Novels chinesas em português
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    Capítulo 288 — Tática psicológica

    Ao ouvir a voz do pai, Li Ruobing franziu a testa.

    Se Li Maoren sabia que Wu Chen tinha outras mulheres e já ligava logo de manhã, era óbvio… que Li Ruotai tinha contado!

    Li Ruotai tinha ligado para ele!

    E devia ter falado também do caso de Tang Xinbao, que era muito importante.

    Na verdade, Li Ruobing não se importava que o pai soubesse das outras mulheres de Wu Chen. Para ela, tanto fazia. Fazia anos que não dava ouvidos à família nesse tipo de assunto: que tipo de homem escolher, quem decidia era ela. Por isso nem tinha pedido ao irmão para guardar segredo.

    Mas… ele tinha ficado sabendo rápido demais!

    Li Ruobing olhou de canto para Wu Chen, sem saber o que ele ia dizer nem como ia lidar com aquilo.

    Vale dizer que, na noite anterior, antes de dormir, ela tinha contado a Wu Chen, por alto, que o irmão perguntara sobre Zhuang Xiaodie.

    Por isso, Wu Chen também deduzia, naturalmente, que fora Li Ruotai quem contara a Li Maoren.

    — Você anda bem informado, tio — disse Wu Chen, tranquilo.

    — Não vai negar? — perguntou Li Maoren.

    — Não tem o que negar, né? — riu Wu Chen.

    — Pelo visto você tem aproveitado bastante. Quantas são? — A voz de Li Maoren ficou ainda mais séria.

    Aquele tom deixou até Li Ruobing um pouco tensa.

    Ela nunca se preocupava com o quanto a relação com o pai pudesse azedar. Fosse qual fosse a atitude, o conflito, o quanto as coisas endurecessem, tanto fazia: eram família, pai e filha, e no fim sempre fariam as pazes!

    E, mesmo que não fizessem, nunca virariam inimigos.

    Com Wu Chen era diferente. Ele era “de fora”.

    Se os dois entrassem mesmo em conflito, seria muito complicado. E pior: Li Ruobing ficaria presa no meio, e qualquer coisa que fizesse poderia estar errada.

    Ela chegou mais perto do celular, querendo “explicar” por Wu Chen: dizer que não se importava e que o pai não se metesse tanto.

    Mas, antes que as palavras saíssem, se conteve.

    Porque se deu conta de que uma explicação dessas funcionava com o irmão, mas, com o pai, não fazia o menor sentido!

    Do ponto de vista de Li Maoren, a questão de o “genro” ter outras mulheres nem passava por a filha se importar ou não. A questão era: esse “genro” continuava sendo confiável?

    Para uma grande família, isso era especialmente importante!

    Mesmo que já fossem casados, com o laço do matrimônio, essa dúvida existiria!

    Quanto mais no caso dela e de Wu Chen, que não eram casados e só se sustentavam pelo sentimento, enquanto Wu Chen, justo ele, não gostava só dela…

    — Quantas não importa, né? — disse Wu Chen ao telefone, sorrindo. — Somos homens, tio… não é isso que te preocupa, é?

    — Afinal, o que você sente pela Bingbing… — Li Maoren tentou outra pergunta, o tom ainda mais sério.

    — Tio, não precisa fazer rodeio — cortou Wu Chen. — Do caso do Tang Xinbao, eu cuido.

    O telefone ficou mudo de repente.

    Era como se Li Maoren tivesse ficado engasgado.

    Na verdade, não.

    Wu Chen apenas tinha desmascarado o que ele pensava.

    Li Ruobing, porém, não entendeu na hora. Ergueu um pouco a cabeça, olhou de canto para Wu Chen e voltou a chegar perto do celular para escutar. Do outro lado, continuava o silêncio.

    O silêncio de Li Maoren durou só alguns segundos.

    — Hahahahahahaha… — De repente, a gargalhada dele veio pelo telefone. — Você, viu… hahaha… ai…

    Depois da risada, suspirou e comentou, num tom de quem parecia se conformar:

    — Estou ficando velho. Nem nesses jogos de cabeça eu ganho mais de vocês, jovens. Ai!

    — Tio, da próxima vez pode falar direto. Somos todos gente da casa — disse Wu Chen.

    — Tá bom, está bom, está bom. Hum… — Li Maoren pensou um pouco e disse: — Do moleque da família Tang, eu não vou me meter. Você vê como resolve. Se precisar de alguma coisa, fala com o Atai e manda ele fazer.

    — Combinado — respondeu Wu Chen.

    — Então está… por enquanto é isso — disse Li Maoren.

    Desligaram.

    Wu Chen olhou a hora no celular: pouco mais de oito e meia. Fazendo as contas, tinha dormido só pouco mais de seis horas. Dava para ficar deitado mais um pouco.

    Ding Ruilong chegaria a Donghai naquela tarde, e Wu Chen precisava estar bem descansado.

    Pôs o celular de volta no criado-mudo, abraçou Li Ruobing, escorregou um pouco mais para baixo na cama e ainda puxou a manta, como quem ia voltar a dormir.

    — Acabou? — Li Ruobing finalmente não se segurou.

    — Hum? — Wu Chen virou o rosto para ela, a poucos centímetros, e sorriu. — Acabou, ué. Ia ser o quê?

    — Acabou assim? — insistiu ela, com os olhos cravados nele.

    Ela não tinha entendido. Desde o instante em que Wu Chen desligou, não conseguia entender. O pai tinha ligado e ido direto às outras mulheres de Wu Chen, num tom tão sério que até ela ficara tensa.

    E depois… não teve depois. O assunto pulou direto para Tang Xinbao e pronto.

    Ninguém nem tocou mais nas outras mulheres de Wu Chen.

    Li Ruobing não conseguia entender aquela mudança de atitude do pai. Estava claramente se importando e, de repente, não se importava mais?

    E ainda tinha aquilo… que história era essa de jogo de cabeça?

    — O que você quer perguntar? — Wu Chen sorriu e apertou de leve a bochecha dela.

    — É que… dá para você me dizer o que aconteceu agora há pouco? Como é que simplesmente… — perguntou Li Ruobing, de cenho levemente franzido.

    — Seu pai nunca se preocupou com o que existe entre mim e você — riu Wu Chen.

    — Nunca… se… preocupou… — repetiu Li Ruobing, arrastando as palavras.

    Na verdade, ela sabia que, entre herdeiros de grandes famílias, um homem ter outras mulheres nem chegava a ser assunto. Sabia que o próprio pai tinha outras mulheres e que a mãe sabia; não era segredo.

    Mas…

    — Então por que ele já chegou perguntando disso? E naquele tom? — perguntou, pensativa.

    — Tática psicológica — disse Wu Chen.

    — Tática psicológica? — repetiu ela.

    — Isso! — Wu Chen sorriu para ela. — Na verdade, ele não duvida do que a gente sente. Mesmo assim, veio… me interrogar! Queria que eu me explicasse ou fizesse alguma promessa.

    Fez uma pausa.

    — E aí? — perguntou Li Ruobing na hora.

    — Aí eu ia ter que mostrar serviço — riu Wu Chen, apertando de novo a bochecha dela. — Ia ter que provar o quanto gosto de você. E, no caso do Tang Xinbao, ia ter que me empenhar, não deixar seu irmão ser envolvido e resolver tudo.

    Li Ruobing olhou para ele e piscou algumas vezes até organizar o raciocínio.

    Fingir que estava bravo e vir cobrar? Para fazer Wu Chen se esforçar e provar que gostava dela de verdade? E, com isso, fazê-lo se empenhar mais no caso de Tang Xinbao? Proteger o Atai?

    E Wu Chen tinha enxergado tudo de cara?! E jogado as cartas na mesa?!

    — Parece que você conhece muito bem o meu pai — disse ela.

    — Claro — sorriu Wu Chen.

    — Então… — A voz dela parou de repente. Tinha acabado de pensar numa questão crucial!

    O pai confiava em Wu Chen? Mesmo depois de saber das outras mulheres, continuava confiando?

    E Wu Chen ainda sabia que o pai confiava nele?

    De onde vinha uma confiança dessas?

    — Não vai me dizer que… você fala com o meu pai por telefone escondido? — perguntou, estreitando os olhos.

    — Já falamos, sim — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — E falaram sobre o quê?

    — Muita coisa… — disse Wu Chen, sem entrar em detalhes.

    Li Ruobing entendeu. Entendeu tudo.

    Se antes não conseguia ligar os pontos, não era por falta de inteligência; era porque simplesmente não sabia o que Wu Chen e Li Maoren já tinham conversado!

    Ela não sabia até onde a relação entre os dois tinha chegado. Sem essa base, era impossível entender.

    Agora entendia.

    Com a lógica clara, perdeu a vontade de perguntar mais.

    Passou os braços pelo pescoço de Wu Chen, esticou-se e deu um beijo na bochecha dele. Depois se ajeitou, fechou os olhos e disse:

    — Vamos dormir mais um pouco.

    E voltaram a dormir.

    Cerca de uma hora depois.

    Pouco depois das nove da manhã.

    Trim-trim…

    O toque voltou a soar no quarto.

    De novo, o celular de Wu Chen!

    Nota