Capítulo 100 — Wu Chen sob ameaças e suborno
por NexoNovelCapítulo 100 — Wu Chen sob ameaças e suborno
— Tem sala privativa disponível? — Assim que entrou, Wu Chen perguntou direto à recepcionista.
— Sim, senhor. O senhor tem reserva? — A recepcionista respondeu com um sorriso, mas havia algo estranho em sua expressão.
Aquele dia estava muito esquisito. Já tinha escurecido, e de repente o número de clientes aumentara. Só nas últimas uma ou duas horas, vários grupos tinham chegado, todos pedindo salas privativas grandes.
A Casa de Chá Jinfu e a Casa de Chá Qingyuan eram duas das melhores casas de chá de Donghai, estabelecimentos sofisticados usados para tratar de negócios.
A Casa de Chá Qingyuan era até um pouco melhor que a Jinfu: posicionamento mais alto, chá mais caro, marca de maior peso.
Casas de chá sofisticadas como aquelas tinham uma característica em comum.
O movimento se concentrava sobretudo à tarde.
De manhã havia algum movimento, mas era à tarde que ficava mais cheio. Em geral, os clientes só apareciam para tomar chá depois do horário do almoço. E, uma vez passadas as quatro da tarde, o movimento começava a cair depressa, com os clientes indo embora em grupos.
Isso acompanhava o ritmo normal da vida das pessoas e também tinha a ver com a etiqueta de receber convidados.
As pessoas precisam jantar!
Sobretudo quando se trata de negócios e de receber clientes. Independentemente de a negociação ter sido fechada ou não na casa de chá, quando chegava a hora de comer, era preciso convidar o cliente para jantar. Não dava para continuar ali tomando chá juntos e passando fome.
Era exatamente por isso que Wu Chen ousava telefonar direto para alguém, marcar numa casa de chá e até dizer o nome da sala privativa sem ter consultado o estabelecimento antes.
Não tinha medo de que a sala já estivesse ocupada.
Mesmo sem perguntar com antecedência.
Desde que a sala escolhida fosse grande, a chance de alguém tê-la reservado antes era mínima. Uma sala pequena ainda podia estar ocupada: se dois amigos sem preocupação com pompa ou prestígio fossem tomar chá juntos, não se sabia até que horas ficariam.
Li Ruobing lançou um olhar de lado para Wu Chen.
Estranho.
Ele claramente tinha marcado com alguém, mas entrara perguntando se havia sala disponível.
Será que pretendia abrir outra sala primeiro, para tomar chá?
— Não tenho reserva. A “Shanshui Oolong” está ocupada? — perguntou Wu Chen.
“Shanshui Oolong” era o nome de uma sala privativa no quarto andar.
— Um momento, senhor.
A recepcionista levou os três até o balcão e pediu à funcionária de lá que verificasse.
A sala Shanshui Oolong estava vazia e não havia reserva.
Era uma das maiores salas privativas da Casa de Chá Qingyuan. Mais de dez pessoas podiam conversar ali sem se sentir apertadas. Mas, justamente por ser grande demais, pouca gente a reservava.
— Por favor, venham comigo.
A recepcionista os conduziu diretamente. Não era preciso fazer cadastro nem pagar antes.
Foram direto para cima.
A recepcionista levou os três ao quarto andar.
Quando já estavam perto da sala Shanshui Oolong, ela virou a cabeça, olhou para um lado e fez um gesto. Depois deu mais alguns passos e parou diante da porta.
— É aqui, senhor. Que chá o senhor gostaria de tomar?
— Yancha — respondeu Wu Chen.
Referia-se ao chá de rocha de Wuyi, um tipo de chá oolong.
Entraram.
A sala privativa era realmente enorme, até um pouco vazia.
Wu Chen deu algumas instruções a Su Qingying.
Pouco depois, a mesma recepcionista voltou pessoalmente trazendo o chá e os utensílios. Enquanto arrumava tudo sobre a mesa, olhou algumas vezes para Su Qingying. Então sorriu, surpresa.
— A senhora é… a senhorita Su Qingying?
— Sou eu. — Su Qingying assentiu e sorriu com educação, de uma polidez impecável.
— É mesmo a senhora! Quando eu desci agora há pouco, minha colega disse que a senhora parecia familiar. Eu também achei… Não imaginei que fosse realmente a senhora. A senhora é ainda mais bonita pessoalmente do que na televisão.
A recepcionista a elogiou, um pouco empolgada.
Afinal, estava vendo em pessoa a herdeira número um de Donghai, a mulher mais bonita de Donghai!
— Obrigada. — Su Qingying agradeceu com educação.
Ao ouvir aquilo, Wu Chen lançou um olhar para Li Ruobing.
Li Ruobing estava sentada do outro lado, sem expressão. Parecia não se importar em ser ofuscada por Su Qingying naquele tipo de ocasião.
Isso também combinava com a discrição que ela mantinha na vida privada.
Além disso, naquele dia não era ela quem ia tratar de negócios, e por isso até sua presença imponente estava contida.
Um minuto depois que a recepcionista saiu…
— Vocês tomem o chá. Eu vou lá primeiro. — Wu Chen se levantou.
Balançou o celular para Su Qingying antes de sair.
Deixou a sala.
Desceu do quarto para o terceiro andar.
Wu Chen olhou para os dois lados, ajeitou o paletó e caminhou para o lado oeste do terceiro andar.
Seguiu até o fim do corredor e parou diante da última sala privativa.
Decoração de estilo clássico.
Na porta, uma pequena placa de madeira com quatro caracteres:
Gaoshan Liushui!
Dentro da sala.
Um homem de meia-idade, de uns quarenta e cinco, quarenta e seis anos, baixo, meio gordo e de aparência oleosa, estava sentado à mesa tomando chá.
Parecia muito agitado.
Bebia chá quase por reflexo, servindo uma xícara atrás da outra sem parar.
Na época, Wu Chen também tinha marcado com Lei Cheng naquele mesmo lugar. Lei Cheng também era um tipo oleoso, mas nele isso aparecia por fora. Aquele homem, por sua vez, vestia-se todo alinhado, como se fosse alguém respeitável, mas a presença que transmitia deixava muito a desejar.
Creeec!
A porta se abriu de repente.
Wu Chen entrou e disse:
— Você ainda não foi embora?
E sorriu.
O homem de meia-idade virou bruscamente a cabeça para a porta.
Ao ver que era um jovem de pouco mais de vinte anos, ficou atônito por um instante.
— É você. Aquele que ligou…
— Sou eu… — Wu Chen respondeu enquanto entrava. — E então? Tem levado uma vida bem confortável nesses últimos anos? Bai Kaifeng pediu que eu mandasse lembranças…
O homem de meia-idade se levantou de repente.
Não para perder a cabeça, mas para caminhar depressa até a porta.
Quando Wu Chen chegou à mesa e se sentou do outro lado, o homem acabava de alcançar a entrada e fechar a porta da sala.
Tinha ido fechar a porta.
Porque estava com medo de que alguém ouvisse a conversa.
Wu Chen se sentou sorrindo, pegou uma xícara limpa que estava virada para baixo, colocou-a na posição correta e então ergueu o bule para se servir de chá.
O homem de meia-idade voltou.
Ficou de pé diante de Wu Chen, encarando-o fixamente.
Como Wu Chen nem sequer olhava para ele, havia medo e também intenção assassina naquele olhar.
— Senta. Por que está aí de pé? — Wu Chen ergueu a xícara, olhou para ele e sorriu.
— Quem é você? — O homem de meia-idade fechou a cara, puxou a cadeira e se sentou.
E, de repente, sua presença ganhou peso.
— Wu Chen. Talvez o chefe Yao nunca tenha ouvido falar de mim — respondeu Wu Chen com um sorriso.
O homem franziu a testa.
O nome Wu Chen…
Parecia que já o tinha ouvido em algum lugar, mas naquele momento não conseguia se lembrar.
— Onde está Bai Kaifeng? Quanto ele pagou a você? O que você quer? — O homem de meia-idade perguntava cada vez mais depressa.
Por causa daquele assunto, tivera pesadelos por anos e anos.
E a gravidade daquilo…
era suficiente para levá-lo à pena de morte!
— Para que a pressa? Você já me esperou tanto tempo. Não precisa se afobar agora, precisa? — Wu Chen sorriu com indiferença.
Ergueu a xícara num gesto e tornou a sorrir.
— Primeiro, tome um chá!
O rosto do homem de meia-idade escureceu.
Ele percebia que, desde o instante em que aparecera, aquele jovem já começara a manipulá-lo.
— Moleque, eu vou te avisar uma coisa! — O homem baixou a voz, o olhar feroz. — Não pense que, só porque sabe umas sujeiras minhas, pode me ameaçar! Eu não sou nenhum alvo fácil, porra! É melhor pensar direito! Se me encurralar, eu mato você!
Falou da maneira mais ameaçadora possível.
Mas, assim que terminou, seu tom afrouxou um pouco.
— Só que… se você puder me dizer onde Bai Kaifeng está, eu não só não toco em você como ainda te dou uma quantia de dinheiro. Dinheiro que você não consegue gastar nem em uma vida inteira!
Ameaças e suborno!
Usados de um jeito bem mediano.
O sorriso no rosto de Wu Chen diminuiu um pouco.
Ele enfiou a mão no bolso, tirou o celular e o colocou sobre a mesa. Então tornou a sorrir para o homem.
— O que você acabou de dizer? Pode repetir?
Assim que viu o celular que Wu Chen pusera sobre a mesa, a expressão do homem mudou drasticamente.
Porque…
o celular de Wu Chen estava no meio de uma ligação.
