Capítulo 261 — O que se repete e o que muda
por NexoNovelCapítulo 261 — O que se repete e o que muda
20 de julho de 2020, sete horas da manhã em ponto.
Distrito de Beicheng, cidade de Donghai, Zunrong · Donghai Huafu, Vila nº 36, quarto principal do segundo andar.
No exato instante em que o relógio marcou a hora cheia, Wu Chen abriu os olhos, pontual. Olhou para o teto e deixou escapar um sorriso satisfeito. Tinha “voltado”. Era a terceira reinicialização ativa desde o começo da sua nova vida.
Na primeira, depois de roubar o carro de Wang Zhuangyuan, os homens dele tinham acabado de aparecer. O problema estava ali, do lado de fora da porta, então Wu Chen simplesmente optara por reinicializar.
Na segunda, os homens de Lao Dao pretendiam provocar um acidente de carro. Wu Chen concluíra a reinicialização no exato instante do acidente, antes de morrer. Tudo dentro do que ele previra e planejara.
E agora, a terceira.
Dessa vez, não era algo que Wu Chen tivesse planejado com antecedência. Mas, como tinha surgido apenas um imprevisto, e não uma emergência, ele tivera tempo e disposição para passar metade daquele “20 de julho” se divertindo, investigando algumas coisas e atrás de um pouco de emoção. No fim, chegara a brincar com a própria vida e concluíra a reinicialização ativa antes de morrer no salto com o carro.
Ainda sorrindo, Wu Chen virou a cabeça para o lado. Li Ruobing, com os longos cabelos espalhados e marcas de lágrimas nos cantos dos olhos, dormia um sono pesado.
Wu Chen a envolveu com o braço.
Adormecida, Li Ruobing se aconchegou no peito dele, virou-se de lado e passou um braço em volta do seu pescoço. Estava num sono profundíssimo. Só tinha adormecido duas horas antes, e o movimento de Wu Chen não chegou a acordá-la.
Wu Chen também estava exausto, de corpo e de mente.
Tinha voltado pela reinicialização, então era natural que estivesse naquele estado às sete da manhã de 20 de julho… Ele e Li Ruobing só tinham ido dormir às cinco. E ela ainda tinha “disputado” com ele; tomara a iniciativa de um jeito impressionante.
Depois de pensar um pouco, Wu Chen abraçou Li Ruobing, virou-se e fechou os olhos.
Dormir!
Não havia muito em que pensar. Já que tinha voltado, primeiro ia dormir o quanto precisasse!
Cinco horas depois.
Meio-dia.
Wu Chen acordou de novo. Como no “20 de julho” anterior, levantou-se sozinho, lavou-se, vestiu-se e desceu. Zhuang Xiaodie estava preparando o almoço.
Depois de conversar um pouco com ela na cozinha, Wu Chen voltou para a sala.
Ligou a televisão, assistiu por um tempo e começou a fazer ligações. Primeiro telefonou para Song Xuan e combinou a hora e o lugar do encontro para assinar o contrato. Depois ligou para Lao Dao e conversou sobre Jiang Chuan…
Repetição!
Wu Chen basicamente refazia tudo o que tinha feito no “20 de julho” anterior. Para ele, aquela repetição não trazia pressão nenhuma. Conseguia até controlar o tempo com precisão, sem errar um minuto, um segundo.
Estava acostumado.
Ao longo de mil anos de ciclos, ele enlouquecera, perdera completamente o controle e, desesperado com uma vida que se repetia sem fim, se matara centenas de vezes. Só depois mudara a forma de pensar e começara a aprender todo tipo de habilidade, a investigar todo tipo de coisa, a dormir com todo tipo de mulher…
Naquele momento, Wu Chen podia afirmar com total confiança que era a pessoa com a maior resistência mental do mundo inteiro. Sem segundo lugar!
Mas… embora estivesse repetindo tudo, dessa vez Wu Chen também fez algumas coisas um pouco diferentes.
Na ligação com Lao Dao, mandou que ele providenciasse gente para amarrar Jiang Chuan de uma vez! E ficou combinado que Wu Chen iria vê-lo à tarde.
Depois disso, como antes, Wu Chen recebeu a ligação de Lei Cheng.
Nada mais mudou. A única diferença foi que Wu Chen marcou com Lei Cheng um horário e um lugar diferentes dos da vez anterior!
O tempo avançou.
Zhuang Xiaodie terminou de cozinhar.
Wu Chen subiu para chamar Li Ruobing e desceu com ela no colo.
Hora de comer.
À mesa, tudo o que Li Ruobing dizia e cada reação de Zhuang Xiaodie eram exatamente iguais ao que tinha acontecido “antes”. Aquilo dava a Wu Chen uma sensação muito sutil.
Era interessante.
Antes de o almoço terminar.
Wu Chen fez mais uma “alteração”.
— Xiaodie, se arruma à tarde. Faz a maquiagem e espera minha ligação. Vou te levar para sair — disse Wu Chen, largando a tigela e os hashis e limpando a boca com um guardanapo.
— Tá bom, senhor Wu. — Zhuang Xiaodie assentiu, obediente.
— Vai levar sua amantezinha para passear onde? — perguntou Li Ruobing ao lado, olhando-o de soslaio, num tom de provocação.
Wu Chen virou-se para ela, inclinou-se, segurou-lhe o queixo com a mão e deu um beijo no canto da sua boca.
— Hoje você descansa direitinho. Seja boazinha. — E sorriu.
— Hmph. — Li Ruobing soltou um muxoxo baixinho, mas não perguntou mais nada.
Wu Chen tinha pedido que ela fosse “boazinha”, mas Li Ruobing não era, de jeito nenhum, uma mulher dócil que obedecesse mansamente. Seu temperamento era exatamente o oposto: forte, duro. Só que… era estranho. Talvez porque tivesse acabado de se entregar a Wu Chen na noite anterior, Li Ruobing sentia que estava sendo “paparicada” por ele, e aquilo tinha um gosto muito “doce”.
Por volta das duas da tarde.
Wu Chen saiu “pontualmente” e dirigiu até o Café Shangzao, no distrito de Zhongcheng.
Chegou pouco depois das duas e meia.
Desceu do carro, entrou, reservou uma sala privativa e subiu. O processo inteiro não teve diferença nenhuma em relação ao “20 de julho” anterior. Mas, depois que ele entrou na sala e se sentou, as coisas voltaram a mudar.
Pelas contas, Song Xuan estava a caminho naquele momento, e Wu Yurong estava no mesmo carro, sentada ao lado dela.
Wu Chen ligou para Wu Yurong.
Ela só atendeu depois de uns sete ou oito segundos.
— Cof… alô, boa tarde. — Ao atender, Wu Yurong primeiro deu uma tossidinha. O tom era suave e doce, mas também muito formal.
Estava atuando, porque a filha estava ao lado.
— Está vindo com a sua filha? — perguntou Wu Chen direto, sorrindo.
— Estou… Como você sabe? — respondeu Wu Yurong, devolvendo a pergunta. Era exatamente o que ela queria saber, mas controlava o tom de propósito… Com aquela diferença no jeito de falar, Song Xuan, ao lado, teria dificuldade até para imaginar que tipo de pessoa estava do outro lado da linha, quanto mais descobrir quem era.
— Chutei. — Wu Chen riu. — Beleza, estou esperando vocês.
— Está bem… — Wu Yurong só pôde dizer isso. Com a filha ali, havia muita coisa que não podia falar.
Por volta das duas e quarenta e cinco, Wu Chen recebeu a mensagem de Song Xuan…
Dois minutos depois, a porta da sala se abriu, e Song Xuan entrou com Wu Yurong.
De novo, “repetição”!
Apresentações formais, cumprimentos e elogios, os cafés pedidos, o interrogatório digno de censo, a conversa sobre isso e aquilo… Por fim, chegaram ao contrato. Song Xuan o tirou da bolsa e o entregou a Wu Chen para que ele desse uma olhada. Depois avisou a mãe e se levantou para ir ao banheiro.
Mal Song Xuan tinha saído.
— Jovem Wu? — Wu Chen ergueu os olhos do contrato e olhou para Wu Yurong, do outro lado da mesa.
— O que foi? — Wu Yurong devolveu a pergunta com um sorriso doce.
Levantou-se.
Contornou a mesa. Wu Chen a puxou de uma vez para o colo, e Wu Yurong aproveitou o embalo para virar o corpo de lado e passar os braços em volta do pescoço dele.
— Não posso te chamar de jovem Wu?
— Não, não é que não possa. É só que… é meio estranho.
— Estranho? Então como eu devia te chamar? Marido?
Depois de dizer “marido”, Wu Yurong deu um beijo no canto da boca de Wu Chen.
— Tanto faz. — Wu Chen sorriu e inclinou de leve a cabeça. — Volta para o seu lugar. Sua filha vai ver.
— Como ela ia ver? A Xuanxuan foi ao banheiro, vai levar uns minutos. — Então Wu Yurong perguntou, num tom baixo, doce e meloso: — Como você sabia de antemão que eu vinha com a Xuanxuan…?
Seus olhos vivos cintilavam, como se quisessem enxergar através dele.
Não fazia sentido! Do meio-dia até aquele momento, ela estivera o tempo todo com a filha. Decidira vir junto de última hora, e ninguém mais sabia. Como Wu Chen poderia saber?
Ele adivinhava o futuro?
Enquanto Wu Yurong falava, Wu Chen já tinha pegado a xícara de café, como se fosse derramá-la em si mesmo. Na verdade, como ela estava sentada no colo dele, o café cairia era nela.
Antes de terminar a frase, Wu Yurong soltou Wu Chen por instinto, levantou-se num pulo e deu um passo para o lado, desviando.
Tac, tac, tac… Bam!
Logo em seguida, a porta foi escancarada!
— Veterano! — Song Xuan irrompeu na sala, agitadíssima e empolgadíssima.
Wu Yurong engoliu na hora a pergunta que estava prestes a fazer, sobre por que Wu Chen queria jogar café nela! E um arrepio percorreu seu corpo inteiro, como se tivesse levado um choque.
Por pouco a filha não a vira sentada no colo de Wu Chen!
Wu Chen tinha avisado.
Ela achara que não havia problema.
Wu Chen só lhe dera um susto; o reflexo dela fora se levantar e desviar, e logo em seguida Song Xuan entrara de repente!
Ele adivinhava mesmo o futuro?
Como Wu Chen podia saber que Song Xuan voltaria de supetão menos de um minuto depois de sair?
O café não chegou a ser derramado. Wu Chen parou a tempo.
Olhando para Song Xuan, que acabara de irromper na sala, Wu Chen sorriu e perguntou:
— Colega Song, o que houve?
Depois de perguntar, tomou um gole do café que segurava e lançou um olhar de relance para Wu Yurong, cuja expressão estava completamente alterada.
