Novels chinesas em português
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    Capítulo 89 — Rajadas de vento sombrio

    Dando sequência ao capítulo anterior: eu havia conversado com Feng Du sobre o Mundo Futuro, e Feng Du, de fato, sabia bastante. Ele provavelmente já tinha ido lá. Suas palavras ainda seriam úteis para o meu próximo passo.

    Despedi-me de Feng Du e passei primeiro pelo Bar Huanghun. Ali conversei mais de meio dia com Huang Gordo, o humano-código de Du Xiaoran.

    Como nós dois já tínhamos falado sobre o Mundo Futuro no mundo real, além de comer juntos, conversamos principalmente sobre as novidades curiosas que andavam surgindo no mundo virtual.

    Entre outras coisas, ele me contou que Yuan Lingliang tinha ido a Guiyoucheng me procurar e chegara a causar um grande tumulto no palácio do senhor da cidade. No fim, foi expulsa por Feng Du. Huang Gordo repetiu várias vezes que eu não devia decepcionar o coração de uma bela mulher.

    Contou também que a Gangue Jianghai, não se sabia como, havia obtido alguma transmissão verdadeira, e a força do líder deles aumentara muito. Naqueles dias, viviam procurando problemas para a Seita Ziyun.

    Na verdade, eu não me importava muito com essas coisas. Não fiquei tanto tempo na Seita Ziyun e não tinha grande apego a ela. Yuan Lingliang era paixão unilateral; eu nem quis provocá-la.

    Depois da refeição, perguntei direitinho como se entrava no Mundo Futuro e saí de Guiyoucheng.

    Assim que atravessei a passagem de Guiyoucheng, vi o pessoal da Gangue Jianghai e da Seita Ziyun travando uma batalha mágica no ar, ali perto.

    Eu lembrava que Liu Tanzhuang tinha me dito que a Gangue Jianghai ficava perto da entrada de Guiyoucheng. E, de fato, em Guiyoucheng eu também tinha visto muitos discípulos da Gangue Jianghai.

    Não esperava que o local escolhido pelas duas facções para se enfrentar fosse justamente nas redondezas da Gangue Jianghai. Pelas minhas contas, a competição pela disputa do Palácio Celestial tinha se encerrado poucos meses antes, e as duas facções já estavam brigando outra vez. Também não sabia o que estavam apostando desta vez.

    Nada disso me interessava. Desde que não me atrapalhassem, as duas facções podiam se engalfinhar à vontade. Além do mais, essa briga constante até fazia bem às duas: temperava as próprias equipes.

    Só que, desta vez, ficava evidente que a Gangue Jianghai levava vantagem.

    Do lado de lá, o grão-mestre da Gangue Jianghai tinha acabado de derrotar o grão-mestre da Seita Ziyun. Deste lado, o líder da Gangue Jianghai também prensava o líder da Seita Ziyun.

    Yuan Jiangyi, líder da Seita Ziyun, havia vencido o líder da Gangue Jianghai com facilidade na última vez. Agora, porém, estava esmagado no chão por uma nuvem de chuva pesada, sem conseguir respirar, e a pressão já chegava quase à entrada e saída de Guiyoucheng.

    Na verdade, as lutas entre discípulos não pesavam tanto. O que decidia de fato eram os grão-mestres e os líderes de seita. Na vez anterior, como a disputa era pelo Palácio Celestial, adotou-se o método de pontuação por níveis. Eu imaginava que a Gangue Jianghai não tivesse engolido bem o resultado, já que tudo havia sido estragado por mim, um sujeito sem importância.

    Quando apareci no campo de batalha entre os dois grandes líderes, os membros das várias seitas que assistiam e os discípulos das duas facções ficaram muito surpresos. Um após outro, levantaram-se e começaram a comentar.

    Isso porque a aura de uma batalha mágica entre líderes de seita era muito forte; num raio de um quilômetro, dificilmente alguém se mantinha de pé. Ninguém esperava que eu saísse tão tranquilamente da passagem de Guiyoucheng e ainda me agachasse debaixo daquela nuvem de chuva para olhar Yuan Jiangyi, líder da Seita Ziyun, prensado no chão.

    Quando Yuan Jiangyi viu que eu o olhava, seu rosto ficou ainda mais vermelho de vergonha.

    Que humilhação!

    Fracassar não era assustador. O assustador era estar sendo pisoteado e esfregado no chão por alguém, e ainda ter um antigo subordinado se agachando para olhar. Onde ele enfiaria aquele rosto velho?

    O líder da Gangue Jianghai também ficou muito alarmado, com medo de que eu ajudasse Yuan Jiangyi a lidar com ele. Afinal, personagens do nível de líder de seita muito provavelmente já tinham ouvido que eu havia espancado Xiang Bianfeng e Pu Liuqian. Esses dois, para eles, eram existências tão altas quanto montanhas que só se podia admirar de longe.

    Eles não entendiam como eu podia aparecer no campo de batalha justamente naquele momento.

    Eu não queria me meter. Estragar a competição dos outros não era bonito, e aquilo não tinha nada a ver comigo.

    Já estava a ponto de sair voando quando Gao Haipeng me descobriu no meio da plateia. Ele achou que eu tinha vivido em Guiyoucheng aqueles meses e que ali estava uma ótima chance de o líder deles me dar uma lição. O ponto crucial era que eu agora estava dentro da zona de combate do líder; pelas regras, se eu morresse, bem feito.

    Então ele se levantou e gritou para o líder da Gangue Jianghai:

    — Líder, foi esse garoto que estragou nossa disputa pelo Palácio Celestial da última vez! Ele também conta como alguém da Seita Ziyun. Dê uma lição nele! Está na zona de combate, não conta como ferimento acidental!

    Assim que Gao Haipeng gritou, atraiu logo o apoio dos irmãos de seita, que também começaram a berrar, pedindo que o líder me espancasse.

    Eu calculei que a primeira pessoa que o líder deles queria espancar era Gao Haipeng.

    Olhei para Yuan Jiangyi, líder da Seita Ziyun, com o rosto vermelho de vergonha, depois olhei para Yuan Lingliang, que pulava de ansiedade na arquibancada. Então soprei na direção daquela nuvem de chuva e, sem esforço, empurrei-a para o lado. Ao mesmo tempo, usei a consciência cósmica para transformar na hora aquele bloco de nuvem em substância sólida.

    Num instante, a nuvem de chuva virou um enorme bloco de cimento, girou de repente e esmagou com violência o corpo do líder da Gangue Jianghai.

    Bum…

    Um estrondo enorme.

    O líder da Gangue Jianghai caiu de bruços no chão, em estado miserável, coberto de sangue. Sobre ele havia um bloco gigantesco de cimento em forma de nuvem, e ele não conseguia se mover.

    Agachei-me de novo, olhei o líder da Gangue Jianghai com o rosto vermelho de sufoco e disse:

    — Seu discípulo mandou você me espancar. Eu também não tive escolha. Não revidar seria inadequado. Senão, ficaria com medo de você me machucar.

    Naquele momento, o líder da Gangue Jianghai estava furioso e aflito ao mesmo tempo. Não sei se era pelo medo de perder a honra ou porque, preso debaixo daquela rocha gigantesca, respirar já era difícil. De todo modo, virou o rosto vermelho, aguentou firme e não disse uma palavra.

    Também não dei mais atenção àquela gente. Virei-me e voei na direção da porta nodal do metaverso.

    Atrás de mim, ergueu-se na hora uma onda de agitação.

    Yuan Lingliang parecia continuar gritando meu nome.

    Não tinha nada a ver comigo. Eu nem era próximo dela.

    Quando voei até a tal porta nodal, descobri que aquilo não era mais que duas nuvens coloridas em constante turbilhão, como dois portões grandiosos erguidos no céu.

    Segundo Huang Gordo, era ali o nó entre dois metaversos. Olhando bem, lembrava um pouco uma barreira espaço-temporal.

    Assim que voei até a área da porta, aquela porta nodal parecida com nuvem soltou um raio, escaneando minha identidade, meu grau e outras informações.

    Com meu grau atual, ir a qualquer metaverso já não era problema.

    O passo seguinte era pagar.

    Com a consciência, transmiti à nuvem o lugar para onde queria ir e paguei mil pontos de desempenho à porta nodal.

    Na mesma hora, um redemoinho se formou a partir daquela nuvem colorida e, num instante, me envolveu para dentro da porta.

    Depois de atravessar a porta nodal, olhei para trás. Aquilo já tinha se transformado numa nuvem de chuva, um pouco parecida com a Porta do Mundo Oculto de quando cheguei pela primeira vez ao Mundo de Elite.

    Não sei por quê, mas o Pavilhão das Sombras gostava muito de usar nuvens como portas.

    Então este era o Mundo Futuro?

    Eu não tinha certeza se era uma área de avaliação ou o Mundo Futuro. Só sentia rajadas de vento sombrio ao redor, tudo cinzento e nebuloso por toda parte, sem conseguir enxergar nada com clareza.

    Não queria ficar ali e também não conseguia ver bem. Só me restou usar a capacidade das ondas de visão penetrante, e só então descobri, ao longe, uma massa montanhosa embaçada.

    Voei depressa naquela direção.

    Voei por cerca de meia hora. Quando finalmente me aproximei daquela massa montanhosa, descobri que a montanha não tinha raiz. Ou seja, flutuava no meio do ar, e ao redor não havia nada. O ponto crucial era que, acima, abaixo, à esquerda, à direita, à frente e atrás daquela montanha, todas as seis direções eram pontiagudas. E ela ainda flutuava, movendo-se lentamente.

    Girei meu próprio corpo para cima e para baixo, e a montanha também girou na direção oposta.

    Então ali não existia o conceito de cima, baixo, esquerda ou direita.

    Onde exatamente era aquilo? Ao redor, tudo era vazio.

    Justo quando eu me preparava para voar para dentro da montanha, uma lança veio zunindo na minha direção, rasgando as nuvens. Ao me esquivar, estendi a mão, agarrei a lança e a arremessei com violência de volta na direção de onde ela tinha vindo.

    Não importava quem fosse: se você me espeta, eu espeto você.

    Pouco depois, veio de longe um grito não humano.

    Que troço era aquilo?

    Não me diga que eu tinha acertado mesmo alguém?

    Que se dane. Quem mandou arremessar uma lança em mim?

    Pensando bem, como eu não tinha nenhum objetivo claro de avanço, era melhor ir dar uma olhada e ver quem estava tão entediado a ponto de me espetar com uma lança.

    Voei na direção daquele grito.

    Enquanto voava, fiquei invisível e usei a percepção por sintonia de frequência para sondar os arredores, preocupado que houvesse alguma coisa ruim por perto.

    Não demorou para eu ver aquilo que tinha sido atravessado pela minha lança. Estava pendurado de cabeça para baixo numa saliência rochosa da montanha. Não parecia humano, e sim uma criatura baixa e robusta, o corpo inteiro castanho-acinzentado, a pele áspera como rocha.

    A cabeça daquele sujeito parecia a de um sapo. Não tinha nariz nem orelhas; apenas uma grande boca vermelho-sangue se abria horizontalmente no meio do rosto. Quatro olhos pretos e redondos brilhavam com ferocidade. Os membros eram curtos e grossos, mas os músculos estavam tensos. Eu não sabia que coisa era aquela.

    Voei mais para perto para examinar e, ao lado do ouvido, ouvi de repente outro som cortante rasgando o ar.

    Fiu… fiu… fiu…

    Quatro ou cinco lanças foram arremessadas contra mim de novo.

    Ao mesmo tempo, apareceram mais sete ou oito criaturas do mesmo tipo. Saltaram das sombras empunhando lanças ósseas, os olhos ferozes, rugindo enquanto avançavam sobre mim. Eram extremamente rápidas; saltavam e se moviam entre as pedras flutuantes, obviamente me tratando como presa que invadira seu território.

    Caramba, mas eu estava claramente invisível!

    Minha invisibilidade também era de primeira linha no Mundo de Elite; nem Xiang Bianfeng conseguia me enxergar. Ali, porém, descobri que ela não servia contra aqueles sujeitos parecidos com sapos.

    Pelo que parecia, eles não percebiam o adversário pela visão nem pela percepção por sintonia de frequência, e sim por algum outro método.

    Não tive tempo de pensar muito. Ativei às pressas minhas técnicas marciais e minha força de consciência para contra-atacar.

    Pisei firme, meu corpo disparou para o céu, esquivando-se da primeira rodada de lanças. Em seguida, num contra-ataque, condensei a força de consciência ao redor em várias ondas de ar invisíveis e as lancei contra aqueles monstros.

    Aqueles monstros pareciam ter corpos físicos poderosos, mas seus corpos de consciência estavam muito abaixo dos seres vivos do mundo real. Minhas ondas de ar, por si só, não eram inteiramente força física; traziam também ataque de força de consciência contra o cérebro.

    Bastou um confronto para que todas as ondas de ar cortassem com precisão o ponto entre as sobrancelhas deles. Vários gritos agudos soaram um após outro. A fileira que avançava na frente ficou rígida na hora, a consciência se desfez, e eles desabaram moles sobre o amontoado de rochas.

    Usei força de consciência para invadir o cérebro deles e, inesperadamente, senti uma sensação levemente fresca. Em seguida, uma força de consciência fresca entrou no meu mar de consciência. E essa força de consciência era diferente da força de consciência da Terra; parecia mais com minha força de consciência cósmica, só que mais obscura. Ainda assim, aquilo me deu uma experiência nova.

    Descobri que, por causa disso, minha força de consciência cósmica havia aumentado um pouquinho.

    Então matar monstros dava recompensa.

    Nesse caso, por que eu seria educado?

    Aproveitei o impulso e mergulhei para baixo. Entre punhos e palmas, injetei força de consciência cósmica; a cada golpe que caía, o núcleo de consciência de um monstro se despedaçava.

    Essa técnica de palma que envolvia as técnicas marciais em força de consciência eu ainda tinha aprendido com Xiang Bianfeng. O golpe final que ele usou quando lutou comigo era, na verdade, muito poderoso. Depois passei bastante tempo matutando até aprender.

    Quando minha técnica de palma, combinando técnica marcial e força de consciência, foi lançada, os gritos no chão começaram a soar sem parar. Aquelas criaturas estranhas foram derrubadas por mim em grande número. Em seguida, invadi imediatamente seus cérebros e absorvi sua força de consciência.

    A força de consciência de cada uma delas não era forte. Mas elas eram muitas.

    Aquelas forças de consciência obscuras foram absorvidas por mim por completo, como uma garoa fina, e minha força de consciência cósmica também começou a subir pouco a pouco.

    Quando eliminei quase todos os monstros diante dos meus olhos, minha força de consciência cósmica tinha aumentado pelo menos meio grau. O mais interessante era que o espaço interestelar diante de mim ficou muito mais nítido.

    Então esse tipo de força de consciência obscura podia aumentar minha percepção naquele lugar.

    Por causa do meu extermínio em larga escala, aqueles monstros ao longe ficaram cautelosos. Evidentemente, nunca tinham visto uma força de consciência como a minha, capaz de conter a força de origem deles.

    Talvez todos que eles tinham encontrado antes fossem Humanos de Elite comuns vindos de outros metaversos, gente que só sabia usar força de consciência humana, e não força de consciência cósmica.

    Por isso aqueles monstros eram tão bravos e destemidos ao ver alguém chegando. Mas, aos meus olhos, aquilo era burrice; era benefício vindo de bandeja.

    Os monstros restantes não voltaram a lutar comigo. Apenas me observavam de longe.

    Só que eu ainda não tinha comido o bastante. Resolver aqueles sujeitinhos era fácil demais; se havia benefício, seria desperdício não pegar.

    Então comecei a persegui-los e matá-los.

    Aqueles monstros também não eram realmente burros. Sabiam que não eram meus adversários, mas tampouco conseguiam correr mais que eu. Então, de repente, uniram-se, formaram um círculo e cuspiram no ar uma névoa corrosiva preta. Por onde aquela névoa passava, até as rochas ao redor chiavam e soltavam fumaça azul-esverdeada.

    Testei-a de leve com a força de consciência cósmica. Doeu um pouquinho e dissolveu um pouquinho também. Isso mostrava que aquela névoa venenosa não apenas podia ferir objetos fisicamente, como também podia ferir a força de consciência cósmica do adversário.

    Ainda tinha uma coisa assim?

    Com isso eu não me atrevia a bater de frente. Não valia a pena. A força de consciência cósmica que eu havia acumulado com tanto sacrifício não podia simplesmente sumir desse jeito.

    Mas eu queria muito um pouco daquilo.

    Aquilo era coisa boa!

    Nota