, numa hora dessas, Ding Ruilong morresse de repente, a família Dong perderia o pretexto para a vingança, a chance de uma aliança entre as famílias Li e Dong desapareceria, e o plano de golpear a família Wei também seria duramente afetado.

    O plano inteiro sofreria. Podia até ir por água abaixo!

    E dividir os ativos da família Ding, então, nem pensar.

    Por isso, Ding Ruilong não podia morrer agora. Muito menos em Donghai.

    — Xiao Wu, ouve um conselho do tio. Por enquanto, não faz nada. O Ding Ruilong não pode morrer em Donghai. Você pode fazer o que quiser com ele, mas ele não pode morrer… — Li Maoren já estava praticamente implorando, com toda a paciência do mundo.

    Tinha medo de verdade de que, num momento de raiva, Wu Chen simplesmente acabasse com Ding Ruilong. E acreditava que Wu Chen era capaz disso.

    — Tio, eu disse que não faria, então não vou fazer. Pode ficar tranquilo — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Então, Xiao Wu… Sobre aquela história de antes, que quase machucou a Bingbing, a família Ding já mandou uma compensação. Vou transferir tudo pra você agora. Pra você se acalmar um pouco… — Li Maoren chegou a dizer “pra você se acalmar um pouco”.

    — Compensação? — Wu Chen riu e perguntou: — De quanto?

    Nota