Capítulo 012 — Seu irmão vai se meter numa encrenca das grandes
por NexoNovelCapítulo 012 — Seu irmão vai se meter numa encrenca das grandes
Li Ruobing pegou a pistola, saiu de trás da mesa e caminhou, passo a passo, na direção de Wu Chen.
Pelo que Wu Chen conhecia dela, a probabilidade de ela atirar nele naquele momento devia rondar os cinquenta por cento. Ou seja: podia acabar com um tiro de Li Ruobing, ou podia não acontecer nada.
Mas Wu Chen continuava sorrindo.
Não pretendia nem reiniciar o tempo no instante em que ela puxasse o gatilho.
Não era necessário. Li Ruobing não conseguiria acertá-lo. Quanto mais perto ela estivesse, menor ainda seria a chance: se chegasse a menos de três metros, Wu Chen a dominaria num piscar de olhos.
Ninguém seria capaz de surpreendê-lo a menos de três metros de distância.
Todo o treino acumulado por Wu Chen ao longo dos mil anos de ciclos não tinha sido em vão.
— Preciso reconhecer: você é muito especial! — Desde que começara a sorrir, Li Ruobing não havia parado. — Você tem coragem, tem ousadia, e ainda é tão jovem. Se fosse embora deste mundo assim, seria realmente uma pena.
Difícil dizer se aquilo era uma ameaça.
Ela já estava a menos de três metros.
Dois metros.
Um metro.
Meio metro.
Num movimento, Li Ruobing ergueu a arma, apontou para a testa de Wu Chen e encostou o cano nela.
Wu Chen manteve o sorriso, encarando-a com tranquilidade.
Ele era muito bom em ler as pessoas. Por isso conseguia julgar num instante, quando alguém levantava o cano de uma arma, se pretendia mesmo atirar. E, no momento em que Li Ruobing ergueu a pistola, Wu Chen soube: ela não iria matá-lo.
Pela personalidade de Li Ruobing, se quisesse matar alguém com as próprias mãos, ela não faria teatro. Não só atiraria de imediato, como esvaziaria o carregador inteiro de uma vez.
Dito de outra forma: se erguesse a arma e não atirasse, então não atiraria em momento algum.
— Não está com medo? — Li Ruobing inclinou a cabeça, com um ar divertido.
— Se você quisesse mesmo matar alguém, chamaria seus homens para entrar, porque você já sentiu que eu sou perigoso. Mas não chamou. Isso não passa de brincadeira. Por que eu teria medo? — respondeu Wu Chen, com indiferença.
Li Ruobing estreitou os olhos. E, logo em seguida, tornou a sorrir — um sorriso claro e ofuscante como o sol de uma manhã de abril.
— Eu gosto demais de você! — disse Li Ruobing, rindo.
Colocou a pistola sobre a mesa de centro e tirou um elástico do bolso.
Primeiro segurou o elástico entre os dentes, levou as duas mãos para trás e reuniu o cabelo; depois pegou o elástico com uma das mãos e o prendeu num rabo de cavalo simples.
Ela gostava de usar o cabelo solto sobre os ombros. Sempre caindo reto, sem um único fio fora do lugar.
Aquilo também era, no fundo, um comportamento de fachada — igual a usar óculos de armação dourada sem ter miopia. Li Ruobing vinha cristalizando diante do mundo uma imagem fria e imponente.
E, quando prendia o cabelo, era sinal de que talvez estivesse em casa. Ou melhor… relaxada.
Feito o rabo de cavalo, Li Ruobing girou o corpo e se sentou no colo de Wu Chen. Passou o braço esquerdo em volta do pescoço dele, ergueu um pouco o rosto e aproximou os lábios do lóbulo de sua orelha, como se fossem um casal íntimo.
Com a mão direita, pegou o celular e abriu a câmera frontal.
Click!
Um clarão. Selfie feita.
Li Ruobing conferiu a foto dos dois, e sua expressão se alterou de leve: só ao olhar a imagem percebeu que, no instante exato do clique, Wu Chen levantara dois dedos.
Fizera um sinal de vitória com os dedos.
Na foto, Wu Chen continuava tão sereno como sempre, e sorrindo.
Wu Chen sabia perfeitamente para que servia aquela foto.
Continuava sendo por causa de Ding Ruilong. Li Ruobing acharia uma oportunidade de mandar a imagem para ele. Por um lado, para irritá-lo, para lhe dar nojo; por outro, para garantir que Wu Chen não tinha sido enviado por Ding Ruilong.
— Ótimo! A partir de hoje, você é meu namorado! Daqui a pouco vou mandar cuidarem da sua contratação. Você vai ser meu assistente, mas não precisa fazer nada. De vez em quando, só me acompanhar em algum jantar de negócios. O salário é pago normalmente.
Li Ruobing falava enquanto se levantava.
Tirou o elástico, deixando o cabelo solto outra vez, e sacudiu a cabeça.
Depois pegou a arma, voltou para trás da mesa e se sentou.
— Agora fala. O que aconteceu com meu irmão? — perguntou Li Ruobing, com a voz de novo gelada e sombria.
Era como se, de uma hora para outra, os dois tivessem voltado a ser estranhos.
Li Ruobing era assim. Suas defesas interiores eram fortíssimas.
Aquela era a primeira vez que Wu Chen se tornava “namorado” de Li Ruobing. Em muitos dos 7 de julho anteriores, ele havia transado com ela, mas nunca com nenhum sentimento envolvido.
Antes, Wu Chen não investia emoção alguma nas mulheres. Ao conquistar qualquer uma delas, o objetivo era sempre transar com ela.
Namorar Li Ruobing era muito mais difícil do que transar com ela.
Porque, para Li Ruobing, quando ela ia para a cama com um homem, não era o homem que brincava com ela. Era ela quem brincava com o homem.
E, além disso, Li Ruobing sempre quis se livrar da própria virgindade. Ela não tinha certeza de que venceria a aposta, e por isso havia pensado desde cedo que, se realmente tivesse de se casar com Ding Ruilong, então, antes disso, se divertiria até se fartar, só para deixar Ding Ruilong morrendo de nojo.
Ela apenas esperava uma oportunidade de se soltar por completo.
Nos ciclos anteriores, tinha sido Wu Chen quem criara essa oportunidade para ela e a fizera escolhê-lo.
— Clube Huangguan de Donghai, Clube Dafuhao de Zhongyuan e Clube Honghai de Guangdong: os três clubes de entretenimento mais importantes do país. E o Huangguan de Donghai é administrado pelo seu irmão — começou Wu Chen.
— Sim. E o que tem? — perguntou Li Ruobing.
— O Huangguan cruzou uma linha que não devia. Isso envolve um bom número de figuras da alta sociedade, ricos e também autoridades. Isso já está sendo investigado há três meses… Pelo que eu sei da situação hoje, calculo que, em no máximo mais um mês, eles vão fechar o cerco — disse Wu Chen.
O rosto de Li Ruobing mudou uma, duas vezes. Ela chegou a ficar meio atordoada.
Aquilo era muito, muito sério.
— Exato. E não é só uma questão do seu irmão. O alvo é a família Li! Quando fecharem o cerco, não vai ser apenas o seu irmão indo para a prisão! — continuou Wu Chen. — Se for necessário, a família Li vai ter até de cortar os laços com ele, se separar dele por completo.
Li Ruobing se levantou, passou a mão pelo cabelo e deu alguns passos rápidos de um lado para o outro.
Estava muito agitada.
Embora aquilo não pudesse envolvê-la — ela podia ser considerada a pessoa mais limpa da família Li —, sua relação com o irmão era ótima.
— A informação é confiável? — Li Ruobing parou e perguntou depressa.
— Está duvidando da minha capacidade de obter informações? — Wu Chen devolveu a pergunta, sorrindo.
Li Ruobing olhou para ele e recuperou um pouco o controle. Pegou o celular e discou rapidamente um número.
——
No mesmo instante, no último andar do Clube Huangguan de Donghai, num reservado.
— Então não é gente sua mesmo? Hein? Aí a coisa fica estranha! O sujeito teve coragem de usar o seu nome e ainda tinha o meu telefone. Esse cara tem coragem demais, está é procurando a morte! Cansou de viver!
Um homem de meia-idade, rosto comprido e cavanhaque, apoiado numa bengala, falava com o máximo de respeito a um jovem bonito de camisa branca.
Atrás dele estava um homem barbudo com uma das mãos completamente envolta em bandagens.
O homem de meia-idade com a bengala era Zhao Guaizi, nome de peso no submundo de Donghai, conhecido entre a gente do meio como Mestre Guaizi.
O jovem bonito diante dele era o lendário “Jovem Mestre Li”.
E o que estava atrás de Zhao Guaizi era Liu Huzi, que na noite anterior havia cortado o próprio dedo.
Na noite anterior, Zhao Guaizi não conseguira dormir um minuto. De susto, naturalmente. E, de manhã bem cedo, correra para se desculpar com o Jovem Mestre Li, convencido de que tinha ofendido alguém do círculo dele.
Só que nunca imaginaria que o Jovem Mestre Li não soubesse absolutamente nada. Ele até disse que não havia mandado ninguém entrar em contato com Zhao Guaizi e que, entre seus homens de confiança, não havia nenhum rapaz com pouco mais de vinte anos.
— Teve coragem de usar o meu nome… Guaizi, o que é que aquele moleque disse ontem? — perguntou o Jovem Mestre Li, com um olhar de canto.
— Ele… — Zhao Guaizi ia começar a responder.
Trim… trim…
O celular tocou.
O Jovem Mestre Li ergueu a mão pedindo silêncio, tirou o telefone do bolso e olhou a tela. Atendeu na hora, e o rosto que antes parecia sério e duro se abriu num sorriso.
— Mana.
— Onde você está?
— No clube.
— Venha até aqui… deixa pra lá. Eu vou até você. Me espera!
— Mana, aconteceu alguma coisa urgente?
— Chega de conversa. Bip… bip… bip…
O Jovem Mestre Li ouviu o sinal de linha ocupada e riu, sem alternativa. A irmã tinha desligado na cara dele outra vez.
— Minha irmã vem para cá daqui a pouco. — O Jovem Mestre Li olhou para Zhao Guaizi.
— Então o senhor está ocupado. A gente já vai… — Zhao Guaizi começou a se levantar.
— Não precisa. Senta. Você vai embora depois que minha irmã chegar. — O Jovem Mestre Li fez um gesto para que ele ficasse. — E continua falando desse moleque. Puta que pariu, teve coragem de usar o meu nome. Eu mesmo vou cortar esse desgraçado em pedaços.
