Novels chinesas em português
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    Capítulo 204 — O que você está fazendo?

    Kun Han também estava um pouco desnorteado.

    Wu Chen começara com uma exigência absurda, depois lhe contara a verdade
    sobre o assassinato do sobrinho, Ang Tun, e, mais adiante, até deixara
    transparecer uma ameaça. Kun Han já estava com dor de cabeça, irritado,
    sem saber como resolver aquilo!

    A princípio, era só um caso simples: Lao Dao aceitara um serviço para
    matar alguém! E a vítima nem era gente importante! Um trabalho e pronto!
    Receber, executar, resolver em poucos dias, sem dor de cabeça depois!

    Mas agora! Wu Chen não morrera, Lao Dao fora capturado, os bastidores da
    morte de Wang Ruida tinham chegado à família Li, as famílias Wang, Li e
    Ding podiam entrar em choque, e o Grupo Jinhua acabaria arrastado para o
    meio…

    O que fazer?

    Matar para apagar testemunhas? Matar Lao Dao? Matar Wu Chen? Mas os
    irmãos Li provavelmente sabiam! Ele jamais ousaria tentar silenciar os
    dois! Essa gente não podia ser tocada, e matar os outros não adiantaria
    nada.

    Se a família Wang descobrisse, certamente retaliaria contra a família
    Ding e, de quebra, talvez contra o Grupo Jinhua. E aí?

    Não havia saída!

    Por ora, Kun Han não enxergava solução. Por mais poderoso que fosse no
    norte de Mianmar, dentro da China ele não era ninguém! Enfrentar de
    frente as grandes famílias chinesas poderia destruir seus negócios no
    país e derrubar sua renda no curto prazo. Talvez nem conseguisse mais
    sustentar seus soldados… E então os outros senhores da guerra do norte
    de Mianmar poderiam se unir contra ele…

    Na verdade, aquilo podia ser grande ou pequeno. Talvez não ficasse tão
    ruim, mas também podia ficar exatamente tão ruim assim!

    Kun Han queria resolver!

    E o que ele jamais esperara, o que o deixava desnorteado, era que… Wu
    Chen parecia ter se esforçado bastante para fazê-lo entender tudo aquilo
    e, depois… ainda lhe entregara a solução!

    Bastava deixar Lao Dao sair do Grupo Jinhua, e Wu Chen arranjaria tudo
    direitinho!

    E não era só isso. Wu Chen queria derrubar Ding Ruilong, queria atacar a
    família Ding! E agora o Grupo Jinhua tinha uma dívida de sangue com a
    família Ding! O inimigo do meu inimigo é meu amigo! Embora Wu Chen
    dissesse que não estavam cooperando, os objetivos eram os mesmos. De
    qualquer ângulo… era uma escolha excelente!

    Kun Han também percebia que Wu Chen parecia ter mesmo posto os olhos em
    Lao Dao.

    Tinha aberto mão até dos cem milhões de dólares.

    Parecia uma “transação”!

    Bastava Kun Han concordar em abrir mão de Lao Dao, e, quando Wu Chen e
    os irmãos Li fossem para cima da família Ding, deixariam o Grupo Jinhua
    de fora!

    — Na verdade, nem dentro da família Ding muita gente sabe qual é
    exatamente a relação entre Lao Dao e o Jinhua. Só sabem que os laços são
    profundos. Por isso, se o caso de Wang Ruida vai ou não chegar até o
    Grupo Jinhua depende de como a história for contada na hora… —
    acrescentou Wu Chen, enquanto Kun Han permanecia em silêncio.

    Era verdade.

    A família Ding não tinha a menor necessidade de conhecer tantos
    detalhes. Tudo aquilo era coisa de Ding Ruilong, e ele apenas contratara
    alguém para matar.

    — Se tudo o que você disse for verdade, então eu… concordo — respondeu
    Kun Han, por fim.

    Kun Han aceitou.

    Wu Chen não disse mais nada. Apenas estendeu o celular a Lao Dao, que
    continuava sentado na poltrona lateral.

    Lao Dao ainda parecia meio atordoado. Hesitou um instante, inclinou-se,
    pegou o aparelho, levou-o ao ouvido, respirou fundo e disse:

    — General.

    — …Você estava ouvindo aí o tempo todo? — perguntou Kun Han, depois de
    um instante.

    — Sim…

    — Como você falhou?

    — Não conseguimos vencê-lo…

    Os dois começaram a conversar. Nesse momento, Wu Chen se levantou e foi
    até a varanda. Com as mãos nos bolsos da calça social, olhou pela
    janela. Pelos seus cálculos, a ambulância já devia estar chegando.

    Na verdade, Wu Chen estava deixando clara sua posição.

    Não queria ouvir o que os dois diziam. Ainda conseguia ouvir Lao Dao,
    mas não a voz do outro lado da linha. E nem precisava. Dera a Kun Han a
    melhor escolha possível e conhecia o temperamento e os pensamentos de
    Lao Dao. Portanto… tanto fazia!

    Wu Chen continuava sem querer qualquer envolvimento direto com um senhor
    da guerra da fronteira de um país pequeno como Kun Han.

    Isso, claro, não o impedia de mexer as peças e empurrar o Grupo Jinhua
    contra Ding Ruilong! Bastava começar o cerco de várias forças contra a
    família Ding… e o Grupo Jinhua certamente aproveitaria para atacar quem
    já estivesse por baixo!

    Alguns minutos depois.

    — …Jiang Chuan confirmou. Foi mesmo Ding Ruilong… — Lao Dao mencionou
    Jiang Chuan.

    Falavam da morte de Ang Tun. As palavras de Lao Dao bastavam para Kun
    Han acreditar que tudo o que Wu Chen dissera era verdade!

    — …Foi você que não quis mais continuar? Partiu de você? Ou foi Wu Chen
    que quis usar você? Foi ele que propôs? — perguntou Kun Han, por fim.

    Lao Dao ficou em silêncio por um momento.

    — Quero viver de outro jeito. Acho que… estou cansado.

    Era mentira!

    Wu Chen nunca tocara nesse assunto com ele, e Lao Dao tampouco falara
    antes em deixar o Grupo Jinhua.

    Mas era verdade que ele pensava havia muito tempo em sair daquela vida!
    Já ganhara dinheiro suficiente. Passara dos quarenta e, embora
    continuasse extremamente forte, fazia tempo que deixara para trás a
    idade de entrar em campo pessoalmente e arriscar a pele!

    Só que sair não era tão fácil. Estava envolvido fundo demais!

    Na verdade, Lao Dao sempre soubera muito bem que gente como ele
    costumava terminar do mesmo jeito… falhando em algum serviço e sendo
    morto pelo próprio alvo! Quanto mais velho ficava, maior era a chance.

    Agora, enfim, tinha uma oportunidade perfeitamente justificável de sair!

    Naturalmente, diria que a vontade era dele!

    Wu Chen continuava junto à janela, olhando a paisagem.

    — Senhor Wu — chamou Lao Dao de repente.

    Wu Chen se virou e viu que ele já havia deixado o celular sobre a mesa.
    A conversa terminara e a ligação fora encerrada, provavelmente por Kun
    Han. Ele não tinha mais nada a dizer a Wu Chen; tudo já estava muito
    claro!

    — Parabéns. Você está livre — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Senhor Wu, eu…

    — Primeiro trate dos ferimentos. O resto a gente conversa depois —
    interrompeu Wu Chen, e acrescentou: — Ah, e quando pegarem Jiang Chuan,
    mande trazerem ele em segredo para Donghai. Tenho uso para ele!

    — Fechado — respondeu Lao Dao, sem hesitar.

    …

    Dois minutos depois, finalmente se ouviu a sirene de uma ambulância lá
    fora.

    Li Ruotai chegou junto com a ambulância do hospital particular. Wu Chen
    e Lao Dao desceram. Sob o olhar atônito de Li Ruotai, Lao Dao se
    despediu de Wu Chen com toda a cortesia e entrou na ambulância… e se
    deitou. Vinha se sustentando à força; depois de toda aquela agitação, os
    ferimentos precisavam ser tratados de novo!

    Li Ruotai queria perguntar a Wu Chen o que tinha acontecido.

    Mas Wu Chen não estava com vontade de explicar muita coisa. Li Ruotai
    perdera a chance, e a culpa era dele mesmo!

    Ainda assim, Wu Chen lhe deu algumas instruções em voz baixa: que
    acompanhasse a ambulância de volta ao hospital, como deveria
    providenciar o tratamento de Lao Dao e como deveria tratá-lo dali em
    diante.

    Li Ruotai percebeu que o cunhado não queria lhe contar muito e ainda
    achou que ele estava irritado. Por isso, não se atreveu a perguntar mais
    nada e concordou com tudo o que Wu Chen dizia.

    Alguns minutos depois.

    De boné, Wu Chen atravessou sozinho o longo beco, chegou à rua do outro
    lado e voltou para sua Lamborghini.

    Trim, trim…

    Mal tinha começado a dirigir quando o celular tocou. Pegou o aparelho e
    viu que era Li Ruobing.

    Atendeu.

    — Resolveu? — perguntou Li Ruobing, direta. Era evidente que Li Ruotai
    já tinha ligado para ela.

    — Resolvi — respondeu Wu Chen, sorrindo.

    — Vem para a empresa? — perguntou ela.

    — Vou para casa dormir. Não descansei direito — disse Wu Chen.

    — …Está bem. Então descanse — disse Li Ruobing, sem insistir.

    Depois de desligar, Wu Chen pisou fundo no acelerador e seguiu para
    casa!

    Dessa vez, quando dizia que ia para casa dormir, era verdade!

    Naquela manhã, dormira só pouco mais de três horas e, depois de voltar
    para casa perto do meio-dia, somara ao todo pouco mais de quatro horas
    de sono. Na rotina normal, Wu Chen precisava de nove horas, sem falar no
    enorme desgaste da noite anterior…

    Teria conseguido descansar quase o suficiente, se Li Ruotai não o
    tivesse interrompido…

    Pouco depois das quatro da tarde.

    Wu Chen chegou em casa.

    Arrumou-se rapidamente e se deitou para compensar o sono.

    Sem perceber, já passava das cinco.

    Wu Chen ainda dormia quando alguém abriu a porta da villa.

    A pessoa entrou na sala, subiu a escada, chegou ao segundo andar,
    empurrou com cuidado a porta do quarto e foi até a cama. Sentou-se,
    virou o corpo e se deitou. Apoiando a cabeça numa das mãos, ficou de
    lado, observando Wu Chen adormecido.

    De repente, Wu Chen se moveu. Puxou a pessoa num abraço e rolou com ela
    na cama. Só então abriu os olhos, olhou para a mulher em seus braços e
    perguntou, sorrindo:

    — O que você está fazendo?

    Era Li Ruobing!

    Nota