Capítulo 053 — Irmãozinho Wu, desta vez eu fico te devendo!
por NexoNovelCapítulo 053 — Irmãozinho Wu, desta vez eu fico te devendo!
Lei Cheng se levantou de um salto e encarou Wu Chen.
Wu Chen já havia mencionado antes que ele temia ser morto pelo próprio irmão. Na ocasião, Lei Cheng imaginara que Wu Chen fosse um membro central de alguma família poderosíssima; de outro modo, seria impossível saber daquilo.
Mesmo dentro da Hongfa, apenas uma pequena parcela das pessoas que conheciam a situação da alta administração ousava fazer esse tipo de suposição — e, depois do ocorrido, a própria Hongfa havia bloqueado completamente as informações.
Quem, de fora, soubesse daquilo, tivesse ouvido falar ou mesmo captado alguns fragmentos, certamente não era uma pessoa comum.
Depois, Li Ruobing ligara por iniciativa própria e Wu Chen simplesmente a enfrentara ao telefone. Para Lei Cheng, aquilo praticamente confirmara de forma indireta sua hipótese: Wu Chen definitivamente não era um homem qualquer.
Dali em diante, nenhum dos dois voltara a mencionar os problemas da família Lei.
A impressão final de Lei Cheng era a de que Wu Chen era um jovem promissor, com uma origem poderosa, muita capacidade e métodos firmes.
Ele não achava que Wu Chen conhecesse a fundo os assuntos de sua família. No máximo, teria ouvido alguma coisa.
Mas!
Agora Wu Chen lhe entregara diretamente um número de celular!
E ainda dissera que bastava capturar o dono daquele número para que Lei Cheng descobrisse toda a verdade sobre o acidente de carro de dez anos antes?!
Lei Cheng não conseguia se acalmar!
Aquele acidente era justamente o assunto que mais mexia com seus nervos.
— Você mesmo disse! Nós dois! Realmente! Temos destino! — Diante do olhar fixo de Lei Cheng, Wu Chen tornou a mencionar aquela ligação do destino.
Os olhos de Lei Cheng oscilaram.
Ele pensou, sem dizer nada, e voltou a se sentar devagar.
Só naquele instante compreendeu finalmente o que Wu Chen queria dizer ao repetir tantas vezes que os dois tinham “destino”.
Os dois se encontraram porque, por acaso, jogaram no mesmo servidor privado.
Mas aquela ligação do destino…
Não significava apenas que Wu Chen o reconhecera ao vê-lo.
Significava que Wu Chen não apenas o conhecia como, por uma coincidência extraordinária, também sabia de certos assuntos da família Lei — e podia até ajudá-lo!
Aquilo, sim, era ter destino!
Lei Cheng se lembrou outra vez daquela expressão sutil de Wu Chen quando entrara na sala. Percebeu que havia interpretado errado. Não fora só porque o reconhecera: além de reconhecê-lo, ele sabia das coisas!
Pensando nisso, Lei Cheng voltou os olhos para a tela do celular.
Para aquele número.
— Na verdade, eu não pretendia me envolver nos assuntos da família Lei — disse Wu Chen, pegando naturalmente a xícara de chá, sem beber. — Mesmo que nós, de fora, saibamos alguma coisa dos assuntos da sua família, não é muito apropriado interferir.
— Mas… Irmão Lei, hoje você me fez sentir que o céu foi injusto com você. Um homem tão bom quanto você perdeu a mãe assim que nasceu, perdeu a esposa num acidente de carro — ou melhor, num assassinato — e ainda teve que passar pela dor de ver irmãos de sangue se voltarem um contra o outro…
Wu Chen balançou a cabeça e suspirou, como se realmente lamentasse a injustiça sofrida por Lei Cheng.
Tomou um gole de chá, pousou a xícara e continuou:
— Hoje você me ajudou. A gente mal se conhecia e, ainda assim, você me fez um favor enorme. Então eu só estou retribuindo a gentileza.
Aquele número de celular seria originalmente usado numa troca, em troca da garota-propaganda. Agora, porém, transformara-se na retribuição por uma ajuda que Lei Cheng oferecera espontaneamente.
Wu Chen não ficaria devendo um favor a Lei Cheng.
Só faria Lei Cheng ficar devendo um a ele!
Pelas palavras de Wu Chen, Lei Cheng percebeu que ele realmente conhecia muitos detalhes de sua vida. Até o fato de sua mãe ter morrido quando ele nasceu fora mencionado — algo ocorrido quarenta e dois anos antes!
Lei Cheng tornou a olhar o número na mensagem e perguntou:
— De quem é esse telefone?
— Manda alguém investigar e você descobre. Com a sua capacidade, Irmão Lei, descobrir o titular de um número não deve levar nem alguns minutos, não é? — Wu Chen não respondeu diretamente.
Lei Cheng ficou um instante em silêncio, tocou a tela e encaminhou a mensagem para um de seus homens de maior confiança.
Em seguida, já ia fazer uma ligação.
— Ah, mais uma coisa — disse Wu Chen naquele momento. — Esse homem trocou de nome e tem duas carteiras de identidade, com números diferentes. Faz muito tempo que não usa os dados da identidade original. Então é melhor mandar verificarem o registro domiciliar dele e conseguirem a foto do cadastro atual. Já se passaram dez anos, mas acho que você ainda vai reconhecê-lo.
Wu Chen fez uma pausa e acrescentou:
— E um aviso: antes de encontrá-lo, não deixe ninguém ligar para esse número. Dá para contar nos dedos de uma mão quantas pessoas conhecem esse número. Se assustarem a presa, ele foge. Pode até sair do país durante a noite.
Lei Cheng apertava o celular na mão e ouviu tudo sem interromper. Só então fez a ligação.
A chamada foi atendida imediatamente.
— Acabei de mandar um número. Manda alguém descobrir agora mesmo todas as informações do titular. Todas. Mantenha sigilo. Primeiro, de preferência, me consiga a foto dele. O resto pode vir depois.
Lei Cheng desligou e voltou a encarar Wu Chen.
De repente, o rosto sem expressão se abriu num sorriso franco e natural.
— Irmãozinho Wu, você é bom mesmo! Não é à toa que conseguiu deixar até Li Ruobing mansinha na sua mão!
— Mais ou menos — respondeu Wu Chen com um leve sorriso.
— Fala a verdade pro seu irmão aqui. Como você sabe tanto dos assuntos da família Lei? Parece conhecer tudo muito bem.
Lei Cheng era especialmente habilidoso em criar uma atmosfera descontraída. Bastavam uma expressão e um sorriso.
— Irmão Lei, você também sabe que há certas coisas que eu não posso simplesmente sair contando. Não é que eu queira esconder de você, mas… acho que você entende.
Wu Chen estava sendo deliberadamente misterioso.
Só que, depois de toda a preparação anterior, Lei Cheng não achou que aquilo fosse mero fingimento.
Ao contrário: entendeu!
Por trás de Wu Chen havia uma força — ou melhor, uma organização gigantesca e poderosa!
Obviamente havia segredos envolvidos. Por isso certas coisas não podiam ser ditas à vontade.
Que força coisa nenhuma!
A família de Wu Chen tinha uma lanchonete de lamian!
Mas era isso que Lei Cheng acreditava. E Wu Chen sabia que, mais tarde, ele certamente investigaria sua vida e chegaria à sua origem familiar.
Quando descobrisse, porém, Wu Chen tinha certeza de que Lei Cheng concluiria que todas as informações encontradas eram falsas, plantadas de propósito para impedir investigações.
Talvez continuasse investigando, mas jamais descobriria que grande força existia por trás de Wu Chen.
Porque ela simplesmente não existia.
E quanto menos conseguisse descobrir, mais Lei Cheng acharia que o passado de Wu Chen era ainda mais assustador do que imaginara.
A imagem de Wu Chen em sua mente ficaria cada vez mais misteriosa e grandiosa.
— Eu entendo. Tsc! Vocês, que vêm de famílias mais… — Lei Cheng não terminou. Mudou de assunto. — Esquece! Vamos falar de outra coisa. Ah, Irmãozinho Wu, ouvi dizer que ontem à noite alguém quase saiu no braço com o Velho Lu num restaurante, mas depois resolveu tudo com algumas palavras. Disseram que era o namorado da Li Ruobing. Era você?
O “Velho Lu” era Lu Guangnian.
A história já havia se espalhado. O ponto mais explosivo fora Lu Guangnian ter dado um tapa na esposa, a quem sempre mimara. Em apenas um dia, o assunto correra todo o círculo empresarial de Donghai.
— Era eu — respondeu Wu Chen, sorrindo. — Estão exagerando. Eu e o Irmão Lu só tivemos um pequeno mal-entendido ontem. Já esclarecemos tudo. Não aconteceu nada demais.
Depois, os dois conversaram casualmente sobre um pouco de tudo.
Coisas de Donghai: os negócios de uma família, as relações de outra e assim por diante.
Lei Cheng tentava sondar Wu Chen. Mas, quando o assunto era Donghai, ainda que Lei Cheng tivesse vivido ali quase dez anos — ou mesmo cem — jamais conheceria a cidade tão bem quanto Wu Chen.
Trim!
O celular de Lei Cheng tocou.
Ele pegou o aparelho e abriu a mensagem. Seu rosto mudou por completo. Veias saltaram na testa e até os olhos ficaram injetados!
Uma fúria extrema!
Mas contida!
Ficou um longo tempo apenas olhando a tela.
— Irmãozinho Wu! — Lei Cheng ergueu lentamente os olhos e o encarou com enorme seriedade. — Desta vez, seu irmão aqui fica te devendo! Daqui pra frente, não importa se for uma montanha de lâminas ou um mar de fogo: basta você dizer uma palavra! Se eu não resolver pra você, corto minha própria cabeça e te entrego!
Wu Chen sabia por que ele reagira daquele jeito.
Lei Cheng havia recebido as informações sobre o dono do número.
Provavelmente a foto, já que Wu Chen pedira que a foto viesse primeiro. Aquilo era fácil de conseguir: tendo contatos, bastava consultar a fotografia da identidade no sistema de registro domiciliar.
Lei Cheng reconhecera o homem!
Era justamente o criminoso que, dez anos antes, dirigira o caminhão que atingira o carro, matando três pessoas, ferindo gravemente uma e tirando a vida da esposa de Lei Cheng!
