Novels chinesas em português
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    Capítulo 275 — Ele sabe jogar, só que…

    Zhuang Xiaodie servia sopa para Wu Chen. Ele tinha acabado de pegar a tigela quando ouviu Lei Cheng dizer “Jovem Mestre Ding”. A mão parou por um instante. Ele virou o rosto para Lei Cheng e, com toda a naturalidade, pousou a tigela à sua frente.

    A sala de jantar ficou num silêncio absoluto. Lei Cheng era o anfitrião e estava ao telefone; naturalmente, ninguém ia falar à toa.

    Hu Xilin também estava ali. Ao ouvir “Jovem Mestre Ding”, a mão que segurava os hashis também parou. Ele lançou um olhar para Wu Chen e depois para Lei Cheng.

    — Chefe Lei, você tem um tempo amanhã à tarde? Dá para conversarmos? — A voz de Ding Ruilong saiu pelo celular.

    — Tempo eu até tenho. Por quê… o Jovem Mestre Ding vem a Donghai amanhã? — disse Lei Cheng ao telefone, lançando mais um olhar para Wu Chen e trocando um olhar com ele.

    — Isso, chego amanhã. Se for conveniente para o chefe Lei, escolha um lugar — disse Ding Ruilong.

    — Precisa disso? — respondeu Lei Cheng. — Jovem Mestre Ding, se você já foi falar com o Lei You, não precisa mais vir conversar comigo, precisa?

    — Hahahaha, que é isso, chefe Lei? — Ding Ruilong riu alto. — Você é você, seu irmão é seu irmão. Também ouvi falar das desavenças entre vocês dois. Como alguém de fora, não me cabe comentar, mas… se o chefe Lei tiver interesse, podemos conversar. Talvez eu até possa te dar uma mão.

    As palavras de Ding Ruilong vinham carregadas de insinuação.

    — O que você quer dizer? — perguntou Lei Cheng.

    — O chefe Lei deve entender. Não somos inimigos, e eu também não tenho amizade nenhuma com o seu irmão. Se você me ajudar, eu também posso te ajudar… Que tal conversarmos pessoalmente?

    Quando não estava tomado pela raiva, Ding Ruilong sabia falar muito bem!

    Prometeu mundos e fundos a Lei Cheng!

    A linha de raciocínio dele era até a mesma de Wu Chen: usar o conflito entre Lei Cheng e Lei You para criar uma relação estreita com Lei Cheng.

    Em condições normais, se Lei Cheng não conhecesse Wu Chen, com certeza ficaria muito tentado! Estreitar laços com Ding Ruilong e se valer da influência da família Ding parecia vantajoso por qualquer ângulo!

    Só que Wu Chen tinha chegado primeiro.

    — Jovem Mestre Ding, pelo seu tom, parece que você sabe de alguma coisa — disse Lei Cheng, pensativo. — Sobre o que aconteceu dez anos atrás… em que você poderia me ajudar?

    Só de perguntar aquilo, Lei Cheng já parecia demonstrar interesse.

    Claro, era encenação para Ding Ruilong, para arrancar mais coisa dele.

    — O que aconteceu dez anos atrás não importa tanto, não é? — respondeu Ding Ruilong, com um tom risonho. — O que importa é o presente. Seu pai só tem dois filhos. Basta que um deles sofra um acidente, e o outro vira o único herdeiro, não é verdade? Os detalhes a gente acerta pessoalmente. Por telefone não fica bem…

    A expressão de Lei Cheng mudou levemente.

    Sofrer um acidente? Morrer um deles? O outro virar o único herdeiro?

    Aquilo deveria ser extremamente atraente para Lei Cheng. Para ele, seria até pagar Lei You na mesma moeda: no passado, Lei You tinha feito exatamente isso com ele…

    Mas!

    Como Wu Chen tinha chegado primeiro, Lei Cheng jamais ficaria do lado de Ding Ruilong!

    Por isso, naquele momento, em vez de se sentir tentado, Lei Cheng passou a temer Ding Ruilong e a se precaver ainda mais contra ele… Se Ding Ruilong podia dizer aquilo a Lei Cheng, naturalmente podia dizer o mesmo a Lei You.

    Lei Cheng ficou em silêncio.

    Parecia estar pensando. Na verdade, voltou a trocar olhares com Wu Chen. Também não sabia se Wu Chen conseguia ouvir direito o que saía do celular.

    A sala de jantar era enorme, um cômodo independente. A mesa era comprida, de estilo ocidental, e Lei Cheng e Wu Chen não estavam sentados lado a lado.

    Mesmo com todo aquele silêncio, além de Lei Cheng, os outros só conseguiam ouvir vagamente alguma coisa.

    — Nos encontrarmos, é… — murmurou Lei Cheng, mas os olhos estavam em Wu Chen. Aquela frase era para ele.

    Wu Chen assentiu uma vez.

    — …Então está bem. Amanhã à tarde, que horas exatamente você chega? — disse Lei Cheng ao celular, como quem finalmente se decidira.

    — Depois das duas. Hora e lugar, você escolhe. E mantenha sigilo — disse Ding Ruilong.

    — Então…

    Lei Cheng pensou um pouco e combinou com Ding Ruilong o horário exato e o local do encontro.

    Trocaram mais algumas palavras e desligaram.

    Era preciso admitir: Ding Ruilong sabia jogar!

    Dava para perceber que ele tinha ligado para Lei You e, depois, naquele horário, ligado para Lei Cheng de propósito!

    Queria que Lei Cheng soubesse que ele tinha falado com os dois irmãos e, ao mesmo tempo, deixava transparecer que não tinha intimidade com Lei You.

    Isso daria a Lei Cheng a sensação de que Ding Ruilong tomaria o partido de quem o ajudasse.

    Era, ao mesmo tempo, uma promessa e uma pressão psicológica… Se Lei Cheng não conquistasse Ding Ruilong, Ding Ruilong iria ajudar o irmão dele!

    Somando-se a isso a pressão que Lei You também fazia sobre ele… se Lei Cheng fosse esperto, saberia o que fazer.

    E agir assim ainda trazia outra vantagem para Ding Ruilong: impedir que Lei Cheng avisasse Li Ruobing!

    Agora o assunto envolvia questões internas da família Lei, e Lei Cheng não contaria a Li Ruobing, de antemão, os detalhes de um encontro secreto com Ding Ruilong.

    Ding Ruilong era mesmo muito esperto!

    Só que…

    Ao desligar, Lei Cheng olhou para Wu Chen.

    — Vamos comer primeiro — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Vamos, vamos comer. — Lei Cheng também sorriu e chamou Tao Manying. — Dabao, me passa o vinho, que eu abro…

    Sobre a mesa havia várias garrafas de Romanée-Conti safra 2000.

    Abriram o vinho.

    Comeram.

    Conversaram sobre amenidades.

    Wu Chen não tocou por conta própria no assunto Ding Ruilong. Lei Cheng entendeu que ele não queria falar disso à mesa e também não puxou o tema; falaram de outras coisas.

    O que Lei Cheng não sabia era que Wu Chen já sabia, havia muito tempo, que Ding Ruilong ligaria para ele naquela noite.

    Wu Chen sabia até, de antemão, o conteúdo exato da conversa!

    Nem precisava perguntar: já sabia de tudo!

    Porque, no “20 de julho” anterior, tudo aquilo já tinha acontecido!

    “Naquela vez”, embora Wu Chen não tivesse se encontrado com Lei Cheng, os dois se falaram várias vezes por telefone. À noite, Lei Cheng ainda ligou para Wu Chen para contar que Ding Ruilong tinha telefonado de novo e explicou tudo em detalhes…

    A diferença era que, no “20 de julho” anterior, Lei Cheng não marcara hora nem lugar com Ding Ruilong. Não queria vê-lo; estava de saco cheio!

    Desta vez, o encontro ficou marcado, porque Wu Chen estava presente durante a ligação e sinalizou para Lei Cheng aceitar!

    O jantar durou mais de uma hora.

    Durante a conversa à mesa, Hu Xilin ficou sabendo que Zhuang Xiaodie era a mulher de Wu Chen. Não demonstrou nenhuma reação especial.

    Não se importava nem pensava muito nisso. A cabeça estava tomada pela traição da esposa.

    O clima foi ótimo. Lei Cheng voltou a sugerir que, no futuro, se surgisse oportunidade, Tao Manying trabalhasse com Zhuang Xiaodie.

    Ninguém bebeu demais; ficaram todos só levemente alegres, menos Hu Xilin.

    Ele tinha coisa na cabeça e bebeu para afogar as mágoas. Pouco depois das oito, já estava completamente bêbado, debruçado sobre a mesa, sem se mexer.

    Por volta das oito e meia, o jantar terminou.

    Wu Chen e Lei Cheng foram para o escritório do segundo andar, tomaram chá para cortar o efeito do álcool e conversaram em segredo sobre Ding Ruilong. Quanto ao Hu Xilin bêbado… Lei Cheng mandou o motorista e os guarda-costas dele entrarem, levá-lo embora e deixá-lo em casa.

    Por volta das nove da noite, Wu Chen e Lei Cheng já tinham conversado praticamente tudo e deixado tudo combinado.

    Lei Cheng queria que Wu Chen e Zhuang Xiaodie passassem a noite ali. Numa casa daquele tamanho, lugar não faltava. Mas Wu Chen disse que ainda tinha coisas para resolver e recusou. Lei Cheng não insistiu.

    Desceram.

    Wu Chen chamou Zhuang Xiaodie, que conversava com Tao Manying.

    E foram embora!

    Wu Chen dirigiu depois de beber. Mas, com seus atributos mentais fora do humano, mesmo que tivesse bebido demais o efeito seria pequeno, e ele nem estava bêbado.

    Mais de meia hora depois.

    Por volta das dez e dez da noite.

    Rua Fukang, distrito de Nancheng. Era uma região da cidade antiga, perto da rua dos bares do distrito. Mas, àquela hora, em contraste com o neon, o barulho e a animação da rua dos bares, a Rua Fukang, a apenas um quarteirão dali, estava completamente deserta.

    Quase não passavam carros, e não se via uma alma.

    Era uma rua de fundos.

    Wu Chen estacionou junto ao meio-fio e ficou olhando para a entrada de um beco, na diagonal à frente.

    — Senhor Wu… a gente… não vai para casa? — Zhuang Xiaodie virou-se para ele, sem conseguir segurar a pergunta.

    Ela não conhecia bem as ruas de Donghai, não sabia onde estavam nem por que Wu Chen tinha parado ali.

    — Shh! — Wu Chen ergueu o dedo, sinalizando para que ela não falasse.

    Zhuang Xiaodie obedeceu e ficou quietinha.

    Wu Chen deu mais uma olhada no relógio, conferindo a hora.

    Silêncio.

    Um minuto depois.

    — Aaah!! Socorro!!! Alguém me ajuda! Socorro!! — O grito de uma mulher ecoou de repente dentro do beco.

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