Novels chinesas em português
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    Capítulo 227 — O professor particular demoníaco

    Estava acabada!

    He Xinxin entendeu que estava acabada. Ela havia chamado a mãe. Se He Shiqin visse as marcas em seu rosto e a manga rasgada, mesmo que desistisse de incriminar Wu Chen, sua mãe certamente perguntaria o que havia acontecido!

    Ela não teria como explicar! Não importava o que dissesse: bastaria Wu Chen mostrar a gravação e ela estaria acabada!

    Na sala.

    — Xinxin? Para que você me chamou?

    He Shiqin chamou a filha enquanto se aproximava… A porta do quarto de He Xinxin ficava ao lado da porta do ateliê, então He Shiqin nem tinha certeza de onde a filha a chamara.

    Primeiro olhou para dentro do quarto, cuja porta estava aberta, e depois se preparou para abrir a porta do ateliê.

    — Mãe, quero comer costelinha no almoço — veio a voz de He Xinxin de dentro do ateliê.

    He Shiqin parou imediatamente.

    — Está bem, está bem, vou fazer costelinha. Espere para comer, sua gulosa.

    Dentro do ateliê.

    Ao ouvir a mãe concordar e os passos se afastando, He Xinxin soltou um longo suspiro de alívio. Por pouco! Bateu de leve no peito, prestou atenção aos sons do lado de fora, virou-se e abriu um pouco a porta do ateliê.

    Espiando pela fresta, viu a mãe voltar para a cozinha. Só então relaxou de verdade.

    Pá!

    A porta foi fechada com força outra vez. He Xinxin se virou novamente para Wu Chen, estreitando os olhos e fazendo bico. Seu rostinho inteiro tinha a expressão de quem encarava um supervilão.

    Wu Chen sorriu, balançou o celular diante dela outra vez e, na frente da menina, encerrou a gravação e a salvou.

    — Desprezível! — disparou He Xinxin, com sua voz clara e infantil.

    — Desprezível? — Wu Chen perguntou com um sorriso. — Você me incrimina e me ameaça, e isso não é desprezível?

    — Eu… você… — He Xinxin ficou nervosa com o tom provocador dele. Levou um instante para se recompor e então perguntou: — Como… como você sabia que eu ia… Você até preparou uma gravação antes?

    Era isso que ela não entendia.

    No fim das contas, ainda era uma menina. Catorze anos já não era tão pouco, mas ela nunca tivera experiência com a sociedade e sempre fora protegida muito bem. Por isso, ainda não conhecia a malícia das pessoas!

    Se fosse uma mulher adulta, experiente e inteligente, certamente suspeitaria na hora do motivo de Wu Chen ter se preparado com antecedência. A partir daí, ampliaria suas suspeitas e começaria a achar que havia algo errado com ele.

    — E se eu disser que consigo prever o futuro? — Wu Chen sorriu depois de falar.

    — Mentiroso! Só um idiota acreditaria em você! — Naturalmente, He Xinxin não acreditou.

    — Hah! Com uma pestinha problemática como você, como eu poderia não me prevenir? — Wu Chen abriu um sorriso. — Você ainda estava pensando em como me dar uma lição, não estava? Eu percebi. Seus olhos entregaram tudo.

    A explicação de Wu Chen até fazia sentido. Na verdade, explicar ou não explicar não importava. Ele já tinha algo que podia usar contra He Xinxin; estava apenas provocando a menina.

    Naturalmente, Wu Chen havia mentido.

    Ele não conseguia prever o futuro e também não havia deduzido aquilo observando suas expressões. Ele simplesmente conhecia He Xinxin.

    Mais importante ainda: durante os mil anos de ciclos, aquela mesma situação já havia acontecido!

    Fora em um determinado 7 de julho. Naquele dia, Wu Chen conhecera He Shiqin e fora à casa dela, também para primeiro conhecer a criança antes de se tornar professor particular. Então He Xinxin tentara incriminá-lo e ameaçá-lo.

    Por isso, Wu Chen sabia perfeitamente como ela lidava com os professores particulares.

    — Você que é uma pestinha problemática… — rebateu He Xinxin, muito contrariada.

    — Ah, é? Garotinha, ainda se atreve a falar assim comigo? — Wu Chen ergueu uma sobrancelha e começou a se aproximar passo a passo. — Acho que você ainda não entendeu em que situação vai ficar daqui para a frente, não é?

    — Vou ser seu professor particular. Isso já está decidido.

    — Não importa o quanto você faça confusão. E, se vier criar problema comigo, eu não vou pegar leve. Posso bater em você sem ter medo de você contar para sua mãe!

    — Basta sua mãe ouvir esta gravação. Mesmo que apareça algum machucado no seu corpo, ela não só não vai acreditar que fui eu quem bateu em você, como ainda vai brigar com você!

    — Ela vai ficar muito decepcionada. Vai descobrir que a própria filha é uma menina ruim, capaz de incriminar os outros. E certamente vai pedir que eu seja ainda mais rigoroso ao disciplinar você!

    A expressão de He Xinxin mudou várias vezes enquanto ouvia.

    Ao falar com uma menina daquela idade, Wu Chen optou por ser direto, sem rodeios. Caso contrário, com a forma de pensar e a pouca experiência dela, talvez não entendesse de imediato a gravidade da situação.

    Podia até exagerar um pouco para assustá-la!

    Agora He Xinxin entendia.

    Sua vida parecia ter… acabado!

    Ela havia encontrado um professor demoníaco. E esse professor demoníaco tinha nas mãos algo que, à primeira vista, só provaria que ela era uma menina ruim, mas que, na prática, faria com que, mesmo se ela realmente apanhasse, não tivesse como se defender!

    Como Wu Chen havia dito, dali em diante ele poderia bater nela como quisesse.

    Puni-la quando quisesse.

    Repreendê-la quando quisesse!

    Se não estudasse desenho direito, apanharia! Até levar tapa no rosto seria possível!

    Ninguém acreditaria que Wu Chen tivesse batido nela. Aquela gravação provaria que tudo não passava de encenação de He Xinxin!

    E mais! He Xinxin também perdera a chance de incriminar Wu Chen de outras formas! Não adiantaria mais. A gravação serviria como prova de que ela só queria expulsar o professor e que tudo era armação dela!

    — …Daqui para a frente, se você não me obedecer, se responder, se não estudar direito, vai ver como eu vou lidar com você. Não pense que, só porque é menina, eu não teria coragem de pôr a mão em você…

    Bang!

    Enquanto dizia isso, Wu Chen apoiou uma das mãos na porta.

    Como ele havia chegado perto demais, sua presença era opressiva e assustadora. He Xinxin já estava tão amedrontada que se apertava contra a porta, sem ousar encarar os olhos dele!

    — Peça desculpas. Eu não gosto que falem palavrão comigo. — Wu Chen inclinou a cabeça e sorriu para ela.

    Para He Xinxin, aquele era o sorriso de um demônio.

    — D-desculpa — pediu ela, em voz baixa.

    — Isso. Assim é que se comporta. — Wu Chen sorriu, tirou a mão da porta, recuou um passo com a outra mão no bolso e voltou a olhar para a prancheta no cavalete.

    Ele já a observava antes. Havia ali um desenho inacabado de He Xinxin.

    Sua postura era a de quem já tinha resolvido o problema com a menina e não pretendia continuar dificultando as coisas para ela.

    He Xinxin ficou encostada à porta por alguns instantes, recuperando-se. Depois fez uma expressão irritada e feroz para as costas dele. Seus olhos giraram e ela apertou os lábios antes de se aproximar.

    Puxou a barra da roupa de Wu Chen.

    Ele sentiu e se virou para olhá-la.

    — Professor… eu errei… desculpa… apaga a gravação, por favor? — He Xinxin falou baixinho, com uma expressão digna de pena. Seus olhos estavam vermelhos, e ela parecia tão obediente e frágil que despertava compaixão.

    — Depende do seu comportamento. — Wu Chen sorriu.

    — Professor… por favor… — He Xinxin começou a fazer manha.

    — Não enche! — respondeu Wu Chen.

    He Xinxin não ousou continuar fazendo escândalo, mas não desistiu. Recuou para um pedido menor, segurando a barra da roupa dele e dizendo baixinho, com ar de pena:

    — Então… professor, não bate em mim, está bem? Eu não sou uma menina ruim… não sou… como você consegue ter coragem de bater numa menina?

    Naturalmente, He Xinxin não era uma menina ruim.

    Se fosse, teria realmente feito a acusação e chamado alguém, em vez de usar aquilo apenas como uma ameaça.

    Ela só queria assustar e expulsar o professor que pretendia ensiná-la.

    — Se você obedecer, não irritar sua mãe e estudar desenho direito, por que eu bateria em você? — Wu Chen sorriu para ela. — Obedeça um pouco. Não é melhor todo mundo ficar feliz?

    — Uhum, uhum, eu vou obedecer. — He Xinxin assentiu depressa, como um pintinho bicando arroz. Depois de pensar, soltou a roupa dele. — Então, professor… vou voltar para o meu quarto e trocar de casaco. Não posso deixar minha mãe ver que a roupa rasgou…

    Cautelosa, digna de pena.

    — Está bem, pode ir. — Wu Chen assentiu, sorrindo.

    He Xinxin saiu do ateliê.

    Antes de sair, abriu a porta e observou primeiro. Depois de confirmar que a mãe não estava na sala, saiu rapidamente, virou-se, deu dois passos até o próprio quarto e fechou a porta.

    Era um quarto muito feminino, cheio de bonecas por toda parte.

    Depois de fechar bem a porta, He Xinxin não foi trocar de roupa. Caminhou depressa até o armário e pegou o celular. Enquanto procurava na lista de contatos, ainda olhou uma vez para a porta, com medo de que alguém entrasse de repente.

    Finalmente, ligou para um número.

    A chamada foi atendida rapidamente.

    — Alô! Irmã Shanshan, alguém está me maltratando… — He Xinxin falou num tom extremamente magoado assim que a ligação começou.

    — Hã? Quem? Quem se atreveu a mexer com a Xinxin?! Porra! — A voz do outro lado explodiu imediatamente. Era a voz de uma garota com um jeito bem delinquente.

    — É um adulto… irmã Shanshan, você pode falar com o irmão Daqi…

    — Porra! Quem é?! Está querendo morrer?! Xinxin, não tenha medo. Eu vou chamar cem pessoas pra matar esse filho da puta…

    Nota