Novels chinesas em português
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    Capítulo 263 — Me deixe ir!

    — Está me testando? — perguntou Wu Chen, olhando para Wu Yurong.

    — Estou. — Wu Yurong assentiu.

    Era isso mesmo. Queria testar se Wu Chen realmente sabia de tudo.

    Wu Chen sorriu, e o canto da sua boca se curvou de um jeito esquisito. Então estendeu a mão, enganchou um dedo no decote do vestido de Wu Yurong, puxou-o um pouco e espiou lá dentro.

    — Branco — disse, sorrindo, e soltou.

    Ela tinha pedido que ele adivinhasse, e ele simplesmente olhou.

    — Era para adivinhar… Seu sem-vergonha. — Wu Yurong deu um soquinho no ombro dele, fingindo irritação.

    — E por que eu ia adivinhar? Não é como se eu não pudesse olhar. — Wu Chen riu.

    Wu Yurong percebeu que Wu Chen parecia estar escondendo algo de propósito, sem querer deixar transparecer, e por isso usara aquele truque para escapar da pergunta.

    — Então… você ainda não me respondeu. Como sabia que eu vinha com a Xuanxuan? — perguntou ela de novo, sem rodeios.

    — Chutei. — Wu Chen sorriu.

    Quanto mais ele agia assim, mais Wu Yurong desconfiava de que Wu Chen tivesse algum tipo de habilidade especial, daquelas que só gente extraordinária teria. Ela já o via como alguém fora do comum antes.

    Agora, mais ainda.

    Wu Yurong pensou um pouco, virou-se para olhar a porta e depois voltou a olhar para ele. Chegou mais perto, enganchou o braço no dele e disse, com a voz doce e suave:

    — Marido, me conta, vai?

    Falou bem baixinho.

    Estava fazendo manha.

    Na idade dela… aquilo, na verdade, não destoava. Afinal, ela já tinha sido uma nota 10 e ainda parecia muito jovem!

    — E o que você quer que eu te conte? — perguntou Wu Chen sorrindo, virando o rosto para encará-la.

    — Só me conta… — Wu Yurong começou, mas parou de repente. — Esquece.

    Desistiu de perguntar do nada.

    Se fosse uma garota mais nova, com certeza ia querer ir até o fundo da história, sem conseguir segurar a curiosidade, decidida a descobrir a verdade. Mas a maturidade de Wu Yurong, naturalmente, não se comparava à de uma menina.

    Ela entendia que Wu Chen não queria falar.

    Insistir demais só ia irritá-lo.

    Para que precisava saber a qualquer custo?

    Bastava ter claro, lá no fundo, que Wu Chen era diferente!

    — A Li Ruobing foi para casa com você ontem? — perguntou Wu Yurong, mudando de assunto por conta própria.

    — Uhum. — Wu Chen assentiu.

    — E vocês… foram quantas vezes? — perguntou Wu Yurong, sempre com aquele jeito suave e doce.

    Alguns minutos depois.

    Ouviram-se passos do lado de fora e, logo em seguida, a porta se abriu. Song Xuan tinha terminado a ligação e voltado.

    Wu Chen e Wu Yurong estavam sentados lado a lado, cada um com sua xícara de café, parecendo conversar com toda a naturalidade.

    — Veterano, a An Menglan disse que quer se encontrar comigo para conversar. E ela quer te conhecer também. Talvez te ligue… — Song Xuan continuava feliz da vida, saltitante. Enquanto falava, sentou-se do outro lado e, sempre acelerada, explicou mais ou menos a situação.

    Resumindo: nada estava fechado ainda.

    Precisavam conversar pessoalmente.

    Song Xuan tinha contado sobre a família e sobre a posição da mãe. An Menglan, então, disse que estava disposta a vir a Donghai para se encontrar com ela.

    Principalmente porque precisava conhecer Wu Yurong.

    An Menglan também queria conhecer Wu Chen e talvez ligasse para ele antes.

    Mas não dissera quando viria a Donghai nem quando telefonaria para Wu Chen.

    Nada certo.

    — Veterano, por que você não fica nem um pouquinho animado? O que foi? — Depois de explicar, Song Xuan perguntou de novo. Achava que Wu Chen estava calmo demais. — A An Menglan vai vir te conhecer! Ela quer conversar pessoalmente com você! Você não está feliz?

    — Uhum. Estou feliz — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    Muito superficial.

    — Eu não te entendo mesmo… — Song Xuan chegou a fazer um biquinho. An Menglan era a sua ídola, ela a adorava, mas Wu Chen parecia não sentir absolutamente nada por ela.

    É claro que jamais passaria pela cabeça dela que Wu Chen já tinha dormido com An Menglan.

    — Eu li o contrato… não tem problema nenhum… — disse Wu Chen, tomando a iniciativa.

    Finalmente, voltaram ao que interessava.

    Wu Chen e Song Xuan assinaram o contrato de participação nos lucros. Pelas cláusulas, aquilo contava como parte da remuneração de Wu Chen como letrista e compositor, e a porcentagem era absurdamente alta!

    Depois de assinar, conversaram mais um pouco. Por fim, os três desceram, despediram-se e cada um seguiu seu caminho.

    Por volta das três e quarenta da tarde.

    Wu Chen voltou para a estrada com a Lamborghini.

    Dirigia muito rápido.

    Estava controlando o tempo.

    Pouco mais de vinte minutos depois.

    Avenida Bailiu, distrito de Xicheng, cidade de Donghai. Residencial Liu’an.

    Era um dos primeiros prédios residenciais altos construídos em Donghai. Ficara pronto no fim do século passado e já tinha mais de vinte anos. Em volta, só havia prédios comerciais e residenciais antigos. A densidade populacional era altíssima, e muita gente morava ali de aluguel.

    Wu Chen estacionou na rua, em frente ao prédio, entrou direto e subiu de elevador.

    Ninguém o barrou.

    O elevador era muito velho. Havia bitucas de cigarro no chão e todo tipo de adesivo de propaganda colado nas paredes.

    Ao sair no oitavo andar, o corredor também passava uma sensação de sujeira. Era longo e mal iluminado, com portas de apartamentos a curtos intervalos. As paredes dos dois lados estavam cobertas de números de telefone impressos, muitos de chaveiros, além de adesivos, cartazes e todo tipo de anúncio miúdo.

    Praticamente todo mundo que morava ali era inquilino. Dava para alugar por um período longo ou curto.

    Dava até para alugar por um dia só.

    Wu Chen seguiu para o lado sul e logo chegou à porta do 819. Era ali que os homens de Lao Dao estavam hospedados e onde Jiang Chuan estava preso. Como a administração do prédio era péssima, havia uma mistura de todo tipo de gente, entrando e saindo o tempo inteiro. Com tanta gente e tantos olhos por perto, o lugar, curiosamente, ficava ainda mais seguro!

    Quem morava ali conhecia uma regra básica:

    Não se meter na vida dos outros!

    Toc, toc, toc!

    Wu Chen bateu à porta.

    Ninguém respondeu, mas dava para ouvir, vagamente, passos se aproximando depressa. Então a porta se abriu só uma fresta. Havia uma corrente de segurança por dentro, e ela não abria mais do que aquilo.

    Um homem de pouco mais de trinta anos, cabelo curto, franzino, com talvez um metro e sessenta, espiou pela abertura.

    Ao ver Wu Chen, deixou claro na hora que o reconhecia e virou a cabeça para dizer:

    — Chegou, chegou.

    Enquanto falava, fechou a porta, tirou a corrente e voltou a abri-la por completo.

    Wu Chen entrou com uma das mãos no bolso da calça social.

    — Senhor Wu. — O homem franzino abriu passagem e o cumprimentou com toda a cortesia.

    — Senhor Wu.

    — Boa tarde, senhor Wu.

    Havia mais dois homens no sofá da sala: um brutamontes de costas largas e cintura grossa, e outro de pele clara, de óculos. Assim que Wu Chen entrou, os dois se levantaram e o cumprimentaram com certa deferência.

    Eram todos homens de confiança de Lao Dao.

    Nunca tinham visto Wu Chen pessoalmente, nem tinham vindo a Donghai com Lao Dao para resolver as coisas. Mas, como Wu Chen combinara com Lao Dao que viria naquele horário ver Jiang Chuan… naturalmente já tinham visto uma foto dele.

    Lao Dao com certeza tinha dado as instruções.

    — Cadê ele? — Wu Chen parou por um instante, correu os olhos pela sala, com o chão coberto de bitucas e potes de macarrão instantâneo, e perguntou direto.

    — Senhor Wu, por aqui. — O franzino foi na frente, a passos rápidos, levando Wu Chen até o cômodo dos fundos.

    O apartamento não era um estúdio. Tinha sala e um quarto.

    O franzino foi na frente e abriu a porta.

    Wu Chen entrou.

    Jiang Chuan estava no quarto, amarrado dos pés à cabeça numa cadeira, com um trapo velho enfiado na boca. Ao ver que era Wu Chen quem entrava, arregalou os olhos na hora… Embora nunca o tivesse visto pessoalmente, também já tinha visto uma foto dele.

    — Mmm! Mmm! — Jiang Chuan se debatia com violência. A cadeira balançava com ele e rangia. Com a boca amordaçada, só conseguia soltar sons abafados.

    — Solta ele. — Wu Chen ficou parado à porta e fez um sinal com a cabeça para o franzino.

    Sem dizer uma palavra, o homem puxou uma adaga da cintura, foi até lá e cortou as cordas que prendiam Jiang Chuan. Deu uns puxões nelas e as jogou para o lado.

    Jiang Chuan continuava encarando Wu Chen de olhos arregalados. Com o franzino ao lado, de faca na mão, também não se atrevia a fazer nenhum movimento brusco.

    — Wu Chen! Você…

    De repente!

    Jiang Chuan agarrou o pulso do franzino ao lado. Num giro, levantou-se e passou direto para as costas dele. Torceu-lhe o pulso e, num instante, a adaga que estava na mão do homem passou para a sua.

    A lâmina já estava colada ao pescoço do franzino.

    Jiang Chuan fez o refém num único fôlego. O movimento foi rapidíssimo!

    E totalmente inesperado!

    — Me deixe ir! — gritou Jiang Chuan para Wu Chen.

    Nota