Capítulo 004 — Um novo dia! 8 de julho!
por NexoNovelCapítulo 004 — Um novo dia! 8 de julho!
A casa de Wu Chen ficava num beco da parte antiga do distrito de Dongcheng. O chão do beco era irregular e o esportivo era baixo demais, o que dificultava entrar ali com o carro.
Por isso Wu Chen deixou a Lamborghini na rua, do lado de fora do beco, e seguiu a pé.
Mu Qianqian caminhava de braço dado com ele sob a luz amarelada dos postes, esticando o pescoço para todo lado, curiosa.
— Então você mora aqui? Discreto, hein.
— Discreto nada. Eu sempre morei aqui. É a casa antiga da minha família. — Wu Chen sorriu. — Você não estava achando que eu era alguma grande figura, estava? Porque eu não sou.
— Não é? — Mu Qianqian riu. — E por que aqueles caras tinham tanto medo de você? Você deu um telefonema e o sujeito bateu com a cabeça no chão na sua frente. E você ainda roubou a Lamborghini dele.
— Você ainda não entendeu? Um dia que se repete sem parar, e já faz mil anos. Ao longo desses mil anos, eu pude usar todos os métodos possíveis, sem me preocupar com as consequências, para descobrir uma quantidade absurda de coisas. Em Donghai, por exemplo, qualquer pessoa que tenha algum status social eu conheço a fundo.
— Na verdade, eu não conheço ninguém. Eu conheço eles, mas eles não me conhecem. Eu só domino algumas informações, e com elas consigo usar a força de uns contra os outros. E nem preciso pensar no que acontece se um dia descobrirem, porque tudo se reinicia. Entendeu?
— Então… você estava blefando com eles? — Mu Qianqian parou e soltou o braço de Wu Chen.
— Mais ou menos. — Wu Chen deu de ombros e completou: — O quê? Se arrependeu? Agora que sabe que eu não sou nenhuma grande figura, não quer mais ir para minha casa? Fique à vontade!
Dito isso, Wu Chen enfiou as mãos nos bolsos e seguiu andando devagar em direção à casa.
Wu Chen nunca forçava uma mulher a nada.
Isso violava seus limites morais. Ele já tinha enlouquecido no passado, mas, depois disso, para não voltar a se perder na própria loucura, para não “cair no caminho do mal” e afundar num sofrimento eterno, e para continuar vivendo como um ser humano, sempre se manteve fiel aos princípios morais que considerava indispensáveis à condição humana.
Tac, tac, tac!
Passos apressados soaram atrás dele.
— Eu vou também, eh!
Wu Chen sentiu um peso nas costas: Mu Qianqian tinha vindo correndo e pulado nele, obrigando-o a carregá-la.
— Por que não foi embora? — perguntou Wu Chen. Levou as mãos para trás, escorou as pernas dela e continuou andando.
— Por que eu iria?
— Eu não sou nenhuma grande figura.
— E o que isso importa? Você é muito interessante.
— Garotinha, não seja tão impulsiva.
— Ah, essa é boa! Justo você, que vive dizendo que já transou com dez mil mulheres, vai me dar sermão?
— Você não disse que não acredita no que eu falo?
— Não faz mal acreditar por enquanto. Vou fazer de conta que tudo o que você falou é verdade. Então não tem problema nenhum, né? Não importa o que a gente faça hoje, quando acordar tudo vai se reiniciar. Eu não vou te conhecer, nada vai ter acontecido. É isso, não é?
— É. Exatamente isso.
Wu Chen levou Mu Qianqian nas costas até chegar em casa. Só depois de abrir a porta e entrar é que a colocou no chão.
A casa era velha, mas a planta era boa: tinha três quartos e uma sala, e era bem espaçosa. A decoração, porém, era simples, coisa de mais de vinte anos atrás.
— Sua casa é tão limpinha. Nem parece casa de homem solteiro. — Mu Qianqian deu uma volta pelo lugar.
— Com um dia só, nem se eu quisesse ia dar tempo de bagunçar. — Wu Chen apontou. — O banheiro é ali. O secador está dentro do armário, na segunda prateleira, do lado esquerdo. Não tenho toalha sobrando, então usa a minha.
— Hm? — Mu Qianqian se virou, com um olhar desconfiado. — Por que você está me dizendo isso?
— Para tomar banho. Você não vai tomar banho?
— V-v-você… seu safado, a gente acabou de chegar e você já me manda tomar banho! O que passa nessa sua cabeça? — Mu Qianqian veio depressa até ele e ficou cutucando-o com o dedo.
— E o que mais seria? Você veio na minha casa fazer o quê, apreciar a paisagem? — Wu Chen riu.
— Você… você é direto demais! Não entende nada de garota. — Mu Qianqian ficou vermelha.
— Eu não entendo de mulher? — Wu Chen soltou um sorriso esquisito. — Eu entendo é demais, entendeu? Por isso não preciso ficar pisando em ovos. E, além do mais, o tempo é curto.
— Como assim, o tempo é curto?
— Às quatro em ponto da manhã, eu adormeço. Querendo ou não, eu simplesmente apago. E, quando acordo, são sete da manhã. Entendeu?
— Mas agora… ainda não é nem meia-noite. Tem mais de quatro horas.
— Três vezes! — Wu Chen ergueu três dedos.
— Três vezes o quê? — Mu Qianqian não pegou.
— Você não disse que já teve namorado? Nem isso você entende? — perguntou Wu Chen, achando estranho.
— Quando é que eu tive namorado? — Mu Qianqian estava sinceramente confusa.
Wu Chen ficou um instante parado.
A informação estava errada?
Nos mil anos anteriores, Wu Chen havia encontrado Mu Qianqian não uma nem duas vezes, mas talvez mais de cem. Na maioria delas, foi no Bar Huahe; nas outras, ele cruzara com ela por acaso enquanto tentava conquistar alguma garota.
Ele tinha ouvido as pessoas dizerem que Mu Qianqian tinha namorado.
Só que nunca havia pretendido conquistá-la e, por isso, nunca a investigara por completo.
— Então quem é Sun Haoran? — perguntou Wu Chen, direto.
— Uau! Você sabe até daquele idiota? Quanto da minha vida aquela peste andou te contando?
— Você não namorou com ele?
— Não!
— Então por que tem gente dizendo que ele era seu namorado?
— Bom… a gente tem uma promessa de casamento desde a infância. Foi meu avô que combinou com o avô dele. Foi só uma coisa que dois velhos combinaram de boca; como é que isso ia valer? Meus pais nem reconhecem. E depois… quando eu estava no ensino fundamental, aquele idiota se transferiu para uma escola em Donghai e começou a sair dizendo por aí que eu era namorada dele. Foi só isso…
— E depois?
— Depois eu pedi para o meu primo mais velho, por parte de pai, arrumar uns caras para dar uma surra nele. Aí ele se transferiu de novo e foi embora de Donghai.
— Ah, então é isso… — Wu Chen assentiu.
Sun Haoran não era de Donghai, por isso Wu Chen nunca o investigara. E, como também nunca tinha investigado Mu Qianqian por conta própria, apenas ouvira comentários soltos a respeito e acabara entendendo tudo errado.
— Quer dizer que você ainda é… aquilo? — perguntou Wu Chen, com uma expressão insinuante.
— Aquilo o quê? — Mu Qianqian ficou perdida, sem entender nada.
Wu Chen não explicou. Em meio ao grito de surpresa dela, ergueu-a de repente nos braços e foi direto para o banheiro.
— Aah! O que você está fazendo?
— Vamos tomar banho juntos.
— Você… você é muito safado… safado demais…
Naquela noite, Mu Qianqian finalmente entendeu a que Wu Chen se referia quando disse “três vezes”…
——
Amanheceu. Sete horas da manhã, em ponto.
Wu Chen acordou pontualmente e ficou olhando o teto, com o olhar perdido. Outro ciclo. Todos os dias eram assim: acordar de manhã, encarar o teto e ficar pensando no que tinha feito “ontem”. Já era hábito.
— Ei! Seu safado. Você não disse que 7 de julho se repetia sem parar? Que tudo se reiniciava todos os dias? Hoje é 8 de julho. Como você explica isso? — A voz de uma garota soou ao lado, gelada.
A expressão de Wu Chen mudou por completo, num susto que beirava o pânico. Ele se sentou de uma vez e virou a cabeça.
Enrolada num cobertor, Mu Qianqian segurava um taco de beisebol com as duas mãos. Com as bochechas infladas, encarava Wu Chen com uma cara de poucos amigos.
