Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Era óbvio: se Lei You, o irmão mais velho de Lei Cheng, tinha ligado de repente para ele falando do contrato publicitário, então Ding Ruilong com certeza havia ligado antes para Lei You!

    Até onde Wu Chen sabia, Lei You e Ding Ruilong não se conheciam pessoalmente, embora um soubesse muito bem quem era o outro. Para Lei You, que de fato comandava as operações do Grupo Hongfa, surgindo a oportunidade, ele certamente gostaria de se aproximar de Ding Ruilong e criar laços com a família Ding.

    Quanto mais amigos, mais portas abertas. Ainda mais quando se tratava de uma família como a Ding!

    Por isso, mesmo sem conhecê-lo, se Ding Ruilong o procurasse de repente, Lei You com certeza teria todo o interesse em conversar mais com ele. E, se Ding Ruilong lhe pedisse um favor, ele também faria questão de ajudar.

    No fim das contas, era só o contrato publicitário de uma estrela que o irmão mais novo sustentava. Para Lei You, uma questão insignificante.

    Se uma coisinha dessas lhe rendesse uma relação com Ding Ruilong, é claro que Lei You ficaria mais do que satisfeito!

    Ding Ruilong tinha feito planos lindos: cortar o problema pela raiz, acertando tudo direto com quem mandava na família Lei e fazendo Lei You pressionar Lei Cheng, para que Tao Manying rompesse o contrato.

    Doce ilusão!

    Ding Ruilong achava que talvez desse certo; Lei You achava que daria certo com toda a certeza. O ponto-chave era que… Lei Cheng passara dez anos na toca. Por fora, demonstrara medo de sobra: admitira a derrota, se acovardara, se resignara ao destino! Evitava o irmão mais velho, tinha pavor dele e nem sequer ousava voltar para casa!

    Todos acreditavam que Lei Cheng já estava completamente derrotado, que não tinha mais capacidade de causar agitação alguma e que só lhe restava ficar escondido em Donghai, tremendo de medo.

    Ele jamais conseguiria se rebelar contra o próprio irmão, Lei You!

    Era isso que o mundo lá fora sabia, e era também nisso que Lei You acreditava.

    Mas era um erro do começo ao fim!

    Lei Cheng nunca se conformara, nunca admitira a derrota, nunca se resignara. Durante dez anos, ficara na toca, fazendo contatos em segredo com inúmeras figuras importantes, sempre à espera de uma oportunidade! Até que encontrou Wu Chen. Wu Chen lhe dera essa oportunidade, e Lei Cheng já começara a mover as peças. Só esperava terminar os preparativos para desferir um golpe fatal no irmão mais velho!

    Nessas circunstâncias, justo naquele momento crítico, Ding Ruilong procurar Lei You para pressionar Lei Cheng…

    Só serviria para atrair a repulsa de Lei Cheng!

    Ele tinha metido a mão dentro da família dele!

    Queria usar justamente a pessoa que Lei Cheng mais odiava na própria família para obrigá-lo a mudar de ideia!

    Aquilo despertaria nele uma repulsa extrema! Até raiva!

    — E o que ele disse? — perguntou Wu Chen a Lei Cheng, com um sorriso.

    — Me mandou fazer a Manying romper o contrato. Heh! — Lei Cheng soltou uma risada fria. Tinha usado a palavra “mandou” de propósito. — E ainda falou para eu não me meter no que rola entre Ding Ruilong e Li Ruobing, que nem a família Ding nem a família Li são gente com quem se mexe impunemente, e que eu devia parar de arranjar problema para a família.

    — E o que você respondeu? — perguntou Wu Chen.

    — Falei para ele não se meter na minha vida! — respondeu Lei Cheng. Soltou outra risada fria e acrescentou: — Irmão, pode ficar tranquilo. Eu já te prometi isso, então ninguém vai estragar. Seja lá quem for. Porra, eu já dei moral demais para esse povo…

    Lei Cheng estava visivelmente furioso.

    Ding Ruilong já tinha conseguido irritá-lo.

    — Calma, esfria a cabeça. — Wu Chen sorriu. — Hum… certo, vamos deixar assim por enquanto. Estou almoçando. Quando a gente se encontrar, conversamos com calma.

    Não havia necessidade de entrar em detalhes pelo telefone.

    — Beleza, irmão.

    A ligação terminou.

    Wu Chen largou o celular e pegou os hashis.

    Li Ruobing colocou um pedaço de rim salteado na tigela dele e perguntou, como quem não quer nada:

    — Quem era?

    Ela tinha ouvido vagamente uma voz masculina do outro lado da linha, mas não entendera o que ele dizia.

    — Lei Cheng — respondeu Wu Chen, olhando para ela.

    — Lei Cheng? — Os hashis de Li Ruobing pararam no ar por um instante. — Aconteceu alguma coisa?

    Perguntara porque, por instinto, pensou que pudesse ter a ver com o contrato publicitário. Àquela altura, a campanha de Tao Manying não podia dar problema de jeito nenhum.

    — Coisa dele com o irmão — disse Wu Chen. Então sorriu e acrescentou: — Come.

    Wu Chen deixou claro que não queria falar mais.

    Li Ruobing não insistiu.

    Desde que o contrato não tivesse problemas, os assuntos internos da família Lei naturalmente não lhe interessavam.

    Wu Chen não lhe contou que aquilo tinha a ver com o contrato porque… Ding Ruilong viria a Donghai e se encontraria em segredo com Lei Cheng. E depois… Wu Chen faria com que algo lhe acontecesse! Exatamente como dissera a Li Maoren: Ding Ruilong podia até não morrer em Donghai, mas com certeza não sairia inteiro de lá.

    E, em muitas das coisas envolvidas nisso, quanto menos gente soubesse, melhor!

    Mais tarde, Li Ruobing talvez adivinhasse que tinha sido obra de Wu Chen, mas adivinhar e saber eram coisas completamente diferentes!

    Continuaram comendo.

    Não demorou para Li Ruobing perceber que os pratos daquele dia eram… um tanto “revigorantes”! Não que houvesse problema algum para uma mulher comer, mas cebolinha-chinesa, ostras, pepino-do-mar… Tudo aquilo, segundo diziam, servia para fortalecer o corpo dos homens.

    — Foi a senhorita Zhuang que preparou tudo hoje? — perguntou Li Ruobing com um leve sorriso, erguendo os olhos para Zhuang Xiaodie, do outro lado da mesa.

    — F-foi, sim. — Zhuang Xiaodie assentiu, um pouco tensa e sem jeito.

    — Você cozinha bem. Muito melhor do que eu — disse Li Ruobing.

    — Imagina, imagina… ontem no almoço… a senhorita Li também cozinhou muito bem — respondeu Zhuang Xiaodie, apressada.

    — Por que você está sempre tão nervosa? Eu te assusto? — perguntou Li Ruobing de novo, sorrindo.

    — Não… não é isso… — Sem saber o que responder, Zhuang Xiaodie lançou a Wu Chen um olhar de socorro.

    — Por que você fica provocando ela? — Wu Chen olhou de lado para Li Ruobing.

    — Ficou com dó? — Li Ruobing também o olhou de soslaio.

    — Fiquei. Algum problema? — rebateu Wu Chen.

    — Hmph. Pode, meu senhor. Você pode tudo. — Li Ruobing bufou.

    Ela estava de ótimo humor naquele dia. Na noite anterior, tinha feito “algo importante” com Wu Chen e estava sem a menor vontade de discutir com ele por causa de outras mulheres. Chegava até a “gostar” um pouquinho de Zhuang Xiaodie.

    Desde que não fosse Wu Yurong, Li Ruobing conseguia gostar das outras mulheres de Wu Chen.

    Havia nisso também uma certa vontade de trazê-las para o seu lado.

    Ela achava que, se todas as outras mulheres de Wu Chen fossem tão comportadas quanto Zhuang Xiaodie e ainda tivessem um pouco de medo dela, sua posição seria realmente inabalável!

    — Xiaodie, come isso aqui. — De repente, Li Ruobing estendeu os hashis, pegou um pedaço de pepino-do-mar e o colocou na tigela de Zhuang Xiaodie.

    Ela realmente tinha servido Zhuang Xiaodie, do nada.

    E ainda a chamara de “Xiaodie”, em vez de “senhorita Zhuang”.

    Zhuang Xiaodie chegou a levar um susto.

    — O-obrigada. — Em seguida, também pegou um pedaço de rim salteado e o colocou na tigela de Li Ruobing. — Come também, irmã mais velha. Come bastante.

    O clima à mesa ficou de repente extremamente harmonioso.

    Tão harmonioso que chegava a ser um pouquinho estranho.

    A refeição durou mais de meia hora.

    Depois.

    Zhuang Xiaodie recolheu a louça.

    Wu Chen levou Li Ruobing no colo de volta para o andar de cima. Ela não iria trabalhar naquele dia, tiraria o dia para descansar. Não que fosse ficar totalmente parada: podia resolver algumas coisas por telefone e ainda fazer videoconferências.

    Na verdade, Li Ruobing não estava totalmente incapaz de andar. Só não era muito prático.

    Por volta das duas da tarde.

    Wu Chen saiu dirigindo a Lamborghini.

    Pouco mais de meia hora depois, chegou ao Café Shangzao, no distrito de Zhongcheng. Era uma rede de cafeterias com mais de duas mil unidades pelo país, com um posicionamento de marca bem específico: reuniões de negócios de alto padrão.

    Era ali que Wu Chen tinha marcado com Song Xuan.

    Escolhera o lugar porque os dois iam assinar um contrato, e a cafeteria tinha salas privativas! Daquelas que exigiam consumo mínimo.

    O encontro estava marcado para as três da tarde.

    Wu Chen chegara adiantado. Ao descer do carro, não viu o de Song Xuan, então entrou na frente, reservou uma sala privativa e foi esperar lá dentro. Ela provavelmente não demoraria; Song Xuan tinha o hábito de chegar antes da hora.

    Por volta das duas e quarenta e cinco.

    Wu Chen estava sentado no sofá da sala, mexendo no celular, quando chegou uma mensagem de Song Xuan perguntando se ele já estava lá. Wu Chen respondeu simplesmente com o número da sala.

    Dois minutos depois.

    A porta se abriu.

    Song Xuan entrou com um vestido branco esvoaçante. Atrás dela… entrou também a radiante e deslumbrante Wu Yurong.

    Wu Chen ficou momentaneamente surpreso.

    Wu Yurong tinha vindo junto com a filha?

    Um pensamento lhe passou pela cabeça, e ele logo entendeu. Então observou as duas.

    Era preciso admitir: eram muito parecidas.

    Além disso, Wu Yurong aparentava ter apenas vinte e sete ou vinte e oito anos.

    Lado a lado com a filha, pareciam duas irmãs.

    Nota