Novels chinesas em português
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    Capítulo 138 — Transformar a farsa em realidade? Então vamos!

    Wu Chen ergueu de leve as sobrancelhas ao ouvir aquilo, mas não pareceu surpreso.

    — Ah, entendi — respondeu, num tom tranquilo.

    — Vem logo para a empresa — insistiu Li Ruobing.

    Ela sentia que Wu Chen não estava nem um pouco preocupado. Falava sem pressa, como se não desse a menor importância ao assunto!

    — Que pressa é essa? Eu ainda não tomei café da manhã. Calma… — Wu Chen riu baixinho.

    — Ah, faça-me o favor! Você sabe como é o meu pai… — Li Ruobing estava um pouco aflita, mas não terminou de dizer como o pai era. Emendou: — Vem logo! Se a gente estragar a atuação desta vez, todo o esforço de antes vai por água abaixo!

    — Basta você não errar — respondeu Wu Chen, ainda sorrindo.

    — Você… — Li Ruobing engasgou por um instante, mas não disse nada pesado. — Anda logo! Você vive me irritando!

    E desligou.

    Wu Chen olhou a chamada encerrada, torceu o canto da boca num sorriso, jogou o celular de lado e levantou-se para se vestir.

    — Seu malvado, quem era? — perguntou Mu Qianqian, sentando-se na cama.

    Ela também tinha sido acordada. Ouvira parte da conversa, mas não tudo. Deu para perceber que era voz de mulher; com aquelas frases soltas, no entanto, não tinha a menor ideia do que estavam falando.

    — Uma amiga — respondeu Wu Chen, casual.

    Olhou para ela.

    — Ainda com sono? Quer dormir mais um pouco?

    — Já acordei, acho que não — disse ela.

    Enquanto falava, levantou-se de dentro das cobertas. O lençol escorregou, e é claro que ela não estava vestindo nada.

    — Você vai sair para resolver alguma coisa? Vai agora?

    — Vou. Surgiu um assunto meio urgente — respondeu Wu Chen.

    Vestiu-se rápido e foi para a sala. Sobre a mesa, encontrou o bilhete que Su Qingying havia deixado. Ela tinha saído muito cedo porque precisava passar em casa antes de ir à empresa. Estava tudo escrito no bilhete. Também não quisera acordar Wu Chen e Mu Qianqian.

    Su Qingying ainda havia comprado café da manhã para os dois. Baozi, youtiao e outras coisas, tudo em cima da mesa. Já estava um pouco frio, mas, naquele calor de verão, não era problema.

    Wu Chen leu o bilhete, pegou um baozi e deu uma mordida.

    Era só comer alguma coisa.

    Mu Qianqian foi para a sala se vestir. Suas roupas estavam ali desde o dia anterior; depois do banho, ela tinha passado todo o tempo com o roupão de Wu Chen.

    — Seu malvado, você vai para onde? Não dá para me levar? Eu não quero voltar para casa… — perguntou Mu Qianqian, sentada no sofá, calçando as meias.

    — Não dá — recusou Wu Chen na hora.

    Mordeu o baozi, ergueu a cabeça e olhou para ela, sorrindo.

    — Mas, se você realmente não quer voltar para casa, pode procurar a Qingying. Vai na empresa dela passar um tempo com ela…

    — Mas a irmã Qingying deve estar bem ocupada, não? — Mu Qianqian também sabia se comportar quando queria. Ir atrapalhar o trabalho de alguém só faria a pessoa criar antipatia por ela.

    No dia anterior, ainda a chamava de “senhorita Su”.

    Agora já era “irmã Qingying”.

    Naturalmente, por causa do que acontecera na noite anterior. Aquele tipo de coisa aproximava duas pessoas de forma imediata. Afinal, cada uma tinha conhecido o lado mais “especial” da outra e, no meio daquilo, não faltaram algumas interações bem particulares entre as duas.

    — Ela está ocupada, mas… — Wu Chen fez uma pausa e voltou a sorrir. — Você pode contar para ela que o seu pai quer te mandar estudar fora. Ela vai resolver isso. Assim você não precisa ir.

    — Sério? — Mu Qianqian ergueu a cabeça de repente, piscando os olhos.

    — Não é nada de mais. Conta para ela. Com certeza ela dá um jeito — disse Wu Chen.

    Ele também não queria que Mu Qianqian fosse para o exterior. Mas, na cabeça dele, aquilo era um probleminha! Nem precisava agir pessoalmente. Su Qingying resolveria com facilidade!

    — Tá, tá, tá! Vou procurar ela! — Mu Qianqian ficou meio animada.

    Wu Chen comeu mais um pouco e foi ao banheiro se arrumar. Lavou o rosto e as mãos, ajeitou o cabelo.

    Quando saiu, Mu Qianqian já estava vestida, comendo à mesa.

    — Qianqian, eu vou primeiro. Quando sair, tranca bem a porta. Ah, e outra coisa… fica com a chave reserva. Quando tiver tempo, faz uma cópia para a Qingying… — disse Wu Chen, indo até a entrada para trocar os sapatos.

    — Tá bom! — respondeu ela.

    E virou a cabeça.

    — E aí, seu malvado, quando você acha que termina o que tem para fazer?

    — Não sei — respondeu Wu Chen.

    Olhou-a de lado e sorriu.

    — Dá para parar de me chamar de malvado? Fica estranho.

    — E você não é? — retrucou Mu Qianqian.

    Só de tocar no assunto, até uma garota tão desinibida quanto ela ficou vermelha!

    A noite anterior tinha sido realmente… Se não tivesse visto com os próprios olhos, se não tivesse vivido na pele, ela jamais imaginaria que certas coisas podiam ser feitas daquele jeito. Muito menos imaginaria que Su Qingying tinha um lado tão “louco”!

    — Eu sou malvado? Então quer que eu seja mais malvado ainda e diga para a Qingying não te ajudar? — Wu Chen provocou.

    — Tio, eu errei! Pode ir tranquilo! — Mu Qianqian imediatamente fez uma reverência para ele. O pedido de desculpas era sincero, mas ela claramente estava se divertindo.

    Na noite anterior, tinha ouvido Su Qingying chamar Wu Chen de “mestre” e até de “papai”. Aquelas palavras ela não conseguia dizer, mas já o tinha chamado de “tio”.

    — Boa menina — Wu Chen sorriu.

    Terminou de calçar os sapatos e saiu.

    Mais de meia hora depois, dirigindo a Lamborghini, Wu Chen chegou à Torre 7 do CBD de Nancheng.

    Ele sabia da aflição e da ansiedade de Li Ruobing, mas não tinha pressa nenhuma. Na verdade, já tinha previsto que o pai dela apareceria em Donghai por aqueles dias. A ida repentina do homem não era por causa de Li Ruobing, nem porque tivesse ficado sabendo que a filha estava com um namorado e quisesse conhecê-lo.

    Essas coisas eram só consequência!

    O motivo principal era o filho! Li Ruotai estava prestes a ter problemas! Essa era a questão grande o bastante para trazê-lo a Donghai!

    Wu Chen havia dito a Li Ruotai que precisava contar da crise ao patriarca da família. Li Ruotai, naturalmente, já telefonara. Mas o patriarca Li não poderia vir pessoalmente a Donghai. Logo, quem viria só poderia ser o pai de Li Ruotai!

    Às nove e meia da manhã, Wu Chen finalmente apareceu no escritório da presidente-executiva da Huancai Fashion.

    Assim que ele entrou, Li Ruobing, que estava junto à janela, virou-se para ele.

    O rosto frio, o tom igualmente frio:

    — Você realmente não tem pressa nenhuma, não é? Meu querido senhor Wu!

    — Você nem tem medo do seu pai. Tem coragem de apontar o dedo na cara do patriarca da sua família e xingar. Por que está nervosa? — respondeu Wu Chen, caminhando em sua direção.

    — Por que eu estou nervosa?

    Li Ruobing veio depressa ao encontro dele, agarrou-lhe a gravata e puxou. Ergueu o rosto, aproximando-o do dele, e falou num tom agressivo:

    — Você tem noção do tamanho do problema que eu vou ter se o meu pai perceber que você é falso? E do tamanho do problema que você vai ter?! Se o meu irmão descobrir que você é falso, pensa em tudo que você fez em Donghai nesses últimos dias. Se eles ficarem sabendo disso também, você acha que vai sair bem dessa?

    — Preocupada comigo? — perguntou Wu Chen em voz baixa, ainda sorrindo.

    Li Ruobing ficou alguns segundos calada, o rosto fechado.

    Então continuou encarando Wu Chen e respondeu, ainda naquele tom agressivo:

    — Sim! Estou preocupada com você! E daí?!

    Ela admitiu!

    O sorriso de Wu Chen se desfez.

    Ele ficou sério.

    — Transformar a farsa em realidade? — perguntou.

    — Então vamos! — respondeu Li Ruobing, ainda no mesmo tom agressivo, como se estivesse batendo boca com ele.

    Mas ela não era o tipo de mulher que usaria uma coisa assim só para ganhar uma discussão!

    — Li Ruobing, pensa bem! Eu tenho muitas mulheres! — Wu Chen a advertiu com toda a seriedade, olhando direto nos olhos dela. — Se você quiser levar isso a sério comigo, não vai ter volta!

    — Acha que eu tenho medo de você? — retrucou Li Ruobing na hora.

    O tom era de quem estava peitando alguém.

    Wu Chen ficou em silêncio.

    Li Ruobing também.

    Os dois se encararam sem dizer nada. O escritório mergulhou no silêncio.

    Um longo tempo depois.

    Wu Chen conseguia ver que, por trás daquela postura ainda dura, havia nos olhos de Li Ruobing um brilho de envolvimento que ela não conseguia esconder.

    Uma atmosfera sutil, difícil de nomear, esquentou rapidamente naquele confronto silencioso de olhares.

    Trim, trim…

    O toque repentino de um celular quebrou o clima.

    Sem desviar os olhos dos de Wu Chen, Li Ruobing puxou o celular, deslizou o dedo pela tela, levou o aparelho ao ouvido e disse sem rodeios:

    — Fala!

    — Mana! Por que você e o cunhado ainda não chegaram? O pai perguntou de novo… — a voz de Li Ruotai veio do celular, deliberadamente baixa.

    Nota