Capítulo 18 — A maravilhosa placa de jade verde
por NexoNovelCapítulo 18 — A maravilhosa placa de jade verde
Liu Biao se interessava pela minha capacidade, talvez porque eu não tivesse instalado IA nenhuma.
Isso também era algo que eles não conseguiam entender. Claro, eu mesmo também não entendia.
Depois, fui até um lugar bem profundo, provavelmente no canto mais ao norte da base.
Ali havia duas portas, marcando uma área proibida.
A primeira era uma porta de identificação. Usei o mesmo truque de antes, com o código de mercadoria, e passei sem problema.
A segunda era uma porta de senha. Pra qualquer pessoa comum, essa seria a mais difícil de vencer: impressão digital, íris, código de identificação, tudo isso dá pra falsificar. Senha é memória guardada na cabeça, não tem como forjar.
Só que, pra mim, era justamente o mais fácil.
Porque minha capacidade era sentir a mente das pessoas.
Então esperei um pouco, a uma certa distância dessa segunda porta. Quando alguém foi usá-la, eu já tinha pegado a senha sem esforço nenhum.
Depois de passar pela porta de senha, descobri que aquilo era uma área especial.
Porque tinha guarda armada.
Fiquei num ponto um pouco mais escondido, logo depois da entrada, observando de longe.
No meio daquela área tinha algo parecido com um pátio de exercícios, bem iluminado. Várias pessoas correndo, andando ou se exercitando, todas com a mesma roupa.
Fiquei olhando um tempo, mas não vi nada de especial. Pareciam presos comuns. Já ia dar meia-volta e sair.
De repente, reconheci alguém lá dentro:
Xuanhong.
Xuanhong não se exercitava com os outros. Estava sentado em silêncio, num canto, de pernas cruzadas, meditando. Tive uma vontade enorme de acenar pra ele, mas tinha medo de os guardas verem, e no fim não tive coragem de fazer nenhum som.
Observei mais um pouco e decidi tentar pela intenção mental. Era um pouco longe, mas pelo menos conseguia fixar os olhos nele.
Depois de muito esforço, Xuanhong de fato reagiu.
Primeiro fingiu que passava os olhos casualmente pra esse lado. Depois fez, com a mão, um gesto de “pare”.
Olhei pra um lado e pro outro, e imaginei que ele queria dizer que eu não devia me aproximar.
Fiquei agachado no escuro esperando um pouco. Notei então que ele apontou pra própria cabeça.
Será que ele queria se comunicar comigo por intenção mental?
Eu não sabia se ele tinha um “superpoder” de percepção igual ao meu, mas eu conseguia me comunicar numa via só. Até já tinha feito isso antes, com Zhu Zhaojie, através de uma parede, no porão de Gao Minjun.
Então fixei os olhos em Xuanhong e mandei algumas perguntas por intenção mental.
De fato, ele reagiu. Só que as informações que voltavam eram um tanto fracas, e eu precisava confirmar várias vezes pra entender.
Ele me contou que ali era a área especial de detenção dos Varredores, onde ficavam presos os prisioneiros importantes.
Perguntei por que a gente era tão parecido.
Ele hesitou um pouco, e só depois respondeu: ele, na verdade, era meu backup.
Backup?
Não entendi bem o que ele quis dizer.
Estava falando de clonagem humana, algo biônico, ou uma cópia?
Ele disse que não era nada disso.
E, como a informação vinha muito fraca, no fim eu ainda não consegui entender o que aquilo queria dizer.
De repente, ele encerrou a comunicação e, fingindo desatenção, caminhou até a beira daquela área, foi indo até um ponto mais escuro, até que os guardas começaram a gritar com ele. Só aí parou.
Não sabia o que ele estava tentando fazer.
Vi que, enquanto voltava, ele dizia alguma coisa aos guardas. Mas, da manga dele, como quem não quer nada, caiu um objeto. Depois, ele ainda deu um chute discreto pra jogá-lo mais longe.
Que objeto era aquele? Era pra mim?
Pouco depois, soou um apito, e ele, junto com todos os outros, voltou pros quartos.
O pátio ficou vazio num instante.
Esperei mais um pouco, até os guardas se retirarem todos, e só então comecei a me mover, aproximando-me devagar daquele objeto.
Bem quando finalmente cheguei perto dele, e já ia pegar, um pé enorme pisou logo ali.
— Liu Biao?!
Levantei o rosto e vi Liu Biao me olhando com um sorriso no rosto, já com o objeto na mão.
Meu coração afundou de vez. Pensei: acabou.
Tinha esquecido que ele vinha me vigiando o tempo todo.
Liu Biao pegou o objeto e examinou os dois lados com cuidado. Era uma placa de jade verde, quase idêntica à minha, só que o desenho parecia levemente diferente.
Eu nunca soube pra que servia a placa de jade verde que minha avó tinha deixado pra mim. Achava que Gu Qiutang saberia; perguntei a ele, mas ele disse que também não sabia.
Xuanhong também tinha uma igual, e, além disso, queria me entregar. Isso mostrava que as duas placas talvez formassem um par.
Liu Biao ficou olhando o objeto nas mãos e disse:
— O que Xuanhong te disse?
Ele evidentemente tinha percebido que a gente tinha se comunicado de algum jeito. Só que não tinha como interceptar o que passava entre nós.
Eu disse:
— O quê? Não entendi o que você quer dizer. Eu só vi que alguém deixou cair uma coisa e quis pegar pra olhar. Só isso.
Enquanto falava, fui me aproximando de Liu Biao, também querendo dar uma olhada de verdade.
— Não nos trate como idiotas. Você também tem uma igual, não tem?
Liu Biao falou isso e, num movimento repentino, arrancou do meu peito a placa de jade verde.
Gritei alto:
— Ei… o que você está fazendo? Isso é roubo! Essa placa é herança de família!
Liu Biao ficou com minha placa na mão, comparou com a de Xuanhong e disse:
— Olhe aqui. Essas duas placas são tão parecidas que devem fazer parte de um mesmo conjunto. Só que a sua, a gente já examinou várias vezes antes, e nunca achou nada de anormal. Mas essas duas, no acabamento e no estilo, batem certinho demais pra ser coincidência. Deve ser algo que Xuanhong deixou pra você fazer alguma coisa. Então me diz: o que vocês estão planejando?
Sorri e disse:
— Você pensa demais. Esse Xuanhong, eu só ouvi falar dele, nem conheço de verdade. Agora há pouco, vi que ele deixou cair uma coisa e quis pegar pra ver. Já que você quer, fica com ela. Mas a minha você tem que devolver. Foi minha avó que deixou pra mim.
Liu Biao disse:
— Posso devolver a sua placa. Mas você tem que me dizer como vocês se comunicaram.
Ele continuava convencido de que a gente tinha se comunicado. Não tinha jeito, ele era profissional em investigação criminal.
Só me restou inventar qualquer coisa:
— Comunicar o quê? Eu só quis pegar uma coisa do chão. Xuanhong se parece tanto comigo que fiquei até curioso, mas de verdade não conheço ele. O nome dele eu ouvi de um dos incapacitados. Tudo isso, imagino que você já deve ter investigado.
De qualquer jeito, eu tinha usado intenção mental pra me comunicar, e ele não tinha provas. Além disso, essa capacidade não era científica, nem fácil de explicar. Eles não conseguiam confirmar nada. Se já tivessem certeza, por que ainda ficariam me perguntando?
Liu Biao disse:
— Bobagem. Você acha que a gente é cego?
Fez um gesto com a mão, e mais duas pessoas vestidas de preto se aproximaram. Então me disse:
— Vamos. Volte com a gente. Também quero ver que segredo essas duas placas escondem.
Assim, fui levado de volta pra sala de interrogatório do Departamento de Inteligência Cultural.
Como sempre, Liu Biao submeteu as duas placas a uma varredura eletrônica e a vários testes.
Dava pra ver que ele não descobriu nada.
Liu Biao ficou sentado atrás da mesa, na minha frente, brincando sem parar com as duas placas nas mãos.
Não sabia no que ele estava pensando. Com certeza queria muito descobrir que segredo havia dentro daquelas placas. E, na verdade, eu também queria muito saber.
Liu Biao não desistia, continuava manuseando as duas placas. Brincava com elas enquanto pensava.
De repente, encaixou uma placa na outra. Ouviu-se um estalo. Elas realmente se prenderam.
Vupt—
No instante em que as placas se uniram, um clarão extremamente branco se espalhou pela sala de interrogatório à velocidade da eletricidade, soltando um brilho ofuscante. Um fluxo de informações sem precedentes invadiu direto o meu cérebro, quase me fazendo desmaiar.
Não sei se cheguei a desmaiar de verdade.
De qualquer forma, passei por um estado quase confuso, como se alguém tivesse enfiado à força um monte de coisas dentro da minha cabeça.
Quando voltei a mim, foi que percebi:
Tudo estava em silêncio absoluto!
Tudo parado.
Liu Biao, o relógio, os dois assistentes ao redor, todos ficaram fixos, imóveis. Todos pareciam estátuas, sem se mover um milímetro.
Que força era aquela?
Sem conseguir acreditar, fui até a janela e olhei pra fora.
As pessoas do lado de fora também estavam paradas. Até o efeito Tyndall produzido pela luz parecia uma espécie de corpo vítreo solidificado.
Era demais pra acreditar.
Tirei das mãos de Liu Biao as duas placas unidas e comecei a virar de um lado pro outro.
Aquelas placas tinham um formato bem particular. As duas se encaixavam sem deixar fresta nenhuma. Mas, ao mesmo tempo, parecia que não formavam um desenho completo.
Coloquei as placas unidas na mesa e observei com atenção.
Cheguei a uma conclusão:
A placa completa devia ser formada por seis peças. Se as seis se encaixassem, provavelmente formariam um disco redondo em forma de flor de lótus. As duas de agora eram só duas das pétalas.
Se duas pétalas unidas já produziam um efeito tão extraordinário, que cena maravilhosa o desenho completo seria capaz de gerar?
Fiquei com uma certa expectativa.
Muita expectativa.
