Capítulo 092 — Nós duas somos mulheres, não precisa mentir para mim
por NexoNovelCapítulo 092 — Nós duas somos mulheres, não precisa mentir para mim
A expressão usada pela senhora Su, “é um prazer conhecê-lo”, carregava o sentido de “é uma honra conhecê-lo”. Era uma fórmula social normalmente empregada num primeiro encontro com alguém mais velho ou de posição superior, e transmitia respeito ao interlocutor.
O fato de a senhora Su dizer aquilo a Wu Chen causou uma sensação estranha em todos os presentes.
Não apenas estranha.
Li Ruobing chegou a captar um leve tom de perigo na voz da senhora Su.
Wu Chen passara o dia inteiro levando Su Qingying de um lado para outro, e só agora a senhora Su finalmente o encontrava.
De fato, era uma enorme “honra” conhecê-lo!
A senhora Su era uma dama da alta sociedade que jamais perdia as boas maneiras em público. Muitas das exigências que impunha à filha vinham diretamente dos próprios hábitos.
Por isso, ao apertar a mão de Wu Chen, não demonstrava nem um traço de raiva e continuava tão digna e elegante quanto antes.
— O senhor Wu é realmente tão bem-apessoado quanto dizem. Senhorita Li, a senhora tem muito bom gosto — a senhora Su chegou a elogiar Wu Chen mais uma vez antes de voltar os olhos para Li Ruobing.
Havia um segundo sentido nas palavras.
— A senhora Su é muito gentil — respondeu Li Ruobing.
Wu Chen manteve o sorriso.
Nem se deu ao trabalho de falar.
— Aqui não é lugar para conversarmos. — A senhora Su olhou em volta e depois alternou o olhar entre Wu Chen e Li Ruobing. — Que tal procurarmos um lugar e conversarmos com calma? O que acha, senhorita Li?
No fim, dirigiu a pergunta a Li Ruobing.
Porque acreditava que era Li Ruobing quem comandava a situação!
— Claro. Por coincidência, eu também tenho algumas coisas que gostaria de conversar com a senhora Su… — respondeu Li Ruobing com um sorriso leve.
Entraram nos carros e partiram.
Wu Chen não entrou no mesmo carro que Li Ruobing. Foi direto para sua Lamborghini.
Li Ruobing tinha vindo naquele dia num Bentley Continental. Como Wu Chen não entrou com ela, o assento do passageiro ficou vago. Su Qingying, que originalmente pretendia ir no carro da mãe e já se preparava para enfrentar a tempestade durante o trajeto, viu aquilo, esperou a mãe entrar primeiro, fechou a porta de repente e correu atrás de Li Ruobing.
A janela do Mercedes-Maybach baixou na hora. A senhora Su se inclinou, prestes a chamar a filha, mas viu Su Qingying entrar no mesmo Bentley que Li Ruobing e fechar a porta às pressas.
Sua expressão mudou.
Mas ela não disse mais nada.
Mais de dez carros pegaram a estrada juntos.
O comboio da família Su seguia à frente; Li Ruobing e os carros de seus guarda-costas vinham atrás; Wu Chen dirigia a Lamborghini no fim da fila.
Wu Chen tinha evitado de propósito entrar no carro de Li Ruobing.
Sabia que Su Qingying estava com medo. Portanto, bastava abrir espaço para que ela certamente fosse procurar Li Ruobing.
Não queria que Su Qingying viajasse no mesmo carro que a mãe e acontecesse algum imprevisto fora de controle.
O medo que Su Qingying sentia da mãe não se reverteria de uma hora para outra. Sob um interrogatório apertado, ela realmente poderia dizer alguma coisa errada.
Então era melhor tomar cuidado.
Dentro do Bentley Continental.
Apenas Li Ruobing e Su Qingying.
— Afinal, o que existe entre você e Wu Chen? — perguntou Li Ruobing de repente, ao volante.
Su Qingying lhe lançou um olhar de lado.
— Irmã mais velha, eu…
— Dá para parar de me chamar de irmã mais velha? Você é mais velha! Mais velha do que eu! Você é que é a irmã mais velha! — Li Ruobing já estava quase com trauma daquilo. Antes, no quarto de Wu Chen, os comportamentos estranhos de Su Qingying realmente a tinham assustado.
Su Qingying percebeu que havia algo errado.
— Então… senhorita Li, posso fazer uma pergunta primeiro?
— O quê?
— Você e Wu Chen… têm aquele tipo de relação? — perguntou Su Qingying.
— Que tipo de relação? — Li Ruobing não entendeu e desviou rapidamente os olhos para ela.
Su Qingying percebeu na mesma hora que talvez tivesse entendido tudo errado.
Ia perguntar outra coisa, mas parou.
Temia formular mal a pergunta e acabar se revelando.
Depois de uma pausa, perguntou:
— Então, senhorita Li… você e Wu Chen já foram para a cama juntos?
Direta ao extremo.
— Não. Claro que não! — Li Ruobing virou bruscamente a cabeça para Su Qingying e logo tornou a olhar para a frente, para a estrada. — Nosso relacionamento é de fachada. Ele não te contou isso?
Su Qingying enfim confirmou por completo que Li Ruobing não era M e que ela e Wu Chen não tinham uma relação de mestre e submissa.
Então… aquilo era ainda mais estranho!
— Então por que você fez massagem nele? — perguntou Su Qingying de novo.
Tinha dito que faria uma pergunta e já estava na terceira.
Ao ouvir aquilo, a expressão de Li Ruobing ficou bem mais fria e séria.
Que irritação!
Ainda teria de fazer outras noventa e nove massagens em Wu Chen!
— Não pode contar? — perguntou Su Qingying, ao vê-la em silêncio.
— Perdi uma aposta para ele — respondeu Li Ruobing sem rodeios.
Era uma explicação razoável e combinava com seu hábito de sempre cumprir a palavra.
Desde que não dissesse qual fora a aposta, não havia problema.
É claro que Li Ruobing não revelaria a aposta.
Muito menos a Su Qingying.
Se Su Qingying descobrisse que Wu Chen tinha apostado justamente se conseguiria ou não conquistá-la, aquilo inevitavelmente estragaria a relação dos dois.
Li Ruobing não faria algo tão baixo.
Na verdade, estava pensando demais.
Mesmo que contasse, isso não estragaria a relação entre eles.
— Uma aposta? Vocês dois chegam a fazer apostas e usam uma coisa como massagem como condição da aposta? — O olhar de Su Qingying para Li Ruobing ganhou um ar meio provocador.
O jeito como falou insinuava claramente que havia alguma coisa entre Li Ruobing e Wu Chen!
— Senhorita Li — Su Qingying tornou a falar ao vê-la calada —, você gosta de Wu Chen? Nós duas somos mulheres, não precisa mentir para mim. Eu consigo sentir algumas coisas… Quando eu peguei você fazendo massagem nele, você nem tentou se explicar… Foi para me irritar, não foi?
— Senhorita Su, você não acha que está fazendo perguntas demais? — O tom de Li Ruobing pesou quando ela virou o rosto, mas, ao voltar os olhos para a estrada, sua voz relaxou bastante. — Em vez de ficar me estudando sem motivo, fale do seu próprio problema. Você precisa entender a situação em que está. Não vai querer… nunca mais poder ver Wu Chen, vai?
— Ah, é, é… melhor falarmos do que importa — respondeu Su Qingying imediatamente.
Era uma situação muito sutil.
As duas voltavam a trocar farpas.
E, mais que isso, as duas usavam a relação com Wu Chen para mexer com as emoções da outra!
— Então fala. O que aconteceu entre você e Wu Chen? Como ele fez você fugir de casa? — perguntou Li Ruobing.
— Na verdade, não foi nada demais… Nós nos conhecemos e hoje nos encontramos no campo de golfe do Clube Privado Tangsha. Algumas coisas que ele disse faziam bastante sentido. Minha mãe…
Su Qingying contou a situação.
Mas omitiu um monte de informações e detalhes importantes, e passou por cima até de como havia conhecido Wu Chen.
Porque precisava esconder que era M!
Atribuiu por completo a decisão de seguir Wu Chen e fugir de casa aos conselhos dele e ao próprio despertar.
Sua mãe realmente era rígida demais com ela.
Ela precisava se rebelar!
Depois de ouvir, Li Ruobing achou que havia algo errado.
Era simples assim?
Su Qingying era idiota?
Um homem que ela conhecia havia pouco tempo dizia algumas coisas e ela simplesmente ia embora com ele?
E ainda se tornava mulher dele na mesma hora?
Lavava roupa e cozinhava para ele?
É claro que Su Qingying não era idiota.
Havia alguma coisa por trás daquilo.
Alguma coisa que Su Qingying estava escondendo de propósito.
Li Ruobing também não insistiu nessa parte, porque, naquele momento, não era o importante.
O importante era lidar com a senhora Su!
Li Ruobing sabia distinguir prioridades.
Por isso, no tempo que seguiu, fez muitas perguntas a Su Qingying sobre a relação entre ela e a mãe…
Vinte minutos depois.
Casa de Chá Jinfu, sala privativa do último andar.
Aquele era um dos negócios da família Su em Donghai. Embora o ramo principal da família fosse o de joias, eles também tinham alguns outros negócios locais na cidade.
A sala privativa era enorme e cheia de móveis e comodidades. Não servia apenas para tomar chá e conversar; permitia também descansar por algum tempo. Parecia quase uma grande suíte de hotel.
Havia apenas quatro pessoas no ambiente.
A senhora Su, Su Qingying, Li Ruobing e Wu Chen.
— Senhorita Li, não sei se a senhora poderia me explicar por que estava com minha filha. Não acha muito indelicado mandar seu namorado, o senhor Wu, levar minha filha à força sem sequer me avisar? Também não sei se a conduta do senhor Wu violou alguma lei. Talvez eu deva consultar meu advogado.
A senhora Su segurava a xícara de chá com elegância e fez a pergunta num tom neutro, sem calor nem frieza.
Depois de perguntar, ainda lançou um olhar para Wu Chen.
Partiu direto para o ataque!
E aquilo era apenas a abertura.
Wu Chen era o verdadeiro alvo!
As perguntas mais duras ainda nem tinham começado!
