Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 145 — Pode não querer saber de razão, mas tem que pensar nos interesses!

    Diante de Li Maoren, que de repente sacara uma arma para ameaçá-lo, Wu Chen não apenas manteve a expressão inalterada como, por dentro, chegou a ficar satisfeito!

    Chegar àquele ponto era exatamente o que ele queria!

    Ou melhor: era para ali que ele vinha conduzindo tudo.

    A arma estava no centro da mesa, e não do lado mais próximo dele, porque fora ele mesmo quem a colocara ali!

    Se a pistola estivesse do seu lado, Li Maoren não conseguiria apanhá-la de imediato e certamente teria mudado de método.

    Mil anos de ciclos temporais.

    Embora o ciclo ficasse preso ao mesmo dia, memórias, experiências, conhecimentos e tudo o que pertencia ao plano da consciência não eram reiniciados.

    Wu Chen era um homem com mais de mil anos de vivência acumulada!

    Por isso, mesmo alguém do peso de Li Maoren, bastava começar a conversar com ele para acabar arrastado, inevitavelmente, para o “ritmo” de Wu Chen!

    De arma erguida, Li Maoren emanava uma pressão impressionante, o rosto feroz.

    Wu Chen, no entanto, sorriu diante do cano.

    — Vocês são mesmo uma família só — disse, num sorriso discreto. — Ruobing e A-Tai já fizeram exatamente isso. Ruobing também já desconfiou de mim, e A-Tai, até hoje, ainda guarda dúvidas no fundo do coração. Tio, para que isso?… O senhor sabe muito bem que, antes de colocar a arma na mesa, eu não deixei nenhuma bala na câmara!

    Wu Chen sabia perfeitamente que Li Maoren era diferente da Li Ruobing e do Li Ruotai de antes.

    Quando Li Ruobing apontara uma arma para ele, houvera uma possibilidade real de ela atirar.

    Li Ruotai, mais ainda.

    Com aquele temperamento, se Li Ruobing não o tivesse contido…

    Li Maoren era o oposto.

    Estava apenas tentando assustá-lo.

    Mesmo com uma bala na câmara, não atiraria.

    Existe um ditado de que, quanto mais velho alguém fica, mais medroso se torna.

    Não é totalmente verdade, mas a lógica por trás faz sentido!

    É como os pequenos delinquentes de dezesseis, dezessete anos.

    Muitas vezes são justamente os mais ferozes, porque são jovens, impulsivos e não pensam nas consequências.

    Se ficarem realmente irritados, não importa quem esteja diante deles: partem para cima com uma lâmina!

    Por uma suposta lealdade entre irmãos, chegam a se dispor a morrer junto com o outro!

    Já aqueles que conseguem subir até a posição de grandes figurões do submundo e passam dos trinta, quando olham para trás e lembram das coisas que fizeram na adolescência, quase todos acham que eram uns idiotas do caralho naquela época!

    Havia problemas que claramente tinham soluções melhores, e eles escolhiam justamente a forma mais idiota possível!

    E quase perdiam a vida por causa disso.

    É claro que Li Maoren não era medroso.

    Se realmente quisesse matar Wu Chen, bastava fazer os arranjos depois.

    Nem precisaria agir pessoalmente, e ainda faria tudo de forma limpa!

    Além disso, antes de descobrir o que havia por trás de Wu Chen, alguém como Li Maoren, maduro e acostumado a pensar no quadro geral, jamais agiria de forma precipitada!

    Se fosse tão impulsivo quanto o próprio filho, Li Ruotai, então todos aqueles anos de vida teriam sido jogados no lixo!

    Ao ouvir que não havia bala na câmara, Li Maoren fez um movimento, segurou a arma com a direita e, com a esquerda, puxou o ferrolho com força para municiá-la.

    O movimento foi rápido.

    Mas, assim que o fez, sua expressão mudou.

    O som estava errado.

    O ferrolho não voltou à posição.

    Porque não havia nenhuma bala no carregador.

    E Li Maoren se lembrava com toda a clareza de que, ao remontar a arma, antes de inserir o carregador, Wu Chen tinha colocado uma bala nele.

    Com uma só mão.

    Wu Chen viu a expressão dele mudar e ergueu a mão.

    Tlec!

    A bala que deveria estar dentro da arma caiu direto sobre a mesa de centro.

    As cinco balas que estavam ali voltaram a ser seis.

    Não era mágica, é claro.

    Antes de encaixar o carregador na arma, Wu Chen simplesmente empurrara a munição para fora do carregador com um movimento extremamente rápido e a escondera na palma da mão.

    Só que sua técnica tinha sido veloz demais e, por causa do ângulo, Li Maoren, mesmo observando tudo do começo ao fim, não percebeu.

    — Tio, assim perde a graça. Se tentar assustar alguém não funcionou da primeira vez, o senhor acha que funciona na segunda? — perguntou Wu Chen, sorrindo, depois de jogar a bala na mesa.

    A expressão de Li Maoren mudou algumas vezes.

    Ele conseguia imaginar em que momento Wu Chen retirara a bala.

    Mas, quando ainda servia no Exército, em toda a região militar havia pouquíssimas pessoas capazes de executar uma manobra daquele nível.

    Não era que só algumas pessoas conseguissem aprender.

    A questão era…

    quem é que treinaria uma coisa dessas?

    Que tipo de pessoa precisava dominar armas a esse ponto?

    Nem gente da Segurança do Estado teria necessidade disso, certo?

    Afinal, aquilo não tinha grande utilidade prática em combate.

    É claro que Li Maoren não concluiria que Wu Chen era da Segurança do Estado.

    Não tinha histórico militar, e a idade também não batia.

    Era jovem demais!

    Mas!

    A avaliação de Li Maoren sobre a identidade e o passado de Wu Chen subiu mais um nível!

    Pá!

    Li Maoren bateu a arma de volta no centro da mesa e se sentou.

    Recostou-se, estreitou os olhos e encarou Wu Chen sem expressão.

    — Jovem! Eu não gosto de rodeios. Já que estamos conversando a sós, vamos abrir o jogo. Você está namorando a minha filha. Qual é o seu objetivo?

    — Que outro objetivo poderia ser? — Wu Chen sorriu, num tom que dizia que Li Maoren perguntava algo cuja resposta já sabia. — Eu gosto da sua filha. Quero transar com ela, quero que ela tenha meus filhos… O senhor acha que tem algum problema nisso?

    As palavras de Wu Chen eram ofensivas ao extremo!

    E ele continuava chamando Li Maoren de “tio”, o que tornava tudo ainda mais incômodo!

    Parecia até que fazia aquilo de propósito, só para provocar!

    Li Maoren já tinha entendido.

    Wu Chen não tinha medo dele.

    Na verdade, nem sequer o respeitava como alguém mais velho.

    Se continuava chamando-o de “tio”, provavelmente era só por consideração à filha, para não ferir os sentimentos dela.

    Li Maoren chegou a sentir que o único motivo pelo qual recebia daquele rapaz um respeito verbal era a própria filha!

    — Você acha que eu vou acreditar nisso? — perguntou, em voz baixa.

    Não se importou com a ofensa.

    Aquilo não era o ponto principal!

    Era só uma tentativa de mexer com suas emoções.

    — O senhor pode acreditar ou não — Wu Chen tornou a sorrir e balançou a cabeça. — Isso não importa!

    — Você está namorando a minha filha e acha que a minha posição não importa? — Já havia certa irritação na voz de Li Maoren.

    — O senhor realmente se importa com a sua filha? — devolveu Wu Chen.

    E continuou:

    — O que importa para o senhor são os interesses da família! O senhor sabe perfeitamente que tipo de pessoa Ding Ruilong é, e mesmo assim quer obrigar Ruobing a se casar com ele para unir as duas famílias. Não tem medo de que, algum dia, Ruobing fique furiosa e simplesmente meta uma bala em Ding Ruilong?

    — Jovem! — Li Maoren, recostado no sofá, sentou-se ereto de repente.

    Inclinou o corpo um pouco para a frente e encarou Wu Chen com uma presença opressiva.

    — Você está me dando lição de moral?!

    — Tio! — Wu Chen também se inclinou para a frente e sustentou o olhar.

    Continuava sorrindo, mas sem o menor sinal de ceder.

    — Não é lição de moral. Eu sempre gostei de falar com lógica! O senhor pode não querer saber de razão, mas, no mínimo, tem que pensar nos interesses, não é?

    Aquilo era praticamente um insulto!

    O rosto de Li Maoren já escurecia.

    Fora a própria filha, fazia muito tempo que nenhum jovem ousava falar com ele daquele jeito!

    — Tio, pense bem. Ding Ruilong é obsessivo demais. Pode ser capaz, mas não consegue controlar as próprias emoções. O senhor acha que um homem desses vive muito? — voltou a falar Wu Chen.

    Sem esperar resposta, sorriu e prosseguiu:

    — Eu acho que ele não tem muito tempo de vida! E não é só ele. Quanto mais o velho mestre Ding o mimar, mais rápido ele vai morrer! E não é só Ding Ruilong… a família Ding também não vai durar muito!

    É claro que Li Maoren não acreditou no que ouviu.

    Nem sequer levou aquilo a sério.

    Apenas o encarou de cara fechada e estava prestes a responder quando Wu Chen se endireitou, recostou-se de novo e disse:

    — Tio, ainda se lembra de Dong Yuantao?

    Li Maoren ficou surpreso.

    A pessoa que Wu Chen mencionara de repente não era, em si, alguém importante.

    Para Li Maoren, era apenas um jovem de outra família.

    Nunca fizera nada de grande e já estava morto havia muito tempo!

    Pelo que ouvira na época, tinha ido nadar num rio e se afogado num acidente.

    O simples fato de Wu Chen conhecer o nome de Dong Yuantao já era inesperado.

    Ele morrera havia mais de dez anos.

    Nem a própria filha, Li Ruobing, nem o filho, Li Ruotai, talvez se lembrassem do caso.

    Mais de dez anos antes, os dois ainda eram crianças, um no ensino fundamental I e o outro no ensino fundamental II.

    Além disso, naquela época a família Dong ainda não era tão poderosa quanto agora.

    Ela só ascendera com força nos últimos anos, depois que sua principal figura alcançou uma posição suficientemente alta.

    — Você realmente sabe de muita coisa. Por que mencionar ele de repente? — perguntou Li Maoren, de cara fechada e num tom áspero.

    Estava muito irritado.

    — Ele morreu. Morreu quando estava no último ano do ensino médio — disse Wu Chen.

    — É claro que eu sei que ele morreu! Afogado! — respondeu Li Maoren, ainda no mesmo tom.

    — Não foi afogamento! — Wu Chen o encarou, agora falando com seriedade. — Foi Ding Ruilong quem o matou!

    Nota