Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 234 — Eu pago o que for preciso!

    Wu Chen combinou o horário e o local com Mao Rusong, conversou mais algumas frases e desligou.

    — Professor… era o pai do irmão Daqi? — He Xinxin perguntou com cuidado ao lado dele. Ela tinha ouvido Wu Chen chamá-lo de Chefe Mao; no parque, quando ele atendera o telefone entregue por Mao Qi, também o chamara assim.

    — Uhum. — Wu Chen assentiu para ela.

    — Ele queria alguma coisa com você? — He Xinxin perguntou de novo, num tom cheio de curiosidade.

    Ela nunca tinha conhecido Mao Rusong, mas, nos últimos anos, ouvira os amigos do seu círculo falarem dele. Sabia que o irmão Daqi era tão influente em Dongpu porque o pai dele era poderoso! A família tinha bares, KTV e até uma produtora de cinema; eram super-ricos, e Mao Rusong era uma figura importante!

    — Garotinha, por que tanta curiosidade? — Wu Chen levantou a mão e deu um peteleco na testa dela.

    — Professor… — He Xinxin fez bico. Até o jeito de dizer “professor” tinha um tom manhoso.

    — Vamos subir. — Wu Chen inclinou a cabeça, indicando o caminho.

    Como ele não quis contar, ela também não ousou continuar perguntando.

    Os dois subiram juntos.

    Chegaram à porta da casa de He Xinxin.

    Wu Chen ajudava a carregar o skate. Ela segurava o sorvete com uma mão e usava a outra para abrir a porta com a chave.

    Depois que entraram…

    He Shiqin, que preparava o jantar na cozinha, ouviu o barulho e saiu para olhar. Atordoada por um instante, disse:

    — Voltaram…

    Então ficou ainda mais surpresa ao ver a filha, assim que entrou, pegar chinelos para Wu Chen por iniciativa própria e dizer:

    — Professor, use estes.

    Também se surpreendeu ao ver que os dois seguravam um sorvete na mão direita.

    Pareciam um professor e sua aluna que tinham uma relação especialmente boa.

    — Ai, professor Wu, você não precisava gastar… — He Shiqin disse com um sorriso um pouco constrangido enquanto caminhava até a entrada.

    Wu Chen entendeu o que ela queria dizer com “gastar”.

    — Não gastei nada. — Ele sorriu para ela. — Foi a Xinxin que comprou os sorvetes…

    — Foi mesmo? — He Shiqin ficou ainda mais surpresa e olhou para a filha.

    Imediatamente, abriu um sorriso tão grande que mal conseguia fechar a boca.

    A filha dela estava tão atenciosa!

    Antes não era assim. Como tinha ficado tão sensata de repente? Fazia tão pouco tempo que conhecia o professor Wu, e ele já a tinha ensinado a ser tão educada e obediente? Parecia tê-la colocado completamente nos eixos!

    Como o professor Wu podia ser tão incrível?!

    A filha estava na fase rebelde e, quando ele dizia que ia colocá-la na linha, realmente conseguia?

    Depois de pegar os chinelos para Wu Chen, He Xinxin trocou os próprios sapatos e recebeu o skate das mãos dele. Com a mochila nas costas, foi em direção ao quarto.

    Precisava guardar as coisas primeiro.

    He Shiqin convidou Wu Chen a se sentar no sofá. Na verdade, não esperava que ele voltasse junto com a filha. Imaginara que, depois de ir ao parque ver He Xinxin andar de skate, ele iria embora diretamente.

    Mas ficou muito feliz por ele ter voltado com a filha.

    Porque… a questão das aulas particulares ainda não estava definitivamente acertada.

    Era uma boa oportunidade para conversarem mais.

    Naquele momento, He Shiqin já achava que, mesmo que aparecesse um dos maiores pintores do mundo, um mestre capaz de viver o bastante para ver suas obras entrarem em coleções e deixar seu nome na história, ainda assim não seria tão adequado quanto Wu Chen para ensinar sua filha!

    Já não era uma questão de habilidade artística!

    He Shiqin sabia muito bem o quanto Wu Chen era bom em pintura. Mais importante ainda: ninguém conseguia controlar sua filha, mas Wu Chen conseguia! E não era só conseguir controlá-la. Em menos de um dia, ele praticamente tinha transformado sua filha travessa e rebelde numa garota obediente, sensata e dedicada aos estudos!

    He Shiqin tinha visto com os próprios olhos a atitude de He Xinxin enquanto aprendia desenho com Wu Chen naquele dia.

    Ela precisava contratar Wu Chen como professor particular!

    Pagaria o que fosse preciso!

    — Professor Wu… a Xinxin não aprontou, não é?

    — Não. Foi muito boazinha. É uma boa menina.

    Os dois conversaram algumas frases no sofá. Primeiro, He Shiqin perguntou se He Xinxin tinha irritado Wu Chen no parque, se tinha aprontado alguma coisa e assim por diante. Wu Chen não contou a verdade; disse apenas que ela tinha sido obediente e comportada, excelente!

    He Shiqin ficou felicíssima ao ouvir aquilo e chegou a dizer que Xinxin e o professor Wu tinham afinidade.

    No quarto, He Xinxin ouvia tudo com absoluta clareza. Ela tinha medo justamente de Wu Chen voltar e contar o que fizera no parque. Por isso, quando entrou no quarto para guardar as coisas, nem fechou a porta, só para conseguir ouvir claramente a conversa na sala.

    — Professor Wu, então… sobre as aulas particulares… — He Shiqin entrou no assunto principal depois de pouco tempo.

    — Vamos ver… amanhã posso lhe dar uma resposta. Aí combinamos… amanhã dá para decidir. — Wu Chen não aceitou diretamente.

    — Professor Wu, veja, você também gostou da minha filha, não gostou? Então me dê logo uma resposta definitiva… — He Shiqin estava um pouco ansiosa, com medo de surgir algum imprevisto.

    — Xinxin é uma boa menina. É uma questão minha. Eu também preciso ter tempo, preciso organizar minha agenda. — Wu Chen sorriu.

    — É verdade… então amanhã? Que horas amanhã?

    — Falamos por telefone. Eu ligo para você.

    Enquanto conversavam, He Xinxin saiu do quarto outra vez. Já tinha terminado o sorvete. Atravessou a sala e foi direto para a cozinha. Pouco depois, voltou trazendo várias maçãs que tinha lavado.

    — Mãe, come uma maçã.

    — Professor, coma uma maçã. Está bem docinha.

    Ela entregou uma a cada um.

    He Shiqin ficou ali segurando a maçã, completamente atordoada. A filha parecia realmente ter mudado, voltado a ser como alguns anos antes! Obediente, sensata e até atenciosa com os outros! A mudança era tão grande que He Shiqin quase teve vontade de chorar.

    A filha era tudo para ela. Se a filha estivesse bem, então tudo estaria bem!

    O que He Shiqin não sabia era que He Xinxin estava apenas fingindo ser obediente.

    He Xinxin estava tentando agradar Wu Chen!

    He Shiqin não sabia disso agora e jamais saberia no futuro!

    Porque nem que a matassem He Xinxin ousaria contar à mãe! Isso envolveria revelar o que ela mesma tinha feito; contar seria se entregar!

    He Shiqin olhou para a maçã na mão, depois para a filha e então para Wu Chen.

    Ajustou as emoções, levantou-se de repente e disse com um grande sorriso:

    — Professor Wu, fique sentado. Vou dar uma olhada nas panelas. Fique para jantar… vai ficar pronto rapidinho.

    — Não, não. — Wu Chen se levantou, sorrindo. — Preciso ir.

    — Não vá. Já está nessa hora, jante antes de sair — insistiu ela.

    — Tenho um compromisso. Já combinei com algumas pessoas, estão me esperando — explicou Wu Chen.

    — Ah… então… tudo bem, professor Wu… — disse He Shiqin. Ao ver que ele ia sair, acrescentou: — Professor Wu, vou acompanhá-lo até a porta…

    He Shiqin o acompanhou para fora. He Xinxin também veio e, muito comportada, acenou para ele:

    — Tchau, professor.

    Wu Chen saiu do residencial.

    Entrou no carro.

    Olhou mais uma vez para a entrada do condomínio e, sorrindo, deu uma mordida na maçã… De acordo com seu plano, amanhã! Amanhã ele deveria conseguir resolver a questão de He Shiqin!

    Partiu novamente.

    Era o horário de pico da noite, e o trânsito de Modu estava terrivelmente congestionado. O lugar para onde ele ia, porém, não era o Bar Jiudu Kongjian.

    Uma hora depois.

    Já passava das sete da noite quando Wu Chen finalmente chegou ao lugar combinado com Mao Rusong — o KTV Jinhao, em Modu!

    Esse também era um dos principais negócios de Mao Rusong em Modu. Comparado ao KTV, o bar dava mais lucro, enquanto o KTV Jinhao… era um lugar repleto de belas mulheres, um estabelecimento muito mais voltado à socialização e aos contatos.

    Estacionou.

    Subiu.

    O caminho inteiro estava livre.

    Mao Rusong já tinha organizado tudo. Havia alguém esperando na entrada, e os seguranças dos andares superiores também conheciam Wu Chen.

    Quinto andar, fim do corredor, a maior sala privativa do KTV Jinhao.

    O segurança na porta abriu-a diretamente para ele.

    Assim que entrou, Wu Chen viu que, naquele enorme salão, na fileira de sofás que acompanhava a parede em semicírculo, havia apenas duas pessoas sentadas: Mao Rusong… e seu filho, Mao Qi!

    Ao vê-lo entrar, Mao Rusong e Mao Qi se levantaram, um após o outro.

    — Senhor Wu chegou! Venha, venha, por favor… — Mao Rusong o recebeu com extrema cortesia e um grande sorriso. Enquanto falava, lançou um olhar de lado para o filho e, logo depois, deu-lhe um chute!

    — Moleque, você não sabe cumprimentar as pessoas? Não tem educação nenhuma! O que foi que eu te ensinei? Todo santo dia você arruma problema!

    Mao Rusong explodiu de raiva, chutando Mao Qi a ponto de fazê-lo cambalear e cair ao lado do sofá.

    Em seguida, virou-se para Wu Chen com um sorriso enorme, mudando de expressão numa velocidade impressionante.

    Pai e filho estavam encenando.

    E aquilo, naturalmente, era apenas o “aperitivo” habitual de Mao Rusong!

    Nota