Capítulo 189 — Muito constrangedor
por NexoNovelCapítulo 189 — Muito constrangedor
Wu Yurong também levou um susto. Jamais imaginara que Wu Chen fosse tossir de repente e, pelo som… de propósito.
Depois de um instante, entendeu o que ele pretendia.
Embora Wu Chen não tivesse nenhuma relação especial com Song Xuan — era apenas seu veterano da universidade, e já havia até se formado —, no fim das contas não seria bom que ela o visse ali. Wu Chen estava justamente impedindo que Song Xuan o visse.
Song Xuan realmente parou por completo. Sua expressão ficou extremamente estranha, tomada pelo constrangimento.
— A… aquele… é… — Song Xuan gaguejou e, depois de uma pausa, finalmente conseguiu dizer: — O tio está aí…
Ela não conseguia ver ninguém; apenas ouvira a tosse.
Então entendeu que havia outra pessoa atrás do sofá.
Song Xuan sabia que alguns magnatas muito ricos cortejavam sua mãe. E não apenas não se opunha a que a mãe namorasse ou se casasse de novo: até desejava que ela encontrasse um bom companheiro.
Wu Yurong a educara muito bem, e Song Xuan já havia passado da fase rebelde. Só queria que a mãe vivesse melhor.
Ela sabia que, por mais gloriosa que a vida de Wu Yurong parecesse ao longo daqueles anos, na verdade a mãe vivia extremamente cansada. Muitas vezes, no meio da noite, sentava-se sozinha na sala vazia, com as luzes apagadas, diante do brilho da televisão, bebendo em silêncio.
— Hum… Xuanxuan, suba primeiro… — Wu Yurong já estava um pouco mais calma e ainda fez um sinal com os olhos para a filha.
— Ah! Certo! Ah! Vou subir. — Song Xuan reagiu na mesma hora. Flagrar a mãe numa situação daquelas era constrangedor para as duas, então ela deveria se retirar. — Eu só voltei para pegar uma coisa. Vou subir primeiro…
Enquanto falava, virou-se e seguiu para a escada. Seus passos ficaram cada vez mais apressados e, ao subir, ela chegou a correr de leve.
Depois de chegar ao segundo andar e avançar um pouco pelo corredor, Song Xuan parou de repente.
O coração batia com força.
Ela apertou os lábios; o rosto ainda estava vermelho.
A mãe realmente tinha um homem…
Song Xuan acreditava que a mãe estava falando sério!
Confiava em Wu Yurong. Sabia que ela não era uma mulher que se envolvia com qualquer um, porque nunca havia se envolvido.
O homem capaz de conquistar sua mãe devia ser alguém muito honesto, certo?
Song Xuan ficou pouco tempo parada no corredor do segundo andar. Pensando nisso, apressou o passo e voltou para o próprio quarto.
Na sala do primeiro andar, sobre o sofá.
— Quase morri de susto, quase morri de susto… Como é que essa garota volta sem avisar? — Wu Yurong já estava deitada sobre o peito de Wu Chen, murmurando baixinho. Naquele instante, seu coração realmente quase saltara pela boca.
— Tem tanto medo assim de sua filha descobrir? — perguntou Wu Chen em voz baixa, sorrindo de lado.
— E você ainda fala… — Wu Yurong ergueu a cabeça para encará-lo, como se quisesse culpá-lo. Mas, ao cruzar o olhar com o dele, lembrou-se de tudo o que acontecera no dia anterior, da tarde à noite e depois até a madrugada… Tudo havia avançado rápido demais.
Sua expressão mudou sutilmente. Ela mordeu de leve o canto dos lábios, e um sorriso que mal conseguia conter foi surgindo em seu rosto. Entre as sobrancelhas, havia um encanto tão suave quanto águas de primavera.
— Desde o momento em que me viu, você já queria… comigo? — perguntou Wu Yurong.
— Sim. — Wu Chen sorriu e perguntou baixinho: — Não gostou?
Wu Yurong apertou os lábios e respondeu com uma voz suave e doce:
— Gostei.
Então se inclinou e beijou o canto da boca de Wu Chen.
— Se não levantar logo, sua filha vai descer — lembrou Wu Chen, sorrindo.
Wu Yurong se levantou. Virou a cabeça para olhar mais uma vez para a escada e começou a procurar suas roupas pela sala.
Não eram muitas peças, mas estavam espalhadas em lugares diferentes. Ela também aproveitou para recolher as roupas de Wu Chen; algumas jogou direto sobre o sofá, outras levou até ele, como os sapatos.
— Levanta. — Wu Yurong ainda o apressou baixinho, mas sem verdadeira urgência. Sua voz continuava leve, suave e doce.
Wu Chen se sentou.
E também começou a se vestir.
Wu Yurong terminou primeiro e então se apressou a arrumar a sala, que estava um tanto caótica, recolhendo tudo o que havia caído no chão. Na verdade, ela não precisava fazer aquilo pessoalmente; bastava uma ligação e alguém viria limpar.
Mas Wu Yurong não podia esperar. Song Xuan logo desceria.
Temia que, ao ver a sala bagunçada demais, a filha começasse a imaginar em detalhes o que acontecera na noite anterior. Nesse caso, as duas ficariam constrangidas e pouco à vontade.
Alguns minutos depois.
Passos pesados soaram no alto da escada. Song Xuan já havia pegado o que queria e estava descendo. Ela pisava forte de propósito para avisar, evitando flagrar algo que não devia e passar por outro constrangimento.
Wu Chen já estava quase completamente vestido. Ao ouvir o movimento, virou a cabeça e olhou, muito tranquilo.
Wu Yurong, porém, ficou ansiosa na mesma hora e fez um sinal com os olhos para ele.
Sem pressa, Wu Chen se levantou e caminhou até o banheiro da sala. No instante em que Song Xuan terminou de descer a escada e virou o rosto para a sala, Wu Chen já havia entrado no banheiro e fechado a porta atrás de si.
Song Xuan nem sequer viu suas costas. Só percebeu que alguém entrara no banheiro. Como sua mãe, Wu Yurong, estava na sala, quem entrara só podia ser o “tio”.
Wu Yurong desviou imediatamente os olhos da filha e fingiu estar ocupada arrumando tudo.
— Xuanxuan, já pegou? Vai para a casa da Xiaoye? — perguntou num tom leve e doce.
Xiaoye era uma das melhores amigas de Song Xuan.
A pergunta parecia casual, mas, na verdade, Wu Yurong estava mandando a filha embora.
— Sim… — respondeu Song Xuan. Porém, em vez de ir, caminhou na direção da mãe.
Wu Yurong segurava uma almofada e ia colocá-la no sofá.
Song Xuan chegou ao lado dela e começou a ajudar, ajeitando as almofadas. Enquanto fazia isso, lançava olhares de soslaio para a mãe. Havia um pouco de timidez em sua expressão, mas os olhos grandes brilhavam de curiosidade, como se tivesse algo a perguntar e não soubesse como começar.
— Não precisa me ajudar. Já chamei a tia, ela chega daqui a pouco. Só estou arrumando um pouco antes… Vá cuidar das suas coisas. — Wu Yurong olhou para a filha e falou com a suavidade habitual.
— Hum. — Song Xuan respondeu obedientemente, mas ainda não foi embora. Em vez disso, aproximou-se mais dois passos e perguntou em voz baixa: — Mãe, o tio… quem é? Eu já o conheço?
Enquanto perguntava, ainda lançou um olhar para o banheiro.
— Por que quer saber disso? — Wu Yurong olhou de lado para a filha.
— Quero conhecê-lo. Mais cedo ou mais tarde vou ter que conhecer — respondeu Song Xuan baixinho.
— Haverá uma oportunidade no futuro… Hoje você não acha constrangedor?
— Um pouco… — Song Xuan sorriu para a mãe como uma garotinha, apertou os lábios e se aproximou ainda mais. — Mãe, só me diga quem é o tio… Aí eu vou embora.
— Sua garota… está tão interessada assim?
— Mãe, fala logo, fala.
As duas realmente tinham uma ótima relação. Song Xuan chegou a segurar a mão da mãe e fazer manha.
Por fora, Wu Yurong parecia tranquila. Por dentro, porém, estava cada vez mais aflita. E se aquela filha não fosse embora?
Só podia fingir mistério, como se quisesse deixá-la na curiosidade.
— Mãe, eu só quero saber quem é o homem que conseguiu chamar sua atenção… Já sou adulta. O que tem que você não possa me contar? — Song Xuan continuou insistindo baixinho.
Trim, trim…
Um celular começou a tocar de repente! E o som vinha de uma direção estranha.
Song Xuan virou a cabeça, olhou para baixo e foi pegar o aparelho… Tirou um celular que tocava de uma fresta do sofá. Na tela, o nome de quem ligava aparecia em dois caracteres: Ruobing.
— Mãe, isso é… — Song Xuan se virou com o celular na mão e estava prestes a perguntar.
— É do seu tio… — Wu Yurong arrancou o aparelho da mão da filha.
Song Xuan olhou para a mãe. Ao ver que ela apenas segurava o celular, sem levá-lo ao banheiro para o “tio”, não pôde deixar de perguntar:
— Não vai levar para ele?
Como Wu Yurong se atreveria? Nem ousava abrir a porta do banheiro, com medo de que a filha visse Wu Chen de imediato.
— Não precisa. Eu conheço. — Wu Yurong sorriu para a filha, afastou-se e atendeu a ligação, levando o celular ao ouvido.
