Novels chinesas em português
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    Capítulo 277 — Um mestre incomparável

    O vento do golpe veio cortando o ar!

    Wu Chen ergueu a mão e agarrou o braço tatuado antes que o bastão descesse. Num só movimento, puxou-o de lado e subiu o joelho contra ele. Ouviu-se um estalo seco.

    Crac!

    — Aaaah!!

    O jovem tatuado gritou enquanto era arremessado longe. Rolou até a parede e ficou ali, segurando o braço direito com a mão esquerda, uivando de dor.

    O braço estava quebrado, dobrado para o lado contrário.

    Outro jovem que estava perto percebeu o que acontecia e, sem pensar duas vezes, avançou dois passos até Wu Chen. Mal chegou a erguer o bastão retrátil e já foi lançado de cabeça contra a parede… Wu Chen lhe acertara um soco pesado no rosto. Ele despencou para a frente, cuspindo vários dentes.

    — Caralho!

    — Caralho!

    Os gritos de espanto ecoaram, e quem estava mais perto de Wu Chen no beco parou por instinto.

    Todos tinham visto: o homem de terno que viera “se meter onde não era chamado” não só sabia brigar como era brutal de verdade!

    Aproveitando aquele instante de hesitação, o jovem de cabelo curto, que tinha sido derrubado de novo, rolou para se levantar e cambaleou dois passos na direção de Wu Chen.

    Wu Chen não lhe disse nada. Apenas avançou mais dois passos para dentro do beco.

    Com isso, o jovem de cabelo curto ficou mais perto da saída, e Wu Chen, mais perto do bando de arruaceiros e seguranças. Se quisessem voltar a bater no rapaz, primeiro teriam de passar por Wu Chen.

    O jovem de cabelo curto se apoiou na parede, mal conseguindo ficar de pé. A perna esquerda tinha levado pelo menos duas bastonadas. Não estava quebrada, mas bastava fazer força para uma dor aguda a deixar tremendo.

    — Irmão Bao!!! — A garota de vestido preto correu até ele em dois passos e o amparou.

    Foi justamente esse apoio que acabou com as forças dele. Até ali, só se mantivera de pé na base da pura vontade e da adrenalina.

    E agora tinha aparecido um “herói” disposto a ajudar, e ainda por cima um mestre.

    A sensação de estar, ao menos por ora, fora de perigo, somada à preocupação da namorada, fez com que ele não aguentasse mais.

    Enquanto isso…

    — Porra! Vai se meter onde não é chamado? Acaba com ele! — gritou o jovem de cabelo branco no meio dos arruaceiros, brandindo o bastão retrátil.

    Quem vive nesse meio precisa zelar pela própria moral. Com tanta gente, iam amarelar? Wu Chen só tinha estropiado dois. Claro que não podiam recuar! Pelo contrário, a raiva só aumentou!

    — Acaba com ele!

    — Vai!

    O bando avançou mostrando as garras, todos ferozes e destemidos… menos o jovem de cabelo branco.

    Ele era “esperto”!

    Entrara para o crime aos treze anos e já era um pequeno chefe. Sabia como agir diante de alguém realmente perigoso. Não dava para avançar de cabeça, sem pensar. Primeiro deixaria os outros irem na frente e desgastarem o sujeito; quando os irmãos o derrubassem, aí sim ele entraria.

    Era um belo plano.

    Só que, se dependesse de Wu Chen ser derrubado… ia esperar sentado!

    A briga começou!

    Wu Chen avançou e derrubou um com um chute. Em seguida, agarrou outro e, com leveza, aplicou-lhe uma projeção por cima do ombro…

    A noite estava densa. Havia bastante luar, mas os dois lados do beco eram cercados por muros altos e a luz lá dentro era muito fraca. Não chegava ao ponto de não se enxergar ninguém, mas tudo parecia indistinto.

    Vultos se cruzavam. Os gritos não paravam.

    Brados de ataque, baques e berros de dor se sucediam sem trégua!

    Wu Chen enfrentava sozinho uns dez, vinte homens. A cena lembrava aqueles velhos filmes de Hong Kong em que um mestre supremo, encurralado num beco, “mata qualquer deus que cruze seu caminho”. Era, claro, um exagero de linguagem, mas aquelas dez ou vinte pessoas realmente não eram páreo para Wu Chen.

    A briga de beco também era um tipo de combate bem “clássico”! Filmes e séries com cenas assim existiam aos montes!

    Wu Chen tinha treinado especificamente combate em elevador, uma situação extrema e muito particular.

    Combate em beco, ele nunca tinha treinado especificamente… Mas não ter treinado não queria dizer que nunca tivesse lutado assim! Na verdade, em mil anos de ciclos, se o assunto fosse briga, beco era justamente onde ele mais tinha lutado!

    Porque uma briga de beco não exigia nenhum planejamento. Acontecia naturalmente.

    Bastava arrumar encrenca, fugir e acabar cercado. Em oito de cada dez vezes, a pessoa ia parar encurralada num beco. Se conseguisse escapar, tudo bem; se não… a briga de beco vinha naturalmente!

    Ao longo dos mil anos de ciclos, Wu Chen tinha morrido a golpes de faca em becos muitas vezes, sobretudo no começo. Naquela época, sua técnica era fraca e ele vivia procurando encrenca, flertando com a morte. Às vezes por diversão, às vezes de propósito, para treinar briga. E Wu Chen brigava como se a vida não valesse nada; os adversários respondiam do mesmo jeito. Por isso, acabava morto!

    Assim foi no começo.

    Depois, não mais. A técnica tinha melhorado, e a experiência também.

    Com tudo o que acumulara nesses mil anos de ciclos, Wu Chen sabia que, em Donghai, os adversários mais difíceis eram os guarda-costas de elite das grandes figuras. Num mano a mano, nenhum deles era páreo para ele; mas, se viessem em grupo, o fôlego de Wu Chen não aguentaria!

    Só que quem lutava contra ele agora não eram esses guarda-costas de elite.

    Wu Chen os conhecia. Não passavam de arruaceiros do submundo e seguranças de bar.

    Eram todos do nível mais baixo daquele meio. Não havia ali nenhum verdadeiro lutador. Um ou outro tinha treinado um pouco, mas, diante de Wu Chen, era como se nunca tivessem treinado. Num beco, bater neles era brincadeira de criança!

    Por causa do terreno, não conseguiam atacá-lo todos de uma vez. No máximo três ou quatro ao mesmo tempo.

    Ameaça nenhuma!

    — Aaah!

    — Caralho!

    Os gritos de dor não cessavam.

    Sentado no canto da parede, recuperando o fôlego e segurando firme a mão da namorada, o jovem de cabelo curto virou a cabeça e viu Wu Chen avançar cada vez mais para dentro do beco. Ficou embasbacado pra cacete.

    Wu Chen realmente avançava passo a passo, enquanto aquelas dez ou vinte pessoas pareciam fazer fila para se entregar. Vinham uma atrás da outra e, em poucos golpes, iam ao chão. Uns tinham a cabeça agarrada pelos cabelos e batida contra a parede; outros levavam chutes que lhes quebravam as pernas.

    Na verdade, não dava para enxergar muito bem.

    A noite deixava tudo enevoado.

    Mas era justamente essa névoa, que escondia os detalhes, que fazia os movimentos de Wu Chen parecerem ainda mais limpos e certeiros. Ele passava a impressão de um assassino frio: golpes brutais, movimentos rápidos e, ainda por cima, com estilo.

    Wu Chen praticamente redefiniu o que o jovem de cabelo curto entendia por “mestre”!

    Ele tinha treinamento, então sabia o quanto aquele estilo de combate enxuto, preciso e veloz era poderoso!

    Se existia um mestre incomparável, era aquilo!

    O jovem arregalou os olhos, atônito, e aos poucos foi sentindo o sangue ferver. Aquilo era foda pra cacete!

    A garota de vestido preto abraçava o braço dele, com os dedos entrelaçados aos seus, e também assistia, pasma, a Wu Chen abrir caminho “empurrando” todo mundo. Sem perceber, murmurou para o namorado:

    — E-ele é mais forte até que o tio Wei, né…?

    — Caralho, que porra é essa?! — Uma voz apavorada veio do fundo do beco.

    Era o jovem de cabelo branco, que tinha ficado o tempo todo lá atrás. Ele também assistia boquiaberto, em pânico total.

    E não era só ele. Mais para dentro do beco, atrás dele, quatro rapazes e moças estavam reunidos… Tinham sido eles que armaram tudo aquilo naquela noite. Mais precisamente, o jovem alto e magro de cabelo punk que liderava o grupo. Fora ele quem chamara aquela gente!

    Antes, os quatro tinham ficado a uns dez e poucos metros da entrada do beco, observando.

    Quando o jovem de cabelo curto e a garota de vestido preto fugiram para o beco e os arruaceiros foram atrás, os quatro entraram também, sempre só observando.

    O jovem de cabelo branco era o chefe dos arruaceiros.

    Já o rapaz punk e os outros, pelas roupas, eram claramente filhinhos de papai que viviam nas baladas.

    Naquele momento, também estavam atônitos, e ainda mais assustados que o jovem de cabelo branco. Afinal, não eram do submundo. Não que nunca tivessem se metido em briga de turma, mas nunca tinham visto uma cena em que tanta gente acabava com braço e perna quebrados.

    Tinham topado com um cara brabo pra caralho!

    E ele estava cada vez mais perto.

    Wu Chen já tinha derrubado uns catorze ou quinze. Restavam poucos, e esses já não tinham coragem de avançar.

    Vendo aquilo, e vendo Wu Chen se aproximar sem parar, o jovem de cabelo branco cerrou os dentes, bateu o pé e partiu para cima dele com o bastão retrátil. Não tinha escolha. Se amarelasse agora, nunca mais poderia andar naquele meio. E, se se escondesse, o que seria dos jovens mestres e das senhoritas que estavam atrás dele?

    Se eles acabassem estropiados e ele saísse inteiro dali, estaria morto!

    Tinha que ir!

    Mesmo que fosse só para fazer cena e levar um chute que lhe quebrasse algum osso, ainda seria melhor do que qualquer outro desfecho!

    Era o que pensava, mas, na hora de atacar, não aliviou. Chegou perto de Wu Chen e desceu o bastão direto no ombro dele… Na cabeça, não. Depois de tantos anos naquele meio, sabia que uma bastonada na cabeça podia matar. Não podia haver morte!

    Era um jeito de lutar instintivo, coisa do hábito.

    Mais um vindo se entregar de bandeja.

    O jovem de cabelo branco tinha levantado demais o braço. Diante de um ataque tão desprotegido, Wu Chen nem se deu ao trabalho de agarrar seu pulso. Apenas ergueu o pé para um chute frontal, rápido como um raio!

    — Senhor Wu?!! — berrou de repente o jovem de cabelo branco, num grito agudo, como quem dá de cara com uma assombração.

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