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    Capítulo 65 — Eventos de apostas do cassino

    No caminho até o ringue, dei uma olhada na situação das apostas da luta.

    Menos de 10% apostavam na minha vitória; os que apostavam na vitória de Gao Haipeng chegavam a 90%. As odds também eram enormes na mesma proporção. Afinal, ao enfrentar a Seita Ziyun, Gao Haipeng já tinha derrotado Shi Youcheng, competidor de oitavo grau da Seita Ziyun.

    Além disso, aos olhos dos outros, minha ascensão de guarda a grão-mestre de oitavo grau tinha sido rápida demais. No grande torneio, eu também só derrotara um sétimo grau antes de parar. Embora a Seita Ziyun tivesse me promovido a oitavo grau, para os outros aquilo não passava de uma recompensa por mérito!

    Quanto à minha força real, a maioria dos apostadores não estava otimista.

    O interessante é que, ao observar os apostadores, descobri que, entre os que apostavam na minha vitória, havia até alguns discípulos da Gangue Jianghai. No cassino, não vi ninguém da Seita Ziyun.

    Naquele momento, notei um dono gordo que servia bebidas. Ele não carregava bebida alguma; seguia, caminhando tranquilo, atrás de uma bela mulher que empurrava jarros de vinho voadores. O importante é que, ao me ver, ele piscou para mim.

    Seria essa outra identidade de fachada de Du Xiaoran?

    Quando estávamos prestes a subir, um atrás do outro, no ringue, o dono do cassino veio correndo e falou baixinho com Gao Haipeng:

    — Grão-mestre Gao, o senhor é frequentador antigo daqui, conhece as regras. Três rounds. Depois disso, fique à vontade.

    Entendi na hora o que ele queria dizer: estava pedindo que Gao Haipeng fizesse questão de lutar três rounds completos antes de me eliminar. Caso contrário, se o resultado saísse rápido demais, a luta não seria empolgante, e menos gente entraria apostando.

    Depois de falar com Gao Haipeng, o dono me enfiou discretamente uma pílula de veios azul-esverdeados na mão e disse baixinho:

    — O grão-mestre Song é novato. Não conheço bem sua força. Para ser sincero, não estou muito otimista quanto ao senhor. Mas peço que, em consideração a esta pílula de veios azul-esverdeados, aguente três rounds por mim. Acredito que o grão-mestre Song também tenha essa capacidade.

    Olhei de volta para a cena das apostas fora do ringue. Estava bem animada. O principal é que eu era novato, e novato traz muita incerteza — sempre há gente com forte instinto de aposta que arrisca em você, afinal as odds são altas, e se por acaso você vencer, o retorno é enorme.

    Fiquei com a pílula de veios azul-esverdeados que ele tinha me dado de bônus, pensando que, sendo de graça, não havia motivo para recusar.

    Falando nisso, será que essa pílula funcionava mesmo? Pílulas imortais podiam ser trocadas por pontos de desempenho, e uma pílula de veios azul-esverdeados valia dez pontos. Não era pouco. Mas eu queria testar de qualquer forma. Ainda tinha várias pílulas de veios dourados que não tinha trocado por pontos, e nunca as tinha experimentado. Não sabia qual seria o efeito.

    Então peguei a pílula de veios azul-esverdeados e a coloquei na boca. Assim que ela desceu, senti meu corpo de consciência ser sacudido por alguma coisa.

    Hã?

    Então essa pílula não servia para melhorar as funções corporais, mas para elevar o cultivo de consciência.

    Não era de admirar que Du Xiaoran tivesse dito que essas pílulas vinham do refinamento de dados de “Tafeng Xundao”, do Mundo Secular. Aquelas chamadas pílulas imortais não eram nada além de pacotes de sabedoria reunidos de bilhões de pessoas.

    Só que a pílula de veios azul-esverdeados parecia não ter efeito nenhum em mim. Fora aquela sacudida no corpo de consciência, não houve reação alguma de fortalecimento.

    Eu tinha comido à toa?

    Pensando nisso, comi mais uma pílula de veios dourados. Afinal, uma pílula de veios dourados valia cem pontos, era caríssima — devia ao menos aumentar um pouco minha força de consciência.

    Mas nunca imaginei que meu corpo de consciência simplesmente voltasse a sacudir e continuasse sem reação nenhuma.

    Puta merda, se eu soubesse, não teria comido!

    Essa coisa não servia para mim?! Por quê? Fiquei um pouco confuso.

    Pela lógica, algo tão caro, que o grande grão-mestre e todos os mestres marciais do mundo comiam, não podia ser inútil, certo? O problema é que, quando fui sentir meu corpo de consciência, ele realmente não teve reação nenhuma. Não aumentou, não ficou mais forte.

    Que diabos isso queria dizer?

    Quando os apostadores descobriram que, antes de subir no ringue, eu tinha comido às escondidas uma pílula de veios dourados, começaram imediatamente a discutir com entusiasmo. Alguns que ainda estavam de olho também passaram a apostar.

    Uns apostaram na minha vitória, achando que, como eu tinha comido uma pílula de veios dourados, devia ter ficado mais forte. Outros apostaram na minha derrota, achando que o fato de eu ter comido a pílula mostrava que eu não tinha confiança suficiente para lutar.

    Olhei para a tela de apostas mudando sem parar e não pude deixar de sorrir. Depois subi no ringue.

    O árbitro e os lutadores já estavam em posição.

    O árbitro leu as regras da luta. A moça da placa passou pelo ringue erguendo-a. Tudo era igual às regras do Mundo Secular.

    Pensei em não usar logo meu golpe decisivo. Primeiro acompanharia Gao Haipeng um pouco, por consideração ao dono do cassino. Afinal, ele tinha me dado uma pílula de veios azul-esverdeados a mais.

    Gao Haipeng começou com uma presença enorme. Seus ataques eram amplos e abertos, mas a força claramente vinha um pouco contida. Bastava eu usar sessenta por cento da força das técnicas dos Varredores para lidar com ele.

    Nós dois lutávamos de um jeito vistoso, cheio de som e movimento, mas com pouca capacidade destrutiva. Alguns apostadores mais experientes logo começaram a gritar que aquilo era trapaça. Só então Gao Haipeng foi obrigado a aumentar a força dos golpes, embora sempre evitando áreas fatais.

    Eu também não tinha motivo para arriscar a vida contra ele naquele momento. Fui acompanhando a luta devagar, o que servia de aquecimento para mim. Assim, fomos enrolando os três primeiros rounds.

    No quarto round, a situação mudou por completo. Gao Haipeng já começou usando golpes decisivos, atacando meus pontos vitais com fúria. Usei toda a minha força, trocando sem parar os golpes que tinha baixado dos Varredores, e, em segredo, combinei minha força de consciência com a percepção por sintonia de frequência, lançando-a contra ele.

    A força de consciência de Gao Haipeng era claramente muito maior que a daquele sexto grau que eu tinha encontrado antes. Quando lutei contra o sétimo grau, o pai de Gao Haipeng nem teve tempo de usar seus golpes antes de ser chutado por mim para fora da arena — então eu nem sabia se a força de consciência daquele sétimo grau era forte ou não.

    De todo modo, diante do ataque da minha força de consciência, Gao Haipeng conseguia resistir com firmeza.

    No entanto, ele não conseguia fazer como eu: lançar ataques de força de consciência e, ao mesmo tempo, manter as técnicas marciais do corpo sem sofrer nenhum efeito.

    Gao Haipeng foi visivelmente afetado, e seus ataques marciais enfraqueceram bastante. Mas, quando aumentava a força física, sua força de consciência ficava claramente insuficiente. Aproveitando essa brecha, meu ataque de força de consciência invadia um pouco mais. Isso mostrava que, embora o bloqueio de força de consciência de Gao Haipeng fosse muito forte, não era sustentável.

    Eu podia avançar nas duas frentes: de um lado, aumentar a invasão da força de consciência; de outro, intensificar os ataques físicos. Como eu tinha muitos golpes e trocava de técnica muito rápido, Gao Haipeng logo ficou em posição passiva, ocupado demais tentando lidar com tudo.

    Justo quando achei que a vitória estava garantida, Gao Haipeng de repente sofreu uma mudança de forma. De lutador humano, transformou-se instantaneamente numa fera preta, enorme e feroz.

    Hã?

    Então também dava para jogar desse jeito?

    Eu nem tinha notado que havia essa cláusula no contrato. Tinha chegado ao mundo virtual havia pouco tempo e ainda nem tinha aprendido a mudar de forma.

    O valor de força marcial da fera disparou quase ao dobro de uma vez, mas sua força de consciência praticamente caiu a zero.

    Pela lógica, um animal sem força de consciência não tem medo de ataques de força de consciência — porque não tem nenhuma. Pode-se tratá-lo como um grande idiota.

    No entanto, Gao Haipeng calculou tudo errado. Ele não sabia que minha invasão de força de consciência não pretendia atacar seu cérebro, e sim controlá-lo.

    Esse era o ponto assustador da pseudoarte mental.

    Diante daquela fera feroz, de pele grossa e carne dura, eu me esquivava rapidamente de suas mordidas enquanto aumentava minha invasão de força de consciência. Levei ao extremo aquela força de consciência fluida como água e fina como areia, rompendo à força o interior do cérebro de Gao Haipeng e assumindo o controle de seus pensamentos.

    A fera rugia alto, erguia o corpo, prestes a se lançar com ferocidade contra mim. Todos pensaram que Gao Haipeng fosse finalmente explodir naquele último instante.

    De repente, diante de todos os olhares, ela parou. Coçou as próprias costas e, então, começou a balançar suavemente a cintura grossa, acompanhando o ritmo, dançando uma dança de praça.

    Aquela sequência exagerada de movimentos assustou todo mundo.

    Os apostadores voltaram os olhos, todos ao mesmo tempo, para o dono do cassino. Nunca tinham visto nada parecido.

    Que doença era aquela?

    Depois de brincar com Gao Haipeng por um tempo, fiz a fera desabar no chão com estrondo. Ele voltou dolorosamente à forma original, e eu o mandei para fora do ringue com um chute voador.

    Ele perdeu.

    Gao Haipeng realmente perdeu.

    A emoção dos apostadores explodiu na hora. Sobretudo por causa daquele comportamento estranho no final — não havia como explicar aquilo como uma luta normal. Rugidos, pancadas, bilhetes rasgados, lixo arremessado: todos despejavam a insatisfação que sentiam. Só os poucos que tinham ganhado dinheiro continuavam sentados, sorridentes, nas cadeiras da arquibancada, esperando a confusão passar para receber.

    De repente percebi que tinha esquecido de fazer algumas apostas em mim mesmo. Desperdicei à toa uma quantia de dinheiro que eu tinha certeza que ganharia.

    Nesse momento, o dono das bebidas começou a mandar a bela mulher chamar os apostadores vencedores para beber. Como as odds eram altas, os que ganharam foram comprando vinho um após o outro para comemorar.

    O dono do cassino, então, veio depressa até mim e perguntou se aquela cena estranha do final tinha sido manipulada por mim.

    Apontei para o contrato e disse:

    — Chefe, a luta não dizia que era proibido usar força de consciência, dizia? Eu aprendi arte mental. Um idiota desses eu já podia ter resolvido há muito tempo. Só deixei que ele durasse alguns rounds para preservar sua imagem. Se eu não tivesse pegado leve agora, ele já estaria morto. Não acha?

    Ao ouvir isso, o dono ficou um pouco apavorado e disse sem parar:

    — Sim, sim. Reconheço esse favor. A Gangue Jianghai também é uma grande seita aqui na região. O grão-mestre Song, ao pegar leve, também salvou um pouco a imagem da Gangue Jianghai. Todo mundo viu isso. Hum… posso perguntar qual é a relação do grão-mestre Song com a senhorita Pu Liuqian?

    Então era isso. Ele achava que a pseudoarte mental que eu tinha criado vinha de Pu Liuqian.

    Não era de admirar que estivesse tão assustado.

    A fama de Pu Liuqian era mesmo grande.

    Vendo que o dono do cassino parecia desonesto, também quis assustá-lo um pouco:

    — O que você acha?! Não fique perguntando besteira sobre o que não deve saber.

    O dono do cassino assentiu depressa:

    — Sim, sim. Vá descansar na sala interna. Vou mandar os funcionários acertarem sua conta imediatamente.

    Não muito depois, o dono do cassino me pagou 610 pontos, dizendo que aquela era a comissão do vencedor. Somando a base inicial da luta, de 10 pontos, dava um total de 620 pontos. Não era à toa que a base das lutas era baixa: no fim, todos vinham pela comissão.

    Depois de receber o pagamento, assim que saí pela porta do cassino, vi o dono gordo das bebidas sorrindo para mim na entrada:

    — Grão-mestre Song, venha tomar uma taça. Coquetel. Por minha conta.

    Perguntei:

    — Esse vinho cheira bem. Não tem veneno, tem?

    O dono das bebidas disse:

    — Olha só o que o senhor diz. O metaverso é o palco dos corpos de consciência. Vai ter medo de veneno? Este aqui é o autêntico vinho Huanghun, nutritivo e revigorante. Tem efeito do mesmo nível de uma pílula de veios azul-esverdeados. Não vai experimentar?

    Eu disse:

    — Você não disse que era coquetel? Por que fica mudando o nome? A pílula de veios azul-esverdeados não tem efeito em mim. Esse vinho talvez também não tenha.

    O dono das bebidas disse:

    — Vinho Huanghun é a marca; coquetel é o conteúdo. Que tal ir daqui a pouco sentar no Bar Huanghun? Tenho lá uma coleção rara do autêntico vinho dos anciãos do Pavilhão das Sombras. Só gente enviada pelo Pavilhão das Sombras pode beber. Garanto que, com uma taça no estômago, seus quatro membros vão relaxar e seu espírito vai ficar cem vezes mais vivo.

    Sorri e disse:

    — Certo. Então vamos ao seu bar. Mas hoje vi que você apostou quase 500 pontos na minha vitória. Você tem coragem mesmo de apostar. Não teve medo de eu perder e você ficar sem um tostão?

    O dono gordo disse em voz baixa:

    — O céu sabe, a terra sabe, você sabe, eu sei. Claro que eu tinha confiança de que você venceria.

    Eu disse:

    — Já que você ganhou uma fortuna, então você paga.

    O dono gordo disse:

    — Você é pão-duro mesmo, hein? Sua comissão não foi pouca, foi? Eu vi: 620 pontos, somando aos 1730 de grão-mestre de oitavo grau, dá 2350. E ainda fica de olho nos trocados no bolso dos outros. Está bem, eu já disse: comigo, você tem carne para comer.

    Nesse momento, virei de uma vez aquela taça do tal vinho Huanghun.

    O gosto era bom.

    Só era meio forte.

    Nota