Novels chinesas em português
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    Capítulo 276 — Wu Chen, o “intrometido”

    O Beco Erdao Sul ficava na Rua Fukang. Do lado oeste do beco estava a Rua Fukang; do lado leste, a Rua Anlong, conhecida como rua dos bares. Em Donghai havia vários lugares que podiam ser chamados de rua dos bares, e a Rua Anlong era só um deles.

    Alguns minutos antes.

    Um esportivo GTR com placa de Modu tinha acabado de sair do estacionamento em frente ao Bar Yema, a pouco mais de cem metros dali. Quando chegou perto do Beco Erdao Sul, vários carros parados ao longo da rua ligaram os motores e partiram atrás dele. Cercaram-no pela frente e por trás, frearam bruscamente e bloquearam o GTR!

    Um bando desceu dos carros.

    Além deles, um grupo de jovens que zanzava por ali fumando, com cara de arruaceiros, também se juntou. Alguns chegaram a sacar bastões retráteis de dentro da roupa.

    Era claramente uma emboscada.

    — Desce daí, filho da puta!

    — Lá no bar você não estava se achando pra caralho? Desce!

    — Vai se foder com essa porra de carro!

    O bando xingava. Um rapaz de cabelo tingido de branco foi direto e acertou o para-brisa do GTR com o bastão retrátil, deixando o vidro todo trincado!

    Na calçada, a pouco mais de dez metros, havia ainda quatro ou cinco rapazes e moças. Era evidente que rodeavam o rapaz do meio: alto, magro, de cabelo punk e jaqueta de couro preta.

    O rapaz punk, com um cigarro no canto da boca, observava a cena de olhos semicerrados.

    Aquele grupo não estava ali para assistir à confusão. Na verdade… eram eles que tinham chamado o bando que bloqueara o carro.

    Vrummm…

    O GTR acelerou de repente, com o motor soltando um rugido grave.

    No instante seguinte, o esportivo disparou para a frente e bateu de frente!

    Todos em volta levaram um susto e pularam para o lado. O GTR acertou uma van que bloqueava a passagem na diagonal à frente e a empurrou meio de lado, mas não abriu caminho. Deu ré e bateu de novo.

    Bum!

    Continuava sem passagem!

    Queria fugir!

    Dentro do GTR, o rapaz de cabelo curto ao volante estava com as palmas das mãos suadas. A garota de vestido preto no banco do passageiro também estava apavorada. Ali era Donghai, não Modu. Por mais poderosos que fossem em Modu, tinham mexido com os donos do pedaço em Donghai… aquilo ia acabar mal!

    Sabe-se lá como a coisa tinha chegado àquele ponto!

    — Ele quer fugir!

    — Caralho, quebra tudo!

    O rapaz de cabelo branco gritou, agitando o bastão, e foi o primeiro a avançar. Pela frente e por trás não dava para chegar perto, era fácil ser atropelado, mas pelas laterais dava!

    Ele chegou e, com um golpe de bastão, trincou o vidro lateral do motorista!

    O bando inteiro avançou e passou a quebrar o carro pelos dois lados. O GTR deu ré outra vez e derrapou de traseira, quase pegando algumas pessoas, mas todos foram espertos o bastante para pular fora. A rua estava completamente bloqueada; aquele carro não ia escapar de jeito nenhum, e ninguém era idiota de tentar pará-lo com o próprio corpo.

    Vrum, vrum…

    O ronco de outro motor soou. Dessa vez vinha de um SUV preto que fechava a rua. O motorista acelerava enquanto piscava o pisca-alerta para o GTR.

    Pelo jeito, ia bater direto nele. Àquela distância o impacto não seria tão grave, estavam perto demais, mas era bem possível que empurrasse o GTR de lado contra a parede ou até o capotasse.

    O rapaz de cabelo curto entrou em pânico de vez. Chegou a pensar que, se o arrancassem do carro, podiam matá-lo de pancada!

    — Prepara para descer e corre para aquele lado… — gritou para a garota de vestido preto.

    O GTR avançou mais uma vez, deu uma derrapada brusca de traseira e parou.

    O pessoal em volta se assustou e recuou por um instante.

    O rapaz de cabelo curto se atrapalhou para soltar o cinto, abriu a porta e correu para o beco mais próximo. A garota de vestido preto fez o mesmo. Na entrada do beco, os dois deram as mãos.

    Ela não conseguia correr rápido; estava de salto alto.

    O rapaz a puxava, levando-a junto.

    Os sapatos chegaram a voar dos pés dela!

    — Atrás deles!

    — Pega ele!

    — Filho da puta!

    Um bando de jovens se enfiou no beco atrás deles. Os dois mais rápidos os alcançaram depois de pouco mais de dez metros. O rapaz de cabelo curto soltou a mão da garota, girou o corpo e deu um chute.

    Derrubou um!

    O outro veio girando um taco de beisebol para acertá-lo. Ele ergueu a mão, arrancou o taco e devolveu o golpe, derrubando o sujeito de vez!

    Ele sabia brigar. Tinha treino.

    Mas… era gente demais! Como diz o ditado, dois punhos não vencem quatro mãos. O rapaz de cabelo curto já tinha se metido em briga de turma antes e sabia que não tinha como vencer tanta gente!

    Depois de derrubar os dois primeiros, recuou depressa alguns passos, agarrou de novo a mão da garota de vestido preto e saiu correndo a toda!

    — Caralho, o cara treinou!

    — Pega ele! O filho da puta acha que está em filme de artes marciais!

    — Corre! Pega ele!

    Dois corriam na frente; uns dez, vinte vinham atrás. O beco era comprido… Logo, o rapaz de cabelo curto e a garota de vestido preto chegaram à metade.

    Zum! Pá!

    Ninguém soube quem arremessou o taco de beisebol, mas ele acertou em cheio as costas do rapaz de cabelo curto e ricocheteou longe. O rapaz cambaleou, perdeu o equilíbrio e foi ao chão!

    — Levanta! Levanta!! — A garota de vestido preto já chorava de desespero. Puxou com toda a força e conseguiu pôr o rapaz de pé.

    Com aquele atraso, os três ou cinco da frente os alcançaram.

    — Ainda vai correr, filho da puta?! — Um bastão veio na direção do rapaz de cabelo curto.

    Protegendo a garota, ele se esquivou, e o bastão acertou a parede ao lado. Então soltou a garota de novo.

    Avançou e deu um chute.

    Derrubou o sujeito!

    A briga começou!

    — Vocês sabem quem eu sou, caralho?! — gritou o rapaz de cabelo curto.

    Não tinha escolha. No fundo, detestava usar o peso da família, mas, naquele momento, estava prestes a se ferrar de vez!

    — Tá se achando o quê, porra? Vem para Donghai bancar o fodão com a gente, caralho?!

    — Filho da puta!

    Na rápida troca de golpes, os três ou cinco não conseguiram levar vantagem sobre o rapaz de cabelo curto. Ele também levou uma bastonada, alguns chutes e ficou com o nariz sangrando.

    Mas derrubou mais três!

    Não dava para continuar! Os outros dez e tantos que vinham atrás já estavam chegando.

    A garota de vestido preto estava encostada na parede, como se tivesse travado de medo. A maquiagem tinha borrado toda de tanto chorar.

    O rapaz de cabelo curto pegou um taco de beisebol do chão e o girou a esmo, fazendo os dois que tentavam cercá-lo recuarem por instinto.

    Aproveitou a brecha e correu de novo!

    Não esqueceu a garota. Agarrou-lhe a mão e disparou feito louco.

    O fôlego estava acabando. Brigar com tudo gastava energia demais. Ofegava pesado e já não corria tão rápido quanto antes. A garota estava ainda pior, com as pernas bambas de medo.

    Logo foram alcançados outra vez, e a briga recomeçou.

    Já dava para ver a saída do outro lado do beco.

    — Aaah!! Socorro!!! Alguém me ajuda! Socorro!! — A garota de vestido preto começou a gritar.

    Do lado de fora do beco, junto à Rua Fukang.

    Dentro da Lamborghini, Wu Chen e Zhuang Xiaodie ouviram o grito.

    O rosto de Zhuang Xiaodie mudou. Ela arregalou os olhos e olhou pela janela em direção à entrada do beco… Uma garota gritando daquele jeito, desesperada, só podia estar passando por algo terrível. Sendo mulher também, Zhuang Xiaodie imaginou num instante um monte de coisas horríveis.

    No momento em que o grito ecoou, Wu Chen soltou o cinto de segurança.

    — Fica no carro — disse a Zhuang Xiaodie. E abriu a porta e desceu.

    Vinte, trinta metros beco adentro, tudo era um caos.

    O rapaz de cabelo curto era valente de verdade, mas não dava conta de tanta gente. Por sorte o beco era estreito, e poucos conseguiam atacá-lo ao mesmo tempo; do contrário, ele nem teria chegado até ali.

    Wu Chen apareceu na entrada do beco, com as duas mãos nos bolsos do paletó, observou a cena e gritou:

    — Ei! Que é isso aí?

    Alguns olharam para ele.

    Mas ninguém lhe deu atenção.

    Wu Chen começou a entrar no beco.

    Alguns perceberam.

    — Não se mete onde não é chamado, porra! Some daqui!

    — Se não quer morrer, vaza!

    A garota de vestido preto, que já tinha sido derrubada a chutes junto à parede, viu alguém chegar e ainda ter coragem de gritar com o bando. Foi como ver um salvador. Aguentando a dor, levantou-se e pediu socorro a Wu Chen:

    — Irmão! Socorro! Salva meu namorado!

    Cambaleou até ele. Wu Chen ergueu a mão, sinalizando para que ela se afastasse.

    E continuou andando.

    O rapaz de cabelo curto já tinha sido derrubado duas vezes e, nas duas, se levantara aos trancos e barrancos, mas era evidente que não ia aguentar muito mais.

    — Ainda tem coragem de vir para cá, filho da puta! — Um rapaz com o braço tatuado viu que o “intrometido” ainda se atrevia a se aproximar, partiu para cima de Wu Chen e ergueu o bastão para acertá-lo!

    Nota