Novels chinesas em português
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    Capítulo 149 — Li Ruobing! Você está fazendo manha comigo?

    Os dois irmãos ficaram paralisados.

    Wu Chen e Li Maoren saíram um atrás do outro. À primeira vista, parecia que Li Maoren estava acompanhando Wu Chen pessoalmente até a porta, mas também não era bem isso. Não tinham ido só até a soleira trocar mais algumas palavras: os dois saíram juntos de verdade e entraram no corredor.

    Pela expressão deles, era igualmente difícil adivinhar sobre o que haviam conversado.

    Porque os dois pareciam perfeitamente normais.

    Wu Chen mantinha no rosto aquele leve sorriso de sempre, relaxado e tranquilo. Li Maoren estava sem expressão nenhuma, o que tornava impossível perceber qualquer emoção — ele era sempre assim.

    Normal demais!

    E, justamente por isso, absurdamente anormal!

    Os dois tinham conversado por mais de duas horas inteiras!

    Além disso, Li Ruobing e Li Ruotai sabiam muito bem que o pai, Li Maoren, era hostil a Wu Chen!

    Afinal, Wu Chen havia se tornado uma pedra no caminho da aliança matrimonial entre as famílias Li e Ding!

    Li Ruotai sabia ainda mais: até pouco antes, o pai estava convicto de que Wu Chen era apenas o namorado de fachada da irmã!

    Se tivesse confirmado que era falso, não deveria estar agindo daquele jeito.

    E se tivesse confirmado que era verdadeiro, muito menos!

    — Pai… — Li Ruotai foi o primeiro a chamar, ao ver o pai sair.

    Li Ruobing, por sua vez, deu dois passos à frente, enlaçou o braço de Wu Chen e perguntou de lado:

    — Terminaram de conversar?

    — Uhum — Wu Chen sorriu e assentiu.

    Depois lançou um olhar para Li Maoren.

    — Tio, onde vamos comer?

    — Vocês decidem — respondeu Li Maoren, olhando para ele.

    Então voltou os olhos para o filho.

    — A-Tai escolhe.

    A expressão dos irmãos mudou outra vez.

    Já tinham até combinado de almoçar juntos?!

    Era estranho demais!

    O clima entre Wu Chen e Li Maoren não era bom nem ruim, não era distante nem próximo!

    Um era o namorado de Li Ruobing; o outro, o pai dela.

    Por qualquer ângulo que se olhasse, a relação entre os dois não devia estar daquele jeito!

    Os irmãos trocaram um olhar.

    — Então vamos ao Clube Nanguo… — sugeriu Li Ruotai.

    — Fechado! — respondeu Li Maoren.

    Ergueu o pulso, olhou o relógio e disse:

    — Vamos.

    Foram almoçar.

    No elevador, durante a descida, reinou o tempo todo um silêncio esquisito.

    Li Ruobing queria perguntar a Wu Chen o que tinha acontecido.

    Li Ruotai queria perguntar a mesma coisa ao pai.

    Mas, com Wu Chen e Li Maoren ali ao mesmo tempo, além de um grupo de guarda-costas, ficou ainda mais difícil abrir a boca!

    Chegaram ao estacionamento subterrâneo.

    Sem trocar uma única palavra, Wu Chen e Li Maoren entraram no banco de trás do mesmo carro e fecharam as portas dos dois lados.

    Li Ruobing, que pretendia levar Wu Chen para o próprio carro, e Li Ruotai, que queria ir com o pai, ficaram parados onde estavam, ambos com expressões estranhíssimas.

    Os dois se afastaram um pouco.

    — O que está acontecendo? — perguntou Li Ruobing em voz baixa.

    — Como é que eu vou saber?… — Li Ruotai também estava perdido.

    Os dois morriam de curiosidade!

    — Vamos comer primeiro — disse Li Ruobing, ainda baixinho.

    E caminhou até o próprio carro.

    Mais de vinte minutos depois, já passava do meio-dia quando todos chegaram ao Clube Nanguo.

    Era um clube privado de alto padrão, exclusivo para membros, inaugurado havia apenas alguns anos.

    Ficava escondido numa viela, não era aberto ao público e oferecia um nível altíssimo de privacidade. Além disso, recebia diariamente apenas um número fixo de clientes para refeições, sempre com reserva antecipada.

    Li Ruotai, porém, não precisava reservar.

    Porque era um dos proprietários por trás do Clube Nanguo.

    Numa sala reservada no último andar do clube.

    Depois que todos se sentaram, Li Ruotai chamou o gerente, inclinou a cabeça e lhe passou algumas instruções em voz baixa. Em seguida, dispensou-o.

    Nem precisou pedir os pratos.

    No caminho até ali, já havia telefonado e deixado tudo organizado. Chamara o gerente só para reforçar alguns detalhes.

    O lugar servia uma culinária exclusiva, de estilo bem próprio, mas, no fundo, não era um lugar aonde se ia pela comida.

    Era um espaço para socializar e tratar de assuntos.

    Ninguém falava.

    O clima estava muito estranho.

    Li Maoren parecia carregar alguma preocupação.

    De vez em quando lançava um olhar para Wu Chen e depois voltava a se distrair, sem que ninguém soubesse no que estava pensando.

    Li Ruobing fez um sinal com os olhos para Li Ruotai.

    — Pai… tome um chá — Li Ruotai se levantou, pegou o bule e serviu primeiro o pai.

    Depois serviu Wu Chen e Li Ruobing.

    — Os pratos ainda vão demorar um pouco. Vamos tomar um chá primeiro.

    Li Maoren olhou para o filho.

    Apoiou a mão na xícara, mas não a ergueu.

    — Pai… sobre o que vocês conversaram? — perguntou Li Ruotai depois de se sentar, no tom mais natural do mundo.

    — Sai pra lá. Deixa de perguntar — Li Maoren lançou um olhar atravessado ao filho e não respondeu.

    — O que tem aí que não pode ser dito? — Li Ruobing entrou na conversa na mesma hora, claramente incomodada com o tom do pai.

    Tocou a mão de Wu Chen, ao lado dela, inclinou a cabeça e pediu:

    — Querido, conta você. Sobre o que vocês conversaram?

    Os irmãos tinham combinado aquilo dentro do carro.

    Ambos sabiam que, perguntando separadamente, provavelmente não arrancariam nada.

    Li Ruobing não podia perguntar ao pai: a relação dos dois era ruim e havia grande chance de acabar em briga.

    Se perguntasse a Wu Chen, ele provavelmente responderia direto: “Adivinha!”

    Li Ruotai, por sua vez, não ousava insistir com o pai.

    Se perguntasse uma vez e Li Maoren não respondesse, nem valia a pena perguntar de novo.

    Ele certamente continuaria calado.

    Por isso os irmãos tinham decidido agir juntos e perguntar um depois do outro, durante o almoço.

    Justamente porque Wu Chen e Li Maoren estavam ali ao mesmo tempo, a menos que os dois tivessem combinado antes não falar, um deles teria de responder.

    — Está tão curiosa assim? — Wu Chen olhou de lado para Li Ruobing e sorriu. — Adivinha.

    Li Ruobing entendeu.

    Li Ruotai também!

    Os dois tinham combinado mesmo!

    Nenhum deles ia contar!

    Na verdade…

    não tinham exatamente combinado.

    No fim da conversa, Li Maoren perguntara a Wu Chen:

    — Bingbing sabe dessas coisas que você me contou?

    E Wu Chen respondera:

    — Não. E não precisa saber.

    Depois disso, não voltaram ao assunto.

    Não tinham deixado tudo tão explícito nem firmado nenhum acordo formal.

    Mas ambos entenderam!

    As coisas que Wu Chen havia revelado envolviam assuntos grandes demais!

    Li Maoren precisava verificar se tudo aquilo era verdade.

    Antes de confirmar, não havia motivo para contar a Li Ruobing e a Li Ruotai.

    E, mesmo que tudo se confirmasse, a família Li ainda precisaria de tempo para se preparar e armar sua estratégia.

    Antes de estar pronta para uma grande movimentação, também não haveria necessidade de contar nada.

    Aquilo podia ser considerado uma forma de proteção.

    Afinal, Li Ruobing e Li Ruotai ainda eram apenas membros jovens da terceira geração da família Li e estavam longe do momento de assumir o núcleo do poder familiar.

    Portanto, a menos que fossem necessários de imediato em alguma ação, não havia razão para lhes contar de uma vez assuntos tão graves, capazes de determinar o rumo de toda a família!

    Às vezes, saber menos era melhor.

    O almoço transcorreu num clima um tanto pesado.

    Fora Wu Chen, que comia de forma relaxada e casual, os três de sobrenome Li estavam todos estranhos.

    Li Maoren, cheio de preocupações, vivia se distraindo.

    Li Ruotai e Li Ruobing tentavam arrancar alguma coisa, mas não conseguiram uma única frase útil!

    Depois do almoço.

    Li Maoren e Li Ruotai voltaram juntos ao Clube Huangguan de Donghai.

    Pai e filho certamente ainda tinham de conversar sobre o problema de Li Ruotai.

    Li Maoren pegaria um avião e partiria naquela mesma tarde.

    Wu Chen e Li Ruobing seguiram juntos para a Huancai Fashion.

    Os quatro se despediram e se separaram assim que saíram do Clube Nanguo.

    No caminho de volta.

    — Não tem nada que queira me dizer? — perguntou Li Ruobing dentro do carro.

    — Não — respondeu Wu Chen, sem rodeios, e ainda lhe lançou um sorriso de lado.

    Li Ruobing se calou.

    Não dirigiu uma única palavra a Wu Chen durante todo o caminho até a empresa.

    Porque estava irritada!

    Na verdade, já estava irritada durante o almoço!

    Sua relação com a família sempre fora ruim, e com o pai era péssima.

    Para ela, Wu Chen era gente do seu lado.

    Os dois tinham acabado de assumir oficialmente a relação naquele mesmo dia.

    Era ela e Wu Chen juntos, contra o pai dela!

    Mas agora…

    Wu Chen simplesmente se aliara ao pai dela para esconder coisas dela!

    Não contava sobre o que tinham conversado, como se ela fosse uma estranha…

    Li Ruobing sentiu que tinha sido “ferida”!

    Meia hora depois.

    Escritório da presidente-executiva da Huancai Fashion.

    Li Ruobing e Wu Chen entraram um atrás do outro.

    Ela caminhava depressa, o rosto frio.

    Foi até a mesa de centro e largou a bolsa.

    Wu Chen se aproximou e estava prestes a se sentar quando Li Ruobing, que acabara de soltar a bolsa, girou de repente e lhe deu um empurrão forte.

    Wu Chen caiu sentado numa poltrona.

    Li Ruobing avançou junto, girou o corpo e se sentou no colo dele.

    Passou os dois braços em volta do pescoço de Wu Chen, aproximou-se, apertou os lábios e o encarou.

    — Me conta!

    — Li Ruobing! Você está… fazendo manha comigo? — perguntou Wu Chen, sorrindo, surpreso.

    Nota