Capítulo 8 — Explorando a sala secreta
por NexoNovelCapítulo 8 — Explorando a sala secreta
No corredor, empurrei a porta da sala secreta à esquerda. Abriu na hora.
Lá dentro havia uma sala de monitoramento. Dali eu conseguia ver as imagens de vigilância de todos os cantos da escola. Algumas câmeras, para minha surpresa, apontavam direto para os banheiros do alojamento feminino.
Gao Minjun. Então você era mesmo um velho pervertido.
Pelas câmeras do lado de fora do quartinho escuro, eu conseguia ver Ye Ziping agachado perto da mesa de pingue-pongue, em frente ao prédio, mexendo no celular.
Comecei a procurar a gravação de quando eu tinha entrado. Demorei um pouco, mas encontrei. Sem a menor cerimônia, formatei aquele arquivo.
Pelas imagens, também descobri por onde eu podia sair sem ser filmado — um ponto cego que as câmeras não alcançavam.
Depois de terminar com a sala da esquerda, fui até a da direita. Também abriu.
A sala secreta da direita tinha mais duas cadeiras cheias de fios, uma ao lado da outra. A diferença era que, na frente de cada uma, havia uma estação de trabalho, com um monitor enorme, teclado e outros equipamentos.
Sentei numa das cadeiras, coloquei o capacete e acionei o interruptor no mesmo lugar em que ficava o das cadeiras de fora.
“Ding-dong.”
Ligou mesmo. Meu coração deu um salto.
Metaverso, aí vou eu.
Fiquei esperando para ver que tipo de cenário apareceria quando eu entrasse. Só que, no monitor diante de mim, surgiu uma sequência atrás da outra de códigos.
O que era aquilo?
Examinei com atenção. Meu palpite era que fosse a interface de controle do jogo. Pena que eu não entendia nada daquilo.
Se houvesse alguém operando a estação naquele momento, talvez eu conseguisse ler os pensamentos dessa pessoa.
Mas aquilo era o metaverso. Gao Minjun tinha dito que também era uma espécie de produto de inteligência artificial de nível inferior.
Então será que eu conseguia interpretar uma inteligência artificial também?
Por que não tentar?
Com essa ideia na cabeça, tentei encarar os códigos na tela como se estivesse olhando para a pessoa que os controlava. Fixei toda a minha atenção neles e fiquei repetindo mentalmente:
Interpreta. Interpreta.
De repente, aquelas sequências de código pareceram ganhar vida. Transformaram-se numa espécie de informação impossível de descrever e entraram direto na minha cabeça.
Aquilo não era uma língua. Era um tipo de código de programa parecido com pensamento. Eu não entendia o código em si, mas tinha uma espécie de percepção intuitiva que me permitia captar o conteúdo.
Depois de receber aquela camada de informação, tentei enviar informação de volta. Ou seja, usando a mesma percepção mental, tentei dar ordens ao código. Comandá-lo.
Pouco a pouco, os códigos realmente começaram a se mover. E, pelo retorno que recebia, dava para sentir que estavam obedecendo às minhas instruções.
Primeiro, acessei a página de controle de “Caminhando sobre o Vento em Busca do Dao”.
E funcionou. As informações que os códigos devolviam para o meu cérebro fizeram a interface do jogo aparecer de verdade.
Comecei tentando ativar uma área escura e fazê-la se iluminar. Depois procurei e abri o sistema de gerenciamento de recursos, e fiz uma caixa grande, que estava escondida naquela área escura, ser transferida para um templo em ruínas aos pés de uma montanha parecida com a Montanha dos Cinco Dedos.
Depois encontrei um incensário dentro do templo e enfiei a caixa embaixo da base dele.
Usando o código, defini o que havia lá dentro: pedras espirituais e Pílulas Imortais de Veios Verdes. Quanto à qualidade, defini como suprema. E, na quantidade, coloquei mil de cada, só porque deu vontade.
Depois de terminar tudo isso, comecei a analisar conteúdos que não tinham nada a ver com o jogo.
Para falar a verdade, o jogo em si não me interessava. O que me interessava de verdade era saber se os desaparecidos tinham alguma ligação com Gao Minjun. Afinal, era por isso que eu tinha ido até ali.
Comecei a passar pelas páginas e digitei os nomes de alguns desaparecidos recentes que eu conhecia. E, como esperava, os nomes foram surgindo um atrás do outro.
Soltei um longo suspiro. Então havia mesmo alguma relação com Gao Minjun. Só que eu ainda não sabia o que aqueles símbolos significavam. Talvez fossem só registros. Talvez servissem para outra coisa.
Tentei digitar uma pergunta. Não veio nenhuma resposta.
Havia outros desaparecidos que eu nem conhecia. Pelo que o sistema mostrava, dava para ver idade, profissão, especialidade e nível de perigo.
Nível de perigo? O que aquilo queria dizer?
Os desaparecidos vinham de todo tipo de profissão e não se conheciam entre si. Mas, olhando com atenção o que tinham em comum, todos pareciam ter alguma ligação com inteligência artificial: ou se interessavam por ela, ou tinham tido contato com ela, ou a mantinham escondida.
Havia certos códigos cifrados que eu não conseguia decifrar. Deviam ser coisas que só quem os tinha criado entendia.
De novo, inteligência artificial. Parecia que todos os desaparecimentos tinham alguma relação com IA.
Isso queria dizer que talvez houvesse duas grandes redes de eliminação de inteligência artificial. Uma visível, como a organização de expurgo CWP. E outra invisível: gente como Gao Minjun, escondida entre nós.
Será que meu nome também estava naquela lista?
Digitei meu nome e busquei. Estava lá. Só que, depois dele, vinha uma sequência de código cifrado que eu não conseguia decifrar. Não fazia ideia do que significava.
Digitei o nome da minha avó: Wang Chunyan.
O resultado mostrava: membro da elite.
Membro da elite?
Não eram justamente essas as pessoas de quem minha avó tinha me mandado tomar cuidado?
O que aquilo queria dizer? As coisas estavam ficando cada vez mais complicadas.
Saí da cadeira com acesso de administrador e comecei a vasculhar a sala. Os equipamentos estavam todos muito bem organizados. Não havia muita coisa para procurar.
Duas cadeiras. Será que isso significava que havia duas pessoas operando aquele lugar? Uma era Gao Minjun. E a outra?
De repente, um lenço de seda cor de malva, preso na fresta de uma das cadeiras, chamou minha atenção. Aquilo não era de Gao Minjun. Parecia coisa de mulher.
Não toquei no lenço, embora estivesse com muita vontade de puxá-lo dali e levá-lo comigo.
Depois de terminar, saí do quartinho escuro pelo mesmo caminho por onde tinha entrado. Aproveitei o ponto cego das câmeras e encontrei Ye Ziping sentado perto da mesa de pingue-pongue.
Ele levou um susto. Não esperava que eu aparecesse por trás dele.
— E aí? — perguntou, com cautela.
— A gente conversa quando voltar.
Agarrei-o e saímos correndo para a casa dele.
Quando chegamos, pedi que Ye Ziping ligasse o computador. Depois fui guiando ele até encontrar a Montanha dos Cinco Dedos. E, de fato, havia uma montanha com esse nome dentro de “Caminhando sobre o Vento em Busca do Dao”. Não existia grande seita naquela região, nem condições para ervas espirituais ou pílulas imortais. O lugar era controlado por um grupo de pequenas feras monstruosas, e cultivadores em geral não davam muita atenção àquilo.
Ye Ziping hesitou. Achava que não havia tesouro nenhum por ali.
Eu disse:
— Primeiro procura o templo em ruínas. Deixei um monte de pedras espirituais de qualidade suprema e pílulas embaixo do incensário. Vê se estão lá. Se estiverem, quer dizer que meu controle funcionou.
Não demorou muito e Ye Ziping, controlando seu enorme espírito-aranha, dominou aquela área. E, de fato, havia uma caixa de jade branco escondida sob a base do incensário. Quando abriu, ficou de olhos arregalados:
— Tudo isso de pedras espirituais de qualidade suprema e Pílulas de Veios Verdes? A gente ficou rico! Como você fez isso? Quanto isso deve valer?!
Avisei na mesma hora:
— Não mexe ainda, não. Coloca tudo de volta. Espera passar um tempo, até a poeira baixar, e depois você vem buscar. Estou com medo de que descubram que alguém mexeu no sistema de controle. Se você pegar agora, podem pensar que você é meu cúmplice e te mandar de volta à forma original. Então deixa aí por enquanto. Tudo o que eu fiz não tem nada a ver com você.
Depois de ouvir aquilo, Ye Ziping não teve escolha. Com a maior dor no coração, colocou tudo de volta e ainda montou uma formação em volta do lugar. Assim, se alguém encontrasse aquilo por acaso, ele receberia um aviso com antecedência.
No mundo do cultivo da imortalidade, conseguir uma única pedra espiritual de qualidade suprema ou uma Pílula de Veios Verdes custava um preço enorme. Claro que o efeito também era enorme. Com tantas pedras espirituais e pílulas de qualidade suprema, Ye Ziping provavelmente conseguiria avançar mais de um nível de cultivo de uma vez. Não era de estranhar que estivesse tão empolgado.
Gao Minjun voltou para a escola no dia seguinte.
Observei-o em silêncio por vários dias. Não notei nada fora do normal.
Então procurei Zhu Shiqing e perguntei se Zhu Zhaojie tinha um lenço de seda cor de malva, e se ele ainda estava em casa.
Zhu Shiqing respondeu na hora que ela realmente tinha um lenço assim, mas não sabia se estava em casa — teria de procurar. Só de eu ter perguntado aquilo, ele concluiu que eu devia saber de alguma coisa e ficou insistindo, perguntando se eu tinha notícias de Zhu Zhaojie. Respondi que ainda não tinha nenhuma pista, mas que continuaria fazendo o possível para ajudar a encontrá-la.
Mais ou menos uma semana depois, o prazo marcado pela minha avó estava quase terminando.
Eu não conseguia parar de pensar naquela carta e já estava me preparando para ir até Ye Pingsheng buscá-la. Só que o chefe Zhu, da Subdivisão de Segurança Pública, se adiantou e me convocou para ir até lá.
Quando cheguei à sala de interrogatório, Zhu Shaohua perguntou se eu tinha entrado por conta própria numa base de ensino da escola. Era o quartinho escuro de que eu tinha falado.
Enquanto eu perguntava uma coisa e outra, também tentava captar os pensamentos dele às escondidas. Zhu Shaohua não tinha aquela capacidade de bloqueio que Gao Minjun tinha. Bastou testar, e eu já conseguia captar tudo. Ele estava só cumprindo o procedimento. E quem tinha feito a denúncia era Gao Minjun.
Agora que eu sabia qual era o jogo dele, admiti tudo com tranquilidade e contei minhas suspeitas. Eu também queria ver como Zhu Shaohua reagiria àquilo — queria entender se ele e Gao Minjun estavam do mesmo lado.
Então contei, resumidamente, como tinha entrado no quartinho escuro naquele dia. Mas fiz questão de deixar claro que só tinha entrado ali para ajudar um pai a procurar a filha desaparecida. Não tinha mexido nos equipamentos deles. Disse aquilo justamente para deixar claro que estava ajudando a resolver o caso, e não agindo por interesse próprio.
Zhu Shaohua que se virasse.
Por fora, Zhu Shaohua me advertiu que invadir uma base de ensino podia ser considerado tentativa de furto. Mas, por dentro, eu conseguia sentir que ele não tinha nenhuma má intenção — na verdade, até concordava com minhas suspeitas.
No fim, por dever do cargo, ainda me deu algumas advertências. Mas, na hora de eu ir embora, chegou a me entregar, de propósito, um cartão de visita, e disse:
— Já que seu objetivo era ajudar a Subdivisão de Segurança Pública a resolver um caso, não vamos te responsabilizar por isso. Este é meu cartão. Se descobrir qualquer coisa daqui para a frente, avise primeiro a Subdivisão de Segurança Pública. Não aja por conta própria.
Concordei da boca para fora.
Ao mesmo tempo, ainda estava bem curioso com aquela porta grande que eu não tinha conseguido abrir. Então sugeri que a Subdivisão de Segurança Pública fosse verificar aquilo.
Zhu Shaohua me advertiu que não se podia suspeitar de ninguém sem prova. Mas, por dentro, já estava pensando em levar gente para investigar.
Meu objetivo tinha sido cumprido. Não precisava mais me meter onde não era chamado.
Depois de me despedir de Zhu Shaohua, fui direto para a casa de Ye Pingsheng.
Recebi dele a carta que minha avó tinha deixado para mim. Meu coração estava uma bagunça. Só esperava encontrar ali as respostas que eu queria.
Estava com saudade dela.
Quando abri a carta, encontrei três coisas.
A primeira era um nome e um endereço. Minha avó pedia que eu deixasse Liutan e fosse até a cidade de Pingdu procurar uma pessoa chamada Gu Qiutang. A segunda era uma placa de jade verde, de formato estranho — eu não tinha ideia do que servia. A terceira era um cartão bancário. Afinal, eu precisaria de dinheiro para viajar.
Sobre minha avó, nenhuma informação. Nem sobre onde ela estava.
Fiquei um pouco decepcionado.
Será que minha avó tinha ido até Pingdu procurar Gu Qiutang? Difícil dizer. Mas Gu Qiutang, pelo menos, conhecia minha avó. Se eu o encontrasse, com certeza teria algumas respostas.
Voltei para casa e comecei a arrumar as coisas. Eu iria até Pingdu procurar Gu Qiutang.
Enquanto arrumava a bagagem, ouvi de repente um ruído bem leve atrás de mim.
Virei a cabeça.
Gao Minjun estava parado bem atrás de mim, com um sorriso estranho no rosto.
Senti o pescoço ficar dormente.
E perdi a consciência.
