Capítulo 209 — Porra, você não vai parar?!
por NexoNovelCapítulo 209 — Porra, você não vai parar?!
Assim que ouviu a voz de mulher, Li Ruobing ficou entre irritada e
divertida. Nem esperou Wu Chen dizer nada e falou primeiro:
— Com que mulher você está agora? E ainda está com medo de Su Qingying
descobrir?
Na verdade, Li Ruobing sentiu alívio. Para ela, desde que Wu Chen não
estivesse aprontando nada, podia fazer o que quisesse! Ir atrás de
mulher não era problema nenhum.
— Não é que eu esteja com medo de ela descobrir… — disse Wu Chen.
— Está bem, meu querido senhor Wu, pode continuar ocupado… — Li Ruobing
afetou a voz. — A gente conversa quando tiver tempo. Não vou mais
atrapalhar, viu? Só não sei se a sua fofinha Qingying vai ficar triste
quando souber…
— Não fale desse jeito. Estou até arrepiado — disse Wu Chen, rindo.
— Está bem, chega. Já que você não está aqui, vou marcar um almoço com
Su Qingying e ter uma boa conversa com ela. É isso. — O tom de Li
Ruobing voltou ao normal. Pelo que dizia, parecia disposta a fazer
intriga com Su Qingying e contar que Wu Chen estava com outra mulher de
novo.
Mas Wu Chen sabia que Li Ruobing só dissera aquilo de propósito, para
deixá-lo um pouco tenso. Na prática, ela jamais faria isso.
Li Ruobing simplesmente não era mulher de fazer intriga!
— Está bem. Até mais — respondeu Wu Chen, sorrindo.
…
Modu.
Em termos econômicos, Modu era a metrópole internacional número um da
China. Para Wu Chen, era também a metrópole internacional mais próxima
de Donghai. Na economia, na cultura, nas relações com o exterior e em
muitos outros aspectos, a cidade ocupava uma posição extremamente
especial!
Wu Chen conhecia Modu muito bem.
Em comparação, a cidade que ele mais conhecia era, claro, Donghai. Dos
trezentos e sessenta e cinco mil dias e noites que passara no ciclo,
estivera em Donghai na maior parte do tempo. Mas isso não significava
que nunca tivesse saído, nem que desconhecesse o mundo lá fora.
O quanto Wu Chen conhecia as outras cidades tinha muito a ver com a
distância entre elas e Donghai.
Quanto mais perto, mais ele sabia.
Quanto mais longe, menos sabia!
E Modu… era a cidade que Wu Chen mais conhecia depois de Donghai!
Ele passara um bom tempo investigando certas coisas em Modu, por dois
motivos. O primeiro era a proximidade.
O segundo era a condição especial de Modu: uma metrópole internacional,
uma cidade repleta de bilionários, com mais de vinte milhões de
habitantes!
Claro que seu conhecimento de Modu não chegava ao ponto de ter
percorrido a cidade inteira a pé.
Ele não tinha motivo para investigar gente sem importância em Modu, nem
mesmo pessoas que tivessem alcançado algum sucesso, a menos que houvesse
nelas algo de especial. Seu conhecimento se concentrava sobretudo nas
figuras importantes, nos assuntos ligados a elas e em algumas pessoas
especiais.
Havia também muitas pessoas e episódios que ele acabara conhecendo
melhor porque tinham alguma ligação com Donghai, e suas investigações o
haviam levado até Modu.
Wu Chen tinha vindo a Modu.
Pouco depois de Li Ruobing sair para o trabalho naquela manhã, Wu Chen
dirigira até a estação de trem de alta velocidade, comprara uma passagem
e embarcara para Modu. Como não era feriado nem nenhuma data especial,
as passagens estavam fáceis, e não fora preciso reservar com
antecedência.
Em duas horas, o trem chegou à estação de Modu.
Depois de desembarcar, Wu Chen fez primeiro uma ligação e então pegou um
táxi até onde estava agora… Dessa vez, pretendia voltar a Donghai em
poucos dias. O assunto de “Linyuan Buxianyu” com certeza precisava ser
resolvido, mas ele tinha tempo de sobra. E, já que estava em Modu,
naturalmente aproveitaria para cuidar de outras coisas.
Distrito de Dongpu, Modu. Praça Jinling. Bar Jiudu Kongjian.
Escritório do proprietário, no quinto andar.
O escritório era enorme e tinha poucos móveis. A decoração era toda em
madeira maciça, mas com um brilho dourado extravagante. O conjunto não
combinava e exalava o gosto típico de novo-rico.
Atrás da ampla escrivaninha de mogno estava um homem de meia-idade muito
magro, com talvez um metro e sessenta de altura.
Tinha por volta de quarenta anos. De tão magro, as bochechas eram
fundas, o que fazia o rosto parecer comprido. Usava o cabelo curto e
rente, camisa xadrez, um colar de contas ornamentais no pescoço e, no
pulso, um relógio de luxo de edição limitada, dos mais sofisticados,
avaliado em mais de dez milhões.
Chamava-se Mao Rusong e era o verdadeiro grande dono por trás do Bar
Jiudu Kongjian.
Em Modu, o sujeito tinha influência e contatos em toda parte e um
histórico extremamente complexo. No meio, era conhecido como “Quinto
Mestre Mao”.
Naquele momento, uma mulher de perfume forte estava sentada de lado
sobre a perna direita de Mao Rusong. Chamava-se Sun Jiamei e era a
mulher de quem ele mais gostava nos últimos dois anos. Tinha por volta
de trinta anos, era muito bonita, mas usava maquiagem pesada e era um
pouco cheinha.
O gosto de Mao Rusong para mulheres era bastante peculiar. Só gostava de
um tipo: mulheres maduras e um pouco cheinhas, como Sun Jiamei!
De cada lado da escrivaninha havia três guarda-costas, seis ao todo,
todos com mais de um metro e noventa, corpulentos e claramente treinados
em luta.
Do outro lado do escritório, perto da porta, havia mais seis ou sete
homens vestidos de maneiras diferentes, mas todos com um ar feroz. Além
disso, três homens de meia-idade estavam sentados no sofá junto à
parede, todos homens de confiança de Mao Rusong.
Era uma bela demonstração de força!
Mao Rusong adorava ostentação!
Mais de uma dúzia de pessoas, de rosto fechado, encaravam o jovem
sentado na cadeira diante da escrivaninha. A impressão era de que o
tinham cercado de forma ameaçadora.
Foi diante de toda aquela gente que Wu Chen falou ao telefone com Li
Ruobing.
— Está bem. Até mais. — Wu Chen desligou sorrindo, guardou o celular e
voltou a olhar para Mao Rusong.
Mao Rusong abraçava com o braço direito a mulher sentada em sua perna. O
cotovelo esquerdo repousava no braço da poltrona, e da mão pendia um
bracelete de contas de sândalo que ele girava distraidamente com o
polegar, uma conta de cada vez. Seus olhos, porém, não saíam de Wu Chen.
O olhar era afiado.
— Amigo, por que você não fala logo de uma vez? Assim ninguém perde
tempo. Se…
A voz de Mao Rusong era seca e rouca. Ele fumava muito!
Não chegou a terminar.
Trim, trim…
O celular de Wu Chen tocou de novo.
Desde que entrara naquele escritório, menos de dez minutos antes, Wu
Chen já atendera duas ligações. Antes de Li Ruobing, Su Qingying também
havia ligado.
Era a terceira!
Wu Chen tirou o celular outra vez e olhou a tela. Era Song Xuan.
— Alô, colega Song… — atendeu.
Mao Rusong viu Wu Chen atender mais uma ligação, e os músculos do seu
rosto se contraíram. A paciência dele tinha limite! Respirou fundo,
largou o bracelete, pegou o maço sobre a mesa, tirou um cigarro e o
levou à boca.
Sun Jiamei, ainda sentada em sua perna, pegou imediatamente o isqueiro e
acendeu o cigarro para ele.
Mao Rusong tragou fundo e soltou a fumaça devagar, sem tirar os olhos do
rosto de Wu Chen.
— …Pode lançar. Não tem problema. Hum…
Wu Chen não conversou muito com Song Xuan. Ela queria marcar um encontro
para almoçarem e assinarem o contrato de divisão da receita da música,
que tinham combinado assinar antes do lançamento.
Wu Chen lhe entregara a música na tarde de anteontem, mas Song Xuan
ainda não a lançara. Ela não tinha a capacidade de Wu Chen de gravar de
qualquer jeito e publicar. Passara os últimos dois dias gravando, fizera
dezenas de demos e até chamara uma porção de amigos para ouvir. Levava
aquilo muito a sério, sempre desconfiada de não ter cantado bem o
suficiente, em busca do melhor resultado.
Naquele dia, enfim lançaria a música, por isso procurara Wu Chen para
assinar o contrato. Mas Wu Chen estava em Modu e não tinha como voltar.
Para ele, aquilo não tinha importância; disse que Song Xuan podia lançar
direto.
Falaram por dois ou três minutos. Wu Chen desligou, guardou o celular e
tornou a olhar para Mao Rusong.
— Não sei quem pagou quanto a você para ter coragem de…
Mao Rusong voltou a falar.
Trim, trim…
O celular de Wu Chen tocou mais uma vez.
A quarta!
Wu Chen o tirou de novo e olhou. Era Wu Yurong.
Dava para adivinhar na hora: ia convidá-lo para almoçar.
Com o cigarro entre os lábios, Mao Rusong estreitou os olhos de repente.
Deu duas batidinhas nas costas da mulher com a mão direita, e Sun Jiamei
se levantou. Mao Rusong abriu uma gaveta com força, enfiou a mão lá
dentro, tirou uma pistola e se ergueu num salto, apontando a arma direto
para a cabeça de Wu Chen.
— Porra, você não vai parar?! Hein?! Está de sacanagem comigo?! Não dá
para jogar essa merda desse celular no chão?! Caralho! Eu vou…
Mao Rusong estava furioso, parecia prestes a explodir.
Wu Chen, que ia atender, olhou para ele. Mantinha no rosto um sorriso
natural, mas franziu levemente a testa.
Largou o celular sobre a mesa e então se levantou de repente!
Agiu num instante!
As duas mãos se cruzaram e torceram!
A pistola foi parar na mão de Wu Chen!
Rápido demais!
