Novels chinesas em português
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    Capítulo 290 — Ele chegou!

    — Aprender a lutar comigo? — O sorriso de Wu Chen mudou sutilmente.

    Ele não estava nem um pouco surpreso. Estava tudo dentro do previsto! Desde que soubera, no “20 de julho” anterior, o que aconteceria com Tang Xinbao e Guo Qiqi, Wu Chen já tinha antecipado aquele momento!

    Wu Chen conhecia Tang Xinbao.

    Comparado ao que sabia de Donghai, Wu Chen sabia bem menos sobre Modu. Mas gente com a posição de Tang Xinbao, essa ele conhecia!

    Nos mil anos de ciclos, num certo 7 de julho, Wu Chen já tinha armado uma aproximação com Tang Xinbao e mostrado do que era capaz… Naquele ciclo, Tang Xinbao também tinha dito que queria aprender a lutar com ele!

    As duas grandes paixões de Tang Xinbao eram treinar luta e carros, e a luta vinha em primeiro lugar! Wu Chen tinha mostrado uma capacidade de combate que virara do avesso tudo o que ele conhecia; somando a isso a “proximidade” de ter salvado a vida dele, era mais que suficiente para fazê-lo querer “tornar-se discípulo e aprender a arte”!

    E isso também era a chave para Wu Chen resolver o problema de “Tang Xinbao ter apanhado”!

    Na verdade, mesmo sem essa etapa, Wu Chen conseguiria resolver.

    Mas, se Tang Xinbao se tornasse seu discípulo, o processo ficaria bem mais simples.

    — É, irmão! Você é muito forte, me ensina! Eu vou aprender direitinho. Sempre quis aprender com um mestre de verdade, mas os que eu tive… eram só mais ou menos. — Tang Xinbao olhava para Wu Chen e ia ficando cada vez mais empolgado, a ponto de as frases começarem a se embolar um pouco.

    — Nenhum deles presta. Você é que é forte, irmão! Forte demais! Aquele seu jeito de lutar ontem… fora dos filmes, nunca vi nada igual na vida real. E ainda com aquele estilo todo…

    — Eu posso virar seu discípulo, posso pagar as aulas. Irmão, é só você tirar um tempinho pra me ensinar…

    — A gente tem quase a mesma idade. Se você conseguiu chegar nesse nível, eu também consigo, né?

    — E eu já tenho base. Treino desde pequeno.

    Wu Chen mal conseguia encaixar uma palavra, porque Tang Xinbao estava cada vez mais exaltado e falava cada vez mais rápido, como se tivesse medo de que Wu Chen dissesse não e quisesse despejar tudo antes disso.

    Tang Xinbao estava mesmo louco para aprender.

    A ideia tinha começado na noite anterior, no beco, depois de ver Wu Chen em ação como um mestre incomparável.

    Pensara nisso antes de dormir.

    Pensara nisso ao acordar, de manhã!

    Tinha até sonhado com aquilo durante a noite.

    O sonho viera porque antes ele tinha sofrido um abalo enorme: por pouco não acontecera uma desgraça, e Wu Chen o salvara. A imagem de Wu Chen, o “mestre incomparável”, salvando-o tinha aparecido até nos sonhos.

    Aprender a lutar com um grande mestre é uma fantasia meio adolescente que muitos homens têm na infância e na juventude.

    Depois de grandes, deixam isso para trás.

    Tang Xinbao era diferente. Não era fantasia de adolescente: ele adorava luta de verdade!

    Wu Chen continuava sentado no sofá, e Tang Xinbao, de pé ao lado, falava e gesticulava sem parar. Disse uma quantidade enorme de coisas de uma vez só e, por fim, acrescentou:

    — Irmão, tô falando sério. Do jeito que você mandar eu treinar, eu treino…

    Depois ficou olhando para Wu Chen, cheio de expectativa.

    Wu Chen sorria e o examinava de cima a baixo, com ar de quem avaliava se valia a pena ensiná-lo.

    — Irmão, meu físico é muito bom! — Tang Xinbao fez na hora outro gesto de força. — Ontem você viu: eles me bateram daquele jeito e eu não tive nada. Meu corpo é muito resistente!

    Só queria provar que era capaz. Só queria aprender.

    — Primeiro trata desses machucados — disse Wu Chen, sorrindo, como quem tinha pensado um pouco. — Assim você nem consegue treinar. Quando estiver quase recuperado, a gente conversa…

    Wu Chen não recusou nem aceitou.

    Mantinha-o no anzol!

    — Irmão, eu consigo, tô bem mesmo — respondeu Tang Xinbao na hora.

    — No estado em que você está, se eu quisesse testar o que você sabe, quanto acha que conseguiria mostrar? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    Tang Xinbao ficou sem resposta.

    Naquele estado, simplesmente não conseguia lutar. Qualquer movimento doía em algum lugar, e era impossível fazer qualquer esforço intenso.

    Se Wu Chen fosse testá-lo, ele naturalmente ia querer dar o seu melhor. Mas, agora, não ia conseguir.

    — Então, daqui a uns dias… — Tang Xinbao começou de novo, pensando.

    — Daqui a uns dias a gente vê — cortou Wu Chen.

    Nesse momento, ouviu-se movimento no andar de cima. Logo Li Ruobing desceu a escada, de terninho elegante e com os longos cabelos negros e lisos soltos. À tarde ela ia à empresa, por isso já estava vestida para o trabalho.

    — Senhorita Li — cumprimentou Tang Xinbao, virando-se ao vê-la descer.

    — Como você está? — perguntou Li Ruobing, com um leve sorriso. — Sentindo algum desconforto? Se estiver, me fala, que eu chamo um médico.

    — Tô bem, senhorita Li. Tô ótimo — respondeu Tang Xinbao na hora. Não queria de jeito nenhum que Wu Chen, ali do lado, achasse que havia algo errado com o corpo dele.

    Li Ruobing veio até a sala e trocou algumas palavras com Tang Xinbao. Depois, ao ouvir barulho na cozinha, foi para lá.

    Wu Chen e Tang Xinbao continuaram conversando na sala.

    Já tinham deixado o “tornar-se discípulo e aprender a arte” para depois, mas o assunto de Tang Xinbao continuava sendo luta e combate.

    Perguntava de tudo: como treinar, de que jeito praticar.

    Wu Chen explicou algumas coisas por alto.

    Quando viram, já eram onze horas.

    Guo Qiqi desceu. Parecia bem. Já não tinha se machucado muito e, naquele dia, tinha se lavado, trocado de roupa e se maquiado de novo. Só pela aparência, ninguém diria pelo que ela tinha passado na noite anterior.

    Wu Chen e Tang Xinbao a cumprimentaram e voltaram ao assunto.

    A chegada de Guo Qiqi também não interrompeu a conversa dos dois sobre luta.

    Ela ficou um pouco na sala, ouvindo os dois, e depois também foi para a cozinha. Não para ajudar a cozinhar, porque não sabia, mas só para dar uma olhada e conversar com Li Ruobing.

    Guo Qiqi tinha bastante curiosidade sobre Li Ruobing. Fazia tempo que ouvia falar da neta mais velha da família Li, uma mulher fora dos padrões, que seguia o próprio caminho. E ainda tinha levado um susto com Li Ruobing sacando uma arma na noite anterior.

    Era curiosidade. Queria conhecê-la melhor.

    Além disso, uma descendente direta de uma grande família, como Guo Qiqi, entendia muito bem que conviver e se aproximar de uma mulher com o peso de Li Ruobing só trazia vantagens, nunca prejuízo!

    Mais meia hora e pouco se passou.

    Por volta das onze e quarenta.

    Hora do almoço!

    Oito pratos e uma sopa. A maior parte tinha sido feita por Zhuang Xiaodie, que tinha treinado culinária especialmente. Li Ruobing entrara na cozinha só para dar uma mão nas tarefas menores; também tinha a intenção de aprender umas coisas com Zhuang Xiaodie, embora não tivesse dito.

    Além disso, como “dona da casa”, e sendo Tang Xinbao e Guo Qiqi convidados importantes, que faziam ali a primeira refeição, Li Ruobing achava que, como anfitriã, devia preparar pelo menos um prato com as próprias mãos.

    …

    Enquanto o almoço era servido na casa de Wu Chen.

    Aeroporto de Donghai.

    Um jato particular que decolara da cidade de Nanguang, depois de duas horas de voo, pousou na área norte do Aeroporto de Donghai.

    Quando o jato terminou de taxiar e parou por completo, vários sedãs pretos com placas de Donghai, que esperavam havia bastante tempo, entraram direto na pista e pararam ao lado da aeronave.

    Todas as portas se abriram. Mais de dez guarda-costas de terno preto desceram e ficaram aguardando junto aos carros.

    Todos vinham de Nanguang, mas tinham chegado secretamente a Donghai um dia antes para cuidar dos carros, da recepção e de tudo o mais, deixando tudo preparado.

    Alguns minutos depois.

    A porta da aeronave se abriu, e a escada foi baixada.

    Um homem de uns trinta anos, de óculos escuros, desceu a passos apressados enquanto ajeitava os punhos da camisa branca. Atrás dele vinham mais sete pessoas, homens e mulheres, entre assistentes e guarda-costas.

    Ding Ruilong!

    Tinha chegado a Donghai!

    Ao descer, Ding Ruilong foi até um Audi preto relativamente discreto. Um guarda-costas abriu a porta para ele, mas ele não entrou. Correu os olhos pelo aeroporto, tirou o celular do bolso da calça social e discou um número.

    Ligou direto para Li Ruobing!

    Nota