Capítulo 262 — Empolgadíssima, animadíssima
por NexoNovelCapítulo 262 — Empolgadíssima, animadíssima
Wu Chen sabia o que tinha acontecido.
No 20 de julho anterior, ele tinha perguntado a Song Xuan. Embora ela só tivesse respondido que An Menglan havia ligado, aquilo bastava.
É claro que Wu Chen sabia quem era An Menglan. Sabia também que ela era a ídola de Song Xuan e conseguia deduzir por que tinha ligado. Portanto… sabia perfeitamente em que estado de espírito Song Xuan estava!
Wu Yurong estava de pé ali ao lado.
Ainda parecia um pouco estranho, mas, desde que ela não estivesse no colo de Wu Chen, em qualquer lugar daquela sala seria, no máximo, um pouco estranho. Não chegava a ser um problema.
Em condições normais, Song Xuan talvez perguntasse alguma coisa.
Mas agora nem perguntou. Como nada de chocante tinha acontecido diante dos seus olhos, ela continuava num estado de extrema agitação e empolgação.
— Veterano! Sabe o quê? Foi a An Menglan! A An Menglan me ligou! Ela disse que quer me contratar, quer que eu vá para a empresa dela! Aaaah! — Song Xuan falava tão agitada que, no auge da empolgação, chegou a soltar um gritinho agudo.
Bem “menininha” mesmo.
Já não era criança, mas ainda era só uma estudante do segundo ano da faculdade. O que sentia pela ídola, embora não fosse igual ao das meninas que simplesmente viviam atrás de celebridades, também não era tão diferente assim.
— Xuanxuan, fala baixo! — Wu Yurong se recompôs um pouco e ergueu a voz para chamar a atenção da filha. Depois, com um olhar de censura, mas cheio de carinho, disse com suavidade: — Estamos num lugar público. Se comporta.
— Mãe! — Song Xuan chamou, manhosa. Em poucos passos chegou ao lado de Wu Yurong, agarrou o braço dela e deu dois pulinhos, ainda superempolgada. — É a An Menglan! É a An Menglan!
— Tá, tá, tá, eu sei. Sua ídola. — Wu Yurong sorriu, sem ter o que fazer, só entrando na onda da filha.
Do lado de fora, Chu Yan, a guarda-costas de Wu Yurong, fechou a porta da sala.
Depois de “fazer festa” com a mãe por um instante, Song Xuan deu dois passos até o outro lado da mesa e se sentou com um giro, de frente para Wu Chen. Apoiou os cotovelos na mesa, inclinou o corpo para a frente e disse, eufórica:
— Veterano, veterano! A An Menglan quer me contratar!
Empolgada além da conta.
Queria dividir a alegria com alguém.
— Uau! Sério? Parabéns, parabéns! — Wu Chen entrou no jogo e respondeu sorrindo, num tom exagerado de propósito.
Aquilo, pelo contrário, fez Song Xuan se acalmar bastante de uma vez.
— Aff! Veterano, que resposta mais de fachada, nem parece sincero. — Song Xuan torceu o canto da boca, mas logo se aproximou de novo, animada, e continuou: — Veterano, é a An Menglan! Como você consegue ficar tão calmo? Ela quer me contratar! E quer te contratar também! Até pediu seu telefone! Sua música fez ainda mais sucesso que a minha, e você é tão talentoso… Ela com certeza vai investir em você. Você pode virar uma grande estrela…
Song Xuan falava muito rápido.
Normalmente não era assim. Naquele momento, estava como um trabalhador comum que, de repente, ganhasse um prêmio de cem milhões: tão agitada, empolgada e até nervosa que mal conseguia se controlar.
An Menglan não era só a sua ídola; estava intimamente ligada ao seu sonho de fazer música.
Enquanto Song Xuan falava com Wu Chen, Wu Yurong chegou um pouco mais perto dele e fez um leve sinal. Wu Chen então deslizou mais para o canto do sofá.
Wu Yurong sentou-se ao lado dele e ainda comentou, como quem fala sozinha:
— Ali o ar-condicionado bate direto. Que frio.
Estava tentando remendar a situação.
Song Xuan nem tinha perguntado por que a mãe estava de pé, ao lado de Wu Chen, pouco antes. Mesmo assim, Wu Yurong arranjou por conta própria uma justificativa, para que a filha pensasse que ela só estava trocando de lugar porque o ar-condicionado do outro lado soprava frio demais.
Song Xuan continuou sem prestar atenção no que ela dizia.
Na verdade, aquele momento já tinha passado, e Song Xuan jamais pensaria demais naquilo.
Era Wu Yurong que estava assustada demais por dentro e, por isso, se explicava sem ninguém ter perguntado.
— …Veterano, posso passar seu número para a An Menglan? — Song Xuan finalmente chegou a essa pergunta. Sem esperar a resposta, seu rosto lindíssimo ganhou uma expressão meio suplicante. — Veterano, por favorzinho… não recusa, tá? A gente está junto nessa, não está?
Ela se importava demais.
Tinha medo de que Wu Chen não aceitasse. Nesse caso, se An Menglan não conseguisse fechar com Wu Chen, o cantor amador que tinha estourado, a disposição dela em contratar Song Xuan talvez também mudasse.
Afinal, todas as músicas eram de Wu Chen.
Não que Song Xuan achasse que Wu Chen não quisesse virar uma grande estrela e ganhar muito dinheiro. Só achava que… talvez ele não quisesse assinar justamente com a empresa de An Menglan.
An Menglan era cantora, e os novos talentos que ela formava também eram, na maioria, cantoras.
— Pode passar meu número para ela. — Wu Chen pensou por um instante e sorriu para Song Xuan. — Mas… não tenho planos de estrear como artista.
— Não vai estrear? — Song Xuan ficou surpresa.
Não conseguia entender o que se passava na cabeça dele.
— Veterano, você não quer ganhar dinheiro? — perguntou.
— Quero, claro. Mas… escrevendo músicas eu também ganho dinheiro, não ganho? — Wu Chen sorriu.
— Mas estreando você não ia… ganhar ainda mais? Será que… sua namorada não deixa você…? — O tom de Song Xuan mudou. Como Wu Yurong estava ali, ela não chegou a dizer “ricaça”. Isso deixaria Wu Chen muito mal.
— Xuanxuan, sobre assinar com uma empresa… você não acha que devia conversar comigo antes? — Wu Yurong falou de repente. O tom continuava suave e doce, mas os olhos encaravam a filha com muita seriedade.
— Mãe… — Song Xuan olhou para Wu Yurong e murchou na hora.
Wu Yurong era uma pessoa com um contraste enorme entre o que mostrava e o que era por dentro. A suavidade, em geral, era só fachada. Afinal, ela era a mulher conhecida como “Viúva Negra”.
Song Xuan conhecia a mãe bem demais.
E não se atrevia a bater de frente com ela.
— Mãe… mamãe… — Song Xuan chamou duas vezes, cada vez mais manhosa. Estendeu a mão, segurou a de Wu Yurong e implorou: — Deixa eu assinar, vai… Eu prometo que não vai atrapalhar a faculdade. Não vou participar de eventos, vou só me dedicar à música. Não vai tomar tanto tempo assim… Mamãe… por favor…
No fim, chegou até a fazer um pouco de charme.
Era a cena mais comum do mundo: uma filha fazendo manha e implorando à mãe.
— Não vai atrapalhar a faculdade? — perguntou Wu Yurong, séria.
— Uhum, eu prometo! Não vai atrapalhar de jeito nenhum. — Song Xuan assentiu depressa.
— E não vai estrear, é isso? — perguntou Wu Yurong de novo.
— Não seria bem… uma estreia — respondeu Song Xuan.
— E aí a empresa vai querer te contratar? — rebateu Wu Yurong.
— Mãe! Você não entende. A An Menglan trabalha só com música mesmo. Eu só preciso lançar as músicas. E, além disso, a nossa família também tem boas condições, dá para negociar com ela. Eu não estou fazendo isso por dinheiro… — dizia Song Xuan, balançando de leve a mão da mãe.
Tentou convencê-la de todo jeito.
Song Xuan tinha certeza de que conseguiria assinar com qualquer gravadora. Mesmo sem estrear de verdade e sem trazer mais lucro para a empresa, gerando no máximo uma participação na receita das músicas, fechar contrato seria questão de minutos.
Essa confiança vinha da própria família.
Que empresa não ia querer criar laços com o capital e os contatos representados por um gigante do vestuário como o Grupo Senlan?
Ou seja, a questão de assinar ou não com uma empresa não dependia de mais nada.
Só de Wu Yurong concordar ou não.
— …Ela disse que topa se encontrar comigo para conversar. Mãe, se você não estiver tranquila, pode conversar com ela junto comigo. Pode ser? Por favor…
— Está bem… Mas eu quero acompanhar tudo do começo ao fim. Quero saber exatamente como vai ser — cedeu Wu Yurong, a contragosto.
— Tá bom, tá bom! Você vai participar e acompanhar tudo! — Song Xuan se levantou, inclinou-se e deu um beijo na bochecha de Wu Yurong. — Te amo demais, mãe! Vou ligar para ela…
Song Xuan saiu apressada.
Foi telefonar lá fora porque havia certas coisas que não ficava bem dizer a An Menglan na frente da mãe.
A porta da sala voltou a se fechar.
Wu Chen deu uma olhada no relógio e, sorrindo, pegou o café e tomou mais um gole.
Wu Yurong o olhava de lado, com uma expressão muito estranha.
Naquele momento, não era na carreira musical da filha que ela pensava. Continuava pensando em Wu Chen…
Ele adivinhava o futuro?
— Tem uma flor nascendo na minha cara, é? Por que está me olhando desse jeito? — perguntou Wu Chen, pousando a xícara e sorrindo para ela.
— De que cor é o que estou usando por baixo hoje? — perguntou Wu Yurong direto, com a voz suave e doce.
Estava testando Wu Chen.
