Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 210 — Isso é exagerado pra caralho! Estão filmando um filme?

    Rápido demais mesmo!

    Mao Rusong estava muito perto de Wu Chen, separado dele apenas pela
    escrivaninha, e ainda por cima com o braço esticado, apontando a arma.
    Wu Chen o alcançava só estendendo a mão. A diferença de percepção e de
    reflexos entre os dois era a diferença entre alguém de nível mundial e
    uma pessoa comum!

    Wu Chen tomou a arma num instante e apontou o cano para Mao Rusong.

    Só quando Wu Chen já segurava a pistola com a mão direita, e a esquerda
    já tinha descido para pegar o celular, é que Mao Rusong e os mais de dez
    homens no escritório reagiram.

    — Chefe!

    — Quinto Mestre!

    — Seu moleque, você se atreve…

    Os guarda-costas e os homens da porta fizeram menção de avançar. Os três
    do sofá também se levantaram de uma vez, e um deles chegou a sacar uma
    faca de dentro da roupa. Mao Rusong, porém, fez um gesto brusco para
    todos: ninguém se mexe!

    Modu era muito diferente de Donghai.

    No submundo de Donghai, quatro grandes chefões “dividiam o território”.
    Em Modu, não havia nada parecido. A situação era bem mais complexa e, em
    termos de segurança pública, a cidade era também muito mais tranquila e
    rigidamente controlada.

    Armas de fogo eram um assunto ainda mais delicado em Modu.

    Mao Rusong normalmente não andava armado. Só levava uma arma de vez em
    quando, para resolver algum assunto, mas mantinha uma pistola no
    escritório.

    Seus homens não tinham armas de fogo.

    Nenhum deles!

    Modu era um lugar onde um caso com tiros simplesmente não podia
    acontecer. Por isso, eles não podiam andar armados!

    Ou seja, a única arma de fogo naquela sala estava nas mãos de Wu Chen!

    E apontada para Mao Rusong!

    Mao Rusong manteve a calma. Embora fosse um homem rude, já passara por
    todo tipo de tempestade. Ficara abalado quando Wu Chen lhe arrancara a
    arma num instante, mas não deixou o medo transparecer. Sabia muito bem
    que, com a pistola nas mãos de Wu Chen, qualquer movimento impensado de
    seus homens, ou mesmo uma palavra errada, podia lhe custar a vida!

    Sun Jiamei continuava parada ao lado, sem ousar se mexer, pálida e com o
    corpo rígido.

    Trim, trim… Trim, trim…

    No escritório, que de repente mergulhara em silêncio, só o celular de Wu
    Chen continuava tocando.

    Diante dos olhos de todos.

    Wu Chen, porém, agiu como se nada tivesse acontecido. Com uma mão
    manteve a arma erguida; com a outra, atendeu e levou o celular ao
    ouvido.

    — Com que mulher você está? Por que demorou tanto para atender? —
    perguntou Wu Yurong, com sua voz doce e suave.

    — Estou resolvendo umas coisas — respondeu Wu Chen.

    — Passou um dia inteiro e você nem me ligou. Que homem sem coração… —
    disse Wu Yurong, num tom brincalhão, com um leve toque provocante.

    — Tanta pressa assim? Sentiu minha falta? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — Senti. Ontem à noite até sonhei com você. Estou com tanta saudade que
    quase não aguento mais. — Wu Yurong não se importava nem um pouco em
    dizer o que realmente pensava. Afinal, os dois já tinham dado aquele
    passo. Ela não ia ficar tímida e envergonhada feito uma garotinha.

    Embora Wu Yurong já tivesse se casado e se divorciado, e tivesse uma
    filha de vinte anos, Wu Chen era seu primeiro homem — e com certeza
    seria o último.

    — Tem tempo para almoçar comigo? Ou será que… vai ficar com Li Ruobing?
    — perguntou Wu Yurong.

    — Estou fora. Volto a Donghai daqui a dois dias — respondeu Wu Chen.

    — Você viajou? — Wu Yurong se surpreendeu.

    — Viajei.

    Wu Yurong ficou pensativa por um instante, mas não perguntou para onde
    ele tinha ido nem o que estava fazendo. Imaginava que a viagem talvez
    tivesse a ver com Ding Ruilong. Nesse caso, a explicação podia ser
    complicada, e não havia por que perguntar tudo pelo telefone.

    — Então está bem. Parece que vou ter de almoçar sozinha, abandonada —
    disse Wu Yurong, docemente.

    — Não fale como se fosse tão triste. Antes você também não comia
    sozinha? — Wu Chen riu.

    — E é a mesma coisa? — retrucou Wu Yurong. Depois murmurou, com uma
    doçura suave: — Homem mau. A culpa é toda sua. Está bem, chega. Vai
    cuidar das suas coisas.

    — Está bem. Ligo para você à noite.

    — Hum, está bem.

    Todos no escritório ficaram olhando Wu Chen falar ao telefone. Com
    exceção de um homem magro de uns trinta anos, de bigodinho, que se
    aproximava devagar pelas costas de Wu Chen com passos quase inaudíveis,
    ninguém ousava se mexer. Tinham medo de que o menor ruído provocasse um
    disparo acidental.

    Todos percebiam que Wu Chen falava com uma mulher.

    Não porque ouvissem a voz do outro lado, mas porque Wu Chen perguntara
    “sentiu minha falta?”.

    Pelo tom, dava para perceber também que era uma mulher dele.

    Ninguém entendia como aquele jovem chamado Wu Chen ainda tinha
    disposição, numa hora daquelas, para jogar conversa fora com a mulher,
    tão à vontade, tranquilo e sorridente.

    Para Mao Rusong, sob a mira da arma, o tempo parecia se arrastar.

    Parecer calmo por fora não significava não sentir pressão por dentro.

    Cada segundo parecia uma eternidade.

    Na verdade, Wu Chen não falara muito tempo com Wu Yurong, mas, para Mao
    Rusong, parecera longuíssimo.

    Enfim desligou.

    Depois de encerrar a ligação, Wu Chen apertou o botão lateral. Não
    desligou o aparelho; apenas apagou a tela. No instante em que guardava o
    celular, lançou um olhar à tela. Foi um movimento muito profissional e
    natural.

    Na verdade, usara a tela como espelho para observar o que acontecia às
    suas costas.

    Passos nunca são realmente silenciosos.

    Enquanto falava ao telefone, Wu Chen já percebera que alguém se
    aproximava por trás com extremo cuidado!

    Só queria conferir a posição e a postura da pessoa.

    O homem de bigodinho já dera quatro passos e estava a apenas outros
    quatro das costas de Wu Chen. Segurava na mão direita, em empunhadura
    invertida, uma faca de caça parecida com um kukri. O corpo inteiro
    estava pronto para explodir em movimento a qualquer momento!

    Era um especialista!

    Depois de guardar o celular no bolso, Wu Chen olhou para Mao Rusong, que
    continuava atrás da escrivaninha, de expressão calma, mas com o corpo um
    pouco rígido, sem ousar se mexer. De repente, Wu Chen levou a mão para
    trás. A mão direita, com a pistola, passou pela frente do corpo e por
    baixo da axila esquerda; o cano apontou para trás, e ele apertou o
    gatilho!

    Bang!

    Um tiro!

    Bang! Bang! Bang! Bang! Bang! Bang!

    Sete disparos seguidos!

    Wu Chen tinha atirado.

    Do movimento de levar a mão para trás até os sete tiros consecutivos,
    tudo foi uma única sequência fluida.

    Mas o homem de bigodinho não foi atingido! Quando Wu Chen disparou pela
    primeira vez, o homem estava com o braço levemente afastado do corpo,
    segurando a faca em empunhadura invertida, e acabava de levantar o pé…
    Foi a faca em sua mão que levou o tiro e lhe escapou dos dedos!

    A faca não foi arremessada para longe. Girou no ar como um bumerangue!

    O efeito tinha a ver com o ponto em que fora atingida.

    Embora só pudesse girar no ar por um intervalo curtíssimo, aquele
    instante bastava para Wu Chen disparar o segundo tiro… Os cinco tiros
    seguintes acertaram todos a faca. Ela saltava no ar a cada impacto,
    girando cada vez mais rápido!

    Só com o último disparo a faca foi lançada para longe!

    Com um “toc” seco, cravou-se na parede do outro lado da sala!

    Contando assim parece complicado, mas tudo aconteceu em poucos segundos.
    Depois de perder a faca, o homem de bigodinho se agachou de susto e,
    antes de conseguir esboçar qualquer outra reação, ficou paralisado.

    Mas todos, inclusive ele, tinham visto!

    E ficaram chocados pra caralho!

    O corpo inteiro formigava de espanto!

    Que porra era aquela?

    O que diabos ele estava fazendo?

    Estavam filmando um filme?! Aquilo era exagerado pra caralho!

    Acertar um mesmo objeto tiro após tiro, mantendo-o no ar sem deixá-lo
    cair, era um recurso muito usado nos filmes para mostrar a habilidade de
    um atirador lendário! Uma pontaria daquelas existia mesmo na vida real?!

    E havia algo ainda mais chocante e incompreensível: Wu Chen nem sequer
    virara a cabeça.

    Não olhara para trás e, ainda assim, conseguira um efeito quase
    sobrenatural!

    Era impossível.

    Parecia um sonho.

    Quando a sequência de tiros terminou e Wu Chen trouxe a pistola de volta
    para a frente do corpo, todos na sala, menos ele, estavam com cara de
    abobados, incapazes de se recuperar.

    Era surreal demais.

    Mas aquela era a verdadeira pontaria de Wu Chen!

    No tiro, considerando apenas a pistola, Wu Chen se permitia dizer que
    era o número um do mundo!

    Campeões de competições, soldados de forças especiais, policiais de
    unidades táticas: Wu Chen não acreditava que alguém atirasse com pistola
    melhor do que ele! Isso se devia ao treinamento sem limites que as
    reinicializações do ciclo lhe permitiram, e também à memória, à
    concentração e à capacidade de aprendizado que foram melhorando cada vez
    mais durante o ciclo.

    Wu Chen voltou a apontar a pistola para Mao Rusong.

    Mao Rusong estremeceu. Já não restava nenhum traço de calma em seu
    rosto. Falou na mesma hora, gaguejando:

    — A-amigo, eu não sei quem mandou você me matar. Eu lhe dou vinte
    milhões! Não! Cinquenta… cinquenta milhões! Dou cinquenta milhões! Me
    deixe viver!

    Nota