Novels chinesas em português
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    Capítulo 068 — O velho canalha infiel e a amante

    Nojo?

    — Somos um casal. Qual é o problema? — respondeu Li Ruobing. Depois virou a cabeça para a praça movimentada e murmurou: — Não é como se a gente nunca tivesse se beijado…

    — Ah, é verdade. — Como se tivesse se lembrado de alguma coisa, Li Ruobing se endireitou de repente, apoiou o cotovelo na mesa, inclinou-se e baixou a voz. — Ontem mandei gente para o condado onde sua família mora.

    — Hm? — Wu Chen ficou surpreso.

    — Ding Ruilong vai acabar descobrindo quem você é. Sua família pode ser ameaçada. Mandei gente protegê-los. Em segredo, sem atrapalhar a vida deles. Ding Ruilong não tem muitos contatos em Donghai. Se mandar alguém para cá, com certeza vou saber antes. A-Tai vai me avisar. Não vai haver problema.

    Wu Chen ficou realmente surpreso.

    Não esperava que Li Ruobing já tivesse providenciado tudo.

    Ele havia pensado na questão de proteger a família de eventuais danos. Não estava com pressa, porque Ding Ruilong não agiria tão rápido. Pretendia esperar até ampliar mais sua rede de contatos e então decidir por meio de qual deles organizaria a proteção.

    Não precisava ser Li Ruobing.

    Mas, já que ela providenciara tudo por iniciativa própria, melhor ainda.

    — Foi atencioso da sua parte. — Wu Chen também apoiou o cotovelo na mesa e se inclinou para a frente. Assim, mais próximos, podiam falar ainda mais baixo.

    Wu Chen perguntou os detalhes, querendo saber exatamente como ela tinha organizado tudo.

    Aquilo realmente não podia ser tratado com descuido. Embora Wu Chen tivesse a capacidade de reiniciar o tempo e, mesmo que um dia sua família sofresse algum acidente repentino, pudesse reiniciar aquele dia…

    Ainda assim, não queria que sua família sofresse mal algum.

    Nem mesmo algo que pudesse apagar com uma reinicialização.

    Durante os mil anos do ciclo anterior, Wu Chen voltara para casa vezes demais.

    Em cada visita, escolhia um horário diferente para chegar. Assim, o momento do encontro mudava, a primeira frase mudava, e o que diziam depois também mudava.

    Em certo período, depositara na família a esperança de não enlouquecer.

    Mas não funcionara.

    Não adiantava nada.

    O problema não era sua família, e sim a repetição.

    Por mais que mudasse o horário, a rotina deles durante um único dia era sempre aquela e, em linhas gerais, não mudava. Portanto, no fundo, continuava sendo repetição.

    Repetição demais levava ao tédio.

    E o tédio levava à loucura.

    Wu Chen e Li Ruobing estavam inclinados um para o outro, conversando baixinho como um casal jovem de verdade, trocando confidências.

    De repente, a voz alta de um homem surgiu ao lado.

    — Bebê, olha este lugar. O que acha? É novo, comida italiana. Eu vim aqui na semana passada, o sabor é autêntico. Bebê, você já comeu comida ocidental antes?

    Um homem de meia-idade, ligeiramente gordo mas de aparência que se podia chamar de bonita, usando um boné, mantinha o braço em volta de uma jovem muito maquiada e carregada de perfume. Parado à entrada do restaurante, apontava para o lugar enquanto falava.

    — Tá, tá, tá! Aqui mesmo. Eu nunca comi comida italiana em restaurante. Vamos sentar do lado de fora. — A jovem maquiada ficou muito contente, falando num tom meloso.

    Os dois se sentaram na mesa ao lado.

    Até na hora de pedir falavam altíssimo. O homem ainda fez um gesto generoso com a mão e disse em voz alta coisas como “pede o que quiser”.

    Depois do pedido, continuaram conversando aos berros.

    A jovem maquiada de repente pressionou o homem de meia-idade:

    — Você disse que veio aqui uma semana atrás. Como eu não sabia? Veio com aquela velha feiosa da sua mulher? Você não disse que ia se divorciar?

    O homem começou imediatamente a consolá-la e explicar:

    — Bebê, me escuta. Eu vou me divorciar, sim, mas ainda tem compromissos que não dá para evitar, e a questão dos bens também não foi resolvida. Ainda não posso me divorciar… Fala mais baixo, mais baixo. Não fala disso.

    — Hmpf! Você sempre diz a mesma coisa.

    — Bebê, não fica brava. Daqui a pouco eu levo você para comprar uma bolsa.

    Nas outras mesas do lado de fora, os clientes já franziam a testa com o barulho e tinham entendido perfeitamente a situação.

    Era um velho canalha traindo a esposa e levando a amante para comer.

    Wu Chen e Li Ruobing também franziam a testa com a algazarra.

    Falar aos berros em público daquele jeito era uma falta total de educação.

    Os dois estavam conversando baixinho sobre as providências tomadas para a família de Wu Chen, assunto que envolvia muita coisa que não podia ser ouvida por ninguém, nem mesmo por desconhecidos. Com aqueles dois ao lado fazendo aquele barulho, já não conseguiam ouvir direito um ao outro.

    Li Ruobing se endireitou e olhou para trás.

    Wu Chen também se endireitou. Não precisou virar a cabeça, porque os dois estavam atrás dela, bem à sua frente.

    Assim que se aproximaram e sentaram, ele já tinha visto claramente o rosto dos dois.

    Ele os conhecia!

    Aquele homem de meia-idade, bonito e um pouco gordo, era muito rico!

    Wu Chen não apenas os conhecia como sabia que aquele velho canalha estava mentindo descaradamente. Divórcio? Ele só dizia aquilo para enganar a garota. Mesmo que lhe emprestassem oitocentas doses de coragem, não ousaria se divorciar. Não se atrevia nem a tocar no assunto com a esposa. Se tocasse, acabar no hospital depois de apanhar seria pouco.

    — Será que vocês podem falar mais baixo? Estão incomodando todo mundo — disse Li Ruobing friamente, depois de olhar para trás.

    Ela não procurava confusão sem motivo.

    Mas, se realmente a incomodassem, também não deixaria passar.

    — Quem é você, porra? O restaurante é seu? Quem te… — O homem de meia-idade ergueu a cabeça já xingando, sem educação alguma e claramente muito preocupado em não perder a pose. Mas, quando viu o rosto de Li Ruobing, sua voz parou de repente e a raiva se transformou instantaneamente em sorriso. — Desculpa, linda. A gente fala baixo, fala baixo. Desculpa, pessoal. Foi mal.

    Ele não apenas pediu desculpas a Li Ruobing como se levantou e se desculpou com as outras mesas do lado de fora.

    De repente, parecia um homem muito bem-educado.

    Se não estivesse olhando Li Ruobing com aqueles olhos lascivos, até se poderia dizer que reconhecera o erro e se corrigira.

    Mas ele só mudara de atitude porque Li Ruobing era bonita.

    Bonita a um nível extraordinário.

    Seu olhar o entregava.

    Li Ruobing não quis perder tempo com ele. Virou-se de volta para Wu Chen, pegou o suco de melancia e tomou um gole.

    Depois de se desculpar, o homem bonito de meia-idade voltou a se sentar.

    Mas a jovem muito maquiada não gostou nada daquilo.

    — Que “linda” o quê? Está olhando para onde? — reclamou ela, emburrada.

    — Não estou olhando para nada, bebê. A gente estava errado, estava incomodando os outros.

    — Você não fala assim o tempo todo? Todo cheio de si? Aí vê uma mulher bonita e resolve bancar o cavalheiro? Gostou dela, foi?

    — Não gostei de ninguém. Eu amo mais você, bebê. As outras mulheres são lixo para mim!

    — É mesmo? Então por que ainda está falando tão baixo? Está pensando em ir atrás dela?

    — Onde é que eu estou falando baixo? Para de fazer drama, dá para parar?! — O homem bonito de meia-idade voltou a gritar de repente, com cara de quem estava explodindo.

    A jovem maquiada murchou na hora e não ousou dizer mais nada, mas virou o rosto e parou de olhar para ele.

    Parecia que iam entrar numa guerra fria.

    — Bebê, não fica brava. A comida já vai chegar. Olha de novo o que você quer comer, a gente pede — tornou a consolá-la o homem.

    — Você gostou daquela raposa sem-vergonha, não foi? — disse a jovem, ainda com o rosto virado. Então lançou um olhar de esguelha para as costas de Li Ruobing. — Não se engane só porque ela está toda arrumadinha. Aposto que trabalha como corretora de imóveis. Vai saber com quantos clientes já dormiu. Sério, qualquer porcaria que aparece você quer catar.

    Enquanto dizia aquilo, seus olhos fixos nas costas de Li Ruobing brilhavam de intensa inveja.

    Li Ruobing já estava irritada ao extremo.

    Assim que a jovem terminou, ela se levantou de repente.

    No mesmo instante, os guarda-costas que estavam não muito longe também se levantaram e caminharam depressa em direção à entrada do restaurante.

    Li Ruobing segurou o copo de suco de melancia, mas não chegou a levantá-lo.

    Porque Wu Chen pressionou a mão dela.

    Li Ruobing olhou para ele.

    “Eu resolvo.”

    Wu Chen não emitiu som algum. Apenas sorriu e articulou as palavras com os lábios.

    Em seguida, pegou o celular com a outra mão e, usando só uma mão, digitou com toda a destreza uma mensagem:

    “Seu marido está num encontro com a amante. O endereço é…”

    Depois digitou um número desconhecido e enviou.

    Pronto!

    Agora era só esperar pelo espetáculo!

    Talvez por conhecer gente e segredos demais, Wu Chen sentia que, em qualquer lugar e a partir de qualquer acontecimento, conseguia encontrar uma forma de construir novos contatos.

    Dessa vez também seria assim.

    A esposa daquele homem bonito de meia-idade era uma mulher de negócios de meia-idade, e das fortes. Considerada individualmente, ela só podia ser classificada como um contato de segundo escalão, mais ou menos no mesmo nível de Lei Cheng enquanto ainda permanecia oculto.

    Mas a família daquela mulher…

    Em Donghai, era poderosíssima!

    Nota