Novels chinesas em português
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    Capítulo 41 — Resgate

    Olhando para o gerador eletrônico da barreira espaço-temporal, eu não esperava que aquilo conseguisse interferir até no tempo.

    Mas, por mais poderosa que aquela coisa fosse, no fim das contas era só um dispositivo eletrônico. Por mais sofisticada que fosse a estrutura, por mais avançado que fosse o equipamento, eu me recusava a acreditar que não dava para quebrá-lo.

    Encontrei uma lajota dentro do pavilhão e a arremessei com força contra o dispositivo.

    Bang.

    Crac.

    O dispositivo foi esmagado por mim.

    Só que, como o tempo já estava congelado por minha causa, os fragmentos se quebraram sem se espalhar. Todos ficaram suspensos no ar, imóveis.

    Um fenômeno bem estranho.

    No instante em que destruí o dispositivo, aquela cúpula de ar em forma de cone se desfez.

    E, exatamente nesse instante, o congelamento que eu tinha provocado antes passou a valer também para dentro daquela área.

    Dentro e fora, tudo parado.

    Menos eu.

    Saltei para debaixo do sino enorme e consegui ver com clareza as duas pessoas em forma de névoa que eu tinha imobilizado. Estavam ali, paradas, sem se mover, como dois esqueletos ilusórios em exposição.

    Eu não era Sun Wukong, então por que não usaria o feitiço de imobilização?

    Assim era muito mais prático.

    Eu sabia que só tinha oito minutos, e alguns já tinham se passado.

    Onde antes ficava a cúpula de ar, apareceram alguns equipamentos — deviam ser coisas como o mapeador cerebral de IA de que Lü Qingyue tinha falado. Nada daquilo me interessava. Meu objetivo era encontrar a pessoa.

    Usei as ondas de visão penetrante e vi que, além das pessoas em forma de névoa, havia mais dois pontos meio anormais.

    Levantei uma cobertura com a mão, e Gu Qiutang apareceu.

    No fim, havia uma manta de invisibilidade cobrindo o corpo dele.

    No outro ponto, levantei a cobertura e vi duas pessoas amarradas. Não conhecia nenhuma das duas — talvez fossem os tais que tinham traído a organização.

    Não tive paciência para me importar com eles. Que os Varredores cuidassem dos dois.

    Carreguei Gu Qiutang nas costas, ainda coberto pela manta, e saí correndo do pavilhão como se voasse. Corri até sair pelo portão do templo, chegando à rua. Ali, o congelamento do tempo já não tinha mais alcance.

    Carros e pessoas passavam sem parar.

    O congelamento de tempo com certeza tinha limite de distância. Eu nunca tinha verificado isso com seriedade antes; desta vez, ao menos, confirmei mais ou menos o alcance.

    Não chamei táxi. Dali até a casa segura perto da Ponte Mingguang não era tão longe.

    Se eu pegasse um táxi, seria até mais fácil expor meu paradeiro.

    Invisível, carregando Gu Qiutang invisível nas costas, corri depressa em direção à casa segura.

    No caminho.

    Dong.

    Um som grave de sino veio da direção do Templo Dazhong. Era o eco do golpe que eu tinha dado no Pulao do sino, minutos antes.

    Pelo visto, o congelamento de tempo lá já tinha perdido o efeito.

    Na rua, alguns pedestres não resistiam e paravam para olhar naquela direção. Afinal, o sino do Templo Dazhong só tocava uma vez por ano, sempre no Ano-Novo. Aquele toque, claramente, não era normal.

    Eu não podia me preocupar com tudo ao mesmo tempo. Primeiro precisava levar Gu Qiutang à casa segura.

    Entrei na casa segura.

    Zhu Shiqing continuava lá, cuidando de Zhu Zhaojie. Minha chegada repentina o assustou — ele não esperava que eu trouxesse mais uma pessoa nas costas.

    Dei algumas explicações rápidas e fui embora.

    Precisava voltar ao Templo Dazhong. Afinal, ainda devia uma explicação ao mestre Zisheng.

    Voltei invisível ao local do incidente.

    Antes, só tinha pensado em salvar a pessoa o mais rápido possível, e nem sabia bem o que tinha acontecido depois.

    Quando corri de volta, apressado, até a frente da Grande Torre do Sino, os Varredores já tinham chegado antes de mim. Haviam isolado o local com uma linha de bloqueio; nem monges nem turistas podiam se aproximar.

    Vi os dois traidores da organização sendo carregados para fora do pavilhão pelos Varredores.

    Desculpa aí — as mantas de invisibilidade dos dois eu já tinha levado. Coisa boa daquelas, eu tinha uso.

    Por isso, quando o congelamento parcial se desfez, os dois naturalmente ficaram visíveis. Só que as duas pessoas em forma de névoa dos Caçadores de Almas tinham desaparecido.

    Fiquei sem me revelar por enquanto, tentando sentir se havia algum Caçador de Almas por perto.

    Não encontrei nenhum.

    Mas vi mestre Zisheng no meio da multidão, esticando o pescoço para espiar. Dava para notar que ele ainda estava meio atordoado.

    Apareci atrás dele e dei um tapinha de leve. Quando virou e viu que era eu, me puxou às pressas para um canto e perguntou o que tinha acontecido lá dentro.

    Disse que esperássemos um pouco; depois entraríamos e eu explicaria com calma.

    Os Varredores ficaram um tempo ocupados, provavelmente recolhendo os equipamentos que os Caçadores de Almas tinham deixado. Eu estava ocupado demais na hora para examinar aquilo.

    Só depois que os Varredores foram embora é que entrei no pavilhão com mestre Zisheng e fechei a porta. Ele ainda pediu a um jovem monge que ficasse de guarda, avisando a todos que o local não estava aberto ao público.

    Dentro, sob o sino enorme, havia muitos fragmentos de equipamentos eletrônicos espalhados. Ao lado, restavam vestígios bagunçados de vida cotidiana — cadeiras, cordas, copos d’água, coisas assim.

    Os Varredores nem limpavam direito.

    Levantei a cabeça, olhei para a viga do pavilhão e saltei até lá. Ali, o dispositivo que eu tinha destruído ainda estava no lugar. Os Varredores não o levaram — talvez porque estivesse quebrado, talvez porque nem soubessem da existência dele.

    Os Varredores talvez nem tivessem esse tipo de equipamento avançado.

    Arranquei o dispositivo, voltei ao chão e disse a Zisheng:

    — Irmão de Dharma Zisheng, por favor, veja. Isto aqui é o gerador eletrônico da barreira espaço-temporal. As chamadas distorções espaço-temporais recentes têm relação com esta coisa.

    Mestre Zisheng pegou o dispositivo, olhou para ele e não entendeu nada — mas entendeu o que eu estava dizendo, ao menos em linhas gerais. Depois falou:

    — Então o grande mestre Xuan quer dizer que alguém se escondeu aqui dentro do meu templo, instalou essa coisa e bloqueou esta área. Mas o que eles queriam com isso?

    Eu disse:

    — Você não viu os Varredores? As pessoas invisíveis e os Varredores são do mesmo grupo. Quanto àqueles dois feridos, eles também estavam ligados à missão deles. Posso dizer claramente ao irmão de Dharma Zisheng: este caso não tem a ver com os seis reinos, nem com criminosos comuns, nem com fantasmas ou espíritos. Foram aquelas pessoas de agora há pouco executando uma missão especial. Só tomaram emprestado o seu espaço.

    Mestre Zisheng também era gente sensata. Só aquilo já dava bastante pano para as próprias conclusões dele. Mesmo assim, perguntou:

    — O grande mestre Xuan mencionou antes que o Templo Tansong também passou por algo parecido?

    Respondi:

    — Sim, o Templo Tansong realmente teve um caso semelhante. Também foi obra do mesmo grupo, só que ainda mais estranho que este. Mas, em linhas gerais, o conteúdo era parecido. No meio disso, apareceram até charlatões do jianghu tentando se aproveitar da confusão e perturbar a tranquilidade do templo. Fui eu que os desmascarei. Quanto àquelas pessoas invisíveis, o nível delas está acima do nosso. Elas têm suas próprias missões. Desde que não nos afetem, sempre orientei os administradores a não se meterem. Aqui, também sugiro que os irmãos de Dharma encarem tudo com tranquilidade.

    Zisheng juntou as mãos diante de mim e disse:

    — Muito obrigado, grande mestre Xuan, por ajudar a esclarecer este caso. No futuro, se acontecer algo, provavelmente ainda vou precisar incomodar o irmão de Dharma.

    Também juntei as mãos e respondi:

    — Não precisa agradecer. O caso das pessoas escondidas já veio à tona. Acredito que, num futuro próximo, não haverá mais fenômenos estranhos desse tipo por aqui. O abade pode ficar tranquilo.

    Zisheng fez uma reverência:

    — Muito obrigado.

    Depois de me despedir de mestre Zisheng, voltei invisível, às escondidas, para a casa segura.

    Zhu Shiqing e Zhu Zhaojie continuavam cuidando de Gu Qiutang, que permanecia inconsciente.

    O estado dele claramente não era bom. Rosto pálido, respiração fora do normal.

    Usei a percepção por sintonia de frequência e as ondas de visão penetrante para observá-lo e descobri que ele não tinha nenhuma Cápsula da Sabedoria instalada. Ou seja, Gu Qiutang era mesmo uma pessoa comum.

    Os ferimentos dele vinham, principalmente, do mapeador cerebral de IA, que tinha machucado seu cérebro e afetado algumas funções. Além disso, havia o efeito de medicamentos — os Caçadores de Almas, ao interrogá-lo, tinham injetado nele um alucinógeno. No resto do corpo, porém, não havia lesões orgânicas.

    Também senti a condição de Zhu Zhaojie. O corpo dela estava se recuperando, mas a lesão cerebral ainda trazia bastante dor. O principal era que a ausência da Cápsula da Sabedoria tinha deixado um vazio neural.

    Disse a ela:

    — Nesse período, fique aqui se recuperando com calma. Quando eu encontrar um jeito, vou reduzir sua dor. Nisso, eu tenho alguma experiência.

    Não estava me gabando. Na base dos incapacitados, eu tinha montado uma pequena instituição médica e ajudado muitos casos parecidos, principalmente em parceria com o Hospital de Pingdu, fazendo reparo neural. A dor podia ser reduzida de forma eficaz. Claro, o jeito mais rápido seria reinstalar a Cápsula da Sabedoria — assim a pessoa se recuperava na hora e ainda ganhava superpoderes.

    Agora eu já sabia que a organização de Gu Kunling estava produzindo Cápsulas da Sabedoria em segredo, e esse tipo, ao que parecia, não tinha os efeitos colaterais das Cápsulas dos Varredores.

    Eu queria instalar uma em Zhu Zhaojie.

    Ela assentiu, fraca, e disse:

    — Termina primeiro o que você tem que fazer. Quando tiver tempo, vem cuidar de mim. Não estou com pressa.

    Dava para perceber que, desde o momento em que viu Gu Qiutang, ela já tinha entendido no que eu andava ocupado.

    Gu Qiutang era gente importante — antes aparecia bastante na televisão. E Zhu Zhaojie, sendo agente operacional do Departamento Qiankun dos Varredores, conhecia muito bem a posição dele.

    Deixando tudo organizado ali, voltei correndo para a empresa.

    Gu Kunling ainda não tinha voltado. Pelo visto, do lado dela ainda havia muita coisa para resolver.

    Não tive coragem de telefonar. A detecção dos Varredores e dos Caçadores de Almas estava em toda parte.

    Eu sabia, por Ren Jingze, a localização geral das bases, mas àquela altura o lugar certamente já estava sob controle dos Caçadores de Almas e dos Varredores.

    Só então percebi que tinha passado o dia inteiro com fome, sem comer nada.

    Fui a um restaurante de comida Sichuan no andar de baixo da empresa, pedi uns pratos simples e comi devagar.

    Eu ia bastante àquele restaurante. Não porque a comida fosse tão boa, mas porque tinha um pouco do sabor da minha terra.

    Na verdade, o movimento daquele restaurante sempre foi ruim. O principal motivo era que a comida Sichuan tende a ser picante e adormecente, enquanto Pingdu já tinha sido a capital, e a região de Zhongguancun concentrava muitos intelectuais; eles não gostavam muito desse tipo de sabor.

    À tarde, eu era o único cliente do restaurante, já bem depois do horário de almoço.

    Foi então que quatro homens entraram, todos grandalhões e brutos. Assim que puseram os pés dentro, cravaram um cutelo no balcão do caixa e rugiram para o dono:

    — Chefe Zhang! Então é assim, não está mais levando os irmãos a sério?

    No restaurante, da cozinha ao atendimento, só havia um casal de idosos. O homem, sorrindo sem jeito, tirou algumas notas da gaveta e estendeu para os brutamontes:

    — Irmão Xiong, o negócio está difícil mesmo. O dia inteiro rendeu só isso. Não é falta de respeito, é que minha comida Sichuan não combina muito com o paladar do pessoal de Pingdu.

    O líder deles estendeu a mão e mandou aquelas notas voarem:

    — Vai falar merda pra sua mãe. Com essa mixaria você quer despachar mendigo? Pensa que eu nunca vi dinheiro na vida? Hoje você paga tudo.

    Dizendo isso, apontou o cutelo para o casal, já bem assustado.

    Não consegui ficar quieto. Levantei, fui até o líder e, com um estalo do dedo, fiz o cutelo saltar da mão dele e se cravar firme na parede.

    Então disse:

    — Irmão, calma. Também não tenho paciência para ficar discutindo com você. Este restaurante está sob minha proteção. Pode ser?

    Ao ver o cutelo saltar tão fácil da própria mão, o líder ficou parado por um instante — tinha entendido que, naquele dia, esbarrara em alguém duro de roer.

    Nota