Novels chinesas em português
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    Capítulo 049 — Li Ruobing dá uma mãozinha!

    As palavras “com medo de seu irmão matar você” fizeram os nervos de Lei Cheng saltarem de uma vez. Ele encarou Wu Chen com um olhar afiado, imóvel, como se quisesse atravessá-lo com os olhos.

    — Afinal, de que família você é? — perguntou Lei Cheng, estreitando os olhos. O tom leve e expansivo de antes havia desaparecido, substituído por uma frieza dura.

    Ele não suspeitou que Wu Chen tivesse se aproximado dele de propósito.

    Afinal, os dois se conheceram jogando, e ainda por cima num servidor privado.

    Um servidor privado desses não durava muitos dias. Depois que algum figurão dominava o servidor, a popularidade escoava rapidamente.

    Por isso Lei Cheng vivia trocando de servidor, e nem jogava todos os dias. Considerando a frequência com que mudava e o cuidado que tinha em manter as próprias informações em sigilo, ele não acreditava que alguém pudesse usar esse caminho para se aproximar dele deliberadamente.

    Nem passou pela cabeça dele desconfiar nessa direção.

    Estava claro: antes de vê-lo pessoalmente, Wu Chen não sabia quem ele era. Wu Chen não acreditava que ele tivesse tanta capacidade e só queria resolver logo os próprios assuntos. Se Lei Cheng não tivesse despejado uma enxurrada de mensagens privadas, os dois nem teriam se encontrado.

    Até a ideia do encontro tinha partido do próprio Lei Cheng.

    Então… Lei Cheng pareceu entender um pouco melhor aquela expressão sutil que Wu Chen mostrara ao entrar e vê-lo.

    Aquela sutileza não vinha de um conhecimento superficial sobre ele, nem apenas de saber por que se mantinha afastado da família. Parecia que Wu Chen realmente sabia das porcarias que aconteciam dentro da família dele!

    E essas coisas só poderiam chegar aos ouvidos de pessoas de posição alta o bastante, figuras realmente importantes.

    Aquela expressão devia ter surgido porque Wu Chen simplesmente não esperava encontrá-lo ali.

    — Chefe Lei, relaxe, relaxe. — Wu Chen sorriu, tomou um gole de chá e só falou depois de pousar a xícara. — Pra ser sincero, eu realmente não sou de família nenhuma. Não tenho o tipo de origem que você está imaginando. Mas… algumas coisas sobre você, eu realmente sei.

    — E eu quero mesmo dizer isso mais uma vez! — Wu Chen fez uma pausa e voltou a sorrir. — Embora tenha sido você quem falou primeiro, preciso admitir: nós realmente temos destino!

    Ao terminar, Wu Chen tornou a exibir um sorriso muito sutil.

    — Sem origem poderosa? Dinheiro você tem, não tem? Que negócio sua família toca? — perguntou Lei Cheng.

    — Restaurante. Negócio pequeno, nada que valha a pena mencionar — respondeu Wu Chen.

    Dessa vez ele não estava mentindo. Sua família realmente tinha um restaurante, e era mesmo um negócio pequeno demais para merecer menção: uma lanchonete de lamian numa cidadezinha de condado.

    Lei Cheng ficou algum tempo em silêncio, olhando para Wu Chen. Tomou um gole de chá, largou a xícara e disse:

    — Esquece!

    E voltou a mostrar a Wu Chen aquele sorriso expansivo.

    Ele era assim!

    Tinha pensamentos profundos e sabia esconder as coisas como poucos!

    Dizia “esquece”, dizia que não perguntaria mais, mas depois seria impossível não investigar Wu Chen. Ele não achava que Wu Chen tivesse vindo ameaçá-lo — era jovem demais; mandar alguém assim seria entregá-lo de bandeja, impossível! —, mas ainda precisava descobrir quem Wu Chen era.

    Afinal, de qual grande família aquele jovem seria um descendente central?

    — Fala aí da sua mulher. Como foi que atropelaram a garota-propaganda? — perguntou Lei Cheng, sorrindo. — Você consegue jogar mais de dez milhões num jogo sem nem piscar. Como é que não consegue resolver uma garota-propaganda?

    — Fizeram uma sacanagem com a gente. — Wu Chen suspirou e sorriu. — Não tem jeito. Hoje em dia, fazer negócio não é fácil. E não é só negócio, tem um monte de outras coisas. Chefe Lei, você também é empresário, deve entender.

    Lei Cheng assentiu.

    Claro que entendia as intrigas do mundo dos negócios, as rasteiras e os golpes baixos.

    — Concorrência comercial? — perguntou Lei Cheng, a mão já puxando a xícara por reflexo. — Mandar atropelar a garota-propaganda e pôr ela no hospital… método pesado.

    — Não dá pra chamar exatamente de concorrência comercial, mas realmente fizeram isso pra impedir o desenvolvimento da empresa. Há outros objetivos por trás — respondeu Wu Chen, de propósito, de maneira vaga.

    Lei Cheng torceu um pouco a boca.

    — Que sujeira. Sujo pra caralho. O que a garota-propaganda tinha a ver com isso?

    Ele também não perguntou quais eram esses “outros objetivos”.

    Não tinha tanta curiosidade, e aquilo não tinha nada a ver com ele.

    — É sujo mesmo! Esses últimos dias eu só tenho me irritado com isso. Eu sabia que o outro lado ia aprontar, fiz todo tipo de cálculo, mas nem assim imaginei que fossem atropelar diretamente a garota-propaganda. Era a garota-propaganda do produto novo. A coletiva de lançamento nem aconteceu e ela já ficou impossibilitada de trabalhar — disse Wu Chen.

    — Você também não tá tendo vida fácil. — Lei Cheng sorriu. — Fica tranquilo. A gente acabou de se conhecer, mas quando eu, Lei Cheng, dou minha palavra, ela vale! Eu arrumo a garota-propaganda pra você. Tenho alguns contatos no meio artístico. É só dizer quem você quer.

    Enquanto falava, Lei Cheng tirou o celular, como se bastasse Wu Chen dizer um nome para ele ligar na mesma hora e mandar a pessoa aparecer.

    — Tem que ser alguém… adequada aos produtos da empresa… — disse Wu Chen, fingindo ponderar.

    — Ah, isso, isso. — As palavras o lembraram de algo. — Nem perguntei ainda. Como se chama a empresa da sua mulher? Trabalha com o quê? Qual o tamanho?

    Embora perguntasse pelo tamanho, Lei Cheng sabia que a empresa da mulher de Wu Chen certamente não seria pequena.

    — Cosméticos, focados no segmento de alto padrão. Huancai Fashion. É bem conhecida em Donghai. Quanto ao tamanho… deve estar avaliada entre 1,8 e 2 bilhões. Dá pra chamar de uma boutique de nicho — respondeu Wu Chen.

    — Cosméticos? Então basta ser jovem, bonita e ter pele boa. Isso eu resolvo com uma frase. — Lei Cheng abriu um sorriso largo, porque mulher desse tipo era justamente o que não lhe faltava!

    — Precisa ter fama — lembrou Wu Chen.

    — Pode ficar tranquilo, irmãozinho. Não é conversa fiada de irmão mais velho, não. Vou arrumar uma estrela de primeira linha! Em plena ascensão! Da nova geração, novinha em folha! — Lei Cheng falava de modo grosseiro, com um toque de vulgaridade.

    Enquanto dizia isso, começou a vasculhar a agenda do celular.

    — Espera aí, agora mesmo eu vou…

    A voz de Lei Cheng parou abruptamente. Ele ergueu a cabeça de repente e encarou Wu Chen.

    — O que foi? Se não for conveniente, Chefe Lei, deixa pra lá. Afinal, a gente acabou de se conhecer por acaso — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Não é isso! — respondeu Lei Cheng imediatamente. Continuou encarando Wu Chen e então perguntou: — Como você disse que se chama a empresa da sua mulher?

    — Huancai Fashion. Por quê?

    — Sua mulher tem sobrenome Li?

    — Tem. O que foi?

    Wu Chen parecia completamente confuso, embora soubesse muito bem por que Lei Cheng estava reagindo daquele jeito.

    — A neta mais velha da família Li… Li Ruobing é sua mulher?! — Lei Cheng finalmente perguntou de uma vez.

    — É. Sim, exatamente. É ela. — Wu Chen manteve a mesma expressão de incompreensão. — Chefe Lei, afinal, o que aconteceu?

    — Ha! Hahahaha! — Lei Cheng riu, e então caiu na gargalhada. — Porra, se você é da família Li, era só falar! Ficou escondendo o jogo, e eu aqui tentando adivinhar de que família você era.

    — Você conhece Ruobing? — perguntou Wu Chen, fingindo não saber.

    — Não. — Lei Cheng balançou a cabeça.

    — E A-Tai?

    — Encontrei uma vez. Não somos próximos.

    — Então por que você está rindo, Chefe Lei? — perguntou Wu Chen.

    — Porque… agora eu sei de que família você é — respondeu Lei Cheng.

    Ele estava mentindo!

    Mas Wu Chen sabia o verdadeiro motivo.

    A família Li e a família Lei não tinham relação. Talvez houvesse algum contato entre membros de escalões inferiores, mas, no topo, não existia interseção alguma. Não dava para dizer que tivessem qualquer ligação. As duas famílias também eram de naturezas diferentes. A família Li era uma família poderosa da elite, com dinheiro e poder político, incluindo gente em cargos elevados. Já a família Lei era uma família puramente empresarial.

    Indústria de verdade era difícil de tocar e exigia décadas de acumulação, por isso famílias poderosas como a Li raramente se envolviam profundamente nesse setor.

    Em termos de posição, a família Lei naturalmente ficava muito abaixo da família Li. Mas que tinha dinheiro de verdade, tinha.

    E Lei Cheng estava rindo justamente porque… a família Li não tinha relação com a família Lei!

    Pois todas as grandes forças que mantinham relações com a família Lei acabavam se tornando contatos do irmão mais velho de Lei Cheng, não dele próprio!

    O conflito entre os dois irmãos era profundo demais!

    Por isso, somente pessoas sem ligação com a família Lei poderiam vir a se tornar contatos pessoais de Lei Cheng!

    — Na verdade, não dá pra dizer que eu seja da família Li. Você provavelmente já ouviu falar que Ruobing não se dá bem com a família, e eu sempre estive ajudando ela, então…

    Wu Chen ainda explicava quando seu celular tocou de repente.

    Ele pegou o aparelho, olhou a tela, franziu levemente a testa e atendeu.

    — Estou ocupado.

    Era Li Ruobing.

    — Você pegou meus dez milhões pra fechar uma lan house e jogar? — perguntou ela.

    Wu Chen ficou um pouco surpreso. Li Ruobing tinha descoberto. Pensando bem, não era estranho… Wang Zhuangyuan era homem de Li Ruotai. Ele mobilizara tanta gente de uma vez só para acompanhar Wu Chen no jogo; Li Ruotai provavelmente ficara sabendo e devia ter contado à irmã.

    Passado o breve espanto, uma ideia brilhou na mente de Wu Chen.

    Aquela ligação tinha vindo na hora certa!

    Li Ruobing estava entregando uma assistência perfeita!

    — Vamos aumentar a aposta! — disse Wu Chen diretamente.

    — Aumentar a aposta? Que aposta?

    — Ruobing, agora não quero explicar nada. Vamos simplesmente aumentar a aposta! Quem perder se ajoelha e pede desculpas. Que tal? — disse Wu Chen, mencionando deliberadamente “Ruobing”.

    Li Ruobing queria fazer perguntas, mas Wu Chen a rebateu de imediato.

    — Tá bom. Fechado!

    E desligou.

    Ela era assim, durona até o fim!

    — Tá pedindo pra apanhar… — murmurou Wu Chen, pousando o celular.

    — Você fala assim com Li Ruobing? — perguntou Lei Cheng, arregalando os olhos, completamente chocado.

    O fato de não conhecer Li Ruobing pessoalmente não significava que nunca tivesse ouvido falar de que tipo de pessoa era a neta mais velha da família Li. Uma mulher daquele tipo, mesmo que alguém passasse por mil dificuldades para conquistá-la, ainda teria que mimá-la, agradá-la e ceder a ela.

    Mas o tom de Wu Chen…

    E ainda falou em se ajoelhar?!!

    Que tipo de origem uma família precisava ter para alguém ousar falar assim com Li Ruobing?

    O quê? A família dele tinha um exército particular?

    Nota