Capítulo 47 — Sistema de ressonância quântica
por NexoNovelCapítulo 47 — Sistema de ressonância quântica
Agradeci respeitosamente ao mestre Zisheng e entrei sozinho na Grande Torre do Sino.
Dentro da torre, o enorme sino de bronze Yongle me dava uma sensação de peso opressivo.
Caminhei em volta do sino, observando-o com atenção.
Fiquei pensando: ele estava pendurado ali, em silêncio, havia mais de 700 anos. Por que só nos últimos anos os Humanos de Elite passaram a dar tanta importância a ele? Que segredo estaria escondido nele?
Dei um salto e fui parar sobre o Pulao do enorme sino, observando com cuidado tudo em volta. Da última vez que salvei Gu Qiutang, foi justamente ali, no Pulao, que os Caçadores de Almas haviam instalado o gerador da barreira espaço-temporal.
Do alto do Pulao, olhei para baixo. Além do círculo de sombra escura projetado pelo enorme sino, não havia nada de especial.
Então ativei minha capacidade de usar ondas de visão penetrante e fui ajustando diferentes faixas, até que, olhando de cima para baixo através da borda irregular do sino, percebi um anel de névoa quase imperceptível.
O que seria aquilo? Que sentido teria?
Enquanto eu pensava nisso, de repente, na sombra da trave onde o sino estava suspenso, uma figura foi surgindo pouco a pouco, e disse:
— Isso é o efeito de filtro dimensional formado pela matriz antigravitacional.
O súbito aparecimento do meu tio me assustou. Então ele já estava ali havia um tempo.
Eu disse:
— Tio velho? Quando você chegou? Como não percebi sua presença?
Meu tio disse:
— Me chame de tio mais velho! Sem educação. Já estou aqui há um tempo. Você não ter percebido mostra que sua vigilância não está afiada o suficiente; e também mostra que minha blindagem das ondas cerebrais e minha técnica de invisibilidade estão boas. Quando você fica pensando em alguma coisa, não pode se concentrar só naquilo e esquecer de investigar antes. Assim, do jeito que você é, um dia ainda vai se dar mal.
Eu perguntei:
— Você tem razão. Mas gente com essa habilidade de se esconder como você é rara. Minha percepção por sintonia de frequência nunca falhou contra pessoas comuns.
Meu tio disse:
— Os Humanos de Elite não são pessoas comuns. Ainda falta muito conhecimento e muita capacidade para você desenvolver. Deixa isso de lado por hoje. Primeiro, entenda bem o que está diante de você.
Eu perguntei:
— Certo. Então, o que é isso que você chamou de efeito de filtro dimensional formado pela matriz antigravitacional?
Meu tio disse:
— Você não estudou física da engenharia? Quando a filtragem dimensional formada por uma matriz natural atinge uma frequência de vibração de 144.000 vezes por segundo, forma-se uma barreira espaço-temporal. Em outras palavras, a chamada barreira espaço-temporal é uma barreira vibracional entre dimensões diferentes.
Assim que terminou de falar, meu tio tirou da mochila preta um equipamento, um pouco maior do que aquele gerador eletrônico da barreira espaço-temporal que eu tinha destruído da última vez.
Enquanto o instalava, ele disse:
— Este enorme sino, depois de 700 anos de vibração, já desenvolveu uma espécie de campo de efeito natural. Quando esse campo é estimulado por este gerador eletrônico, ele pode aumentar a frequência de vibração ao redor, formando com facilidade um campo físico de efeito de filtro matricial. Foi por isso que os Caçadores de Almas montaram o equipamento aqui da última vez. Eles queriam aproveitar esse campo de efeito natural para reforçar a construção da barreira espaço-temporal que leva ao Reino Espiritual. Ouvi dizer que, quando você esteve no Templo Tansong, viu aqueles Humanos de Elite invisíveis. Na verdade, o princípio é o mesmo. Eles também queriam se aproveitar do campo de efeito de filtragem matricial dos templos para montar o sistema da barreira espaço-temporal. Essa arquitetura, você pode entender como um sistema de ressonância quântica formado com a ajuda de um campo de efeito natural.
Depois de fixar aquele objeto na posição do Pulao, meu tio conectou também, para cima, uma rede metálica em círculo. Só então apertou o botão do equipamento.
Zzzzz—
Um fluxo espacial invisível se espalhou nas duas direções, para cima e para baixo.
Eu não conseguia ver esse fluxo espacial, mas conseguia sentir claramente sua presença.
Perguntei:
— Tio, o que é isso?
Meu tio respondeu:
— Hoje vou te abrir os olhos de verdade. Preste atenção: isto é uma fissura na barreira espaço-temporal. É um campo físico produzido pela instabilidade local de um ressonador quântico, provocada por uma perturbação no campo de energia de alta dimensão. Daqui a pouco, vou usar essa fissura para resgatar sua mãe.
Levei um susto e perguntei, apressado:
— O quê? Isso… isso leva até a barreira espaço-temporal onde minha mãe está presa?
Meu tio respondeu:
— Besteira. Se não fosse assim, por que eu diria que ia te abrir os olhos? A barreira espaço-temporal, no fundo, é um campo vibracional de alta dimensão que atravessa o espaço-tempo. Quando eu digo que ela é uma barreira vibracional entre dimensões diferentes, isso é só um efeito básico do campo vibracional. Ela também pode servir de passagem. Entendeu?
Eu respondi:
— Entendi um pouco, e também não entendi um pouco. Eu estudei física clássica. Você fica falando de física quântica o tempo todo, nem Einstein aguentaria isso.
Meu tio disse:
— Você não estudou a equação da gravitação de Einstein? Ele já deixou bem claro, há muito tempo: o espaço-tempo não é uma entidade fundamental, é a manifestação da correlação de informação quântica. Para simplificar: o espaço-tempo é uma rede tecida a partir do emaranhamento quântico e das vibrações de cordas de alta dimensão.
Meu tio realmente era um fanático por tecnologia, o tipo clássico de pessoa apaixonada por tecnologia, obcecada por ela e especialista no assunto. Não era de se estranhar que os Caçadores de Almas viessem procurá-lo justamente para resgatar os prisioneiros.
Antes, por estar tão ansioso para salvar as pessoas, eu nunca tinha examinado esse enorme sino com atenção. Não sabia que ele tinha esse tipo de campo de efeito.
Meu tio, esse fanático por tecnologia, e os Humanos de Elite provavelmente já tinham descoberto esse segredo há muito tempo. Lugares com esse tipo de campo de energia talvez existissem em muitos outros pontos, só que nós não sabíamos. Talvez fossem todos degraus que ligavam o Mundo Secular ao Mundo de Elite.
Isso também explicava por que, quando eu estava no Templo Tansong, sempre havia Humanos de Elite misteriosos aparecendo no salão dos fundos.
Depois dos acontecimentos estranhos no Templo Tansong, algo parecido tinha ocorrido no Templo Dazhong. Suspeitei que eles simplesmente tivessem se mudado do Templo Tansong para o Templo Dazhong!
Meu tio trabalhou ali por um tempo e, sem nem me avisar, simplesmente se lançou para dentro daquele vazio, e seu corpo inteiro desapareceu instantaneamente naquele espaço.
No instante em que sua silhueta desapareceu, sem pensar em mais nada, entrei atrás dele.
Tudo girou, céu e terra se confundiram.
Eu não esperava que ali dentro não houvesse nem cima nem baixo.
No instante em que entrei naquele espaço-tempo alternativo, senti de imediato uma sensação de ausência de peso, muito desconfortável.
Felizmente, saí dali logo depois.
Diante dos meus olhos, surgiu uma montanha, com um templo no topo e outro ao pé dela.
Panshan?
Reconheci de imediato: era o Templo Panshan, em Jizhou. Antes, Xuanhong tinha vindo até aqui, numa de suas viagens, e conhecia o abade daqui, o mestre Cangji.
Mantive-me invisível e segui de perto meu tio, também invisível, com medo de me perder.
Porque eu entendia: o mundo que ele via era diferente do mundo que eu via. Ele conseguia ver coisas no nível quântico, e eu não. Como, por exemplo, as barreiras.
De fato, quando meu tio correu até o Templo Wansong, ao pé de Panshan, desapareceu.
Ativei minha percepção por sintonia de frequência e as ondas de visão penetrante, e só então vi que meu tio tinha entrado pelo Portão Buer. Corri atrás dele.
O Portão Buer era originalmente um ponto turístico do Templo Wansong, ao pé de Panshan, por onde muitos turistas que subiam e desciam a montanha costumavam passar. Mas, depois que meu tio entrou pelo Portão Buer, ele simplesmente se lançou de cabeça para dentro de um trecho isolado do muro vermelho, no lado esquerdo do pátio dos fundos.
Não me enganei: ele tinha mesmo atravessado direto o muro vermelho.
Eu nunca teria imaginado uma coisa dessas. Assustado, corri até o outro lado do muro vermelho para ver o que havia, mas não havia nada ali, só a paisagem normal do muro do templo.
Só me restou voltar ao lugar onde meu tio havia entrado e tentar também atravessar.
Hã?
Eu realmente entrei.
Ainda bem que os dois estávamos invisíveis, senão aquela técnica de atravessar paredes certamente teria assustado os turistas.
Quando entrei no muro vermelho do Portão Buer, toda a paisagem que eu tinha visto antes desapareceu por completo. Lá dentro também não havia escuridão; em vez disso, surgia uma extensa paisagem estranha e cambiante.
Eu nunca teria imaginado que a porta da passagem espaço-temporal estaria escondida dentro do muro vermelho. Aquele lugar talvez fosse justamente a barreira espaço-temporal que meu tio havia projetado.
Segui com cautela meu tio, que caminhava calado, adentrando aquele espaço. A cada passo que dávamos, o espaço diante de mim ficava mais estranho. Aquele cenário cambiante parecia ter sido espremido por alguma força; todos os objetos, equipamentos, mesas e cadeiras estavam deformados; alguns até de cabeça para baixo.
Perguntei ao meu tio:
— Tio velho, que troço é esse?
Meu tio olhou em volta e disse:
— Não imaginei que os Caçadores de Almas fossem tão implacáveis. Chegaram a querer sepultar todo mundo desta base.
Fiquei surpreso:
— Base? Você está dizendo que isto é uma base?
Meu tio disse:
— Sim, esta é a base de pesquisa nos arredores orientais da cidade de Pingdu. Também é a nossa maior base de produção. Sua mãe estava escondida aqui, trabalhando.
Perguntei:
— Então por que não vejo minha mãe e as outras?
Meu tio disse:
— Você acabou de entrar num canto da base, não tenha tanta pressa, isto aqui é enorme.
Perguntei:
— E o que é essa cena toda? Parece que alguém amassou tudo, como um pano.
Meu tio disse:
— Isto é um colapso espacial. Deve ter sido causado pelo momento em que os Caçadores de Almas e os Varredores agiram, usando diretamente uma bomba de colapso gravitacional. Em condições normais, a bomba de colapso gravitacional pode destruir diretamente a barreira espaço-temporal, provocando um colapso espaço-temporal em grande escala. Nesse caso, todos que estivessem dentro dessa barreira espaço-temporal seriam comprimidos a um estado bidimensional.
Exclamei, espantado:
— Bidimensional? Espaço-tempo tridimensional virando bidimensional? Que quantidade de energia seria necessária para isso?
Meu tio continuou andando enquanto dizia:
— Não é um espaço-tempo bidimensional de verdade, ainda não chegou a esse ponto. O que eu quero dizer é que tudo colapsaria numa espécie de plano. Chamei de bidimensional só para você entender melhor. Diga-me: será que uma pessoa consegue sobreviver nesse estado?
Perguntei:
— Como é que isso é feito? A bomba de colapso gravitacional é tão poderosa assim?! Que quantidade de energia seria necessária para fazer isso?
Meu tio disse:
— É exatamente tão poderosa assim! No Mundo de Elite, a tecnologia nuclear já alcançou há muito tempo a fusão nuclear em pequena escala; energia não é problema. O núcleo dessa coisa, aliás, fui eu quem projetei. Essa barreira espaço-temporal que você está vendo agora também foi construída por mim, usando o sistema de ressonância quântica. Se eu consigo construí-la, claro que também consigo destruí-la. É uma pena que essa invenção minha tenha sido roubada e copiada pelos Humanos de Elite.
Perguntei:
— Então, as pessoas que ainda estão lá dentro, ainda dá para salvar?
Meu tio disse:
— Besteira. Se não desse para salvar, eu estaria aqui fazendo o quê? A tecnologia que os Humanos de Elite roubaram é incompleta; para destruir, até serve, mas, se você pedir para eles salvarem alguém, eles não vão conseguir. No fim das contas, é tecnologia roubada, incompleta. Olha, o colapso também não é completo. É como o cenário depois de um terremoto: em todo lugar há estruturas que sustentam algo. Claro que vai haver algumas perdas, mas ainda vai ter muita gente sobrevivendo. Ei, que estranho! Olha esse ponto de impacto. A bomba de colapso gravitacional simplesmente não produziu o efeito que deveria, e, além disso, a posição também está errada. Isso não devia acontecer. Será que alguém interferiu no momento de lançá-la? Ou talvez tenha sido pressa demais, um erro. De outra forma, o efeito não seria assim.
Segui a direção que meu tio apontava com o dedo e vi uma estrutura radial em forma de névoa. Aquilo era o ponto de impacto da bomba de colapso gravitacional?
Não entendi nada. Aquilo era muito profundo para mim.
Meu tio sacudiu a cabeça e disse:
— Detonar aqui não atinge nem de longe a estrutura de sustentação principal. Por que teria sido assim?
Eu disse:
— Isso não é melhor, então? Menos perdas.
Meu tio disse:
— Besteira, quem está discutindo isso com você. O que quero dizer é: se você fosse jogar uma bomba, jogaria bem ao lado do seu adversário, ou jogaria mais longe?
Eu disse:
— Claro que jogaria mais perto, para ter mais poder de destruição.
Meu tio disse:
— Pois é, não é isso mesmo? Não fique parado aí, vamos andando rápido.
Andamos tateando por cerca de dez minutos, até que cheguei a um lugar escuro. Ali, a distorção era muito forte. O importante é que comecei a ouvir, ainda que vagamente, o som de pessoas conversando.
E, além disso, era a voz de uma senhora idosa e de uma garotinha.
