Novels chinesas em português
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    Capítulo 186 — Senhor Wu, ainda tem tempo esta noite?

    Su Qingying ligar naquele horário não era coincidência nem acaso. Era simplesmente porque chegara a hora do jantar.

    Wu Chen atendeu.

    — Alô, Qingying.

    — Marido, você está com a senhorita Li?

    — Não. Estou ocupado.

    — Marido, hoje também não vou poder ir ver você. Não vai ficar chateado comigo, vai?

    Ao ouvir Wu Chen chamar “Qingying” assim que atendeu, Wu Yurong percebeu que era Su Qingying. Como já estava se aproximando, acelerou um pouco os passos e parou ao lado da mesa de centro. Por estar levemente bêbada, seus gestos eram bem mais ousados, mas ela não chegaria ao ponto de se encostar descaradamente só para escutar.

    O escritório estava muito silencioso. Wu Chen permanecia sentado numa das poltronas, e Wu Yurong ao lado da mesa de centro. Ela pousou a bolsa ali e, em seguida, simplesmente se virou e se sentou sobre a própria mesa, de lado, observando-o falar ao telefone.

    Assim, a distância em linha reta entre ela e o celular de Wu Chen era menor que um metro.

    Dava para ouvir vagamente a voz da garota no aparelho.

    — Por que eu ficaria chateado? — Wu Chen falou ao celular com um sorriso. — Cuide das suas coisas. Eu também tenho o que fazer.

    — Hum… meu pai voltou. Hoje ainda tenho que jantar com alguns parentes mais velhos… — Embora Wu Chen já tivesse dito que não havia problema, Su Qingying fez questão de explicar.

    — Só se concentre no que precisa fazer. — Wu Chen sorriu. — Não precisa ficar tão nervosa. Está tudo bem.

    — Meu marido é tão bom! Hehe, muá! — Su Qingying até mandou um beijo pelo telefone.

    — Boa menina — Wu Chen sorriu.

    — Então é isso, marido. Ligo para você mais tarde.

    — Está bem.

    Wu Chen desligou sorrindo. Mal guardara o celular, sem sequer erguer a cabeça, quando ouviu a voz de Wu Yurong:

    — Su Qingying?

    Wu Chen levantou os olhos para ela.

    De saia social, Wu Yurong estava sentada de lado sobre a mesa de centro, virando a cabeça para olhá-lo. A distância, o ângulo, tudo dava à cena um ar provocante e pouco comportado… Se não tivesse bebido, Wu Yurong jamais se sentaria daquele jeito sobre uma mesa!

    — Sim! — Wu Chen assentiu.

    — Ela chamou você de… marido? — perguntou Wu Yurong.

    — Chamou. Qual é o problema? — Wu Chen sorriu.

    — Ela parece se importar muito com você, ficar muito preocupada com o que você pensa… — perguntou Wu Yurong, sorrindo e franzindo ligeiramente a testa.

    — Isso é tão estranho assim? — devolveu Wu Chen.

    Wu Yurong pensou um instante e não disse mais nada. Levantou-se.

    — Senhor Wu, espere um pouco. Vou trocar de roupa.

    E caminhou em direção à sala de descanso anexa ao escritório.

    Wu Chen já havia entrado naquela sala durante o ciclo temporal. Era muito maior do que a sala de descanso do escritório de Li Ruobing, ampliada depois por uma reforma. Podia perfeitamente ser considerada um quarto de tamanho normal e, além disso, havia muitos armários e uma quantidade enorme de roupas femininas!

    Wu Yurong era uma mulher que se importava muitíssimo com a própria imagem. Suas exigências em relação às roupas eram muito maiores do que as da maioria das mulheres!

    Para atividades diferentes, vestia-se de maneiras diferentes!

    No trabalho, por exemplo, sempre usava roupas sociais relativamente formais. Se saísse para jantar, com certeza trocaria por um vestido longo que realçasse mais sua feminilidade. E, se fosse a um banquete, vestia-se de maneira ainda mais luxuosa!

    Wu Yurong entrou na sala de descanso para trocar de roupa.

    E essa troca… fez Wu Chen esperar meia hora inteira!

    Ela não precisava refazer a maquiagem. Evidentemente havia passado tempo demais escolhendo a roupa, por isso a demora. Wu Chen esperou com toda a calma e também não ficou ocioso: tirou o celular e voltou a conversar com alguém pela internet.

    Já se aproximavam as cinco e meia da tarde.

    Finalmente.

    Wu Yurong saiu da sala de descanso. Para surpresa de Wu Chen, vestira um qipao curto cor de vinho. Diferente dos qipaos de estilo clássico, aquele era uma versão moderna e reformulada. A barra terminava cerca de dois dedos acima dos joelhos, a abertura lateral tinha a altura exata e o tecido se ajustava perfeitamente ao corpo de Wu Yurong, destacando suas mais belas curvas femininas…

    Sem dúvida, o qipao de Wu Yurong fora feito sob medida para seu corpo!

    O qipao era uma peça difícil para uma mulher comum usar bem. Embora fosse muito bonito, se uma mulher qualquer saísse andando pela rua com um qipao, poderia transmitir uma sensação estranha, abrupta, fora de lugar. Em Wu Yurong, porém, a peça realçava ao máximo sua elegância.

    Com o qipao, ela usava um par de saltos agulha de base preta e parte superior vermelha.

    No conjunto, exibia naquele momento tanto o charme singular e misterioso de uma mulher oriental quanto um lado sedutor que não diminuía sua elegância.

    Wu Yurong trocara até de bolsa. Para combinar com a roupa, escolhera uma clutch.

    Também colocara uma pulseira larga de diamantes brancos, de tom muito próximo ao de sua pele, extremamente brilhante.

    — Senhor Wu, desculpe fazê-lo esperar tanto. — Wu Yurong caminhou até a área dos sofás e lhe deu um sorriso doce e delicado. Parecia muito mais sóbria. A embriaguez em seu rosto havia diminuído bastante, e suas faces já não estavam tão vermelhas.

    Wu Chen sabia que, como tinha baixa tolerância ao álcool e precisava comparecer com frequência a compromissos sociais, Wu Yurong sempre carregava remédio para ressaca na bolsa.

    Provavelmente tomara um enquanto estava na sala de descanso.

    Na verdade, o efeito desse tipo de remédio era limitado. Mas ela só bebera uma garrafa de vinho, então ainda funcionava relativamente bem. Se continuasse bebendo, e bebesse muito mais… remédio nenhum venceria os efeitos do álcool!

    — Podemos ir? — perguntou Wu Chen, levantando-se diante do sofá.

    — Por favor, senhor Wu. — Wu Yurong ergueu a mão num gesto e já caminhou direto para a porta.

    No corredor do lado de fora do escritório, a guarda-costas Chu Yan estava sentada num banco não muito distante. Dois guarda-costas homens andavam de um lado para o outro.

    A porta do escritório se abriu de repente.

    Wu Yurong e Wu Chen saíram.

    Os dois guarda-costas imediatamente abandonaram a postura relaxada com que caminhavam, e Chu Yan também se levantou, olhando para Wu Yurong.

    — Vamos ao Baleia Branca — disse Wu Yurong a Chu Yan assim que saiu. Depois virou a cabeça para Wu Chen e sorriu. — Senhor Wu, gosta de comida francesa?

    Ela já havia decidido o lugar antes de perguntar.

    “Baleia Branca” era o nome de um dos melhores restaurantes franceses de Donghai. O dono era chinês, mas a equipe de chefs fora recrutada de restaurantes franceses de primeira linha. Era um lugar sofisticado e de gosto pequeno-burguês, mas caro demais para a maioria das pessoas que apreciavam esse estilo.

    — Para mim, tanto faz — respondeu Wu Chen.

    Os dois seguiram para o elevador, com os guarda-costas atrás. Chu Yan ficou alguns passos mais distante, pressionando o fone de ouvido e falando em voz baixa. Embora Wu Yurong só tivesse dito as três palavras “vamos ao Baleia Branca”, aquilo equivalia a instruí-la a avisar o pessoal no térreo para preparar o carro e a ligar para o Restaurante Baleia Branca a fim de reservar uma sala privativa…

    Desceram e entraram no carro.

    Naturalmente, Wu Chen não dirigiu sua Lamborghini. Entrou no Bentley Mulsanne de Wu Yurong e sentou-se com ela no banco traseiro. Vale mencionar que a motorista de Wu Yurong também era mulher e acumulava a função de guarda-costas.

    Partiram.

    Pouco mais de vinte minutos depois, chegaram ao Restaurante Baleia Branca, na Avenida Wutong.

    A sala privativa já estava reservada, no terceiro andar.

    Wu Chen e Wu Yurong subiram, entraram na sala e se sentaram. Os dois fizeram os pedidos com familiaridade e, enquanto esperavam a comida, abriram primeiro uma garrafa de vinho tinto e ficaram bebendo e conversando.

    Aquele jantar foi extremamente demorado. Seguiram por completo a etiqueta de uma refeição francesa: primeiro vieram os pratos frios; depois, a sopa francesa; só então o prato principal; e, terminado o prato principal, veio a sobremesa…

    Na verdade, o que comiam e como comiam não importava! O importante era que nenhum dos dois tinha pressa de encerrar o jantar. Beber e conversar era o principal!

    Durante a conversa descontraída, a família Ding nem sequer foi o assunto central. Conversavam casualmente, como se não houvesse um tema definido. Wu Yurong perguntou a Wu Chen como Li Ruobing era em particular, como era sua família e qual era sua relação com os pais e a irmã… Também falaram de música.

    Wu Chen percebia que Wu Yurong tentava conhecê-lo por completo. Tudo dentro de suas expectativas.

    Sem perceber, já passava das nove da noite.

    Clac!

    Ouviu-se um som muito leve, como se algo tivesse caído no chão. Parecia um salto alto.

    — Senhor Wu, ainda tem tempo esta noite? — perguntou Wu Yurong. Seu rosto estava completamente embriagado, as faces coradas e cheias de sorrisos. Ao mesmo tempo, Wu Chen sentiu alguma coisa roçando sua perna por baixo da mesa. Parecia ser… o pé de Wu Yurong, estendido por ali.

    — Quer ir à minha casa tomar mais um chá? — continuou ela, numa voz suave e sedutora.

    Nota