Novels chinesas em português
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    Capítulo 81 — Apostas pequenas divertem, apostas grandes fazem mal

    Retomando o capítulo anterior: depois de me observar por um instante, a mulher disse:

    — Você quer ganhar dinheiro ou dar em cima de mulher?

    Eu disse:

    — Dar em cima de mulher, dispenso. Para ganhar dinheiro, o que tem aqui?

    A mulher disse:

    — Para mim, apostas pequenas divertem, apostas grandes fazem mal. Aconselho você a brincar com umas rodadas pequenas primeiro. Eu acompanho você?

    Eu disse:

    — Aqui? Tudo bem. Como você quer apostar?

    A mulher disse:

    — Deixa eu adivinhar quanto dinheiro você tem. Se eu acertar, você me dá um pouco; se eu errar, eu lhe dou um pouco. Que tal?

    Eu disse:

    — Pode ser. Então adivinhe quantos pontos eu tenho.

    A mulher começou a vasculhar meu cérebro com percepção por sintonia de frequência, e eu na hora me disfarcei como se tivesse apenas quinhentos pontos. Depois de sondar um tempo, ela disse:

    — Uns quinhentos pontos, com margem de erro de no máximo dez. Certo?

    Eu disse:

    — Com essa habilidadezinha aí não dá. Errou. Paga.

    A mulher disse:

    — Quanto? Preciso verificar.

    Mostrei a ela mil pontos. O que passava de mil eu não queria que ela visse.

    Depois de olhar, ela sorriu e disse:

    — Não imaginei que fosse aparecer um ricaço neste nosso lugarzinho. Quem tem mil pontos ou é rico ou é nobre. O orçamento de pesquisa de um ano inteiro só dá vinte pontos. De onde você tirou tanto dinheiro?

    Eu ri e disse:

    — Ganhei. Ganhei no mundo virtual.

    A mulher disse:

    — Impossível. Nem no mundo virtual se ganha tanto assim. Já que você tem tanto dinheiro, que tal eu lhe apresentar um lugar? Só que, para luta apostada, na sua idade você já está um pouco velho, e a chance de se machucar é grande. E apostar na vitória ou na derrota dos outros, para alguém rico como você, não tem graça. Que tal apostar força de consciência? As regras são simples e o dinheiro vem rápido.

    Perguntei:

    — Como se aposta força de consciência? Nunca brinquei com isso.

    A mulher disse:

    — É simples, e não machuca ninguém. É só uma aposta entre pessoas do mesmo grau, ou uma aposta em grupo entre várias pessoas do mesmo grau. O vencedor leva tudo.

    Eu disse:

    — Não vai ter trapaça, não é?

    A mulher disse:

    — À luz do dia, com todo mundo olhando. Não é aquele Guiyoucheng do mundo virtual, com demônios dançando por toda parte.

    Pensei um pouco e disse:

    — Tudo bem.

    Naquele momento eu estava mesmo meio entediado e também queria ganhar algum dinheiro para gastar. De quebra, poderia ver como viviam as pessoas da camada de base do Mundo de Elite real.

    A mulher virou a cabeça e fez um gesto para alguém lá dentro. Na mesma hora, dois homens grandes se aproximaram. Depois que ela se comunicou com eles por consciência, os dois me levaram pela porta dos fundos do bar e entraram num beco.

    Senti que tinha caído numa casa suspeita e quis voltar atrás, desistir da aposta. Mas aqueles dois, um na frente e outro atrás, me apertavam com cara feroz, sem me deixar retornar. Passei percepção por sintonia de frequência neles: não passavam de arruaceiros de rua.

    Como é que até no Mundo de Elite existia esse tipo de gente?

    Deixa para lá. Se é para ir, eu vou. Por acaso eu teria medo dessa gente?

    Saindo do beco, chegamos à entrada de um edifício. Os dois homens não me levaram pela porta principal, e sim até uma portinha lateral. Por fora ela parecia pequena, mas, depois de entrar, descobri que por ali se chegava ao subsolo do prédio.

    E, quando segui os dois até o subsolo, descobri que aquele subsolo era, na verdade, um salão enorme.

    No salão havia muitas áreas quadradas, e em cada uma um tipo de jogo. Algumas eram mesas de aposta, outras eram jogos de cartas, outras eram arenas, e havia ainda grupos de pessoas sentadas no chão, com um gato inteligente no meio servindo de árbitro. Pelo visto, ali se apostava força de consciência.

    Nesse momento, um gerente responsável se aproximou. Depois de entender minha intenção, testou minha força de consciência com um medidor espiritual e disse, surpreso:

    — Décimo grau? Não temos muitos décimos graus por aqui. A maioria é de gente miúda, do primeiro ao quinto grau. Se você quiser, tem coragem de apostar uma rodada com o nosso chefe? A partir de cem pontos.

    Eu disse:

    — Posso. Mas sou apenas um nono grau forte, não um décimo grau. Se for para apostar, aceito que você arranje alguém de décimo grau, mas não pode passar do décimo. Caso contrário, é trapaça.

    O gerente responsável cochichou algumas palavras com um funcionário das fichas ao lado, e o funcionário saiu correndo.

    Pouco depois apareceu um homem gordo, que se apresentou como o chefe.

    Assim que chegou, juntou as mãos para mim em cumprimento e disse:

    — O irmão é novo por aqui? Nunca o vi antes.

    Eu disse:

    — Ter visto ou não ter visto importa? A aparência dos Humanos de Elite não é algo que não se possa mudar.

    O gordo disse:

    — Isso é verdade. Muito bem. Agora há pouco o medidor espiritual mostrou que você é de décimo grau. Só podemos considerar décimo grau. Claro, para ser justo, também vou me medir com o mesmo medidor espiritual na sua frente. Arranjo para você alguém de décimo grau igual. O que acha?

    Achei que devia haver alguma maracutaia por trás daquilo. O medidor espiritual, por exemplo, podia ser ajustado às escondidas. E o grau da pessoa que participaria da aposta também podia ser disfarçado. Pelo menos eu conseguia fazer isso. Eu podia me rebaixar para sexto grau e mostrar assim.

    Talvez fosse aquela coragem de quem confia na própria habilidade. Eu ainda queria muito ver como eles trapaceavam, então concordei.

    O gordo se jogou sentado dentro de uma das áreas quadradas e disse:

    — Por acaso eu sou de décimo grau. O medidor espiritual mostra. Você mesmo pode ver. E então, vamos apostar ataque direto ou movimentação de objetos?

    Eu temia que fizessem alguma trapaça na movimentação de objetos, e aí não teria graça nenhuma. Por isso, disse:

    — Ataque direto. É mais rápido. Prefiro decidir tudo numa rodada só.

    O gordo disse:

    — Ótimo, direto! Gosto de gente decidida. Já que é uma rodada só, vamos subir logo para mil pontos. Que tal?

    Entendi na hora que aquela mulher biônica devia ter passado minhas informações ao chefe do cassino. Muito provavelmente ela era alguém enviado pelo cassino para agir do lado de fora. Conduziu-me a uma aposta pequena só para descobrir quanto dinheiro eu tinha. Assim que souberam que eu tinha mil pontos, avisaram o chefe, e por isso ele abriu uma aposta de mil pontos.

    Mas eu teria medo disso? Então disse:

    — Fechado. Mil pontos.

    O funcionário das fichas trocou na hora mil pontos em fichas para cada um de nós.

    Mil pontos de aposta, naquele cassino pequeno, já era bem luxuoso. Equivalia mais ou menos a um milhão de huabi no Mundo Secular. Sobretudo por ser uma rodada única para decidir tudo, o que deixava os apostadores mais viciados muito excitados. Havia ainda gente que tinha vindo só para assistir a uma disputa de décimo grau. Afinal, normalmente era raro alguém de décimo grau vir competir num cassino. Um décimo grau, em qualquer lugar, já podia ser considerado figura importante. Gente assim, em geral, não se dignava a aparecer num lugar daqueles.

    Por isso, assim que começamos a apostar, atraímos na hora muitos apostadores para assistir, e eles foram fazendo apostas no resultado da disputa.

    Usei percepção por sintonia de frequência e descobri que a força de consciência real daquele gordo era de décimo primeiro grau. Embora o medidor espiritual exibisse décimo grau, provavelmente tinham mexido no aparelho.

    Deixa para lá. Essa diferencinha, para mim, na verdade não era nada.

    Só que a maioria dos frequentadores habituais conhecia a verdadeira força do gordo. Por isso, quase todos apostaram na vitória dele. Só quem tinha um ou dois pontinhos apostou em mim.

    As regras também eram muito simples: os dois lados não podiam usar técnicas marciais; competiriam apenas com ataque direto de força de consciência. Quem saísse da área perdia.

    Assim que me sentei, o gordo, sem a menor ética marcial, lançou de repente um ataque de força de consciência com toda a potência.

    Ataque de força de consciência não é como técnica marcial, que todo mundo pode ver. A força de consciência é invisível. Além disso, nós dois ainda estávamos separados por certa distância. Portanto, estava óbvio: o gordo queria tomar a iniciativa, aproveitar minha desatenção e me atacar de surpresa. De todo modo, fora os envolvidos, os espectadores não conseguiriam ver nada.

    A força inicial dele, de cara, alcançou o ataque final de força total do Rei Qinguang.

    Não escolhi bater de frente com ele, embora eu pudesse resistir. Em vez disso, usei o mesmo movimento que havia usado contra o Rei Qinguang: canalizei a força de consciência daquele ataque repentino num vórtice.

    Isso ele não esperava de jeito nenhum. Porque, no julgamento dele, esse tipo de ataque enviesado e torto não teria grande influência no resultado. Ele não conseguia me atingir, mas eu também não conseguia atingi-lo.

    Eu não estava com pressa. Sem me apressar nem me atrasar, fiz o vórtice girar cada vez mais rápido, a ponto de muitos objetos ao redor serem puxados para dentro dele e começarem a voar junto.

    O público também ficou meio desnorteado com aquela jogada maluca minha.

    O que originalmente era uma disputa estática de força de consciência eu tinha transformado, de repente, em algo parecido com técnica marcial. A imponência daquele vórtice era enorme; chocou quase todos os espectadores e atraiu ainda mais gente para assistir.

    Afinal, eles raramente viam uma competição daquele nível. Tanto que disputas em vários outros pontos pararam por causa disso, e todos correram para lá para assistir.

    Eu não liguei. Queria brincar com ele até deixá-lo cansado e depois dar o golpe final.

    Fiz o vórtice girar cada vez mais rápido. A força de consciência de nós dois nem precisava ser projetada; era puxada direto por aquele vórtice poderoso.

    Aos olhos de quem via de fora, talvez o vórtice parecesse obra do gordo, porque era ele quem injetava mais força de consciência.

    Mas o próprio gordo sabia, e não tinha como explicar seu sofrimento. Ele entendia que, se aquilo continuasse, cairia na minha armadilha. Então tentou controlar a velocidade do vórtice.

    Só que como eu poderia lhe dar essa chance? Fiz o vórtice girar cada vez mais rápido com facilidade, de modo que, não importasse quanta força de consciência ele investisse, tudo só podia ser sugado para dentro do vórtice.

    O gordo entendeu que perderia sem dúvida. Afinal, a força de consciência de uma pessoa é limitada. Ele percebeu que eu não estava gastando muita força. Se aquilo continuasse, logo esgotaria a força de consciência dele.

    De repente, tirou uma bússola dourada, ativou-a e a lançou no ar. Na mesma hora, inúmeras correntes de força de consciência se reuniram na direção dele.

    Então era isso. Ele começou a recorrer a força externa. Aquilo claramente já não era uma disputa um contra um, e sim de um contra muitos.

    Não era à toa que aquele chefe gordo tinha aumentado tanto a aposta logo de início. No fundo, ele nunca havia pensado em perder. Seu trunfo era poder tomar emprestada a força de consciência de outras pessoas.

    Fiz sinal na hora para o gerente responsável vir até mim e apontei que o adversário estava trapaceando. Porque ele estava usando uma ferramenta para absorver a força de consciência de muita gente de fora da disputa e jogá-la na competição. Aquilo era uma aposta individual, não uma competição de um contra um grupo.

    Algumas pessoas de grau mais alto ao redor também perceberam o problema e começaram a comentar com cautela. Mas, como não tinha nada a ver com elas, ninguém se apresentou para dizer coisa alguma.

    O gerente responsável disse em voz alta:

    — O cassino tem uma regra clara: em competições acima do décimo grau, é permitido usar qualquer ferramenta. Inclusive tomar emprestada a força de consciência de outras pessoas. Isso também é uma manifestação da capacidade de força de consciência.

    Os apostadores em volta soltaram uma série de vaias. Evidentemente, o cassino nunca tivera essa regra antes.

    Pelo visto, era um jeito de agir descaradamente contra mim, o novato.

    Então eu também não precisava ser educado.

    Por acaso eu também queria testar a força desta quarta placa de jade verde.

    Tirei então a quarta placa de jade verde e a coloquei sobre a minha placa principal. Apenas a pressionei de leve.

    Bzzz…

    Uma força de consciência incomparavelmente poderosa absorveu num átimo toda a força de consciência do vórtice que eu havia criado, reuniu-a numa enorme bomba de ar e explodiu de repente, lançando todos os presentes, o gordo incluído, dezenas de metros para trás.

    Só eu continuei sentado, firme, no centro do cassino. Todos os outros foram arremessados por aquele movimento para os arredores. No meio, ficou limpa uma área vazia de uns cinquenta metros ao meu redor.

    O gordo demorou muito até conseguir se levantar. Olhando para a placa de jade verde na minha mão, gritou em pânico:

    — Vo-você… você é do Pavilhão das Sombras!

    Sacudi de leve a roupa no corpo, levantei-me e disse:

    — Foram vocês mesmos que disseram que, em competições acima do décimo grau, pode-se usar qualquer ferramenta. Eu não tomei emprestada a força de consciência de ninguém. E então? Não aceita?

    Com sangue escorrendo da boca e o rosto coberto de suor, o gordo assentia sem parar e disse:

    — Aceito, aceito. Eu aceito.

    Enquanto falava, fez sinal para o gerente responsável fechar a conta.

    Depois de acertada a conta e recebido o dinheiro, só então olhei para os olhares inquietos da multidão ao redor e disse:

    — Vou deixar uma coisa clara. Eu não sou do Pavilhão das Sombras. Sou apenas um cliente ocioso que estava bebendo no bar. Foram eles que me trouxeram para cá. Não quebrei as regras daqui. Se eles não aceitam, ou se algum de vocês não aceita, posso lutar de novo.

    Ninguém disse nada. Até o chefe gordo só queria se livrar o quanto antes dessa peste que era eu.

    Assim que a placa de jade verde apareceu, a situação mudou completamente.

    Pelo visto, aquele chefe gordo ainda tinha alguma visão das coisas.

    Justo quando eu achei que poderia levar o dinheiro tranquilamente e me preparava para ir embora, uma voz familiar soou:

    — Eu não aceito! Gu Beichen, você tem coragem de apostar uma rodada comigo?

    Levantei os olhos e vi uma mulher entrando devagar pela portinha.

    Porra, o que ela veio fazer aqui?!

    Pu Liuqian!

    Nota