Novels chinesas em português
    Índice do Capítulo

    Capítulo 002 — Um sujeito perigoso! Wu Chen conhece todo mundo

    — Ei… — Mu Qianqian ainda tentou dizer alguma coisa, mas a amiga já havia desligado. Ela bufou de raiva e resmungou: — Sua peste… esquece a amiga na hora que aparece homem.

    — 9 minutos e 13 segundos — disse Wu Chen, com indiferença.

    — Que 9 minutos e 13 segundos? — Ainda fervendo, Mu Qianqian ergueu a cabeça e encarou Wu Chen. No instante seguinte, congelou. E ficou pasma.

    【Daqui a 9 minutos e 13 segundos, ela vai ligar para te dizer que não vem.】

    Era exatamente o que Wu Chen tinha dito antes.

    Mu Qianqian agarrou o celular com as duas mãos, abriu o histórico de chamadas e começou a rolar a tela às pressas.

    O horário da ligação recebida da amiga:

    22h16min23s.

    Subtraindo 9 minutos e 13 segundos, dava 22h07min10s. E Mu Qianqian tinha conferido a hora antes. Não chegara a olhar os segundos, mas eram realmente 22h07.

    Mu Qianqian ficou completamente atônita.

    — I-isso… isso… isso não é possível… — Ela arregalou os olhos para Wu Chen e, sem forças, deixou-se cair na cadeira.

    — Agora acredita em mim? — perguntou Wu Chen, sorrindo.

    — Você… — Mu Qianqian tinha bebido bastante, mas o susto a deixou sóbria na hora. — Você consegue prever o futuro?

    — Não é prever o futuro. Vou repetir mais uma vez: para mim, hoje é um dia que se repete sem parar. Não é a primeira vez que eu te vejo.

    — Você… hahaha! Ah, agora eu entendi! — Mu Qianqian pareceu subitamente sacar tudo. — Você conhece minha amiga, não conhece? Vocês dois combinaram isso para me sacanear!

    — Deixa pra lá. Não estou com vontade de explicar mais nada. — Wu Chen sorriu, sem alternativa.

    Mil anos.

    Ao longo daquele tempo interminável, Wu Chen já havia contado a um número incalculável de pessoas que estava preso num único dia. Como tudo voltava ao início depois que ele dormia, contar ou não dava no mesmo.

    Mas, de verdade, quase ninguém acreditava nele.

    Por isso Wu Chen costumava apenas dizer o que tinha a dizer. Se o outro acreditasse, ótimo; se não, tanto fazia. Também não havia por que ficar se explicando demais.

    — Eu sabia! Você e aquela peste se juntaram para me enganar. Agora que eu descobri, ficou sem argumento, não é? — Mu Qianqian voltou a se orgulhar um pouco da própria inteligência.

    — De onde saiu esse moleque, arrumando confusão aqui?

    — Gata, foi ele que te chamou de feia? Quer que a gente dê uma lição nele?

    De repente, um grupo de homens cercou Mu Qianqian por trás. Um por um, tinham cara de arruaceiro. Não havia dúvida: eram um bando de marginais.

    Até então, a conversa entre Wu Chen e Mu Qianqian não tinha chamado atenção de ninguém.

    Mas, quando Mu Qianqian bateu na mesa e se levantou, atraiu o olhar dos marginais do bar.

    Na verdade, Mu Qianqian era muito bonita. A maquiagem era pesada, mas dava para perceber que seus traços naturais eram bonitos.

    Wu Chen só lhe dera 7 porque não gostava de maquiagem carregada.

    Depois de ter passado por tantas mulheres, os critérios de Wu Chen eram altíssimos.

    Para qualquer outra pessoa, no entanto, Mu Qianqian era sem dúvida uma gracinha.

    — Ô, moleque, que jeito é esse de falar? Foi você que chamou essa gata de feia?

    — Gata, esse cara está te incomodando? Vem tomar uma com o nosso chefe, que a gente resolve isso pra você!

    Os marginais puxavam Mu Qianqian de um lado para o outro e enchiam Wu Chen de desaforos.

    — O que… o que vocês estão fazendo? Isso não é da conta de vocês! Vocês sabem quem eu sou? Me soltem… — Mu Qianqian empurrava um, empurrava outro.

    Todo mundo entendia qual era a intenção daqueles homens.

    Naquele momento, Mu Qianqian acreditava que Wu Chen fosse amigo da melhor amiga e, portanto, gente do seu lado. Os marginais, esses eram claramente os assediadores.

    PÁ!

    Um estrondo repentino fez todos levarem um susto.

    Um dos marginais se agachou na hora, segurando a cabeça, de onde já escorria sangue.

    — Se é para brigar, então briga. Para que tanta conversa? — Wu Chen se levantou com a garrafa que acabara de quebrar na cabeça do sujeito. Tinha sido tão rápido que os outros só reagiram depois do golpe.

    — Caralho, o moleque partiu para cima!

    — Acaba com ele!

    Vários marginais avançaram para cercar Wu Chen. Ele ergueu a mão e enfiou o vidro no que vinha na frente.

    TCHAC!

    — Aah!! Meu olho!!

    Wu Chen tinha na mão a metade quebrada de uma garrafa, com a borda afiadíssima. Cravou-a direto no olho esquerdo de um dos marginais, deixando-o cego daquele olho, e o sangue esguichou.

    Em seguida, puxou o braço de volta e desferiu um corte.

    Desta vez, foi direto ao pescoço de outro homem. Era um golpe para matar.

    Wu Chen não se importava em matar. Já não lembrava quantas pessoas havia matado. De todo modo, tudo seria reiniciado. Tanto fazia.

    O homem reagiu bem rápido e, tomado de pavor, encolheu o corpo. Ainda assim, sentiu um frio súbito no pescoço.

    Levou a mão ao lugar e ela voltou coberta de sangue.

    O vidro tinha pegado. O corte não era profundo, mas sangrava muito.

    O grupo inteiro se calou. Ou, mais exatamente, morreu de medo. Nunca tinham visto ninguém atacar com aquela brutalidade. No mundo do crime, por mais violento que o cara fosse, ninguém partia direto para tirar a vida do outro.

    Ferir gravemente ainda era coisa pequena. Deixar alguém aleijado, paralítico, tudo isso se resolvia com dinheiro. Mas, se aparecia um cadáver, aí o problema mudava de tamanho.

    Os marginais recuaram alguns passos, todos com o rosto tomado de terror.

    — Estão matando alguém!!

    O bar virou um caos. Os clientes disparavam em massa para a saída.

    Num reservado não muito distante, vários homens se levantaram de uma vez.

    Entre eles havia um de rosto comprido e barba cerrada: era o chefe que os marginais tinham mencionado. Todos tinham vindo juntos e, quando Mu Qianqian bateu na mesa e se levantou, ele a notou e mandou os subordinados trazê-la ao seu reservado.

    — Porra! — O homem de rosto comprido veio na frente dos seus, cheio de fúria.

    Viu um dos rapazes com o olho furado e outro com o pescoço cortado, que segurava o ferimento com uma das mãos enquanto, com a outra, apertava o celular desesperadamente para ligar para o 120. Tinha medo de morrer sangrando.

    Os homens que acompanhavam o barbudo eram todos figuras perigosas e já iam avançar, mas ele ergueu a mão e os deteve.

    Wu Chen estava muito tranquilo. Ao vê-lo se aproximar, jogou sobre a mesa a metade ensanguentada da garrafa e simplesmente se sentou.

    Aquilo deixou o homem de rosto comprido apreensivo.

    O rapaz não devia passar dos vinte e poucos anos. Mesmo assim, atacava com aquela crueldade e continuava daquele jeito, sem se alterar.

    Ou era louco, ou tinha um respaldo poderoso o bastante para fazer o que quisesse sem medo. E nenhum desses dois tipos era fácil de enfrentar.

    — Rápido, rápido! Levem os dois para o hospital primeiro. — O homem chamou dois subordinados para levar os feridos.

    O que tinha levado o vidro no olho provavelmente perderia o esquerdo.

    Mas isso era o de menos. O problema era o do pescoço cortado. Se não conseguissem salvá-lo, a brincadeira ficaria séria.

    — Liu Huzi, ficou importante agora, é? Arrumando confusão num bar… Foi assim que seu chefe Zhao Guaizi te ensinou? — disse Wu Chen, olhando o homem de rosto comprido com toda a calma.

    — Você me conhece? E conhece meu chefe também? — Liu Huzi pensou na mesma hora: “Eu sabia”.

    Wu Chen conhecia todas as grandes figuras de Donghai e sabia todos os segredos delas. Além disso, conhecia qualquer pessoa da cidade que tivesse algum nome, alguma posição minimamente relevante.

    Numa cidade de mais de dez milhões de habitantes, era impossível conhecer todo mundo a fundo. Mas bastava que alguém tivesse algo de particular para que Wu Chen soubesse quem era.

    Só que, como o tempo se reiniciava sem parar e cada dia era um começo novo, Wu Chen não tinha propriamente uma rede de contatos.

    Aquelas pessoas, naquele momento, não o conheciam.

    Não que isso importasse. Conhecê-las bastava. Se quisesse ser conhecido por elas, era questão de minutos.

    — Este lugar é território de Wang Zhuangyuan. Os homens de Zhao Guaizi vêm dar trabalho aqui e não têm medo de acabar no fundo do rio, servindo de comida para os peixes? — continuou Wu Chen.

    O rosto de Liu Huzi mudou de cor.

    Ele já suspeitava que Wu Chen fosse algum sujeito perigoso e habilidoso recém-contratado por Wang Zhuangyuan.

    Wang Zhuangyuan e seu chefe, Zhao Guaizi, viviam se estranhando.

    Normalmente, Liu Huzi não levaria seus homens a um estabelecimento de Wang Zhuangyuan, e, mesmo quando aparecia, não arrumava briga. Só que naquele dia havia o enterro de um parente mais velho da família de Wang Zhuangyuan, e todos os seus homens tinham ido para lá. No bar, só restavam os seguranças comuns. Foi por isso que Liu Huzi se atreveu a levar o pessoal para se divertir.

    Será que esse rapaz era o novo homem que Wang Zhuangyuan contratara para segurar o lugar?

    — Irmão, com quem você anda? — perguntou Liu Huzi, o tom já bem mais educado.

    Wu Chen apenas o encarou em silêncio, sem responder.

    — Não diga depois que eu não avisei. Mesmo que você seja homem de Wang Zhuangyuan, pegou pesado demais! Isso não respeita as regras do meio! — O tom de Liu Huzi voltou a endurecer. — Ermao já foi para o hospital. Se ele não sobreviver, nem Wang Zhuangyuan vai conseguir salvar sua pele!

    — Heh. — Wu Chen abriu um sorriso de canto.

    Pegou o celular, digitou rapidamente um número e ligou.

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