Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 016 — Peça desculpas e eu te ensino!

    — A-Tai, se acalme! Deixa seu cunhado terminar! — disse Li Ruobing.

    — Mana, eu não me importo com o jeito que ele te enganou. Eu não vou acreditar nele! — respondeu Li Ruotai depressa. — Ele não consegue nem dizer de onde vêm as informações. Vai saber se não foi alguém que mandou esse sujeito se aproximar de você! E agora ainda quer mexer comigo?

    A reação intensa de Li Ruotai não vinha apenas da recusa de Wu Chen em revelar a fonte das informações.

    Vinha também de um preconceito baseado em estereótipos.

    “Estereótipo” é um conceito da psicologia: uma visão generalizada e fixa que as pessoas formam sobre algo.

    Li Ruotai já havia decidido que Wu Chen era um aproveitador que enganava sua irmã.

    Como sentia hostilidade por ele, interpretaria qualquer coisa que Wu Chen dissesse da pior maneira possível.

    — Você precisa mudar esse temperamento — disse Wu Chen, com toda a calma.

    — Para de tentar me dar lição, porra! — gritou Li Ruotai.

    Pegou o casaco que havia deixado de lado e puxou uma pistola de dentro dele.

    Mal começou a apontar a arma para Wu Chen quando…

    PÁ!

    Uma bofetada sonora acertou seu rosto.

    Li Ruotai ficou completamente atordoado.

    — Está se rebelando agora?! Me dá essa arma! — Li Ruobing estava furiosa e arrancou a pistola da mão dele.

    — Mana, você me bateu por causa de um estranho? — Li Ruotai cobriu o rosto e encarou a irmã, sem acreditar.

    — Eu estou tentando impedir você de morrer na prisão! — respondeu Li Ruobing entre os dentes.

    E ainda ergueu a mão outra vez, assustando Li Ruotai, que recuou por instinto.

    — Senta! — ordenou Li Ruobing, apontando para o sofá.

    Li Ruotai estava com a cara fechada, mas se sentou.

    Nem olhava para a irmã.

    Ficou encarando Wu Chen, que continuava sereno, como se quisesse devorá-lo vivo.

    Li Ruobing voltou para o lugar ao lado de Wu Chen, do outro lado. Jogou a pistola sobre a mesa de centro e apoiou a testa numa das mãos, como se estivesse com dor de cabeça.

    — Se acalma. Para quê isso? Vocês são irmãos. Não vale a pena estragar a relação — disse Wu Chen, tentando tranquilizá-la.

    — Para de bancar o bonzinho, porra! Eu e minha irmã nos damos muito bem. Não preciso que você se preocupe! — rebateu Li Ruotai.

    Depois olhou para Li Ruobing.

    — Mana, você confia mesmo nesse vigarista que não consegue nem explicar o que diz?

    Li Ruobing olhou o irmão sem expressão.

    Confiar em Wu Chen?

    Na verdade, ela também não confiava tanto assim.

    Mas Wu Chen se apresentara como corretor de informações, e ela já havia verificado uma coisa: ele identificara com precisão o traidor ao seu lado.

    Então, sem entrar no mérito de Wu Chen ser confiável como pessoa, no que dizia respeito a informações Li Ruobing acreditava nele.

    Ela não sabia que tipo de jogo ele poderia tentar mais adiante.

    Mas, se ele realmente tivesse algum grande plano oculto, naquele momento ainda estaria na fase de conquistar sua confiança.

    Logo, continuaria oferecendo informações valiosas!

    Por isso, ela acreditava no que Wu Chen dissera sobre o risco que o irmão corria.

    Quem se importa demais perde a frieza.

    Li Ruobing não queria que nada acontecesse com o irmão.

    Por isso, estava disposta a colaborar com Wu Chen.

    Sabia que, se não estivesse ali para conter Li Ruotai, ele provavelmente já teria atirado em Wu Chen.

    Não teve escolha senão dar uma bofetada no irmão para fazê-lo esfriar a cabeça.

    Li Ruobing não respondeu à pergunta sobre “confiar num vigarista”.

    Apenas fez um gesto para Wu Chen.

    — Continue.

    — Em todo o sistema político-jurídico de Donghai, dá para contar nos dedos de uma mão as pessoas que sabem que os superiores pretendem agir contra o Clube Huangguan de Donghai. Liao Bo, enviado para a Polícia de Donghai há quatro meses para assumir o cargo de diretor-adjunto, veio especificamente para cuidar do caso do Huangguan.

    — O Secretário Wei, do Comitê Municipal do Partido, também sabe. Embora tenha alguma relação com a família Li, o caso é grande demais, e ele escolheu ficar de fora.

    Wu Chen continuou:

    — Por enquanto, eles ainda estão na fase de coleta de provas. Alguns investigadores entram disfarçados de clientes, mas outros já se infiltraram no clube e vêm reunindo uma grande quantidade de evidências.

    Wu Chen virou a cabeça para Li Ruobing.

    — Trouxe papel e caneta?

    Li Ruobing era empresária. Sempre andava com um bloco de anotações e uma caneta-tinteiro.

    Tirou os dois da bolsa e entregou a Wu Chen.

    Wu Chen escreveu rapidamente no bloco alguns nomes, junto com os cargos que aquelas pessoas ocupavam no Clube Huangguan.

    Garçons, funcionários da limpeza, cozinheiros, bartenders…

    As funções que exerciam ali eram das mais variadas.

    Só havia uma coisa em comum.

    Todos tinham começado a trabalhar no Clube Huangguan nos últimos quatro meses.

    Como Li Ruotai mantinha uma administração extremamente rígida dentro do clube, ninguém havia conseguido se infiltrar em seu círculo próximo.

    Só conseguiam alcançar as áreas mais periféricas.

    Isso também tornava a coleta de provas mais lenta.

    Caso contrário, os superiores já teriam agido há muito tempo!

    Quando terminou de escrever, Wu Chen jogou o bloco para Li Ruotai.

    Li Ruotai, ainda de cara fechada, pegou o bloco, deu uma olhada e voltou os olhos para Wu Chen.

    — Só porque você diz que são infiltrados, eu tenho que acreditar?

    — Eles provavelmente ainda têm informações que não conseguiram enviar. É só verificar e você vai saber. — Wu Chen abriu as mãos.

    Li Ruotai encarou Wu Chen em silêncio por alguns segundos.

    Então pegou o celular e fez uma ligação.

    — Avise a equipe da limpeza, do setor de alimentação, do setor de operações…

    Li Ruotai citou uma sequência de departamentos e concluiu:

    — Todo mundo no saguão do segundo andar.

    Depois fez outra ligação.

    — Wu, vá ao saguão do segundo andar e dê uma bronca no pessoal.

    Feitas as duas chamadas, Li Ruotai se levantou.

    As pessoas já tinham sido retiradas de seus postos.

    E o que vinha depois?

    Naturalmente, revistar os quartos das pessoas na lista!

    Li Ruotai não foi pessoalmente.

    Chamou um dos guarda-costas de confiança que esperavam do lado de fora e mandou que ele levasse homens para fazer a busca.

    Os guarda-costas mais próximos de Li Ruotai tinham vindo da própria família Li. Muitos eram ex-membros de forças especiais ou ex-soldados de reconhecimento.

    Eram profissionais.

    Depois de organizar tudo…

    Li Ruotai ficou na sala, encarando Wu Chen.

    E Wu Chen encarava Li Ruotai.

    — Estou esperando você me pedir desculpas — disse Wu Chen, sorrindo.

    — Ha! — Li Ruotai soltou uma risada fria.

    Li Ruobing se inclinou de repente, passou o braço pelo de Wu Chen e aproximou a boca de seu ouvido.

    — O que a gente vai comer no almoço? — perguntou em voz baixa.

    — Que tal comida francesa? Você não gosta de foie gras?

    — Mas hoje eu não estou me sentindo muito bem.

    — Então algo mais leve. Que tal comida japonesa? Abriu um restaurante novo na Avenida Wutong, e a comida é boa. Ou podemos voltar para casa. Eu cozinho para você.

    Em condições normais, com Li Ruotai enfrentando um problema daquele tamanho, Li Ruobing não deveria ter cabeça para pensar no almoço.

    A atuação parecia errada.

    Mas!

    Pensando pelo lado contrário, o fato de Li Ruobing ainda ter disposição para conversar baixinho sobre comida com Wu Chen numa situação daquelas reforçava justamente a impressão de que ela era uma mulher vivendo uma paixão intensa.

    Sentado do outro lado, Li Ruotai rasgava tiras de papel enquanto encarava os dois com hostilidade.

    Ele realmente se preocupava com a irmã.

    Será que Ding Ruilong a havia pressionado tanto assim?

    Como é que ela tinha escolhido um sujeito daqueles?!

    Li Ruotai tinha muitos homens sob seu comando.

    Por isso, a busca foi rápida.

    Pouco mais de vinte minutos depois, bateram à porta.

    — Entre — disse Li Ruotai.

    Um guarda-costas entrou carregando uma bandeja. Em cima dela havia uma mistura de objetos: notebook, celulares, uma câmera DV, uma microcâmera, um diário e um aparelho de escuta.

    — Chefe…

    O guarda-costas colocou os objetos sobre a mesa e depois cochichou alguma coisa no ouvido de Li Ruotai.

    A expressão de Li Ruotai mudou repetidas vezes enquanto ouvia.

    Assim que o guarda-costas terminou, ele pegou primeiro o diário e passou os olhos depressa pelas páginas. Havia registros de muitos nomes de clientes, horários de encontros e números de telefone.

    Depois pegou a câmera DV e viu várias gravações secretas. Além dos vídeos, havia uma quantidade enorme de fotografias.

    Todas mostravam instalações, funcionários e cenas do funcionamento interno do clube.

    Em seguida, verificou o notebook, os celulares e o cartão de memória da microcâmera.

    O notebook e os celulares estavam bloqueados, mas hackers habilidosos a serviço de Li Ruotai já tinham quebrado as senhas.

    Quanto mais olhava, mais rápida ficava sua respiração.

    Seu rosto se tornava cada vez mais feroz, e as veias saltavam em sua testa…

    Ninguém fotografaria tudo aquilo sem motivo.

    No notebook, ele chegou a encontrar fotos tiradas às escondidas dos livros contábeis.

    Wu Chen estava dizendo a verdade!

    — Peguem todo mundo daquela lista, porra! Agora! Caralho! Tiveram coragem de armar contra mim! — Li Ruotai se levantou de repente e berrou.

    — Não pode mandar pegar ninguém — disse Wu Chen de repente, num tom tranquilo. — Se qualquer um deles desaparecer, isso pode fazer os superiores agirem antes do previsto. Eles já conseguiram algumas provas. Só ainda não têm a prova mais importante ligada ao cassino, e é por isso que ainda não agiram.

    O guarda-costas diminuiu o passo e olhou para Li Ruotai.

    — Você quer descontar a raiva e acabar na prisão ou quer atravessar essa crise em segurança? — perguntou Wu Chen, olhando para ele.

    Li Ruotai, que estava tomado pela fúria, se acalmou na mesma hora.

    Um suor frio lhe cobriu as costas.

    — Coloque tudo de volta exatamente como estava — disse Wu Chen, virando-se para o guarda-costas.

    O homem hesitou.

    Ao ver que Li Ruotai não se opunha, voltou, pegou a bandeja e saiu.

    Li Ruotai se sentou outra vez, os olhos ainda arregalados e o olhar inquieto.

    Pensou em todo tipo de consequência assustadora.

    — Quer evitar a prisão? — perguntou Wu Chen.

    Li Ruotai ergueu a cabeça bruscamente.

    — O que eu faço?

    — Peça desculpas para mim e eu te ensino — respondeu Wu Chen, sem expressão.

    Nota